Um Novo Despertar
5 Paranóia - Acho que o Demônio está de volta
Notas iniciais
— O que está acontecendo? — Cebola disse ao ver Do Contra.
Denise tentou segurá-lo, mas o garoto a empurrou e deixou-a caída no chão, sem se virar uma única vez e então correu para fora da festa.
— Ele tá fugindo! — Disse Carmen.
Cebola a puxou enquanto corria atrás de DC. Ele estava indo em direção à floresta.
— Do Contra, para agora! — Cebola gritou.
— Para você! — Carmen reclamou. — Tá me machucando.
Cebola revirou os olhos, puxou seu braço e a carregou no colo enquanto corriam.
— Eu vou perder ele de vista se não parar de espernear! — Cebola esbravejou.
— Então me põe no chão.
— Eu não vou te deixar sozinha pra se esconder por aí, todo mundo vai sair daqui junto.
Carmen ia falar algo, mas Do Contra parou. Cebola fitoua estampa da cantora nas suas costas.
— Você achou que seria tão fácil? — Do Contra perguntou em tom animado.
— Na verdade, achei que você ia demorar mais para aparecer, mas já que tá aqui, vamos embora que já deve estar na hora do rango.
— Virou a Magali agora? — Carmen apertou sua bochecha. — Se continuar assim vai virar o Quim. Sua pele tá horrível, isso é uma espinha?
— Agora não Calmen. — Cebola corou.
Do Contra riu lá na frente.
— Huaahuaahhaahaha vocês são mesmo perfeitos um para o outro.
— Joga ururuca pra outro lado, querido. — Carmen tentou imitar a Denise.
— "Ururuca"?
— Qual é, tô tentando parecer legal.
— Meu nobre vegetal e a princesinha do limoeiro. Sabe por que juntei os dois?- Ele não esperou resposta. — Porque ela você pode derrotar. Tão fraca, tão burra...
Carmen encostou o queixo ao peito.
— Falar dela desse modo é nojento! Você está machucando-a!
— Não, Cebola. Você está. — O riso de Do Contra o deixava irritado. — Você sempre a machuca, em qualquer versão repugnante sua.
— Do que está falando? Tá louco?
— Quando você conseguiu dominar o mundo com o poder da Jumenta Voadora, ela era a única garota do seu lado, todo rei precisa de uma rainha. Mas você, Cebola, você sempre quis mais. Quis alguém que não podia ter, meu alguém.
— Mônica... — Ele murmurou.
— Sim, ela. Carmen buscou poder, mas então ela começou mesmo a gostar de você, mas já não tinha mais sentimentos, tentou colocá-la numa máquina, o primeiro protótipo do que viria a ser o resto dos soldados.
— Cala a boca! — Ele gritou.
— ELA MORREU! — Do Contra completou. — E você não se importou. A alma dela vagou pelo véu, até chegar aqui.
— O que você quer? Vai ficar contando historinha mesmo ou vai ACABAR COM A PORRA DO JOGO NO COMEÇO DE UMA VEZ?
— Eu queria, mas já estou enrolando demais. Esse não é o começo do jogo, Cebola, é o fim. — Ele fez uma pausa. — Para ganhar o jogo, você precisa chegar ao começo.
Cebola, irado, colocou Carmen no chão e caminhou até ele.
— Querendo ou não, você vem comigo! — Ele colocou a mão no seu ombro. Era frio como gelo. O medo percorreu sua espinha.
— Vo-você não é o Do Contra.
— Claro que você sabe disso, você me transformou nesse monstro! A CULPA É SUA!
Ele se virou, encarando Cebola com a massa de carne vermelha no lugar do rosto.
Luzes começaram a piscar ao longe, na forma de pessoas.
Carmen soltou um grito agudo.
— Aqui é para onde as almas de todos aqueles que você destruiu vieram.
— Corre! — Cebola gritou, puxando a mão de Carmen em direção à casa novamente.
Do Contra apareceu na frente deles.
— Já vai? É uma pena... Tem alguém aqui que quer muito te ver.
O Chão começou a rachar. Uma mão cadavérica saiu da fenda.
"Cebooooola..." a voz era arrastada.
O garoto engoliu em seco. O cadáver saiu da terra. Camen. Ela usava o mesmo vestido que usava agora, porém estava sujo, recheado de terra. Seus cabelos desgrenhados voavam atrás de si, ela não possuía um dos olhos e da cavidade, saíam vermes aos montes.
— O que está esperando? Fuja como um covarde! — Do Contra saiu do caminho. — Logo vai descobrir que não tem para onde fugir.
Cebola e Carmen correram gritando, rumo à segurança que a casa lhes ofereceria.
~X~X~
— O que foi isso? — Perguntou Cascão. — Alguém tá pra ter filho na floresta?
— Cala a boca, Cascão. — Denise censurou. — Tá na cara que é alguém fazendo filho na floresta.
— É a Carmen! — Disse Sofia. — Ela tá é para morrer.
— Como você sabe? — Denise perguntou. — Tá pagando de Creuzodete agora?
— Não, — A expressão dela foi sombria. — eu conheço o som da morte.
Denise trocou um olhar com o Cascão.
— Cara isso foi incrível! — Exclamou o garoto.
— Ficou divassa dark! — Denise deu pulinhos. -Faz de novo?
Sofia revirou os olhos.
— Acabaram com meu clima trevoso...
— GALERA CORRE!
Era a voz de Cebola. Os três voltaram o olhar na direção do som a ponto de ver sete fantasmas, mas não conseguiram identificá-los.
— O que está...
Cebola irrompeu pelo portão carregando Carmen, que estava chorando com a cabeça encostada em seu peito.
— ELE TÁ CHEGANDO! — Berrou Cebola.
— Calma careca... — Cebola afastou Cascão com um chute.
— CALMA O ESCAMBAU! Tem zumbi, fantasma e...
DOOM!
Eles se viraram parq correr em direção à casa, mas seu caminho foi bloqueado pelos convidados.
Cebola olhou de um para o outro. Todos sem rosto.
"Ceboooola" — A Carmen zumbi se aproximava.
— Ai minha santa deusa dos vestidos! — Exclamou Denise. — Não deixe nada de mal acontecer com esse vestido que uso agora, amém.
— Mulher, por favor! — Carmen a olhou com os olhos molhados. — A gente vai morrer e você tá preocupada com um vestido?
— Et Tu Carmen? Pensei que você me entendia, Mona!
"Cebooola" O som dos passos arrastados ficava mais alto.
— Eu não quero morrer! — Exclamou Sofia.
— Acalme-se, Maitê, isso acontece o tempo todo e ninguém morre de verdade...
— MEU NOME É SOFIA! — A garota correu por cima dos convidados sem rosto, derrubando todos em que encostava.
— É a nossa chance, vai!
A turma correu atrás de Sofia, a cada corpo por qual passavam, várias lacraias saíam de suas bocas. Um mar de insetos começavam a seguí-los.
— A GENTE VAI MORRER! — Cascão gritou. — Eu não quero ir pro inferno! Buaaaaaa...
— Lá não é tão ruim. — Denise abriu a porta do casarão. — Tirando a parte da fome, da tortura, do frio e daquela visão infernal do corpo de certas pessoas.
Ela encarou Cebola.
— O que foi? — Ele perguntou. — Você...
— Dá pra entrar logo aqui ou ta difícil?
Cebola entrou. A pesada porta bateu.
— Pode me colocar no chão agora? — Disse Carmen. — Como você...
— Você é bem levinha na verdade. — Ele sorriu ao colocá-la em terra firme, ignorando a dor mos braços.
— Dá pra alguém me explicar o que tá acontecendo aqui? — Cascão perguntou. — Zumbi, fantasma com cara de morto, a cara da Carmen toda suada... Achei q essas bizarrices só acontecessem no Halloween.
— Meu rostinho é bonito de qualquer jeito. — Ela lhe mostrou a língua. — Deus me livre de VOCÊ suado, a gente nem te aguenta normal...
— Galera. — Sofia disse. — Tem alguém batendo na porta.
Arranhões se ouviam junto com a abafada voz. "Cebooola"
— Taca-lhe sal! — Berrou Denise.
— Tá vendo sal aqui onde, sua louca? — Repreendeu Cascão.
— Sal não vai adiantar. — Cebola recuou, nervoso.
Centenas de insetos começaram a passar por baixo da porta.
— Pro andar se cima, rapido! — Exclamou Carmen.
Eles correram pelas escadas enquanto os insetos tomavam o andar debaixo.
— Aqui não podia ter um elevador? — Carmen ofegou. — Cebola, me carrega de novo?
— Não vai dar loira!
A porta se escancarou lá embaixo. O zumbi entrou pela porta e apontou em direção à eles. Fantasmas atravessaram as paredes. Era toda a turma, muita gente mesmo, todos usando roupas de gala, parecia um baile de fantasmas.
A turma correu para o primeiro quarto que viram.
— A gente precisa de um plano rápido! — Disse Cascão. — Denise, tem um?
— Hey, eu sou o cara dos planos aqui! — Reclamou Cebola.
— Nós precisamos de um plano que funcione.
— Ta ta ta, entendi, não sontem com minha ajuda pra sair daqui.- Ele cruzou os braços.
— Você sabe como sair? — Sofia se manifestou.
— Claro que eu sei. — Ele empinou o nariz.
— ENTÃO POR QUE A GENTE AINDA ESTÁ AQUI CRIATURA??
— Calminha galera. O Dc disse que esse é o fim e não o começo.
— E...
— E que pra vencer a gente tinha que chegar no começo. Onde isso tudo começou?
— Não importa. — Disse Denise. — A lagartixa do outro dia disse que a gente tinha que achar a chave, lembra?
— É, mas aqui é a cabeça do Dc, tudo é fora de ordem. Na verdade, a gente já tem a chave, falta a fechadura.
— Que chave? — Perguntaram sem entnender nada.
— O gato... — Disse Carmen. — O Xaveco disse que as coisas iam parar se levássemos o gato!
Como se para confirmar, um miado se ouviu lá fora.
— Então o que estamos esperando? — Disse Cascão. Vamos embora!
— Não, ainda tem outra coisa. — Cebola parecia pensar. — Denise, onde esse reino começou?
Carmen começou a responder, mas Cebola a fez se calar.
— Eu perguntei para a Denise.
— Ah Cebola, desencana, deixa de ser grosseirão e...
— Me responde, ou todo mundo fica aqui!
As lacraias começaram a entrar por baixo da porta. Eles recuaram em direção à janela.
— RESPONDE!
O gato miou novamente.
— No campinho! — Respondeu Cascão. — Vamos logo?
DOOM!
— Não... — Saiam de perto de mim! — Cebola empurrou os três.
— O que está fazendo? — Perguntou Carmen. — Você vai deixá-los aqui para morrer?
— Eles não estavam no campinho, era só a gente.
Um arrepio percorreu a espinha de Carmen.
— Eles sempre estiveram aqui, sempre!
Risos. O rosto dos três foi se desmanchando e pele por pele, caindo pelo chão.
— Carmen, pula! — Cebola gritou.
— Tá maluco? Aqui é o segundo andar!
A porta explodiu.
"Cebooola"
Os zumbis sem rosto estavam se aproximando, os fantasmas vinham logo atrás e o gato miava.
— Eu vou te pegar! — Cebola pulou da Janela e caiu lá embaixo.
— Cebola! — Carmen gritou.
Ele se levantou.
— Pula!
Mãos ossudas seguraram seus ombros e a puxaram para trás. Carmen gritava.
— PULA! A gente tem que sair daqui!
O vestido se rasgou e Carmen caiu da janela, em cima do Cebola.
— Por que você não morreu? — Ela perguntou.
— Até a Serpente voltar, eu sou imortal, agora corre!
Cebola pegou o gato e a mão de Carmen e então rumou para o campinho.
Os monstros vinham atrás, estavam quase alcançando-os...
Denise, Sophia e Cascão eram rápidos demais para zumbis.
O vestido de Carmen caía enquanto ela corria.
— Eu não tô vendo porta nenhuma! — A garota gritou.
— Tem que estar aqui!
Eles tropeçaram na entrada do campinho e caíram, rolando no chão. A roupa de Cebola estava toda rasgada e Carmen praticamente de Lingerie.
— A gente ta morto! — Cebola exclamou.
Os monstros pararam do outro lado.
— Mas o que...
"MIAU"
O gato miou e se contorceu nos braços de Cebola, deixando um corte profundo. Um portal se abriu no centro do campinho.
— Tá fechando, vem!
Carmen e Cebola correram para o portal. Os monstros já não estavam mais congelados após o gato partir e vinham a toda velocidade.
— ISSSO É SUA CULPA, CEBOLA! — Dc gritava. — SUA CULPA!
O "casal" atravessou o portal, junto com meia Denise zumbi. O portal se fechou e metade do corpo dela estava do outro lado, felizmente, morto.
Deitaram-se no chão, cansados.
— Não me olha! — Exclamou Carmen, com a voz chorosa. — Por favor, não me olha!
— Tudo bem, eu não vou te olhar.
"MIAU"
Cebola se levantou com dificuldade e procurou o gato, mas nada.
— Olá senhores. — Era uma voz masculina, Cebola podia ver apenas a sua silhueta.
— Você de novo? — Carmen exclamou.
— Não é possível... — Cebola ajudou-a a levantar, esquecendo-se de que prometera não olhar. — EU era você.
O Fantasma Vigilante caminhou apoiado na bengala.
— Eu nunca fui você. E só vim te dar os parabéns, estava com saudades de meu amigo. — O fantasma pegou o gato no colo, que se aninhou em seus braços.
— Por que só nós dois? — Indagou a Carmen. -onde está o resto?
— Por que vocês? — Ele riu. — Porque tudo isso é culpa de vocês.
— Mas eu não fiz nada...
— Quanto a seus amigos, eles estão nessa sala. Vai encontrá-los em breve.
— Será que você não tem roupas femininas por aqui? — Cebola perguntou. — Olha para ela, está suja, machucada e tremendo...
O fantasma riu.
— Acorda, Cebolinha. Acorda.
Fale com o autor