Um Lugar para Nós
4 O Primeiro Dia na Creche
Notas iniciais
Sim, a história vai ser longa, muito longa (provavelmente)
Espero que gostem, bjs e boa leitura!
Sakura entrou no quarto da filha sorrateiramente.
-Zoey, acorda.
A menina jogou a coberta por cima da cabeça.
-Está bem, se você não que ir para a creche, eu vou voltar a dormir. – Disse suspirando.
A menina deu um pulo para fora da cama.
-Pronto, já acordei.
-Ótimo, hora do banho!
-Nããão! – E a ruiva saiu correndo do quarto.
Chegaram no portão e entraram, bateram na porta de madeira.
-Bom dia! Fico feliz que tenham voltado. – Disse Wesley sorridente.
Os pais soltaram a filha relutantemente, que estava louca para entrar na creche. Deu um beijo nos pais e entrou com Wesley.
-Zoey, eu vou levar você para a Sra. Grant para você pegar seu uniforme.
-Ta bom! – Respondeu sorridente.
Foram para a sala onde a loira ficava. Essa também disse o quanto estava feliz de ver Zoey novamente. Pagou um saco plástico com uma roupa dentro e ajudou Zoey a vestir-se. Era uma saia marrom, uma blusa creme, uma meia branca até os joelhos e sapatinhos de boneca marrons. Como estava frio, Zoey também vestiu uma blusa de moletom.
-Você está linda! – Disse a mais velha. – Mas pode ficar ainda mais linda, espere um pouco.
Ela pegou uma fita rosa — choque com um sininho no meio e amarrou na cauda de Zoey.
-Que fofo! – Disse a pequena brincando com o sininho.
-Wesley? – Chamou sabendo que ele esperava do lado de fora. Ele entrou. – Leve a Zoey lá pra fora, por favor?
-Siga-me, senhorita! – Disse estendendo o braço. As duas moças deram risadas baixas.
Wesley levou Zoey para um porta onde se ia para o grande quintal.
-Quer que eu lhe apresente?
-Não, eu vou dar uma olhada no lugar primeiro, obrigada.
Wesley então saiu. Zoey ficou morrendo de vergonhar de falar com alguém, mas também ficou com vergonha de aceitar a ajuda de Wesley. Já pensou, ela parada na frente de todos junto com Wesley e ele dizendo seu nome? Que mico!
Caminhou lentamente pelo chão de terra, se encostou em uma árvore, por sorte ninguém percebeu ela. Escondeu a cabeça entre os joelhos e ficou ali pensando em nada até sentir algo gelado na mão. Levantou a cabeça devagar e se deparou com um cachorro.
-AAHH! – Começou a correr pelo lugar, não tinha ninguém por perto para ajudar. Quando viu que o cachorro era mais rápido que ela, desistiu e tentou subir em uma árvore, como um gato de verdade. Falhou!
Ficou olhando o cachorro que se aproximava perigosamente. Sentiu os olhos transbordarem. Quando ele ia dar o bote:
-Daisuke! Venha aqui, garoto! – O cachorro correu para o menino loiro. – Você assustou ela, sabia? Que feio.
-Assustar? Ele ia me comer, isso sim!
-Por que ele iria querer fazer isso?
-Por que eu sou uma gata, dã! – Respondeu como se fosse óbvio.
-É mesmo, você tem orelhas de gata! – Disse tocando os tufos peludos.
-Ouvimos alguém gritando, o que aconteceu, Elliot? – Perguntou um garoto moreno. Junto com ele chegou mais um garoto de cabelos verdes e outro de cabelos roxos.
-O Daisuke assustou ela. – Disse apontando para a ruiva.
-Você é nova aqui! Prazer, sou o Mark. – Se apresentou sorrindo, e que sorriso lindo ele tinha!
-Me chamo Zoey. – Respondeu retribuindo o sorriso.
-Sou o Dren, seja bem-vinda, gatinha! – Disse o de cabelos verdes.
-Não me chama de gatinha! – Ela olhou para Dren e o de cabelo roxo que não se apresentou. – Vocês não têm orelhas de animais, mas elas são pontudas, legal! – Ela se aproximou para tocar a orelha do mais velho e ele deu um tapa forte em sua mão.
-Não me lembro de ter deixado você colocar a mão em mim.
Ela olhou surpresa para ele, mudando depois para raiva. Correu dali sem falar nada. Sumiu da vista dos garotos, embora eles soubessem onde ela estava.
-Que tal se a gente der um susto nela? – Propôs Dren. Sardon achou que poderia distrair eles um pouco, Mark disse que não era uma boa idéia e Elliot não falou nada. Todos foram pelo mesmo caminho de Zoey.
Ela estava sozinha brincando com um graveto, fazendo desenhos na terra. Ouviu um barulho nos arbustos ali perto, levantou a cabeça e não viu nada. Quando abaixou novamente ouviu o barulho.
-Quem ta aí? – Ela esperou um tempo e ninguém respondeu. Voltou a brincar e ouviu ‘úúús’ iguais de fantasmas. Levantou rápido do chão.
-Eu vou te pegar, Zoey. – Ela estremeceu.
-Não vai, não! – Com os braços para trás do corpo, colocou as garras para fora.
Foi tudo muito rápido. Primeiro um vulto verde pulando na direção dela, depois o braço dela fazendo um risco no ar e aí todos ficaram estáticos no lugar. Dren tinha o rosto sangrando por causa do arranhão que Zoey fez nele.
-Você me arranhou... – Disse monotonamente.
-Desculpa, eu não queria... Além do mais, você me assustou.
Dren arregalou os olhos furiosamente para ela. Se aproximou um pouco.
-Sabe por que você conseguiu me arranhar desse jeito? – Não esperou pela resposta. – É porque você nem é humana, é uma coisinha com sangue de animal.
-Como você pode ser tão cruel? Eu já disse que foi sem querer. E eu sou humana, só sou um pouco diferente, e você também é!
-Eu só tenho as orelhas um pouco pontudas, mas você tem uma cauda e orelhas de gato. Onde isso é humano? – Perguntou usando todo o veneno que podia. Os olhos encheram de lágrimas. – Isso, chora, eu adoro ver garotinhas chorando!
Elliot viu que ela iria chorar e passou por Dren esbarrando nele.
-Você também não é humano! – Disse para o garoto de cabelos verdes. Abraçou Zoey e no mesmo momento viu que Mark fez o mesmo. Fechou a cara para o moreno.
-Não se preocupa com o que ele disse, Zoey.
Zoey ao se ver abraçada pelos dois, sentiu-se protegida e mais calma.
-Você quer brincar com a gente? – Perguntou Mark tentando amenizar a situação.
-Claro!
Zoey passou a manhã inteira correndo e o cachorro atrás dela. Os meninos conversavam e riam se divertindo com Zoey. À tarde, a Sra. Grant apareceu chamando-os para o almoço.
-Então, Zoey, como foi sua manhã?
-O seu filho me defendeu, Sra. Grant!
-Ah, é? Elliot defendeu você? E por que você precisou ser defendida?
-Porque o Dren disse que eu não era humana, e o Elliot me defendeu.
-Por falar em animais, você já sabe qual é o seu, Zoey? – Perguntou o pai de Elliot chegando mais perto.
-Não, qual é? – Perguntou curiosa.
-É um gato selvagem de Iriomote.
-O que é Iriomote?
-É um lugar, uma ilha no Japão. Como o gato cresce lá, recebeu esse nome. É melhor você ir comer.
Zoey lavou as mãos e ficou por última na fila, graças ao tempo que ficou conversando. Quando viu o que tinha para comer, não agüentou, abocanhou o peixe.
-Hey, Zoey, vem sentar com a gente. – Chamou Mark. Ela levantou a cabeça e uma onde de risadas começou na mesa dos meninos. Zoey se tocou que estava com o peixe inteiro preso entre os dentes. Soltou devagar com um sorriso sem graça. Sentou com os amigos.
-O almoço de hoje foi feito em sua homenagem, sabemos que adora peixe, Zoey. – Disse a mãe de Elliot perto da ruiva. Zoey sorriu.
-Ah, eu descobri qual é o meu animal!
-Qual? – Perguntou Mark interessado.
-É um gato selvagem de Iro... Irom... Irio... Eu não lembro o nome. – Disse confusa. Qual era mesmo o nome?
-Gato Selvagem de Iriomote. – Elliot disse por ela.
-É, esse mesmo!
-Que legal, mas já era de imaginar que você era uma gata... – Disse Dren. Zoey ainda estava brava, então virou o rosto para não olhar para ele.
-Sai, Daisuke, você sabe que eu não posso te dar comida. – Brigou Elliot. O cachorro não saiu, e tinha um olhar tão pidão. – Ta, mas minha mãe não pode saber que eu to te dando comida, ta bom?
Quando ele ia entregar, alguém deu um tapa leve na mão dele e tirou o pedaço de peixe.
-Elliot, o que eu disse sobre dar comida para o Daisuke?
-Eu sei, mãe, mas olha a carinha dele?
A mãe olhou. Tinha o coração ainda mais mole que o filho, não resistiu.
-Certo, mas deixa que eu dou, se não ele vai babar na sua mão. Vou levá-lo lá pra fora, assim você não fica mais na tentação.
Todos comeram animados. Depois brincaram mais um tempão. Em algum momento da tarde, a Sra. Grant apareceu chamando-os para tomar chá.
-Por que a gente vai tomar chá? – Zoey perguntou baixinho para Elliot.
-Porque é tradição na minha família e na da Corina. Além disso, a gente discute o que vai jogar durante o chá.
Na mesa, a conversa não acabava.
-Todos já se apresentaram para a Zoey? Não? Por que não começa, Renée?
-Prazer, Zoey, me chamo Renée Roberts. – Disse a de cabelos roxos.
-Me chamo Corina Bucksworth. – A de cabelos azuis nem mesmo olhava para o rosto de Zoey.
-Sou Bridget Verdant, essa aqui é a Kikki e ele é o Tarb. – A garota de cabelos verdes se apresentou mostrando uma loirinha e um menininho de cabelo castanho perto dela.
-O resto já se apresentou. – Disse Dren.
-Tem certeza? – Todos concordaram com a cabeça. — Até o Sardon? – Todos pararam. – Sardon? – Ela insistiu.
Ele bufou, mas fez o que lhe era pedido.
-Meu nome é Sardon, sou o irmão mais velho do Tarb e irmão adotivo de Dren.
-Mas mudando de assunto, o que nós vamos fazer durante o resto da tarde?
-A gente podia cantar. – Sugeriu Renée
-A idéia é ótima. – Disse uma de coques azuis, bebericando o chá.
-Ótimo, quero mesmo fazer uma serenata para minha gatinha! – Disse Dren. Wesley que estava entre ele e Zoey, sentiu uma gota escorrer. Zoey virou os olhos e desviou o rosto.
-Então está bem, hoje nós teremos karaokê. – Disse o pai de Elliot sorrindo.
-Zoey, bem que você poderia dormir aqui qualquer dia desses, né?
-Eu vou falar com os meus pais.
-Aliás, fiquei sabendo que não gosta de tomar banho.
-Não é que eu não goste, é só o meu jeito de gato... – Disse corada.
-Se você começar a tomar banho sem dar trabalho, eu faço carinho na sua orelha.
-Você acha que eu vou me vender por um carinho? Sou criança, não idiota!
Elliot negou com a cabeça e esticou os braços para fazer carinho. Ele apertava fracamente e Zoey fechou os olhos aproveitando.
-O que acha de fazermos um trato?
-Trato feito! – Respondeu sem nem pensar. Alguns riram da situação da falta de raciocínio de Zoey.
-Como você sabia que isso era bom? Nem eu sabia!
-Agora é segredo, mas um dia eu te conto!
Todo o tempo na creche foi divertido e na hora de ir embora Zoey foi carregada no colo, pois estava dormindo. Os pais nunca viram ela dormir tão cedo, e ela ainda parecia ter um sorriso no rosto.
Notas finais
Kissus no kokoro e até o próximo cap.
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