Um Mundo Diferente
7 Capítulo 7: Lorde Castrus, Mirela e as Empregadas Patricinhas
Notas iniciais
*Narração em Terceira Pessoa*
–ACORDEM, SEUS INÚTEIS!! ACHAM QUE ESTÃO AONDE?! VAMOS!! ANDEM!!
O trio acordou num pulo. Magali se encontrava chateado com tudo aquilo.
–Aff... Não posso nem ter o meu sono de beleza como eu costumava ter na Terra... -disse ela, franzindo as sobrancelhas.
–Não importa quantos sonos de beleza você tiver, Magali. Você sempre vai ser essa jaca... AAAI! -gritou Cascão, depois do chute que a Magali deu em sua cabeça. Com o pé.
–Vê se não sai por aí falando besteira porque da próxima vez eu chuto sua cabeça PRA FORA DO SEU CORPO COMO UMA BOLA DE FUTEBOL! –gritou Magali.
–Eu hein?! Tá de TPM?! Aposto que se violência fosse uma doença você estaria internad...
–O QUE DISSE?! –gritou Magali, com mais raiva ainda, cortando a fala do Cascão.
–Err... Ahn... Nossa que lindo dia né, Magá? -disse Cascão, tentando disfarçar a besteira que ele ia falar pra ela.
–NÃO SE ATREVA A MUDAR DE ASSUNTO SE NÃO QUISER BATER DE FRENTE COM A MORTE, SEU IMBECIL!–gritou Magali, já querendo partir pra chutar ele de novo.
–Dá pra vocês dois CALAREM A BOCA?! Já se esqueceram do propósito da gente aqui?! -perguntou Cebola.
Os dois pararam com a rincha e foram se arrumar (com as mesmas roupas de ontem). Depois disso, saíram do quarto e perceberam que o corredor estava cheio de piratas, divididos em cinco fileiras enormes. Apertadas, mas enormes.
Lá na frente tinha um pirata que falava com muita autoridade. Ele falava como se fosse uma autoridade. Tentando enxergá-lo de longe, Cebola, Cascão e Magali se amontaram em qualquer fileira. Cebola ficou na terceira fileira (praticamente no meio), Magali na quarta (à direita do Cebola), e o Cascão na segunda fileira (à esquerda do Cebola). Como estavam um do lado do outro, davam para eles conversarem normalmente dali.
Até que o "chefão" chegou.
De nariz empinado, braços e mãos enlaçadas nas costas, andar de galo e cara de... Porco?
Sim. Ele tinha cara de porco. Não era zoeira nem nada. Ele era um porco. Um porco-pirata. Vai saber. Era um porco.
O trio conseguiu observá-lo com clareza. Quiseram rir de tão feio que era, mas não quiseram desafiar a morte. Porque ele parecia aqueles generais de guerra, malhados e altos, musculosos e fortes. Mas com cara de porco.
Lá no fundo, já esperavam algo assim tão... Exótico. Afinal, estavam no espaço. E quem vinha do espaço era considerado um alien. Não ficaram surpresos com o fato dele ter aquela aparência. Aliens são exóticos.
–Nunca vi vocês por aqui. QUEM SÃO VOCÊS?! –exclamou o general não-sei-quem-da-cara-de-porco.
Cascão pensou em responder com uma piada meio sem-graça, tipo: "Já tomou o seu banho de lama hoje, general?". Mas ele só pensou mesmo. Ele tomou consciência de que se falasse isso, a Dona Morte iria vir buscá-lo naquele exato momento. A Dona Morte da cara de porco (Haha... Parei). E que se não fosse o porco, o Cebola e a Magali o matariam invés dele.
–Somos novatos. Chegamos aqui ontem. -disse Cebola, tentando ser formal.
O general observou atentamente o trio, caminhando devagar enquanto fazia isso, mas parou de caminhar quando observou algo que não estava certo.
Do nada, agarrou o braço da Magali e a levou para o lado dele. Sem soltar seu braço, se virou e começou a voltar para o começo do corredor.
–Espera! Para onde o senhor está levando a Magali?! -perguntou o Cebola, fazendo o general parar de andar, ainda de costas.
–De fato, vocês são novatos, mas acho um absurdo o fato de não saberem uma simples e rígida regra que seguimos, sendo que a princesa Mônica já lhes teria dito desde que chegaram aqui. -respondeu o general, o olhando pelo canto do olho esquerdo.
–Que... Regra? -perguntou Cebola.
–"ALIENÍGENAS FÊMEAS NÃO BATALHAM CONOSCO." –respondeu o general. Após isso, virou-se para frente e continuou a andar junto com a Magali. -Ah, e me chame de Lorde Castrus.
–Lorde Castrus é o general da cambada dos piratas da Cabeleira –sussurrou um pirata que se encontrava na frente do Cebola. -Nunca o desafie. Vai se arrepender. Pra ele, não existe misericórdia, nem pena. Se ele não gosta de alguém, ele não disfarça. Ele faz da vida da pessoa um inferno.
Cebola não ficou com medo do que ele disse. Já tinha que aturar garotas loucas e mimadas em cima dele todos os dias e também garotos ciumentos e invejosos por algum motivo besta que não se sabe. Mas o que ele não sabe é que isso não se tratava de uma coisa fácil. Talvez o seu orgulho não permita que ele tenha medo.
–Mirela, leve esta garota para um de seus condados. Ela é nova por aqui. -comandou Lorde Castrus, jogando a Magali no chão, soltando o seu braço, que se encontrava marcado por suas unhas grandes.
A tal Mirela (vestida de empregada espacial) tinha aparência normal de humana na parte de cima de seu corpo. Já a parte de baixo do seu corpo (a partir da cintura) tinha uma aparência totalmente diferente. Suas pernas eram de veado e também tinha um rabinho. Magali também não ficou surpresa, pois a Mirela era uma alienígena.
Mirela levantou a Magali pelos dois braços e a cumprimentou.
–Sou Mirela. Qual o seu nome, jovem? -perguntou ela, na maior delicadeza.
–S-Sou a Magali. -respondeu.
–Hm, que ótimo. Não se preocupe, sempre há espaço para mais uma empregada. -disse Mirela, abrindo um sorriso simpático e puxando a Magali pelo pulso. Magali não disse uma palavra durante sua caminhada.
–Empregada? Como assim? Quer dizer que invés de lutar, vou servir leite com biscoitos para quem me chamar? Que história é essa que "alienígenas fêmeas não batalham conosco"? Primeiro, não sou uma alienígena, e segundo, quanto machismo da parte deles! Já fiz boxe, capoeira, judô e já estudei algumas técnicas de espadachim. Ele acha que sou fraca?! Ah, vá! –pensou Magali, furiosa.
Quando chegaram em um dos condados das empregadas, Mirela a apresentou para as empregadas presentes no local. Cada uma delas era mais estranha que a outra, e pareciam patricinhas, tanto é que quando a Magali chegou, nenhuma delas se interessou. Só se maquiavam, pintavam as unhas e arrumavam o cabelo. Mirela foi até o guarda-roupa do condado e tirou um uniforme completo de empregada para a Magali.
–Eu não vou usar isto. -disse Magali, sem reação.
–Ora, mas por que não, senhorita Magali? -perguntou Mirela, com cara de dúvida, o que parecia mais uma cara de burra.
–Porque eu não quero. É feio e não combina comigo. Ah, me esqueci. Nada combina comigo. -respondeu Magali, ainda sem reação, mas que já começava a ficar irritada.
–Aceita que dói menos, querida. Ninguém pediu pra você parar na frente dos portões da Cabeleira. -disse uma das empregadas, que se encontrava maquiando.
Magali queria responder com: "Eu fui mandada sim!", mas achou uma resposta bem melhor.
–Também ninguém pediu a sua opinião, falsiete. Vá cuidar da sua vida enquanto eu cuido da minha.
Todas as empregadas pararam de fazer o que estavam fazendo para olhar para a Magali em estado de choque. Magali, que havia gostado de ter deixado as coisas tensas no local, resolveu martelar mais ainda.
–Ah, e eu lhe aconselho a usar bastante maquiagem para disfarçar essa sua cara de trouxa.
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