Um Lugar para Nós

4 O Primeiro Dia na Creche


Notas iniciais
Certo, foram apenas dois reviews (embora tenham sido muitissimo importantes para mim!), eu fiquei esse tempo todo esperando receber mais um ou dois, mas também deu tempo de escrever até a página 4 do capitulo 21.
Sim, a história vai ser longa, muito longa (provavelmente)
Espero que gostem, bjs e boa leitura!

Sakura entrou no quarto da filha sorrateiramente.

-Zoey, acorda.

A menina jogou a coberta por cima da cabeça.

-Está bem, se você não que ir para a creche, eu vou voltar a dormir. – Disse suspirando.

A menina deu um pulo para fora da cama.

-Pronto, já acordei.

-Ótimo, hora do banho!

-Nããão! – E a ruiva saiu correndo do quarto.

Chegaram no portão e entraram, bateram na porta de madeira.

-Bom dia! Fico feliz que tenham voltado. – Disse Wesley sorridente.

Os pais soltaram a filha relutantemente, que estava louca para entrar na creche. Deu um beijo nos pais e entrou com Wesley.

-Zoey, eu vou levar você para a Sra. Grant para você pegar seu uniforme.

-Ta bom! – Respondeu sorridente.

Foram para a sala onde a loira ficava. Essa também disse o quanto estava feliz de ver Zoey novamente. Pagou um saco plástico com uma roupa dentro e ajudou Zoey a vestir-se. Era uma saia marrom, uma blusa creme, uma meia branca até os joelhos e sapatinhos de boneca marrons. Como estava frio, Zoey também vestiu uma blusa de moletom.

-Você está linda! – Disse a mais velha. – Mas pode ficar ainda mais linda, espere um pouco.

Ela pegou uma fita rosa — choque com um sininho no meio e amarrou na cauda de Zoey.

-Que fofo! – Disse a pequena brincando com o sininho.

-Wesley? – Chamou sabendo que ele esperava do lado de fora. Ele entrou. – Leve a Zoey lá pra fora, por favor?

-Siga-me, senhorita! – Disse estendendo o braço. As duas moças deram risadas baixas.

Wesley levou Zoey para um porta onde se ia para o grande quintal.

-Quer que eu lhe apresente?

-Não, eu vou dar uma olhada no lugar primeiro, obrigada.

Wesley então saiu. Zoey ficou morrendo de vergonhar de falar com alguém, mas também ficou com vergonha de aceitar a ajuda de Wesley. Já pensou, ela parada na frente de todos junto com Wesley e ele dizendo seu nome? Que mico!

Caminhou lentamente pelo chão de terra, se encostou em uma árvore, por sorte ninguém percebeu ela. Escondeu a cabeça entre os joelhos e ficou ali pensando em nada até sentir algo gelado na mão. Levantou a cabeça devagar e se deparou com um cachorro.

-AAHH! – Começou a correr pelo lugar, não tinha ninguém por perto para ajudar. Quando viu que o cachorro era mais rápido que ela, desistiu e tentou subir em uma árvore, como um gato de verdade. Falhou!

Ficou olhando o cachorro que se aproximava perigosamente. Sentiu os olhos transbordarem. Quando ele ia dar o bote:

-Daisuke! Venha aqui, garoto! – O cachorro correu para o menino loiro. – Você assustou ela, sabia? Que feio.

-Assustar? Ele ia me comer, isso sim!

-Por que ele iria querer fazer isso?

-Por que eu sou uma gata, dã! – Respondeu como se fosse óbvio.

-É mesmo, você tem orelhas de gata! – Disse tocando os tufos peludos.

-Ouvimos alguém gritando, o que aconteceu, Elliot? – Perguntou um garoto moreno. Junto com ele chegou mais um garoto de cabelos verdes e outro de cabelos roxos.

-O Daisuke assustou ela. – Disse apontando para a ruiva.

-Você é nova aqui! Prazer, sou o Mark. – Se apresentou sorrindo, e que sorriso lindo ele tinha!

-Me chamo Zoey. – Respondeu retribuindo o sorriso.

-Sou o Dren, seja bem-vinda, gatinha! – Disse o de cabelos verdes.

-Não me chama de gatinha! – Ela olhou para Dren e o de cabelo roxo que não se apresentou. – Vocês não têm orelhas de animais, mas elas são pontudas, legal! – Ela se aproximou para tocar a orelha do mais velho e ele deu um tapa forte em sua mão.

-Não me lembro de ter deixado você colocar a mão em mim.

Ela olhou surpresa para ele, mudando depois para raiva. Correu dali sem falar nada. Sumiu da vista dos garotos, embora eles soubessem onde ela estava.

-Que tal se a gente der um susto nela? – Propôs Dren. Sardon achou que poderia distrair eles um pouco, Mark disse que não era uma boa idéia e Elliot não falou nada. Todos foram pelo mesmo caminho de Zoey.

Ela estava sozinha brincando com um graveto, fazendo desenhos na terra. Ouviu um barulho nos arbustos ali perto, levantou a cabeça e não viu nada. Quando abaixou novamente ouviu o barulho.

-Quem ta aí? – Ela esperou um tempo e ninguém respondeu. Voltou a brincar e ouviu ‘úúús’ iguais de fantasmas. Levantou rápido do chão.

-Eu vou te pegar, Zoey. – Ela estremeceu.

-Não vai, não! – Com os braços para trás do corpo, colocou as garras para fora.

Foi tudo muito rápido. Primeiro um vulto verde pulando na direção dela, depois o braço dela fazendo um risco no ar e aí todos ficaram estáticos no lugar. Dren tinha o rosto sangrando por causa do arranhão que Zoey fez nele.

-Você me arranhou... – Disse monotonamente.

-Desculpa, eu não queria... Além do mais, você me assustou.

Dren arregalou os olhos furiosamente para ela. Se aproximou um pouco.

-Sabe por que você conseguiu me arranhar desse jeito? – Não esperou pela resposta. – É porque você nem é humana, é uma coisinha com sangue de animal.

-Como você pode ser tão cruel? Eu já disse que foi sem querer. E eu sou humana, só sou um pouco diferente, e você também é!

-Eu só tenho as orelhas um pouco pontudas, mas você tem uma cauda e orelhas de gato. Onde isso é humano? – Perguntou usando todo o veneno que podia. Os olhos encheram de lágrimas. – Isso, chora, eu adoro ver garotinhas chorando!

Elliot viu que ela iria chorar e passou por Dren esbarrando nele.

-Você também não é humano! – Disse para o garoto de cabelos verdes. Abraçou Zoey e no mesmo momento viu que Mark fez o mesmo. Fechou a cara para o moreno.

-Não se preocupa com o que ele disse, Zoey.

Zoey ao se ver abraçada pelos dois, sentiu-se protegida e mais calma.

-Você quer brincar com a gente? – Perguntou Mark tentando amenizar a situação.

-Claro!

Zoey passou a manhã inteira correndo e o cachorro atrás dela. Os meninos conversavam e riam se divertindo com Zoey. À tarde, a Sra. Grant apareceu chamando-os para o almoço.

-Então, Zoey, como foi sua manhã?

-O seu filho me defendeu, Sra. Grant!

-Ah, é? Elliot defendeu você? E por que você precisou ser defendida?

-Porque o Dren disse que eu não era humana, e o Elliot me defendeu.

-Por falar em animais, você já sabe qual é o seu, Zoey? – Perguntou o pai de Elliot chegando mais perto.

-Não, qual é? – Perguntou curiosa.

-É um gato selvagem de Iriomote.

-O que é Iriomote?

-É um lugar, uma ilha no Japão. Como o gato cresce lá, recebeu esse nome. É melhor você ir comer.

Zoey lavou as mãos e ficou por última na fila, graças ao tempo que ficou conversando. Quando viu o que tinha para comer, não agüentou, abocanhou o peixe.

-Hey, Zoey, vem sentar com a gente. – Chamou Mark. Ela levantou a cabeça e uma onde de risadas começou na mesa dos meninos. Zoey se tocou que estava com o peixe inteiro preso entre os dentes. Soltou devagar com um sorriso sem graça. Sentou com os amigos.

-O almoço de hoje foi feito em sua homenagem, sabemos que adora peixe, Zoey. – Disse a mãe de Elliot perto da ruiva. Zoey sorriu.

-Ah, eu descobri qual é o meu animal!

-Qual? – Perguntou Mark interessado.

-É um gato selvagem de Iro... Irom... Irio... Eu não lembro o nome. – Disse confusa. Qual era mesmo o nome?

-Gato Selvagem de Iriomote. – Elliot disse por ela.

-É, esse mesmo!

-Que legal, mas já era de imaginar que você era uma gata... – Disse Dren. Zoey ainda estava brava, então virou o rosto para não olhar para ele.

-Sai, Daisuke, você sabe que eu não posso te dar comida. – Brigou Elliot. O cachorro não saiu, e tinha um olhar tão pidão. – Ta, mas minha mãe não pode saber que eu to te dando comida, ta bom?

Quando ele ia entregar, alguém deu um tapa leve na mão dele e tirou o pedaço de peixe.

-Elliot, o que eu disse sobre dar comida para o Daisuke?

-Eu sei, mãe, mas olha a carinha dele?

A mãe olhou. Tinha o coração ainda mais mole que o filho, não resistiu.

-Certo, mas deixa que eu dou, se não ele vai babar na sua mão. Vou levá-lo lá pra fora, assim você não fica mais na tentação.

Todos comeram animados. Depois brincaram mais um tempão. Em algum momento da tarde, a Sra. Grant apareceu chamando-os para tomar chá.

-Por que a gente vai tomar chá? – Zoey perguntou baixinho para Elliot.

-Porque é tradição na minha família e na da Corina. Além disso, a gente discute o que vai jogar durante o chá.

Na mesa, a conversa não acabava.

-Todos já se apresentaram para a Zoey? Não? Por que não começa, Renée?

-Prazer, Zoey, me chamo Renée Roberts. – Disse a de cabelos roxos.

-Me chamo Corina Bucksworth. – A de cabelos azuis nem mesmo olhava para o rosto de Zoey.

-Sou Bridget Verdant, essa aqui é a Kikki e ele é o Tarb. – A garota de cabelos verdes se apresentou mostrando uma loirinha e um menininho de cabelo castanho perto dela.

-O resto já se apresentou. – Disse Dren.

-Tem certeza? – Todos concordaram com a cabeça. — Até o Sardon? – Todos pararam. – Sardon? – Ela insistiu.

Ele bufou, mas fez o que lhe era pedido.

-Meu nome é Sardon, sou o irmão mais velho do Tarb e irmão adotivo de Dren.

-Mas mudando de assunto, o que nós vamos fazer durante o resto da tarde?

-A gente podia cantar. – Sugeriu Renée

-A idéia é ótima. – Disse uma de coques azuis, bebericando o chá.

-Ótimo, quero mesmo fazer uma serenata para minha gatinha! – Disse Dren. Wesley que estava entre ele e Zoey, sentiu uma gota escorrer. Zoey virou os olhos e desviou o rosto.

-Então está bem, hoje nós teremos karaokê. – Disse o pai de Elliot sorrindo.

-Zoey, bem que você poderia dormir aqui qualquer dia desses, né?

-Eu vou falar com os meus pais.

-Aliás, fiquei sabendo que não gosta de tomar banho.

-Não é que eu não goste, é só o meu jeito de gato... – Disse corada.

-Se você começar a tomar banho sem dar trabalho, eu faço carinho na sua orelha.

-Você acha que eu vou me vender por um carinho? Sou criança, não idiota!

Elliot negou com a cabeça e esticou os braços para fazer carinho. Ele apertava fracamente e Zoey fechou os olhos aproveitando.

-O que acha de fazermos um trato?

-Trato feito! – Respondeu sem nem pensar. Alguns riram da situação da falta de raciocínio de Zoey.

-Como você sabia que isso era bom? Nem eu sabia!

-Agora é segredo, mas um dia eu te conto!

Todo o tempo na creche foi divertido e na hora de ir embora Zoey foi carregada no colo, pois estava dormindo. Os pais nunca viram ela dormir tão cedo, e ela ainda parecia ter um sorriso no rosto.

Notas finais
Gostou? Já sabe como fazer um agradinho (não to falando de biscoito pra cachorro, não).
Kissus no kokoro e até o próximo cap.