Notas iniciais
Como o título já diz, não só os personagens mas eu também gostaria de me desculpar. Passei algum tempo sem postar por causa da escola e falta de criatividade, confesso, mas estou de volta. Boa leitura!

—Oi pra você também, docinho. — Responde-me Ethan com a voz carregada de ironia, — Não tive outra opção, já que você não fala comigo na faculdade e nem responde minhas mensagens.

—E você queria o que? Que eu fosse correr atrás de você, implorando por saber o motivo que te fez me fazer com cara de boba? Se eu não quero falar com você é porque me deu motivo para tal.

—Ah, e aquela história de “não ligo se você está com outra”? — Argumenta, imitando minha voz de uma maneira que teria me feito rir em condições normais.

—Isso não vem ao caso. O problema não é com quem estava, é ter me feito de idiota. E por favor, vá embora. Eu realmente não quero discutir com você sobre isso. Mal nos conhecemos, não sei nem porque aceitei sair com você.

—Aurora, me desculpe. Esther é uma colega de curso que eu encontrei por acaso, ela foi comprar café e me viu, só veio dar oi. Só que exatamente naquele momento você chegou e interpretou tudo errado. Ela não é minha namorada.

—Sinceramente, eu não me importo se é ou não sua namorada.

—Então porque está tão chateada? Sério, estou te pedindo, acredite em mim, não foi proposital.

Suspiro e rendo-me. Afinal, ele tem razão. Não há motivos para ficar chateada. Além do mais, quanto antes eu perdoá-lo, ou pelo menos fingir que perdoei, antes ele me deixará em paz e poderei seguir a vida normalmente.

—Tudo bem, está desculpado. — Ele sorriu e agradeceu.

—Então podemos sair de novo?

—Não abuse do meu bom humor, Ethan. Depois do que fez, é improvável que eu saia novamente com você. — Giro o corpo e entro na casa deixando-o sozinho parado na varanda. Subo para o quarto e observo-o sair andando pela rua sem me notar na janela.

***

Era mais um dia de trabalho na biblioteca quando me pego encarando Ethan discaradamente enquanto ele lê mais um de seus intermináveis e muito provavelmente entediantes livros de filosofia. No momento em que decido-me a ir conversar com ele para tentar amenizar a tensão crescente entre nós um imprevisto me acomete e vejo John postar-se na minha frente.

—Preciso conversar com você. A sós.

—Tudo bem. — Digo, dando uma olhada em Ethan que agora nos observa atentamente tentando não ser notado. — Vamos lá para fora.

Seguimos pela porta da biblioteca e paramos pouco a frente do batente da porta. Cruzo os braços e espero pacientemente que ele comece a falar, reflito por um momento o que ele poderia querer me dizer. John parece escolher as palavras certas e isso me deixa ainda mais apreensiva com o que viria a seguir.

—Fui à sua casa alguns dias atrás… — Nesse momento ele desvia o olhar para o chão demonstrando constrangimento e suspira pesadamente. — Vi você com Ethan. Queria saber porque ele estava lá com você na varanda.

—Veio se desculpar pelo que aconteceu no encontro. Ele foi um idiota comigo e resolveu assumir o erro pedindo perdão. — Explico, com o tom de voz subindo a medida que percebo o que aquela insinuação significava realmente.

—E ele não podia simplesmente ter mandado um e-mail? Me parece que vocês estão bastante íntimos se ele pode simplesmente aparecer assim na sua casa.

—Você está sendo irracional e isso é ridículo, John! — Digo, exaltando-me cada vez mais com as suas acusações.

—Me desculpe, eu provavelmente apenas julguei mal e acabei sentindo ciúmes, você sabe como eu sou. Peço que me perdoe, vou tentar melhorar, eu já te disse. — Ele responde, voltando ao normal e se acalmando rapidamente. Como sempre, John tem o poder de me desarmar, despertar pena na parte mais profunda do meu ser. Geralmente não considero o sentimento de pena algo bom, mas era impossível me zangar com ele quando falava dessa maneira.

—Okay, eu aceito suas desculpas. Mas essa será a última vez. Acho importante que realmente se esforce pra não fazer algo assim novamente ou nunca mais terá outra chance.

Ele põe as mãos em minha cintura buscando um beijo que eu não estou disposta a dar-lhe agora. Desvio o rosto do seu, mas ele não protesta, apenas abraça-me forte. Agradeço por mesmo incompreensivo ele ser muito carinhoso e doce. John é bondoso, mas como todos nós, tem defeitos, sombras, enraizados em si mesmo. Eu também tenho. Ethan tem. Todos nós temos.

Depois de me desvencilhar de seus braços, dou-lhe adeus e volto ao trabalho, abandonando completamente a ideia de ir me sentar com Ethan.

***

Durante a noite, passo horas sentada em minha escrivaninha alternando as atividades entre as tarefas de casa, música relaxante e leituras complementares ao conteúdo da faculdade. O processo me deixa exausta, mas a semana de provas se aproxima cada vez mais e ainda não me sinto nem de longe preparada para enfrentá-las. Sendo assim, concentro-me em tirar os rapazes dos pensamentos e concentrar-me em cada um dos conceitos perdidos durante a aula enquanto estava imersa em devaneios inúteis e sentimentais.

No momento em que tiro os fones para começar o penúltimo capítulo de um livro didático sobre Psicologia Social, ouço um baque da porta sendo fechada com rispidez no andar de baixo. Estranho a situação, pois acreditava que todas as meninas já estivessem dormindo naquele momento. Ouço os passos na escada e percebo a ausência de Lucy. Tranquilizo-me ao vê-la abrir a porta, mas ela não nota minha presença por estar ocupada com os braços envoltos em outra pessoa. Percebo então que os dois estão se beijando, ele com as mãos em sua cintura — uma delas bem abaixo do que poderia se considerar cintura — e ela com os dedos acariciando sua nuca. Os dois giram o corpo como se fosse uma pessoa só. Quando o corpo de Lucy bate contra a parede ela finalmente abre os olhos, dando-se conta naquele momento de que eu estava presenciando a cena. Suas mãos soltam o corpo do rapaz que eu ainda não havia identificado e seu rosto revela no mínimo constrangimento. O homem misterioso se vira para me olhar tentando descobrir a fonte do horror de Lucy e então eu própria começo a imergir na descrença.

Era o Sr. Allen, meu professor.

Notas finais
Espero que tenham gostado e até o próximo capítulo!