Um Novo Começo
2 Dividida
Notas iniciais
‘’Esse é o problema da dor, ela precisa ser sentida’’
~A culpa é das Estrelas~
Annabeth POV’s
Assim que cheguei na França, não sabia bem o que fazer, estava perdida em um mundo completamente estranho e desconhecido por mim. Era um lugar novo, eu tinha que começar minha vida tudo de novo, do zero, tinha que esquecer Percy e tentar cicatrizar a ferida que estava partindo meu coração.
Passei noites em claro chorando pela falta que ele me fazia, tentando acostumar-me a viver sem seus braços ou até mesmo sem seus lábios tocando cada parte de meu corpo, fazendo-o arder em chamas. Mas ai conheci Will Solace, um garoto divertido, que em sua presença eu me esquecia de Percy, eu me esquecia da ferida dentro de mim, eu me sentia feliz, Wil tirava-me um sorriso com facilidade e eu gostava disso. Com o passar dos meses, fomos ficando mais próximos, e a saudade de casa aumentava cada vez mais, a saudade de meus amigos se ampliava em meu peito, mas ele sempre estava lá, do meu lado, para pelo menos, camuflar esse sentimento.
Era Janeiro, minha mãe autorizou que eu passasse um tempo novamente em Nova York, falando nisso, meu relacionamento com Atena só vem melhorando, ela realmente se arrependeu do que fez, mas eu não estava nem ligando mais, já tinha a perdoado e era isso que importava. Apolo, o médico que cuidou de meu pai por um curto período, pediu para Will ir passar uma temporada morando com ele, já que ambos não se viam há bastante tempo.
Agora estou em casa, recebendo um abraço sufocante de Bob, depois de ter se soltado de um do meu pai, enquanto Frederick enchia Will de perguntas constrangedoras.
– Você cresceu mana – disse meu irmão bagunçando meu cabelo, uma risada me escapa.
– Achou que eu ia ficar pequena para sempre? – falo cutucando de leve sua barriga. Bob agora tinha seu belo cabelo loiro curto, estava mais alto e forte, mas seus olhos azuis ainda continuavam brincalhões como sempre.
Subo para meu antigo quarto seguido por Will e Bob, minha casa continuava a mesma, quase nada fora mudado de lugar, o que me alegra. Meu irmão se joga em minha cama com um sorriso capaz de rasgar seu rosto a qualquer momento, Will pula em meu puff que habitava o cantinho perto do guarda-roupa, ficava feliz por ele se sentir tão a vontade.
– E como foi lá na França? – pergunta Bob animado se apoiando nos braços. Meu sorriso cresce, senti tanta falta dele.
– No começo foi difícil me adaptar, mas ai...
– Ai nos conhecemos e tornei o mundo de Annabeth bem melhor – Will brincou, arrancando uma gargalhada de meu irmão. Me aproximo dele, dando-lhe um leve tapa na cabeça.
– Se convencimento matasse, você já estaria á sete palmos do chão – ele coloca língua e reviro meus olhos. Sento-me na beirada da cama e retiro minhas botas, mexo meus dedinhos aliviados por ter espaço para se moverem.
– Mas e a escola, a casa nova – tombei meu corpo para trás, apoiando minha cabeça nas costas de Bob.
– Deuses Bob, a escola é um sonho, parece aquelas de filmes onde tem de tudo um pouco, é enorme, é linda, é perfeita. A casa onde mamãe mora, tem espaço para colocar nossa casa dentro, é maravilhosa.
Meu irmão se vira e fico apoiada em sua barriga, enquanto ele mexe em meu cabelo.
– Você gostou de lá né – sua voz foi abaixando, ficando um pouco trêmula. Encarei seus olhos e sorri.
– Gostei muito, mas ainda prefiro Nova York, onde posso ficar perto de você – seus músculos relaxaram, dispensando toda a tensão que continha ali. Will se levanta e pula em cima de nós dois, arrancando muitas risadas.
– Ei cara, você tem o peso de uma baleia – reclama meu irmão, saindo de baixo da gente. Will se senta.
– Qual é, sou bem sarado – disse passando as mãos pelo abdômen por cima da camisa. Bob faz uma careta.
– Ilusão sua, eu sou mais sarado que você – fala forçando os braços para mostrar seus músculos. Reviro meus olhos diante da cena. Solace rir e se levanta.
– Aposto que minha saradez é melhor que a sua – faço uma expressão engraçada diante da palavra que Will inventa.
– Will – o chamo – Teoricamente a palavra ‘’saradez’’ não existe.
Ele faz um bico, e coça a nuca. Meu irmão se segura para não rir.
– Mas agora existe, tenho um vocabulário diferente das pessoas normais.
Coloco-me de pé, empurrando os dois meninos para fora de meu quarto.
– Até porque você nunca foi normal – escuto Bob rir, meu amigo lhe bate no braço. Ambos descem a escada, em uma discursão de quem era mais sarado, depois falam que as mulheres é que são competitivas. Ainda rindo me encaminho até a janela, fiquei incomodada com a escuridão que estava ali, abro as cortinas e fico paralisada com o que vejo.
Percy está sem camisa andando de um lado para o outro de seu quarto. Há algo em minha garganta que impede-me de respirar normalmente, quero entender porque meu coração bate tão rápido que mal consigo acompanha-lo. Não consigo desviar meu olhar, ele está tão bonito. De alguma forma algo o amadureceu, está mais homem, com sua rala barba enfeitando o rosto e seu cabelo cortado e arrepiado para cima.
Permito me concentrar nos pequenos flocos de neve que caem do céu, ou até mesmo no vento tocando de leve minha face, mas com ele ali de frente, isso parece impossível. Estou fechando as cortinas, quando Percy parece me perceber, seus olhos adquirem o mesmo brilho de quando nos conhecemos, um sorriso invade seus lábios, um sorriso tão belo que faz minhas pernas bambearem. Fecho as cortinas sem lhe corresponder, minha respiração falhando.
Vou até minha mala, abro-a e tiro de lá uma coisa que nunca contei á ninguém. Todos esses meses, todos esses dias, eu tenho guardado a carta que ele me deu no último dia que nos vimos, todas as noites, antes de dormir eu a leio na esperança de voltar ao passado e poder muda-lo, mas sei que isso é impossível. Guardo também a rosa branca, agora murcha, mas ainda com seu intenso perfume doce.
Por um tempo implorei aos céus que um dia o reencontrasse, que um dia voltasse para seus braços, mas depois que conheci Will meus sentimentos ficaram tão confusos, durante esse tempo ele foi a única pessoa que me ajudou de verdade, que me enxergou no meio daqueles milhões de pessoa da França e viu no fundo de minha alma que eu não estava bem, foi seu abraço, foi seu ombro amigo que me permitiu seguir em frente, agora não tenho mais certeza de nada, só que estou dividida, aliás muito dividida. Escuto batidas na porta e Will adentra sua cabeça com um sorriso nos lábios.
– Quer dar uma volta? – pergunta meio hesitante, levanto-me da cama assentindo.
– Claro.
Sinceramente, nunca estive tão dividida dessa forma.
Notas finais
Quero reviews !!
Beijos
Karol Oliveira
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