Um Novo Começo
12 Suspeitas
Notas iniciais
‘’Mas ás vezes encontrar a luz, significa passar por uma grande escuridão’’
~Um Homem de Sorte~
Bob observava sua irmã inconsciente deitada na cama daquele hospital, segurava sua mão, e rezava para ela acordar logo e explicar o que viu. Seu braço esquerdo estava enfaixado, Annabeth havia levado um tiro de raspão.
Segundo Apolo, a garota havia desmaiado devido a dor ou até mesmo pelo susto do momento. Frederick andava de um lado para o outro, nervoso e inquieto.
– Quem foi o imbecil que fez isso? – ele se perguntava á todo instante, porém Bob permanecia calado, tinha suas suspeitas, mas não se opôs, queria ter a certeza antes de falar algo.
Will entrou no quarto, o rapaz estava vestido de branco, como todo médico. Estava claro a preocupação que ele sentia, o loiro aproximou-se de sua namorada tocando-lhe a face.
– Sabe quem atirou? – perguntou ao cunhado, esse que negou levemente com a cabeça.
– Só ela vai poder nos dizer – Will assentiu, e beijou a testa de Annabeth.
– Ela não vai demorar a acordar.
Frederick colocou a mão no ombro do filho, ele tinha que conversar com Bob o que martelava em sua mente.
– Will, fique com ela por um instante – disse – Preciso falar com Bob.
Juntos eles saíram do quarto e foram até o final do corredor, onde era mais silencioso e discreto.
– Eu sei que você esconde alguma coisa Bob – Frederick foi direto ao assunto – Então, por favor, não me esconda.
O filho suspiro infeliz e se encostou na parede.
– Lembra do homem, que queria ‘’comprar’’ Annie? – perguntou fazendo aspas com os dedos, seu pai assentiu ajeitando os óculos de grau que caia.
– O mesmo que Mattew fez o acordo?
– Esse mesmo – concordou – Ele é minha suspeita. Se eu não me engano seu nome era Afonso.
– Mas esse sujeito está preso – Frederick afirmou coçando a barba – Será possível ele ter fugido?
– Sinceramente não sei pai – disse balançando a cabeça – Como eu disse, é apenas uma suspeita.
– Vamos ter que verificar isso – Bob assentiu olhando para o teto preocupado, Frederick fechou os olhos soltando a respiração – Aqui é perigoso para ela.
– Hã? – o garoto passou encarar o pai, que mantinha uma expressão séria.
– Você sabe filho, hoje foi só um tiro de raspão, amanhã pode ser um certeiro – ele fez uma pausa hesitante – Não seria melhor Annabeth voltar pra França?
– Não – gritou apressadamente o rapaz, ele não queria perder sua irmã novamente e só de pensar que isso poderia acontecer seu coração se apertava – Ela fica e mamãe não precisa saber disso.
– Bob, enquanto esse cara estiver solto por ai, Nova York não será segura pra sua irmã, e o mais sensato é contar para Atena.
– Dane-se tudo isso pai – vociferou – Não vou perder minha irmã de novo, você se esqueceu que durante anos ela foi minha única família?
O corpo de Frederick se enrijeceu e sua expressão tornou-se vaga, fazendo Bob se arrepender de suas palavras.
– Me desculpe, não era isso que eu queria dizer.
– Tudo bem – sua voz tinha tristeza envolvida – Mas saiba que toda noite antes de dormir, eu penso em tudo que fiz vocês dois passarem, e o arrependimento vem á tona. Não há nada que eu possa fazer pra apagar as cicatrizes que estão ai dentro – Fred apontou para o peito de Bob – E isso me mata, mas eu mudei e pretendo continuar com as mudanças.
O garoto ficou sem palavras, estava envergonhado com seu ato. Frederick deu as costas.
– Por enquanto ela fica, mas quando isso aqui ficar realmente perigoso, você nem ninguém vai fazer com que Annabeth permaneça.
Assim que seu pai entrou novamente no quarto, o loiro enterrou as mãos no cabelo e se xingou de todos os nomes que conhecia. Ele havia agido como um idiota com o pai, mas não pôde se controlar quando sobe que iria ficar sem sua baixinha. Ficou se lamentando por um tempo, indo depois para a recepção, onde seus amigos se encontravam.
– Apolo nos falou que ela irá acordar logo – contou Luke. Silena estava encostada em Thalia no sofá e Charles bebia café ao lado do Castellan.
– Por sorte foi só de raspão – Bob disse, o garoto notou uma presença na sala. Afastado do grupo, apoiado no balcão estava Percy. Charles acompanhou seu olhar e se levantou.
– Ele chegou pouco tempo depois que você entrou no quarto pra vê Annabeth.
– Será que acabou a vergonha na cara? – enraiveceu. Thalia também se colocou de pé.
– Calma ai florzinha – era impressionante a capacidade da morena irritar Bob em poucos segundos – Ele só está preocupado, assim como todos nós.
– Só que ele não tem esse direito, ou será que vocês se esqueceram que por causa dele, eu e Annie quase morremos ano passado.
– Não Bob, não esquecemos – Silena se opôs – Mas será que você se lembra que Percy perdeu a mãe, os amigos, o pai e a garota que ele amava? Deixe de ser egoísta só um momento.
– Cara, Silena tem razão – Nico concordou – Você e Annabeth passou por muita coisa ano passado, mas ambos tinham os pais e a gente. Enquanto ele.
O moreno deixou sua frase morrer, mas Bob já tinha o complemento dela na cabeça, Percy não tinha nada, nem ninguém, ele estava sozinho e isso era deprimente.
– Vou falar com ele – Thalia se colocou em sua frente, impedi-o.
– Olha lá o que vai fazer gata – Bob revirou seus olhos azuis ouvindo a risada fraca dos que estavam presentes ali. Hesitante caminhou até o Jackson que mantinha a cabeça baixa.
– Se veio dizer que é pra mim me mandar, poupe suas palavras porque já estou indo – falou Percy mais frio possível. Bob não o culpava pelo seu comportamento.
– Não vim lhe mandar sair fora – respondeu sincero – Só quero conversar.
– Diga então.
– Provavelmente você já sabe que Annie levou um tiro – O Jackson assentiu colocando as mãos no bolso – Eu estava suspeitando de Afonso.
– Ele não está preso?
– Até onde eu sabia, estava. Mas tem alguma coisa não batendo – sua mente trabalhava em mil maneiras do homem ter fugido, mas nenhuma batia – Afonso está sobre segurança máxima, é quase impossível ele ter fugido.
– E você quer que eu faça o que? – sua voz tinha uma pontada de cinismo – Tudo que eu sei sobre esse cara, é que ele é perigoso e esperto. Se quiser descobrir algo, pergunte a seu irmão. Ops! Ele está morto.
Bob bufou, e cerrou os punhos. Percy estava o tirando do sério.
– Sim, ele morreu e metade da culpa é sua – o rapaz cuspiu a palavras, porém o moreno apenas riu.
– As coisas nem sempre sai como queremos Bob – Perseu encarou o loiro – Sua irmã sabe o que você aprontou pra Melina ir embora?
Bob paralisou, ele se perguntava como Percy poderia saber. Os olhos verdes do menino se rolaram e sua expressão tornou-se um tanto divertida.
– Que gracinha – ironizou o Jackson – Não contou pra irmã sobre o bebê e a rejeição.
– Como você sabe disso? – enraiveceu se aproximando do Filho de Poseidon, esse que ficou no mesmo lugar sem medo algum.
– As notícias correm Bob – o moreno se virou – E quanto á Afonso, posso ver se ele está na prisão.
Bob seguiu Percy com os olhos até o moreno desaparecer nos corredores. Estava irritado e por mais que odiasse admitir estava com medo de Annabeth descobrir o que ele fez, o que mais lhe doía era saber que a desapontaria, porém ele tinha que contar. Respirou fundo, uma, duas, três vezes e foi em direção ao quarto da loira, esperando que a sorte estivesse ao seu lado.
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