Um Novo Começo
1 Will Solace
Notas iniciais
Boa leitura
‘’E tanto faz… De tudo o que ficou, guardo um retrato teu e a saudade mais bonita’’
\n\n~Legião Urbana~
\n\nPercy POV’s
\n\nNesse reformatório eu presencie coisas que com certeza irei acordar no meio da noite ainda gritando, eu fiz coisas que me arrependo, porém era necessário se eu quisesse sobreviver lá dentro. Aqui é pior que o inferno, você tem que criar sua imagem, se for forte vai ganhar o respeito da galera, ninguém mexe contigo, mas se for um dos fracos vai acabar morto em um banheiro da maneira mais cruel que se pode imaginar.
\n\nAgora você me pergunta como que eu consegui sobreviver ao ‘’massacre’’? Bom, na minha primeira semana foi a que mais sofri, aqueles garotos não eram de Deus, eles cortaram meu cabelo quando adormeci, despejaram pimenta em meu suco obrigando-me a tomar, recebi muros, socos, chutes e ainda alguns cortes, como se não bastasse, eles ‘’lavavam’’ esses cortes com limão e vinagre e diziam se eu chorasse me matariam e fizeram outras coisas, na qual não me sinto bem em contar, que com certeza seria preciso várias sessões em um psicólogo para vê se consigo esquecer. Várias noites eu pensava, será que a morte não seria melhor que ser torturado? Mas ai eu lembrava que tinha que aguentar, tinha que sair dali para novamente poder vê Annabeth, ela era o único motivo para mim tolerar aquilo tudo sem enlouquecer.
\n\nAgora estou no meu antigo quarto, terminando de arrumar meu guarda-roupa. Meu pai estava trabalhando, segundo ele o trabalho era a única forma de esquecer minha mãe por algum tempo. A casa continuava a mesma, nada fora removido do lugar, porém estava mais vazia e fria.
\n\nEra inicio de Janeiro, olhei através de minha janela e montes de neve branquinha enfeitavam a rua. Do céu caia pequenos flocos cristalinos que pousavam no parapeito de minha janela. Era uma ótima manhã para sair com alguém especial e fazer anjinhos de neve ou até mesmo divertidos bonecos de neve, com nariz de cenoura e galhos servindo como braços, claro se você não tiver que ficar trancado dentro de casa o dia inteiro terminando de arrumar seus pertences de viagem.
\n\nEm meio a tanta bagunça, encontrei uma foto antiga que fez um sorriso ultrapassar meus lábios na mesma hora. Na imagem mostrava eu e Annabeth, no Central Park, caminhando de mãos dadas, eu podia perceber seus olhos brilhando intensamente enquanto eu falava algo que com certeza era sem sentido. Parecia que tinha se passado mil séculos, estava com tantas saudades dela, que era quase impossível de suportar. Todas as noites eu me perguntava, como ela estaria lá na França, e só de pensar que Annabeth poderia ter arrumado outra paixão, isso me destruía.
\n\nColoquei um casaco e arrumei meu cabelo, agora cortado formando um pequeno, porém estiloso topete, eu queria sair um pouco daquela casa, então decidi dar uma volta pela cidade.
\n\nNova York não estava diferente, a mesma barulhenta e movimentada cidade, na qual eu amava morar. Moradores tiravam a neve que cobriam o calçamento de suas casas, crianças brincavam de jogar bolinhas de gelo umas nas outras, idosos sentavam em suas varandas apreciando um gostoso e quente chá. Adentrei no café, onde tive minha última conversa com minha garota.
\n\n– Posso ajudar? – perguntou a garçonete, com um bloquinho de papel e uma caneta na mão.
\n\n– Só um chocolate quente, por favor – a jovem morena anotou o pedido e saiu.
\n\nFiquei pensando, como será que anda os outros, quer dizer, Bob, Nico, Luke, Thalia, Milena e Megan. Os únicos que mantive contado quando estava no reformatório, foram Nico e Luke, mas o restante nem tive notícias. Os rapazes me contaram que as garotas não conseguem nem olhar na minha cara mais, e com razão, eu ainda tenho dificuldade de encarar meu reflexo no espelho depois do que fiz ano passado, juro que tentei esquecer e seguir em frente, mas quando as pessoas que você ama são feridas por um ato irresponsável seu, isso fica mais difícil de ser feito. Depois de alguns instantes, a jovem atendente entrega-me o chocolate, pago para ela mesma e tomo um gole, uma explosão quente e doce invade minha boca.
\n\nNão demoro muito ali no estabelecimento, assim que termino de tomar minha bebida, vou direto para a casa. Estava ventando frio, meu cabelo estava quase coberto pelos flocos cristalinos que caiam, vez ou outra eu os tirava com as mãos. Chego na rua de casa, e caminho lentamente. Avisto um carro preto parar em frente à moradia dos Chase.
\n\nDesce um garoto, loiro, alto e robusto o tipo de popular garanhão que ia fazer sucesso na escola. Mas meu coração dispara quando vejo a pessoa que desce logo em seguida. Era Annabeth, a minha Annabeth, ela estava uma deusa aos meus olhos. Seu cabelo que antes ia até os ombros formando belos cachos dourados, agora estava liso e bem maior de maneira que ia até sua fina cintura. Vestia uma calça jeans colada e um par de botas pretas, estava com uma regata e uma jaqueta por cima.
\n\nEla sorria para o menino, e seus olhos tinham o mesmo brilho de quando nós dois conversavam, o que me deixou incomodado e curioso para saber quem se tratava. Me aproximei, querendo ter a certeza de que não era mais uma de minhas visões. Assim que cheguei perto o bastante, não pude controlar minha voz.
\n\n– Annie? – a garota se vira e quando nossos olhos se encontram, á uma explosão de sentimentos dentro de mim. Annabeth ficou estática com os olhos arregalados e a boca aberta, eu a conhecia o bastante para saber que ela foi atingida por um turbilhão de pensamentos sem respostas.
\n\n– Percy – sua voz me derrete por dentro, á muito tempo eu ansiava escuta-la, porém isso só acontecia nos meus sonhos mais bonitos – Você...você está diferente.
\n\nNão pude evitar de sorrir, sua beleza apenas se ampliou, de alguma forma Annabeth amadureceu mais, mas tinha algo nela que também estava diferente, e eu não sabia o que.
\n\n– E você ainda continua linda – vi suas bochechas corarem, e meu sorriso só aumentou por saber que eu ainda tinha o mesmo efeito sobre ela. O cara loiro que estava do seu lado pigarreia e estende a mão.
\n\n– Will Solace, prazer – olho para aquela mão branca estendida, não fui muito com a cara desse sujeito, então desvio meu olhar para a única coisa que me importava ali e o deixo sobrar.
\n\n– E como foi à França? – pergunto, vejo o tal do Will guardar a mão em um dos bolsos do casaco. Annabeth encara os pés.
\n\n– Depois a gente conversa Percy. Bob e meu pai estão á minha espera – então ela se vira para o rapaz – Vamos Will.
\n\nWill sorrir vitorioso e abraça a cintura da minha Annie, preciso juntar toda a minha paciência para não pular no pescoço daquele imbecil. Eles se vão e volto para a solidão da minha casa, onde me jogo na cama. Fico pensando o que Annabeth e aquele sujeito são, eu vi a química que eles tinham um com o outro, e isso me detonou, será que ela escapou de mim? Eu não ia desistir de Annabeth tão fácil assim, eu vou lutar por ela, vou lutar pelo meu amor.
Notas finais
Ficou muito ruim???
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Beijos
Karol Oliveira
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