Um Musical para Recordar
9 Novas direções
Notas iniciais
Mas com a faculdade tá um pouquinho difícil de escrever. Mas prometo não largar a fic, peço só um tantinho de paciência de vocês XD
Gostei muito de escrever esse capítulo. Espero que gostem tanto quanto eu.
Desde já agradeço o companheirismo de vocês por não terem me abandonado :) Muito obrigada S2
Santana e Brittany estavam sentadas no balanço do parquinho, olhando as estrelas. A noite estava abafada, retratando o animo das duas.
Brittany tentou puxar assunto para diminuir a agitação interna que a incomodava.
- Você está bem, Sant?
- Acho que sim. Quer dizer... Pelo menos agora não preciso mais mentir – respondeu forçando um sorriso.
- Estamos juntas nessa, baby. Vai ficar tudo bem, prometo – sorriu de volta, lançando um olhar terno á namorada.
Quinn e Rachel caminhavam calmamente na direção das duas.
- Bela noite, meninas – Quinn as saudou, parando de frente para a latina.
- Hei vocês – Brittany as recebeu com um sorriso.
Rachel notou que Santana estava distante, as feições difíceis de decifrar, olhar baixo. Nunca tinha visto a garota daquele jeito. Não parecia a bitch com quem estava acostumada a lidar.
Disfarçadamente cutucou Quinn e com um aceno de cabeça apontou para Santana. Silenciosamente pedindo para que a garota prestasse atenção á amiga.
Franzindo a testa, Quinn a observou. Sabia que alguma coisa estava errada com a amiga. A conhecia tempo suficiente para saber quando a latina não estava bem.
- Lopez o que aconteceu? – a loira perguntou, com a voz firme, transparecendo preocupação.
Santana levantou o rosto e a encarou. Olhando dentro dos olhos castanho-esverdeados da amiga, pode sentir a apreensão contida na pergunta.
- Minha mãe sabe de tudo – respondeu de uma vez.
- Como assim?
Mas a latina não conseguiu continuar. Pela segunda vez na mesma noite, se deixou levar e chorou na frente das amigas, sentindo os braços da namorada a envolverem logo em seguida. Quinn e Rachel, surpresas, as olhava sem saber o que dizer. Foi Brittany quem explicou a situação, sem se desvencilhar de Santana.
- Nós estávamos na cama da S... A mãe dela chegou de repente e nos pegou no flagra – e sorriu ao continuar – Santana se abriu com ela e contou tudo. Tudo mesmo – terminou dando um beijo na testa da namorada, orgulhosa.
- E como ela reagiu? – foi Rachel que perguntou, preocupada por ver o estado da latina.
- Bem... – a loira respondeu com um q de dúvida na voz – Ela disse que não era o que ela esperava, mas que a S é filha dela e que vai ficar tudo bem, então...
- Foi melhor do que imaginei, com certeza – Santana falou, por fim – Claro que ficou abalada, mas... – deu de ombros.
- As coisas vão se ajeitar com o tempo – Rachel comentou amigável – Só dê um tempo pra ela se acostumar com a idéia.
- Isso – Quinn concordou – E se te consola, também fomos pegas no flagra agora a pouco – brincou – O pai da Rachel entrou no escritório e nos viu no maior amasso.
- Legal – Brittany riu – Noite polêmica, não?!
As três riram ante o comentário da loira. Era incrível a habilidade que Brittany tinha em brincar com as coisas, tornando-as mais leves e fáceis de lidar.
- Tive uma idéia – Rachel cortou de repente – Que tal irmos até a sorveteria? Acho que ajudaria a esfriar a cabeça, com o perdão do trocadilho. – sorriu, esperando resposta.
- A idéia é boa, mas sai sem nada de casa – Santana respondeu. Brittany e Quinn fizeram coro.
- Tudo bem, vai. Dessa vez eu pago. – Rachel ofereceu.
- Sorvete na conta da Berry? A noite está começando a melhorar – Santana brincou.
As quatro seguiram para a sorveteria que ficava perto dali. Durante o percurso preferiram mudar de assunto e conversar sobre qualquer coisa que não fosse o relacionamento dos dois casais.
Já estavam terminando de tomar sorvete, quando Santana parou de rir instantaneamente da piada de Brittany, não passando despercebido das demais, que olharam na mesma direção que a latina. O que viram afetou-lhes o humor novamente.
- Será que essa noite não vai acabar nunca? – Santana falou entre os dentes.
Dave Karofsky entrou cabisbaixo e serviu-se de um pote gigante de sorvete. Só depois as notou ali. Santana e Quinn serraram os punhos sobre a mesa, já a espera de algum comentário maldoso. Que não aconteceu. O rapaz apenas acenou timidamente com a cabeça e foi sentar-se em uma cadeira nos fundos do lugar.
- Isso foi estranho – Rachel comentou arrastando as palavras.
- Ele anda estranho já há algum tempo – Santana falou – Não é mais o mesmo desde o baile do ano passado, e só fica pior.
- Como assim, baby? – Brittany perguntou interessada.
- Desde o baile, quantas vezes alguém do Glee levou alguma raspadinha na cara, vinda dele? – nenhuma das três soube responder – Viram? Alguns dias antes do baile, quando nós dois supostamente namorávamos, tive uma conversa bem honesta com ele – Santana recordou – Nós dois estávamos chateados e fomos beber no meio da estrada, pra ninguém ver...
FLASHBACK
A noite estava escura, sem estrelas, muito fria. Santana e Dave estavam sentados no capo do carro, cada um com uma garrafa de vodka nas mãos. O garoto parecia distante.
- Hei, Karofsky... Onde você está? – a latina perguntou, engolindo um gole da bebida.
- Longe, bem longe – respondeu vago – Pelo menos queria estar.
- Sei como é.
- Lopez, você acha que se não morássemos nessa cidade de merda, as coisas seriam mais fáceis pra nós dois? – perguntou, olhando para ela de lado.
- Talvez. Não sei se seria mais fácil, mas pelo menos não conheceríamos toda a maldita cidade. Com certeza teria menos gente pra nos julgar. Por quê?
- Sei lá... Às vezes me pego pensando nisso. E no quanto não queria ser quem eu sou. Só queria ser normal, como os outros caras, e não me sentir desse jeito...
- Não fale bobagens, cabeção. Quem disse que você não é normal? Somos apenas diferentes dos outros, isso sim. Mas não somos aberrações – a voz da latina já estava um pouco enrolada a essa altura – Temos que nos conformar Dave. Esses – apontou para si e depois para o garoto – somos nós, nascemos assim, paciência.
- Desde quando se aceita tão bem, Lopez? – Dave perguntou brincando, sua voz também arrastada.
- Desde quando percebi que não tem nada que eu possa fazer pra mudar isso – respondeu firme – Você sabe o quanto tentei, mas é impossível, cara.
- Quem sabe um dia alguém invente um tipo de transfusão de cérebro, ai podemos trocar – imaginou e contou mais alto do que o normal.
- Sim, ai então vou poder olhar pra bunda do Sam Evans e você vai poder olhar por baixo das saias das cherrios – Santana falou, entrando na brincadeira.
Os dois riram, gargalharam até ficarem sem ar. E a melancolia voltou, com ainda mais força. Dave virou mais um gole grande de bebida na boca, fazendo careta ao sentir o liquido arranhar sua garganta. Santana já estava anestesiada e não sentia mais a vodka arder em sua boca, mas se perguntassem, diria que podia senti-la correndo em suas veias.
- Não sei o que fazer Lopez – Dave rompeu o silêncio depois de um tempo.
- O que quer dizer?
- Às vezes... Às vezes fico tão desesperado, que coisas ruins passam pela minha cabeça... E eu tenho medo de...
- Cale a boca, K. Você não teria coragem, acredite... – Santana ralhou com ele – Mas, quando te der vontade de fazer bobagem... Me liga ok?! Dependendo do que for, fazemos juntos... Ou eu bato em você até se controlar. Combinado? – sorriu, estendendo-lhe a mão.
- Combinado – aceitou a mão da latina – Obrigado.
FIM DO FLASHBACK
- Caramba! Quem diria? – Quinn comentou quando a latina terminou.
- Alguma coisa está errada. Ele só se empanturra de sorvete desse jeito quando as coisas estão realmente pesadas pro lado dele – Santana confidenciou.
- Está compreendendo muito ele, pro meu gosto, Lopez – Brittany cruzou os braços emburrada.
Santana a fitou surpresa. Quinn e Rachel riram do ataque inesperado de ciúmes da loirinha.
- Amor – fez força para descruzar os braços da namorada – Pára com isso. Só estou preocupada com o cara... Ele pode ser um babaca na maioria das vezes, mas não quero que tente se matar ou algo assim. Consegue entender? – levantou a cabeça da loira e sustentou o olhar.
- Ok, desculpe. Ataque de bobeira momentâneo – sorriu, voltando a ser a Brittany que todos conheciam – O que a gente pode fazer para ajudá-lo? – perguntou para as três.
- Talvez... Se a gente conversar com ele... – Rachel sugeriu.
- Não acho uma boa idéia, Rach – Quinn falou apreensiva.
- Mas Q... A Santana tem razão, ele não é mais o mesmo já faz tempo. Não acho que vá nos fazer algum mal – Insistiu.
- Ok, a gente pode tentar – A loira concordou.
As quatro levantaram e tentaram se aproximar do rapaz. Santana ia primeiro, seguida de perto pelas outras três. Por instinto, Quinn colocou-se à frente de Rachel.
Dave estava distraído, olhando fixamente para seu pote de sorvete, a colher a meio caminho da boca. A latina sentou a sua frente, Brittany ao lado dela. As outras duas postaram-se atrás das cadeiras delas.
- Se tomar todo esse sorvete vai ficar com o tico e o teco congelados, Karofsky – Santana provocou.
- Me deixa em paz, Lopez – respondeu, sem levantar o olhar.
- Te conheço bem o suficiente para saber que tem alguma coisa errada, Dave – a latina falou, suavizando a voz.
- Me deixa em paz – Dave respondeu, pausadamente, finalmente encarando a garota e notando as outras.
- Baixa a guarda, grandão. Não estamos na escola e estamos querendo ajudar – Brittany pediu com a voz suave.
- Por que me ajudariam? – o menino perguntou com desdém.
- Caso não tenha percebido – Santana respondeu apontando para si e as outras – Estamos no mesmo time, cabeção. E nem tente fazer de desentendido – cortou-o antes que ele falasse – Sabe do que estou falando e sabe que é verdade.
O garoto voltou a baixar a cabeça. Quinn percebeu o quanto parecia apático e perdido, e por um momento sentiu pena dele. Não parecia nem de longe o brutamonte que sempre fora.
- Anda Dave. Se abre com a gente, por favor – Rachel pediu.
Karofsky respirou fundo e se esforçou a encará-las. Tentava a toda custo não parecer tão derrotado quanto se sentia naquele momento. Tudo o que estava acontecendo era uma pesadelo e a única coisa que queria era acordar.
- Fui cortado do time ontem – respondeu finalmente.
- Por quê? – Quinn perguntou surpresa.
- Segundo a Beiste por causa das minhas notas. Meu rendimento caiu e veio ordens de cima. A treinadora disse que sente muito, mas que não tem nada que possa fazer – sua voz estava fraca – Vou perder minha bolsa para a faculdade se não jogar as finais.
- Se quiser pode estudar com a gente – Brittany convidou – O pessoal está me ajudando, podemos te ajudar também – olhou em volta, pedindo apoio, e o recebeu.
- Nós podemos conversar com a treinadora, você se compromete a estudar e melhorar as notas – Rachel sugeriu.
- Mesmo que a Beiste relute, sempre podemos contar com o Mrs. Shue. Ele pode interceder por você com a treinadora. Com certeza você volta para o time – Quinn continuou.
- Mas vai ter que fazer algo por nós em troca – Santana falou, uma idéia surgindo de repente.
- Sabia. O que? – Dave perguntou preocupado.
- Vai ter que participar do musical de fim de ano. Vamos fazer Rent...
- Ah, não...
- Pode parar – a latina o cortou – Antes de recusar, tenta lembrar como se sentiu quando se apresentou com a gente no intervalo do jogo há um tempo – sorriu, vendo nos olhos do rapaz que ele lembrava perfeitamente – Nunca vi você fazer alguma coisa com tanta leveza, cara.
- Talvez tenha razão – Dave começou a cogitar a possibilidade.
- Além do mais – Quinn ponderou – Não tem mais nada a perder, Karofsky. Daqui pouco tempo vamos sair dessa cidade. Esquece o que os outros podem dizer. Vai ser divertido.
- Tudo bem. Me convenceram – sorriu tímido – Mas só se voltar pro time.
- Pode confiar. Segunda à tarde, vamos assistir você correndo atrás daquela bola outra vez – Santana riu.
-x-
Segunda feira de manhã, Rachel e Quinn chegaram à escola juntas. De mãos dadas, a loira levou a namorada até seu armário. As duas estavam tão distraídas conversando que não notaram o que acontecia a volta, muito menos o que estava prestes a acontecer.
Caminhando a passos largos pelo corredor, Azimio ia na direção das duas, com um copo de raspadinha em cada mão, um sorriso de escárnio estampado na cara.
Vindo da direção oposta, Karofsky viu o que o colega estava prestes a fazer, e sem parar para pensar um segundo adiantou o passo.
Quando deram-se conta do que estava se passando, as duas meninas se surpreenderam com a atitude de Dave Karofsky.
O menino postou-se entre elas e o colega negro, segurando os punhos dele com toda a força que tinha. Pego desprevenido, Azimio encarou-o irritado.
- Qual o seu problema, cara? – gritou, chamando a atenção de quem passava pelo corredor.
- Você não vai jogar rapadinha nas duas. Ou em qualquer um do Glee Club – Dave respondeu entre os dentes.
- Qual é cara? Ficou maluco? São as aberrações – Azimio explicou como se o outro fosse uma criança que precisava ser ensinada – Acabei de saber que as duas esquisitas estão namorando – falou zoando, tentando se soltar das mãos do colega.
- Se estão ou não, não é problema seu CARA – enfatizou a última palavra, sério.
- O que está acontecendo com você, irmão. Não estou te reconhecendo – Azimio estava irritado – Me larga, Dave.
- Você não me conhece Azimio. Você não sabe NADA sobre mim – soltou o rapaz, pegou os copos da mão dele e jogou-os no chão – E como disse, não vai jogar raspadinha nelas. Nem em quem quer que seja, ouviu bem? – o empurrou para o outro lado do corredor, na direção dos armários.
Azimio bateu com as costas nos armários e foi para cima de Karofsky. Ágil, Dave agarrou-o pela gola do casaco e o pressionou contra os armários outra vez. O corredor à essa altura apinhado de gente assistindo a briga que se desenrolava. Finn, Puck e Mercedes chegaram minutos depois e não entendiam o por que daquela confusão toda, mas por dentro sentiam certa euforia por ver Azimio provando um pouco do próprio veneno.
- Cresce Azimio. Ninguém aqui é melhor do que ninguém, seu babaca – o rapaz cuspia as palavras em cima do outro – As “aberrações” a quem você se refere, foram as únicas pessoas que me estenderam a mão quando mais precisei. E você – enfiou o dedo na cara de Azimio – Não passa de um paria que vai passar a vida inteira nessa cidadezinha de merda lavando carros. Enquanto aquelas duas ali – apontou para Rachel e Quinn, que estavam exatamente no mesmo lugar, orgulhosas do novo amigo – Tenho certeza de que em breve o nome da Rachel vai estar estampado nos jornais e a Quinn vai estar por perto, fazendo o que quer que escolha fazer muito bem, e cuidando da Rachel – sorriu para as duas – Quanto aos outros caras do Glee Club – falou quando viu alguns dos membros com sua visão periférica – Todos são muito talentosos e vão se dar bem na vida, disso não tenho dúvidas. Já você, cara, é um merda.
Soltou-o assim que terminou de falar. Sem ação e sem respostas, Azimio saiu tropeçando dali, sentindo-se derrotado. Karofsky ficou parado exatamente onde estava mal acreditando no que acabara de fazer. Sentiu uma mão em suas costas e virou-se.
- Muito obrigada, Dave – era Rachel agradecendo – Você foi muito corajoso – sorriu seu sorriso de 1000 wats.
- Só cansei de ser um babaca como ele – Dave defendeu-se.
- Já não era sem tempo – Quinn brincou – Mas Rachel tem razão. Gostei do que disse sobre a gente e a galera do Glee.
- Fui sincero em cada palavra – confidenciou.
- Eu sei – Quinn sorriu – Bom, melhor irmos pra aula se não quisermos nos atrasar. Não esquece que tem que nos encontrar na hora do almoço pra falarmos com a Beiste.
- Pode deixar. Vejo vocês mais tarde – e saiu pelo corredor, os ombros eretos, sentindo-se leve como a muito não sentia.
Finn, Puck e Mercedes aproximaram-se das duas, espantados.
- O que foi aquilo? – Finn perguntou desconfiado.
- Um novo Dave Karofsky – Quinn respondeu.
- Ou o verdadeiro Dave Karofsky se mostrando – Rachel completou enfática, certa do que estava dizendo.
- Acho que gosto mais desse novo Dave – Mercedes brincou.
O sinal tocou e cada um foi para sua respectiva aula.
Notas finais
Gostaram do novo Dave, também?
Mereço reviews? XD (sim, sou cara de pau rs)
Comentem, mandem sugestões.
Até o proximo capítulo (que tanto quanto voces, espero que nao demore a vir?
Até �
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