Um Novo Começo
2 03/08 - Algo diferente
03/08
Não consegui resistir e trouxe o diário comigo. eu estava na porta, me preparando para sair, quando pensei \"E se acontecesse algo digno de ser registrado? E se eu não registrar quando chegar em casa. Isso é impossivel de acontecer...mas para garantir vou levar ele comigo\"
E agora, estou aqui. Na escola nova. Sentado na segunda fileira no canto esquerdo. Lugar bem estratégico, devo dizer. Assim vejo todos da sala e quem entra sem parecer curioso.
As pessoas daqui não parecem muito diferentes da minha antiga escola. Ao chegar me deparei com o grupo de cinco garotas histéricas, que estavam no meio do caminho impossibilitando a passagem. Elas tinham cara que pertenciam a Lideres de Torcida. Como eu sei? Simples. O papo super fútil, mostrando brilho labial uma pra outras e o uniforme diferente. Eu ia falar algo mas no momento em que abri a boca um garoto passou correndo por mim e esbarrou nas meninas tagarelas, fazendo duas delas caierem no chão. Tive que me segurar para não rir. Foi uma cena muito engraçada. A garota que estava com um emblema de capitã no braço gritou com todas as forças:\"HIROTOOOO!!\", ele estava lá quase no final do corredor, fiquei impressionado o quanto ele corre rápido. Ele continuou correndo e gritou:\"Foi mal Mizu! Te levo pra sair um dia desses!\" e como ele apareceu, ele sumiu.
Eu fiquei meio perdido para achar a minha sala. Primeiro tive que ir até a diretoria, demoraram uns minutos para me atender. E quando eu finalmente achei a sala e me sentei, os megafones anunciaram que haveria uma reunião no auditório. Então eu fui com a multidão.
Tenho a impressão de que esse é o unico colégio do bairro. Ele é muito grande. E pelo visto tem de tudo. No final das aulas eu vou explorar um pouco o local. Nossa, nem parece eu falando. Mas relembrando eu quero mudar, e gosto de conhecer lugares novos. Quem sabe aqui tenha um clube de química. O que? Não é porque vou mudar um pouco que vou deixar de fazer as coisas que eu gosto.
Mas voltando para a hora da palestra, que não deve ter durado nem meia hora, era uma agitação só. Nesse ponto meu antigo colégio e esse são bem diferentes. Lá todos eram super comportados. E só do diretor subir no palanque, se houvesse algum barulho ele sumia. Aqui, a diretora teve que pedir algumas vezes para todos se calarem, achei aquilo a maior falta de respeito. Se eles eram assim numa palestra imagina na sala de aula. Quando acabou a palestra eu fui um dos primeiros a sair daquele ambiente. Nunca gostei de lugares em super lotação, eu passo mal. Quando cheguei lá fora, fui andando encostado na parede para ser capaz de respirar um pouco. Foi então que eu vi. No fundos do colégio havia como se fosse uma reserva. Um bosque. Até que era bonito. Ah, eu não mencionei? Perdoe-me. Eu simplesmente ODEIO árvores, coisas naturais, insetos e afins. São coisas sujas que me irritam profundamente. E sentado entre duas arvores tinha um grupo de uns 6 meninos. É claro como água potável que aquele é o grupo dos \"Bad Boys\" do colégio. As camisas meio abertas, por fora das calças, correntes penduradas, piercings nas sobrancelhas e no lábio inferiror, tatooagens no pescoço e no braço. Teve um que me chamou a atenção e ele era diferente dos outros. Não apenas pelo visual, interiormente, eu conseguia sentir isso, não sei como. O cabelo dele parece a pele de uma pantera de tão preto que é além de ser curto e espetado, ele é aparentemente alto, ainda não onsegui o ver em pé logo não sei se realmente é ou se foi impressão minha. Não sei dizer o porque dee ter despertado o meu interesse, só sei que fiquei encostado na parede observando-o. Num piscar de olhos ele tirou, do bolso na camisa social que ele vestia, um ipod. Normal não acha? Antes fosse normal. Do nada ele abriu o ipod. Sim, abriu. E a minha pessoa possui a absoluta certeza de que a vossa pessoa não irá adivinhar o que ele tirou de dentro dele. E para acabar o suspense irei contar. Um cigarro. Aquilo que ele segurava não era um ipod. Era um porta cigarro geek. [Para quem não sabe, geek seria uma outra maneira de chamar uma pessoa de nerd só que não são tão fanáticos por aprender, curtem mais tecnologias.] Isso era simplesmente encantador. Não, não estou sendo ironico. Como eu não pensei nisso antes? Teria ganhado muito dinheiro com isso. Honestamente, pessoas que possuem criatividades são as melhores. Quando o garoto acendeu o cigarro e colocou a boca, fiquei indignado. E qualquer um que pasasse por ali naquele exato momento perceberia a minha expressão de frustação. Fumar é um ato tão grotesco, você inala uma fumaça que cheira terrivelmente mal. Não sei como as pessoas são capazes de cometer esse ato repugninante. Ainda mais ele, como aquela pele super lisa, que lembra uma bunda de bebê. Realmente, fiquei muito incomodado com aquilo e não sei explicar direito o porque. Então comecei a observar os outros garotos também sentados no chão. Havia ao pés de cada um deles uma garrafa de cerveja, daquelas de vidro de 350 ml. Foi então que eu senti algo na minha perna. Olhei desesperado para baixo e era um percevejo. Fiquei paralisado. Mas ele resolveu voar para bem longe dali. Quase cai sentado, mas ao inves disso levantei a cabeça para voltar a olhar os meninos. Quando meus olhos são direcionados para lá o menino do ipod estava me encarando. Os outros pareciam não perceber pois continuavam conversando normalmente. Eu não soube o que fazer, então fiz a única coisa que poderia ser feita naquele momento. Eu fugi.
Fui andando em direção a sala de aula e estou sentado na cadeira desde então aguardando a entrada do professor. As pessoas aqui são realmente diferentes. Eles mudaram as cadeiras de lugar, fazendo circulos e colocando uma de frente a outra para facilitar a conversação. Isso é um tremendo absurdo. Esse fato só mostra como eles não possuem maturidade e disciplina diferente.
AHHH!!
Que susto que levei agora, as pessoas até me olharam porque dei um salto na cadeira. O sinal bateu. Isso é algo que concerteza nunca vou me acostumar e vou sempre levar um susto com esse barulho agudo que indica a troca de salas.
Quem diria. O professor ainda não entrou em sala mas todos já estão arrumando as coisas na sala.
Talves minha opinião sobre eles possa estar um pouco equivocada.
O local que escolhi sentar fica do lado da janela. Com isso sou capaz de ver tudo do lado de fora. Minha sala é no segundo andar. A quadra, o bosque que fica atrás da escola. Será que ele ainda está lá? Ou será que já foi para a sala? Tenho a impressão de que ele é do último ano. Porque? Porque ele tem cara de ter uns dezenove anos. Também tem uma arquibancada do lado ca quadra. Grande até. E tem pessoas ali sentadas. Matando aula já no primeiro dia de aula. Eles concerteza não querem nada. Mas como eles estão nas dependencias da escola em horário de aula , alguém deve ir chamar a atenção deles. *risos* Só foi eu pensar nisso que apareceu algum responsável e está mandando eles entrarem. Não, não sou possuidor de poderes psciquicos. Eles apenas se levantaram quando o tal responsável foi chegando perto mexendo os braços. Ele não deve estar naquele grupo. Tenho certeza de que ele não levantaria na mesma hora que mandassem, e se desse mole ele continuaria lá e convenceria todos que está fazendo algo certo.
Vejam só, uma professora. Qual deve ser a matéria que ela irá ensinar? Está escrevnedo seu nome no quadro. Adrianna Ricci. Ela parece ser francesa e com esse sobrenome tenho quase certeza disso.
MATEMÁTICA???
Realmente, este colégio é estranho.
- Murai Naoyuki
03/08 — parte 2 — 17:36
Nada como poder estar deitado de bruços na sua cama após um dia cansativo.
No período da tarde ocorrem oficinas no colégio. Eu estive em algumas. Fotografia, química, matemática e outras. Mas nenhuma me atraiu. Contudo, entretando, todavia [adoro essa combinações das palavras] teve uma oficina que despertou o meu interesse. Eu já havia desistido de achar alguma que me animasse.
Quando eu menos esperava ocorreu quando eu estava voltando para a sala pegar meus pertences. Quando passei por uma porta maior que as outras. Havia notas musicais coladas na porta, era a sala de música. Qualquer pessoa que passasse ali era capaz de ouvir bem baixo, por causa do isolamento acústico que havia colocado na porta e em toda sala, todos os instrumentos a serem tocados. Alguns tinham cordas, outros eram de sopro. Mas havia um som que me chamou a atenção. Era um som ritmado e forte. Quando abri a porta descobri qual instrumento estava reproduzindo aquele som maravilhoso aos meus ouvidos. A bateria. Fiquei simplesmente boquiaberto. Aquele baterista tocava muito bem. Já tinha ouvido bateria algumas outras vezes, mas ela nunca havia me hipnotisado daquela forma. Eu não ouvia mais os outros instrumentos apenas a bateria. A vontade de sentar naquele banco e tocar tomou conta de mim. Mesmo que nunca tivesse tocado antes eu podia sentir que seria simplesmente muito fácil. Fui chegando cada vez mais perto para pedir ao baterista que me deixasse tentar uma vez. Não sei quantas pessoas haviam na sala, nem quantas olhavam estranho para mim por eu ir entrando na sala de qualquer jeito. Só agora vejo o que fiz foi errado. Mas aquele som, ele me dominou totalmente.
Foi quando aquele barulho insuportável soou novamente, mas dessa vez anunciando o término das aulas. E o som da bateria conseguiu ser ofuscado por passos e pessoas conversando alto. Quando me dei conta estava sozinho, na sala de música. era a oportunidade perfeita. Sentar ali e tocar. Mas o inspetor entrou na sala quebrando a linha do meu pensamento.
Então, com essa super animada experiencia,[sim, fui ironico] fui pegar minhas coisas na sala. E poucos alunos que restavam eram os que iriam fazer a limpeza de suas salas. No segundo andar não tinha ninguém. Quando abri a porta da minha sala ele estava lá, sentado. E me esperando, se bem que naquele momento eu não sabia o porque dele estar sentado na mesa ao lado da minha. Perdoem-me. Esqueci de contar-lhes o que havia acontecido.
De manhã, logo após a professora entra na sala. O professor de Educação Física abriu a porta bruscamente e o empurrou dentro da sala dizendo: \"Peguei esse matando aula lá na quadra.\" A senhorita Ricci, ela não usava aliança por isso o senhorita, apenas suspirou e disse com uma voz calma: \"As aulas mal começaram e já está matando aula Amane Shinji?\" Esse nome não tinha nada a ver com ele. Não sei porque, apenas não tinha. Ele não respondeu nada, apenas se ajeitou e foi em direção a uma cadeira. A que estava do meu lado. Quando ele se sentou eu pude ve-lo mais de perto. Seus olhos demonstravam total desprezo por aquelas pessoas ao redor, ele tinha dois anéis no mesmo dedo anelar da mão esquerda. Quando voltei a olhar para o rosto dele vi que estava me encarando. Desviei instantanemente. E pude perceber que ele continuou me olhando mais um pouco. Fiquei tenso o resto das aulas. Sempre que dava espiava-o com o canto do olho. Eu conseguiria passar um dia inteiro olhando-o sem cansar. Mas quando foi anunciado a hora do almoço eu sai correndo, de cabeça baixa. Eu estava com vergonha dele e não sei porque.
Não o vi mais durante o almoço e nas oficinas. Não esperava encontra-lo ainda hoje. Eu fui de cabeça baixa pegar minha mochila que estava sobre a mesa. Não era preciso olhar para ele para saber que ele estava me observando e eu fiquei um pouco corado. Peguei meus pertences e virei para ir embora quando ele falou comigo. Como vai ficar estranho se eu narrar, vou escrever como foi o dialogo, se é que pode se chamar aquilo de dialogo.
- Hey — ele disse com uma voz calma mas forte.
- Me desculpa — eu virei para ele e me curvei encarando o chão — Não queria ter visto você e seus amigos, e não se preocupe não vou contar a ninguém que os vi fumando e bebendo.
- Ahm... tá. — ele riu - Mas eu só ia perguntar seu nome.
Preciso dizer que eu quis morrer naquele momento? Foi super humilhante, não conseguia levantar o rosto, e ainda assim abaixado falei meu nome para ele e sai correndo da sala. Nunca andei tão devagar voltando para casa. Mas não consguia, e não consigo para de pensar nele. O que está acontecendo comigo?
- Murai Naoyuki
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