Alguns dias se passaram sem que Savannah soubesse nada sobre John, esteve a ponto de ligar para ele por pelo menos três vezes, mas se conteve, não saberia o que dizer e temia o que teria de ouvir, afinal já não pertencia a ele, sua vida tinha tomado outro rumo certamente a de John também, mas o sentimento de perda persistia em seu coração, mas sabia que não poderia fazer nada...

Os pais de Savannah passaram a semana lembrando que ela deveria comparecer à festa de comemoração da boa colheita que tiveram naquele ano, mesmo ela não sendo agricultora, pois todas aquelas pessoas de uma forma ou de outra contribuíram para o tratamento de Tim com doações arrecadadas nos estabelecimentos comerciais da pequena cidade. Savannah não estava muito animada para festas, há muito tempo tinha perdido o encanto por essas comemorações, mas tinha uma responsabilidade moral então iria e levaria Alan, seria bom pra ele sair um pouco da fazenda, com certeza ele iria se divertir nos brinquedos do parque.

Savannah viu os olhos encantados de Alan quando chegaram ao local da festa, estava tudo iluminado, com várias barracas, crianças brincando, jovens passeando de mãos dadas, uma profusão de cores e sons que a fizeram se sentir um pouco mais confortável por estar ali, afinal tinha tanto tempo que não saia para descontrair, pensar em si mesma, viver as coisas que eram importantes para ela num passado recente. Havia momentos que ela imaginava que sua vida tinha tomado um rumo completamente alheio aos sonhos que ela um dia teve. Hoje seria diferente... seria mais feliz, ainda que por poucos momentos, porque Alan precisava dela e ela faria tudo por ele.

Ela conversou todos que encontrou, lembrou momentos engraçados de sua infância, afinal tinha crescido naquela região e todos a conhecia, seus pais ficaram sempre por perto, como se a garotinha deles nunca tivesse crescido, cuidando e aparando da mesma forma que agora ela fazia com Alan, por vezes se pegava pensando se algum dia teria seus próprios filhos. Sacudiu a cabeça por um momento para que evitasse pensar em coisas que não fosse agradável, seus olhos sempre estavam procurando por Alan, mas ele não estava no lugar que estava antes e isso a deixou um tanto preocupada, pediu licença para as pessoas que estava conversando e foi procurar por ele, ela tentava deixá-lo ter uma independência, mas mesmo assim ficava constantemente preocupada quando ele sumia por algum motivo. Resolveu começar a procura pelos brinquedos, pois era com certeza onde ele iria primeiro, não precisou caminhar muito e logo o avistou perto da barraca de tiro ao alvo, conversando com alguém que estava escondido por um dos pilares da barraca, resolver se aproximar para chamar Alan e ver se ele precisava de alguma coisa, seu coração se sobressaltou quando ao se aproximar percebeu que Alan estava com John, mas já era tarde para parar John já a tinha visto e sorriu.

_Olá Savannah. Ele disse.

_Oi John, não imaginava te encontrar aqui. Tudo bem?

Ele apenas sorriu e disse que estava conversando com Alan e até tinha conseguido ganhar um avião de brinquedo para ele na barraca, por isso Alan estava tão feliz e entusiasmado, mas tão grande foi a sua decepção quando uma garota morena e linda veio todas cheia de sorrisos e abraçou John dizendo _ Querido, sou péssima nesses brinquedos, não consegui nada. Depois disso ainda deu um beijo em sua boca, numa demonstração clara de intimidade, que deixou Savannah aturdida.

John a afastou levemente, mas a garota manteve-se abraçada a ele, então olhou para Savannah, que estava parada próxima a Alan. – Oi.

_ Oi. Savannah respondeu.

_ Querido não vai nos apresentar? A morena perguntou a John que estava em silêncio até aquele momento.

_ Lucy, Savannah. Savannah, Lucy. Ele disse apenas isso como se cumprisse apenas uma obrigação.

_Savannah? Ela olhou nos olhos de John quando disse isso, que se tivesse uma nova pergunta subentendida na primeira. Olhando novamente para ela disse ser um prazer conhecê-la.

Savannah disse que era um prazer para ela também mas que precisava ir, pois já estava tarde e precisava levar Alan, o que deixou Lucy com um risinho irônico no rosto, se despediu e saiu dali antes que seu coração parecesse de bater, não estava preparada para cena que se desenrolou na sua frente, não estava preparada para ver John com outra pessoa. Quem seria ela? Porque ele não falou a seu respeito uma semana atrás quando esteve em sua casa? Mas agora também não precisava falar nada, era óbvio porque ele saiu daquela maneira sem ao menos olhar para trás, ele estava comprometido com outra pessoa e não queria estragar tudo. Como fora tola, como pode ficar imaginando uma vida que não era mais sua, como pode ficar imaginando que John estaria sempre à disposição dela. Ele tinha direito a reconstruir sua vida, e ela não podia impedir isso, mesmo sabendo que tudo era verdade, o único sentimento que permanecia era a dor da perda a estava corroendo, mas tentou manter sua dignidade, se despediu dos pais e amigos, tentando demonstrar que estava tudo bem, mas sua mãe percebera a sua palidez, mas disse que era apenas cansaço. Precisava ir embora o mais rápido possível porque seu autocontrole estava escapando de suas mãos, não queria chorar na frente de todos e nem mesmo na frente de Alan.

Chegou a casa cerca de vinte minutos depois de ter saído, colocou Alan na cama e foi para o seu quarto não estava mais suportando segurar a torrente de lágrimas que desabavam agora por seu rosto. Chorou praticamente a noite inteira, mal conseguiu dormir.

Por pior que se sentisse, não podia ficar com raiva de John, nem mesmo de Lucy, pois ela mesma escolhera ficaram sem ele naqueles últimos cinco anos, agora ele estava cuidando de sua própria vida, ela também tinha que cuidar da sua, afinal tinha um rancho para cuidar, Alan que precisava dela e as crianças que estavam sendo ajudadas com o programa de convívio com animais, teve certeza que precisava encerrar de uma vez por todas aqueles capítulos de sua vida e que a partir de agora John não faria mais parte deles.