Um Nobre Apaixonado
25 Família
Notas iniciais
Pov Carlisle
Fiquei alguns segundos parados na porta, atônito. Olhei Marcus e entramos no quarto, indo o mais rápido que minhas pernas permitiam até a cama de Rosalie. Sentei-me onde estava antes e lhe peguei a mão.
— Querida, consegue me ouvir? – perguntei.
— Pai? – a voz dela saiu baixa e rouca. Rose piscou algumas vezes e abriu os olhos, passando-os pelo cômodo e parando em mim.
— Estou aqui. – sorri. Senti meus olhos umedecerem. – Como se sente?
— Com... Sede. – disse.
Tentou mexer-se, mas a segurei na cama.Olhei Marcus em um pedido silencioso, que prontamente foi atendido. Ele serviu um copo com água e me entregou, ajudando a erguer levemente a cabeça de Rosalie. Despejei um pouco de água em sua boca e esperei que ela bebesse, repousando sobre o travesseiro novamente.
— Onde estão os outros? – perguntou. A voz ainda saía baixa, talvez pelo tempo que ficou sem falar. — Estão todos bem?
— Estão. Acalme-se, certo? – pedi. – Poderia fazer-me o fazer de chamar o Médico, Duque?
Marcus assentiu e saiu do quarto deixando a porta aberta. Ajeitei-me melhor onde estava e olhei Rosalie alguns instantes, ela ainda parecia atordoada e sem saber direito o que havia acontecido. Ela tentou firmar-se para deitar mais para cima e fez uma expressão de dor, estava fraca e provavelmente o ferimento ainda estava bem dolorido. Ajudei-a a se ajeitar sobre os travesseiros e ela me olhou
.— Por que olha-me assim? – perguntou.
— Só Deus sabe o quanto estou aliviado em ver-te acordada. – peguei uma de suas mãos.
— Dei um susto tão grande assim? – perguntou.
— Podemos dizer que susto é uma definição pouca. – sorri fraco.
— Com licença, Majestade. – ouvi a voz do Doutor e virei-me. – Duque Marcus disse que nossa Princesa acordou. – aproximou-se. – Como se sente, querida? Alguma dor?
Rosalie olhou para ele e depois para mim. Sempre tivera horror de médico, desde bem pequena. Assenti para ela como para incentivar.
— Apenas quando tento me mexer. – respondeu. – E sinto minha garganta arranhar um pouco.
O Doutor deu a volta na cama e sentou-se ao outro lado dela. Mediu a temperatura e os batimentos, bem como a garganta e os reflexos. Depois de alguns minutos nisso, colocou as coisas de volta na maleta e sorriu para Rose.
— Me parece que está tudo bem com você. Ficou esse tempo desacordada por causa da perda de sangue, e seu ferimento ainda não está cicatrizado o suficiente para permitir que faça força. – disse. – Mais alguns dias de repouso e alimentando-se bem, acredito que já estará boa. – voltou-se para mim. – Deixei explicado com suas criadas como fazer o curativo e como devem ajudá-la a banhar-se, para não termos complicações. – disse.
— Agradeço. – respondi. – Quando volta?
— Se tudo correr bem, em dois dias venho avaliá-la novamente. – respondeu. – Com sua licença, Alteza. – fez uma rápida referencia e se retirou.
Voltei-me para Rosalie e sorri, recebendo um sorriso de volta. Ela segurou minha mão entre as suas e colocou sobre o colo suspirando.
— O que foi?
— Estou feliz por conseguir acordar. – disse. – Por um momento pensei...
— Shh. – a olhei sério. – Não pense e muito menos diga uma coisa dessas, você não morreria. Eu não deixaria isso acontecer, minha menina.
Ela manteve o sorriso com os olhos marejando de leve. Aproximei-me e lhe beijei a testa.
— Queria poder abraçar o senhor, Majestade. – ela brincou.
— Quando melhorar tenha certeza que terei todos os abraços do mundo para você, Princesa. – falei. – Seus irmãos enlouquecerão quando descobrirem que acordou... Não só seus irmãos, eu creio que seu namorado também.
A vi enrubescer as bochechas e olhar para o lado. Ri da reação.
— Sua futura madrasta também. – falei. – Ou sua sogra? Como prefere?
— Esme? – ela me olhou novamente. Seus olhos brilharam. – Está dizendo que você e Esme...?
— Parece-me que ela está disposta a perdoar algumas babaquices que um pobre Rei. – falei. – Assim como Eleazar.
Rose sorriu.
— Me prometa que sempre será assim. – disse. – Por favor.
Tornei a beijar-lhe a testa. Ouvimos a movimentação nos corredores seguidas por barulhos de fala e logo a porta do quarto foi aberta e Jasper e Edward entraram acompanhados por Eleazar e Carmem.
— Está acordada. – Jazz correu para o lado da cama, seguido por Edward.
— Vamos com calma. – pedi. – Ela não pode se agitar.
— Certo. – sorriu. – Como está? Por Deus. Você está bem?
Rosalie riu da reação dos meninos e assentiu para Jasper. Os olhos dela buscaram Eleazar e o sorriso dela aumentou ao vê-lo perto da porta. Levantei da cama e dei lugar para ele, indo até onde Carmem estava e parando ao lado dela. Eleazar sentou-se e beijou a testa dela.
— Como está se sentindo? – perguntou.
— Viva. – sorriu. – E muito feliz em ver vocês, minha nossa.
Jasper sentou ao lado dela na cama e encolheu as pernas para cima, dando espaço para Edward sentar-se.
— Temos tantas coisas para contar para você. – Edward disse. – Algumas que você nem vai acreditar.
— Rose.
O chamado na porta fez com que virássemos. Emmett entrou e ficou parado em choque alguns segundos, parecia tentar ver se era realmente verdade que ela estava acordada, Esme entrou em seguida olhando diretamente para mim e sorrindo. Eleazar levantou e deu espaço para Emmett chegar ao lado dela.O garoto sentou-se ao lado da cama e lhe deu um selinho demorado nos lábios.
— Você está bem? – sorriu para ela. – Por Deus, é claro que está.
— Também senti saudades, Emm. – ela riu fraco.
— Acho que podemos deixar Rosalie em boas mãos. – Eleazar me olhou. – Você merece um descanso.
Assenti para ele e depois de murmurar um “juízo”, deixamos Rosalie com os irmãos e Emmett. Esme passou o braço por minha cintura e lhe abracei os ombros. Seguimos os quatro até os jardins e fomos até o velho Carvalho, sentando-nos embaixo dele. Escorei-me na árvore e Esme se escorou em mim. Carmem sentou-se mais ao lado e Eleazar deitou a cabeça em seu colo.Observei a cena alguns instantes.
Há quase 19 anos fizemos algo parecido ali, só que Elizabeth era viva e Carmem e Eleazar recém-casados. Agora estávamos lá, tanto tempo depois, eu reconstruindo minha vida, meu reinado e minha família, e Eleazar dando os primeiros passos para enfim consolidar a felicidade dele e de Carmem.
Esme recostou a cabeça em meu peito e me olhou.
— Parece-me feliz, Majestade. – disse baixo.
— Haveria como não estar? – olhei-a. – Minha filha está bem, e agora minha família completa. Tudo vai ficar bem.
— Amo você. – sorriu.
— Não mais que eu amo você. – aproximei meu rosto do dela e a beijei.
— Ei. – senti Eleazar jogar algo em mim. Separei-me de Esme rindo. – Nos poupe. Tem uma mulher grávida aqui.
— É mesmo? – perguntei, jogando o pequeno galho nele de volta. – Só pode ser o senhor, Conde. Para estar reclamando dessa forma.
Esme e Carmem riram. Eleazar bufou e deitou novamente a cabeça no colo da mulher. Parecia estar tudo ficando como deveria estar. Éramos uma família de novo.
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