Um Lugar Para Ficar
37 Capítulo 37 – O Medo Traz Consequências
Fazia alguns minutos desde que America deixou a livraria Refúgio naquela tarde, quando, finalmente, Esme retornou da consulta com o dentista. Encontrando uma Rosalie silenciosa, de expressão abatida. Bem diferente da moça alegre e cheia de esperança que havia deixado sozinha pouco depois do horário do almoço.
Não fazia ideia do que aquela mudança de comportamento significava. E o quanto aquele silêncio fazia barulho na mente dela.
Rosalie não parava de pensar em todas as coisas ditas por America, nas provocações e ameaças.
Com uma xícara de café expresso entre as mãos, pensando, olhava fixamente o líquido que esfriara já algum tempo, como pudesse encontrar as respostas para seus problemas ali. Nem mesmo o barulho da sineta na porta, quando Esme entrou na loja, com um cumprimento gentil e alegre, atraiu sua atenção.
A amiga, e também chefe, passou para detrás do balcão de atendimento onde estava. Deixou a bolsa numa prateleira baixa e se aproximou, pondo a mão no ombro de Rosalie com sutileza, não querendo assustá-la.
— Você está bem? – ainda enquanto falava, sentiu Rosalie estremecer diante o toque de sua mão no ombro. Com o susto, quase deixou a xícara cair, respingado café no chão e também nas mãos. O barulho da xícara se equilibrando no pires se misturando ao seu constrangido e também pedido de desculpas.
— Oh, meu Deus, Esme – Rosalie olhou da xícara para o chão e então para a amiga. – Me desculpe por isso, eu não...
— Você parecia distante quando entrei – Esme comentou. – Aconteceu alguma coisa enquanto estive fora? Você está bem? Está tudo bem com as crianças e com o pessoal na fazenda?
— Estão todos bem, sim. Eu é que me distrai com o que não devia. Eu sinto muito, por isso – olhou o café respingado.
— Voltou a pensar naquele homem? Não faça isso, minha amiga. Não deixe que o fantasma dele te impeça de seguir com sua vida.
Rosalie engoliu a bile. Os pensamentos repetindo que era bem mais que isso, dessa vez. Havia alguém querendo facilitar as coisas para o lado de Royce King. Interferindo na vida que esperou tanto para viver. Ameaçando sua paz e a segurança de seus filhos. Talvez fosse isso. Talvez essa vida de amor e felicidade não fosse para ela. E Emmett não fosse o homem que estaria para sempre em sua vida. Tudo isso estava ameaçado agora.
Ela, finalmente, olhou no rosto de Esme, conseguindo apenas dizer:
— Eu vou subir e pegar algo para limpar isso aqui. – Ela olhou mais uma vez os respingos de café no chão e logo sem seguida se apressou em sair de detrás do balcão. Queria fugir do olhar questionador de Esme. Do constrangimento. Dos problemas.
— Rose...?
— Está tudo bem – ela respondeu, equilibrando a xícara no pires com mãos trêmulas.
Como Esme não disse mais nada, ela seguiu até a escada subindo até o segundo andar.
Esme ficou olhando, alguns minutos, o caminho por onde ela tinha se retirado. Se pondo a trabalhar no computador em seguida, imaginando que algo ruim pudesse ter acontecido a ela em sua ausência. Mas o quê?
Quando Emmett chegou para buscá-la naquele fim de tarde, as duas já estavam se preparando para fechar a livraria.
Alice não apareceu por lá depois da escola como quase sempre fazia. Apesar de sentir sua falta, Rosalie preferiu assim. Era menos uma pessoa a se preocupar com o que pudesse ter lhe acontecido.
Depois de se despedir de Esme, ela se encaminhou para onde estava estacionada a caminhonete de Emmett. Ele a aguardava encostado a lataria. Enquanto Rosalie caminhava em sua direção, notou, pela expressão no rosto dela, que havia algo errado.
Rosalie se esforçou para sorrir. O coração ficando apertadinho outra vez, lembrando-se das coisas ditas por America. Pensar em ter de se afastar de Emmett, lhe causou a sensação nauseante no estômago. Isso não estava certo. Ninguém deveria dizer ao outro como seguir sua vida. Que escolhas tomar. Isso já tinha acontecido uma vez e o resultado foi sua total infelicidade. Anos e anos de sofrimento.
De repente, quis muito sentir o calor e a força dos braços de Emmett a envolver seu corpo tenso, fazendo-a acreditar que era para sempre. Pensando nisso, apressou o passo. Era isso que queria. Queria senti-lo junto a si. Aspirar ao seu cheiro. E então, talvez, pudesse pensar direito. Pudesse deixar de sentir medo.
Emmett não se surpreendeu quando ela o abraçou, já estava esperando por isso. O que o surpreendeu foi na forma como ela fez isso. Havia uma urgência e uma saudade que o fez pensar em despedida. E, então, ele sentiu medo.
Passaram um instante, apenas sentindo o calor um do outro. Ele segurou o rosto dela entre as mãos e finalmente a beijou nos lábios, sentindo todo amor e urgência, assim como no abraço.
— Aconteceu alguma coisa? – ele pediu. Então levantou o rosto, encostando os lábios na testa dela com lentidão.
Rosalie se esforçou para sorrir tão logo os olhares voltaram a se encontrar.
— Só senti saudades... – disse.
— Tem certeza? Você parece preocupada. Notei ainda enquanto caminhava em minha direção.
Rosalie beijou brevemente os lábios dele.
— Foi só impressão sua.
— Certo – ele respondeu num tom de dúvida.
— E as crianças? – ela pediu. Falar das crianças era sempre um assunto seguro.
Emmett se moveu, abrindo a porta do carona para que ela entrasse no carro.
— Ficaram brincando.
Ela sentou no assento do carona como sempre fazia. A diferença era que dessa vez não parecia feliz.
— A lição de casa já está feita – Emmett lhe disse. E parecia orgulhoso disso.
Rosalie pôs o cinto de segurança.
— Obrigada.
— Não há de quê, moça bonita – ele respondeu de forma brincalhona, e então fechou a porta.
Enquanto ele passava pela frente do carro, a fim de sentar no assento do motorista, a insegurança causada pelas palavras de America voltou a causar em Rosalie medo e angustia.
Emmett sentou e bateu com a porta devagar. Antes de pôr o cinto, ele olhou no rosto de Rosalie, reconhecendo em suas feições delicadas a tristeza de antes, de quando a conheceu.
Ele estendeu a mão, segurando na dela com um aperto gentil.
— Quer me contar o que está te preocupando? Sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa.
Rosalie ergueu a mão livre, acariciando o rosto dele com a ponta dos dedos. Quase o levando a fechar os olhos só para apreciar seu toque gentil e carinhoso.
— Eu amo você – ela sussurrou, sentindo um aperto na garganta e também no coração.
— Eu sei. E eu também amo você, Raio de Sol. Mas, não é por isso que está assim tão calada. E com essa carinha triste. Preocupada.
— Não é nada. Talvez eu só esteja um tanto sentimental demais.
— Tem certeza de que não tem nada mais acontecendo?
Ela moveu a cabeça, afirmando. – Ahum.
Emmett sorriu para ela, revelando as covinhas. Se lembrando, então, de uma coisa.
— Tenho uma coisa para você – disse. E se virou para frente. Alcançando o porta-luvas, tirando de lá uma caixinha que Rosalie logo reconheceu como sendo de um iPhone de última geração.
Ela não se moveu. Emmett insistiu, colocando a caixa em suas mãos, sob seu olhar incrédulo.
— É para você – lembrou.
— É maravilhoso. Mas, eu não posso aceitar... – estava dizendo, quando ele a interrompeu.
— É claro que você pode. E não digo isso só por mim, ou por você, mas pelas crianças também.
Ela meneou a cabeça, se recusando a aceitar. Tentando devolver a ele, mas, Emmett pôs as mãos na frente das dela impedindo de continuar com a devolução.
— Por favor, aceite – pediu. – Eu fico morrendo de saudades quando estou longe de você. Assim podemos nos comunicar com mais facilidade, e vai ajudar quando você quiser saber das crianças durante o horário de trabalho.
Rosalie olhou dele para a caixinha nas mãos, finalmente, aceitando o presente.
— Está bem.
Emmett sorriu. Em seguida beijou na têmpora esquerda dela. – Já está pronto para usar – avisou.
Ela ficou em silêncio, olhando a caixinha entre as mãos, lembrando-se do tempo em que era proibida até mesmo de mencionar o uso de um aparelho celular. Recordando momentos nos quias chegou até mesmo ser agredida.
Ansioso, Emmett pediu. – Não vai abrir? – ele sorria como se fosse ele a ganhar o presente. Foi muito difícil olhar no rosto dele e não sorrir também.
— Obrigada – Rosalie lhe disse, finalmente, com um sorriso no rosto. Empurrando a preocupação e as memórias dolorosas para algum lugar de sua mente. Obrigando-se a deixá-las no passado.
Abriu a caixinha branca tirando de lá o iphone.
— É lindo – disse, emocionada, olhando frente e verso do aparelho.
Sem esconder o sorriso, Emmett falou.
— Estou feliz que tenha gostado, moça bonita.
Rosalie deu mais uma olhada no aparelho e então se inclinou para beijar Emmett nos lábios.
— Obrigada, amor. O primeiro contato a ser adicionado, sem dúvida alguma, será o seu.
— É com isso que estou contando – brincou.
Ela sorriu, com ele se voltando outra vez para o volante, girando a chave na ignição, sem perder o sorriso.
— Vamos para casa – falou, manobrando o veículo de volta a via.
Há alguns metros da livraria, Rosalie avistou America conversando com uma garota na porta de uma loja de acessórios country. Isso bastou para trazer de volta as ameaças. Fazendo a felicidade de Rosalie minguar.
O olhar de America permaneceu cravado neles pelo tempo que o carro levou para passar naquele trecho de rua. Dali até a fazenda Recanto dos Ursos, Rosalie não prestou atenção em mais nada que foi dito dentro do carro.
Quando Emmett estacionou ao lado do galpão e pôs uma mão na coxa de Rosalie numa forma de atrair sua atenção. Ela olhou para ele como tivesse acabado de sair de um sonho estranho onde nada fazia sentindo. Ao mesmo tempo tentando entender em que parte do trajeto eles estavam. Percebendo, com um aperto no peito, que já estavam na fazenda. Teria de enfrentar a todos. Desapontá-los era o que menos queria na vida.
Emmett ainda estava com a mão na coxa dela quando falou.
— Outra vez você parece distante, Raio Sol. Você não disse uma só palavra desde que deixamos a cidade. Estou realmente preocupado com você.
Ela estava a ponto de dizer alguma coisa, quando as crianças apontaram na varanda, felizes, correndo para recebê-los. Suas vozes animadas chamando por papai e mamãe. Se ainda restava alguma força em Rosalie, desapareceu naquele momento.
Emmett deixou de olhá-la ainda enquanto afastava a mão da coxa dela, vendo, pela janela, a crianças se aproximarem.
— Vamos lá – disse a Rosalie, mas ela já estava saindo de dentro do carro.
Ele sabia que tinha algo atormentando a ela, apenas ainda não sabia o quê. Fosse o que fosse teria acontecido na cidade, dentro ou fora da livraria, não importava. Tinha machucado a ela.
Enrico e Noah agarram-se a mãe, enquanto Emmett dava a volta por detrás da caminhonete para ir até eles. Abby e Logan estavam logo atrás dos meninos, sorrindo, esperando pela vez deles de abraçarem a tia.
Emmett percebeu Rosalie sorrir para as crianças, mas não era um sorriso realmente feliz. Infelizmente, Enrico também havia notado. Emmett soube disso, porque o menino parou de pular e ficou olhando, com expressão séria, no rosto da mãe, tentando entender o que acontecia.
O olhar dela encontrou com o de Enrico e ela teve de se esforçar para não chorar na presença deles. Foi quando sentiu Noah puxar sua mão, para ver o que trazia nela.
— Mãezinha o que é isso? – pediu, se contorcendo para ver a caixinha na mão dela.
— É um presente, amor – ela explicou. E havia aquela tristeza inesperada em sua voz, embora se esforçasse para eles não notar. E seu coração dissesse que Enrico já percebera.
— Um presente? Mas é o quê? E de quem?
— É um celular. É presente do Emmett para mim.
— Do papai – Noah abriu um sorriso enorme, esbanjando suas covinhas. E ele correu para junto de Emmett, que o pegou no colo. – Você deu um presente muito legal pra mãezinha – comentou, passando os braços em torno do pescoço dele.
— Você acha que ela gostou?
— Ahã. De monte. Ela nunca que teve um desses na vida – comentou o menino, até porque, pra eles, essa era a única verdade. – Mas agora você deu esse a ela, né papaizinho?
Emmett beijou no alto da cabeça do menino, mas seu olhar estava na mãe, imaginando por que ela não parecia feliz. Viu Enrico segurar na mão dela e olhar pra cima, ainda tentando entender o que acontecia.
Rosalie apertou na mão do menino, gentilmente. – Vamos – disse para ele. – Vamos entrar.
Os cachorros estavam na varanda. Emmett os cumprimentou. E todos eles entraram na casa grande, seguido um do outro.
Rosalie se afastou deles indo pegar Amy. A menina brincava no tapete na companhia da babá, com blocos coloridos. Amy sorriu e falou com ela, como sempre, usando palavras pela metade, ainda aprendendo a se comunicar.
Noah correu para a cozinha junto com Abby e Logan, passando por Kate no caminho. Já o mais velho permaneceu ao lado da mãe, reconhecendo que ela não estava bem.
— Emmett – Ele virou o rosto, ouvindo a irmã chamar seu nome, enquanto entrava na sala. Os cabelos louros platinados presos no alto da cabeça num rabo de cavalo bem feito. – Scott pediu que você fosse até o estábulo quando chegasse. Chegou um cavalo depois que você saiu, e ele precisa que você dê uma olhada. – Então, chegando mais perto, sussurrou: – O que aconteceu? – Ela inclinou a cabeça na direção de onde Rosalie estava com dois dos três filhos.
— Eu ainda não sei – Ele se voltou para Rosalie. – Raio de Sol, eu vou precisar ir até os estábulos agora. Parece que tem um cavalo que precisa ser examinado. Eu volto assim que puder.
Novamente, Rosalie teve vontade de chorar. O amava demais. Era injusto ser forçada a abandoná-lo. America não fazia ideia do quanto estava destruindo.
Ela sentiu o coração afundar no peito no momento que Emmett se aproximou e lhe beijou os lábios com suavidade e carinho.
— Volto logo – ele avisou. Em seguida, beijou na cabecinha loura de Amy. Ao passar por Enrico, afagou seus cabelos no alto da cabeça. – Eu volto já, filho – disse ao menino de expressão preocupada.
Enrico olhou dele para a mãe e sentiu subitamente vontade chorar. Havia algo acontecendo. Algo que ele não compreendia.
Assim que Emmett saiu, Rosalie achou melhor ir para o quarto. E estava fazendo isso, levando Amy e o presente que ganhou, quando Kate chamou sua atenção.
— Rose? – e havia aquele olhar preocupado, de quem só quer ajudar. – Quer conversar?
— Estou um pouco cansada. Se não se importar, daqui a pouco eu volto.
— Está bem. Como quiser – Kate olhou para Enrico, pronta para sorrir, afirmando que estava tudo bem com a mãe dele, mas o menino já seguia Rosalie e estava de cabeça baixa. O que só lhe causou mais preocupação.
Lena entrou pela porta de correr, na lateral da varanda. Trazia uma cesta de vime cheia de hortaliças. Olhando em volta, antes de finalmente perguntar.
— Onde estão Rose e seu irmão? Vi a caminhonete dele lá fora. Achei que estivessem aqui com as crianças.
— Emmett foi ver o cavalo que chegou. E Rose está no quarto deles. – Ela estendeu a mão indicando a cesta que a avó trazia. – Posso levar?
— Não se preocupe querida. Não está pesada.
— Certo.
Kate acompanhou a avó pela casa a caminho da cozinha. Encontraram Logan, Abby e Noah sentados no chão, encostados na parede, perto da porta dos fundos, tomando achocolatado no canudinho. Três rostinhos satisfeitos.
[...]
Mais tarde, quando retornou, Emmett entrou pela porta dos fundos. Encontrando apenas a irmã e a avó na cozinha cuidando do jantar.
Ele passou pela mesa em silêncio, pegou um copo na pia e abriu a geladeira, enchendo o copo com água gelada. Enquanto bebia, a irmã olhava para ele de canto de olho, reconhecendo a sombra da preocupação e a velha tristeza em seu rosto.
Emmett se esgueirou atrás da avó para deixar o copo na pia novamente. E quando se afastava, beijou na cabeça grisalha dela.
— Vamos servir o jantar em alguns minutos – Lena avisou. – Está com fome, querido? Pegue um petisco qualquer na geladeira.
Emmett negou, movendo a cabeça. – Acho que vou tomar um banho. – E então ele se encaminhou para fora da cozinha.
Kate, que o tempo todo esteve o observando, deixou a bacia com batatas descascadas na mesa e se apressou em ir atrás dele.
— Volto em um minuto, vovó – avisou a caminho. – Vou dar uma olhada nas crianças.
— Mas elas não estão na sala assistindo tevê?... – Lena parou de falar vendo que a neta não estava mais ali para ouvir o que dizia. Estranhou a pressa, mas deixou passar.
Kate se apressou pela casa, indo encontrar com o irmão no corredor que levava aos quartos.
— Emmett? – ela chamou. E logo em seguida olhou para trás se certificando de que ninguém vinha naquela direção.
Assim que Emmett parou de andar e virou para olhá-la, Kate perguntou.
— O que está acontecendo? Você e Rose brigaram?
— Por que está me perguntando isso? Eu seria incapaz de começar uma briga com ela. Você sabe disso. Eu faria qualquer coisa para mantê-la longe do passado. De qualquer coisa que lhe trouxesse dor.
— Eu sei. Desculpe-me. É só que... ela estava tão pra baixo quando vocês chegaram da cidade hoje. E você me pareceu tão preocupado. E, bem, te achei triste outra vez. Eu posso estar errada, mas, minha intuição diz que há algo errado.
Emmett suspirou.
— Eu não sei o que há de errado com ela. Quando cheguei para buscá-la, como faço todos os dias, ela não estava feliz. Pelo contrario, achei-a bem triste. Quando quis saber o que tinha acontecido, disse apenas que não era nada. E então a gente entrou no carro. Conversamos um pouco. Mas sem que ela mencionasse o que a tinha deixado daquele jeito. Dei o celular pra ela e...
— Ela não quis aceitar? – a irmã interrompeu.
— No início, sim. Mas ela até aceitou bem quando lhe disse os motivos pelos quais deveria aceitar. Ela tinha sorrido. Estava feliz outra vez. Então, de repente, se entristeceu de novo e ficou calada o caminho inteiro até aqui. Eu estava prestes, mais uma vez, a tentar descobrir os motivos, quando as crianças apareceram. – Emmett passou a mão na cabeça, visivelmente abatido. – Depois eu tive de ir lá ver o cavalo que chegou... e...
Foi nesse momento que os dois ouviram a melodia suave do violino de Enrico ecoando entre as paredes do quarto, mais adiante no corredor.
— Ele sente que há algo errado com a mãe – Kate mencionou em voz baixa. Sentida pelo menino, que com tão pouca idade já sabia das dores da vida. Assim como ela e o irmão vieram também a saber, cedo demais.
— Eu sei. E fico arrasado com isso. Não quero falhar com nenhum deles. Fiz uma promessa.
Ouviram passos. E ao olhar sobre o ombro da irmã, Emmett avistou o cunhado se aproximando pelo corredor.
— Falaremos sobre isso em outro momento – avisou. E Kate olhou para trás.
— O que há de errado? – Garrett perguntou no momento em que beijava no pescoço dela.
Kate pôs as duas mãos no rosto do marido, sentindo a fina camada de barba nas pontas dos dedos. – Não sabemos. – E ao dizer isso, se inclinou beijando nos lábios dele. – Está com fome? – pediu logo depois. E seus dedos foram parar nos cabelos dele, bagunçando-os de propósito.
Garrett apertou os lábios nos dela antes de lhe responder.
— Muita.
— Vovó e eu estamos terminando lá na cozinha. Quando você terminar o banho, o jantar já deve estar na mesa.
[...]
Emmett entrou no quarto sem fazer alarde. Preocupado com o como Rosalie poderia estar. Encontrando-a deitada na cama deles, de costas para a porta. Foi quando viu o corpo dela tremer e imaginou que estivesse chorando. Olhando mais para o lado, no tapete, avistou Amy brincando com alguns dos brinquedos coloridos. Viu na mesinha de cabeceira, no lado dela, o celular ainda na caixa. Isso o fez duvidar se pressentia-la com ele havia sido uma boa ideia. Quem sabe algo de valor razoável. De toda forma, agora era tarde para arrependimentos.
— Papa – Amy balbuciou. Levantando cambaleante, com um bloco amarelo na mão, dando passinhos apressados ao encontro dele. – Papa – tornou a dizer.
De costas para eles, Rosalie passou a mão no rosto. Não queria que vissem que chorava.
Emmett pegou a criança no colo, beijou seu rostinho macio, e chegou mais perto da cama.
Rosalie apertou os olhos, sentindo que ele estava mais perto. As ameaças de America lhe perfurando o coração. O amava demais. Nenhum outro homem jamais teve ou chegaria a ter a importância que Emmett ocupava em sua vida. Como iria olhar nos olhos dele, tão cheio de amor e adoração, e dizer que teria de deixá-lo?
Como tiraria de seus filhos a figura paterna e o lar que eles amavam? Como destruiria os sentimentos de Emmett? Essa era uma decisão muito difícil, e certamente estava acabando com ela. America não fazia ideia do mal que estava causando aquela família.
— Oi, ursinha do papai – ele falou com Amy e, por pouco, Rosalie não voltou a chorar.
Ela sentiu o colchão ceder com o peso do corpo dele, bem ao seu lado. Somente então abriu os olhos. E tinha certeza de eles estarem inchados e vermelhos. Não tinha como mudar isso. Emmett saberia que andou chorando. Foi quando sentiu a mão dele acariciar suas costas.
— Estou realmente muito preocupado com você, Raio de Sol – Emmett falou. – Me fala. O que está te deixando assim desse jeito?
— Devo está ficando resfriada. É isso.
Emmett continuava acariciando as costas dela com uma das mãos.
— Então terei de chamar Carlisle para te examinar.
Rosalie se virou, finalmente, de frente pra ele, e segurou seu braço com a mão. Evitando pensar na força de seus músculos e o como gostava de senti-los em torno de seu corpo. Agora ele sabia que tinha chorado.
— Não é necessário – recusou.
— Mamã – Amy se lançou em cima dela, e Rosalie a prendeu sobre o peito com os dois braços.
— Quer que eu peça que alguém fique com a Amy para você descansar?
— Fiquei o dia inteiro longe dela, quero estar junto.
— Se você prefere assim. – Ele tornou afagar as costas dela. – Eu vou tomar um banho, mas não quero sair daqui sem um beijo seu. Assim saberei que não foi por algo que eu fiz.
Com o coração cheio de tristeza, Rosalie ergueu o torso se inclinando pra frente até que seus lábios tocassem os dele num beijo breve. Para ela, foi cheio de saudades antecipada. E para ele, cheio de angustia e incerteza.
Emmett afagou a cabecinha loura de Amy e depois se levantou.
— Eu não demoro – disse.
E novamente eram somente as duas no quarto.
— Papa – Amy balbuciou, de olho na porta entreaberta.
Rosalie a envolveu num abraço carinhoso, beijando no alto de sua cabecinha loura.
— Me perdoa amor – pediu a menina, num tom de voz que não passava de um sussurro.
Sem entender o que acontecia, Amy se desvencilhou dos abraços dela, olhando em direção à porta outra vez.
— Papa – insistiu.
— A mamãe também ama muito aquele papai – murmurou, segurando na mãozinha roliça da filha onde depositou um beijo. – Me perdoa Amy – tornou a pedir, sussurrando. – Perdoa a mamãe, gatinha. Perdoa a mamãe...
Quando Emmett retornou do banho, Amy estava dormindo no peito de Rosalie.
— Me desculpe – Rosalie pediu. E quando Emmett lhe lançou um olhar confuso, ela se viu explicando: – Não peguei suas roupas antes voltasse.
Emmett segurava as roupas limpas nas mãos, quando voltou a olhá-la.
— Nem tinha porque fazer isso, Raio de Sol. Você sabe que não. – Ele sabia o porquê de ela pensar assim e isso tinha nome e sobrenome, Royce King.
— Você não precisa ir se vestir no banheiro. A Amy está dormindo.
Um sorriso ameaçou surgir nos lábios de Emmett. Foi nesse momento que ele deixou as roupas limpas na cama, largou a toalha e começou a se vestir.
— Amor, eu não consigo deixar de pensar que há algo acontecendo para você estar assim.
— Provavelmente é só um resfriado.
— Provavelmente – ele repetiu, parando com a camisa na mão. Não muito convencido da resposta dela. Porém, não pôde dizer mais nada, porque Noah chamou pela mãe ainda do corredor.
— Mãezinha? Você tá aí, sua bonitinha?
Emmett vestiu a camisa ainda enquanto ia até lá, abrir a porta.
— Papai.
— Oi, filho.
— A bisvovó chamou a mãezinha, a Amy e você para irem jantar lá na cozinha. A comidinha já está pronta. E tem um cheiro muito bom – sorriu.
— Obrigado, filho. Nós já estamos indo.
— Eu vou indo na frente tá bom, papai e mãezinha?
— Está bem – disseram os dois.
— Vamos jantar? – ele disse a Rosalie, quando o menino se afastou.
— Você pode dar a janta deles? – Rosalie pediu incerta. – Eu não quero jantar. Não estou com apetite essa noite.
— Rose?...
— Está tudo bem, amor. É por causa do começo de resfriado, só isso.
— Mas e a Amy? Ela dormiu sem jantar.
— Ela tinha acabado de mamar quando chegamos. Mais tarde eu vou até a cozinha e preparo outra mamadeira para ela.
— Tudo bem – ele se inclinou e beijou na testa de Rosalie. – Amo você – murmurou, e logo em seguida se retirou. Deixando-a sozinha com seus pensamentos outra vez, e a insuportável vontade de chorar.
Seguiu pelo corredor, parando na porta do quarto dos meninos. Enrico ainda tocava o violino. Emmett bateu na porta, como o menino não respondeu, abriu uma brecha e pôs a cabeça para o lado de dentro.
— Enrico? – chamou, vendo o perfil do menino, concentrado na partitura a sua frente. – Filho?
Dessa vez, Enricou ouviu. Parando de tocar, abaixou o instrumento quase que em câmera lenta. Numa mão o violino, na outra, o arco.
— Vem jantar, filho. Você pode continuar tocando depois.
— Tá bom – o menino respondeu. E foi guardar o violino no estojo, em cima da cama, para depois deixá-lo dentro do guarda-roupa.
Enrico passou por ele na porta, e Emmett tornou a fechá-la. Eles seguiram caminhando, lado a lado, e então Enrico ergueu a mão segurando na mão grande de Emmett.
— De verdade, que posso voltar a tocar depois? – pediu.
— Claro que sim. Só não pode dormir muito tarde, porque amanhã tem aula logo cedo.
— Tá bom, papai. – Emmett o ouviu dizer. E ficou com a sensação de ter um garotinho orgulhoso e feliz em poder chamá-lo de papai. Ele apertou gentilmente na mão de Enrico. E como quase sempre acontecia, teve a sensação de estar segurando na mão do Emmett garotinho, que ficou preso no passado. Ele olhou no rosto do menino sabendo o que tinha de dizer.
— Eu amo você, filho.
O menino ergueu as vistas. Emmett reconheceu no brilho castanho de seus olhos, contentamento e orgulho. Com a mão livre, Emmett bagunçou os cabelos dele no alto da cabeça.
— A mamãe está na cozinha esperando pela gente? – Enrico perguntou um instante depois.
Emmett pensou naquilo um momento, escolhendo as palavras certas.
— A mamãe não quer jantar hoje.
O menino ficou olhando para ele, esperando uma explicação, com a mesma preocupação estampada nos olhos que Emmett vira tantas outras vezes.
— Ela está triste – Enrico o surpreendeu ao dizer. Confirmando o que ele e Kate suspeitavam. É claro que ele sentia pela mãe. Enrico não era somente filho, ele era seu amigo e cúmplice.
— Ela está ficando resfriada, campeão. Precisa descansar um pouco. Vou levar o jantar dela na cama, para o caso de ela mudar de ideia e querer comer um pouco.
— Eu quero ver a mamãe.
— Tudo bem.
E assim, eles voltaram alguns passos pelo corredor, parando de frente à porta do quarto do casal. Emmett empurrou devagar a porta, e ficou encostado no batente, esperando pelo menino.
Enrico olhou dele para a mãe deitada na cama, de costas para porta. E caminhou com passos cautelosos para junto dela. Rosalie abriu os olhos, se esforçando para sorrir para ele.
O menino se sentou no colchão ao lado dela e a abraçou. Rosalie sentiu no pequeno abraço do filho o peso de sua preocupação e do medo recente. Odiou-se por ser a causadora desses sentimentos.
— Eu estou bem, meu amor – ela o tranquilizou. Num gesto lento, o abraço foi desfeito.
— Você está ficando doente? – Enrico acariciou o rosto dela, e passou uma mecha dos cabelos dourados para detrás da orelha.
Os olhos de Rosalie foram assolados pela tristeza. O que America estava fazendo não afetava só a ela. Afetava a todos eles.
— Não gosto que fique triste, mamãezinha – Enrico sussurrou, com os lábios tremendo.
— Oh, meu príncipe lindo. Eu não estou triste... é só...
— Está sim – Enrico tocou no rosto dela com leveza. – Eu vejo isso nos seus olhinhos. Estou com medo... – nessa frase a voz dele não passou de um sussurro.
Rosalie se sentou no colchão e envolveu Enrico nos braços.
— É só um resfriado.
— Eu acho que não...
Ela segurou o rosto do menino entre as mãos e beijou sua testa.
— Ninguém está fazendo nada com a mamãe, Rico. Você vai com Emmett. Ele vai dar sua janta. Seu irmão está esperando por vocês junto com o restante do pessoal.
— Com o papai.
— Isso. Com o papai Emmett – Rosalie lhe confirmou, sentindo o coração doer. Como iria separá-los do pai que eles desejaram a vida inteira. O pai amoroso e gentil.
— Agora vai. Depois eu vou até o quarto de vocês dá um beijo de boa-noite em você e em seu irmão.
Enrico ficou de pé, e Rosalie lhe deu uma palmadinha no bumbum.
— A Amy também não vai?
— Ela dormiu, querido. Mais tarde a mamãe prepara uma madeira para ela.
— Tá bom.
Enrico caminhou até Emmett e lhe estendeu a mão novamente.
— A gente vai trazer o seu jantar – disse Enrico. E Emmett piscou um olho para Rosalie. Ela quis muito apertar os dois num só abraço, mas eles já estavam virando as costas para sair do quarto.
Na cozinha, todos reunidos à mesa, fizeram perguntas quanto a Rosalie e Amy estarem ausentes. Emmett lhes falou sobre o começo de resfriado, embora ele mesmo não estivesse convencido disso. Disse que ela preferiu ficar deitada. E que ele levaria o jantar para ela na cama.
Emmett jantou muito pouco naquela noite. Nem mesmo esperou que a avó fizesse o prato de Rosealie. Ele mesmo foi quem preparou a bandeja com um prato de sopa, algumas frutas e pão. Acrescentando uma xícara de chá e um antigripal.
Enrico quis ir com ele, Emmett pediu que terminasse de jantar e o encontrasse no quarto depois. E quando Noah disse que também iria, a resposta foi que os dois fossem juntos.
Rosalie estava sentada com as costas apoiadas na cabeceira da cama. Amy ainda dormia, ao lado dela.
Ao ouvir a porta sendo aberta, olhou naquela direção. Abaixando a mão que segurava a caixa do celular que ele lhe dera.
— Trouxe o seu jantar, Raio de Sol – falou, sorrindo para ela com as covinhas no rosto. Aproximou-se com a bandeja e a posicionou sobre as pernas de Rosalie. – Trouxe também um chá e um antigripal – acrescentou. – Os meninos queriam vir junto, mas ainda não tinham terminado o jantar. Eu...
Emmett não conseguiu dizer mais nada, porque ela estava aos prantos. Acabava com ele o fato de não saber o verdadeiro motivo. No entanto, ela sabia melhor do que ninguém o que a levava a chorar daquele jeito.
Desde que ficou sem a avó, Jocelyn, que a criou, ninguém nunca cuidou dela assim. Ninguém mais lhe serviu sopa quente na cama, ou se lembrou de lhe trazer um chá e um remédio quando esteve doente. Ela havia se tornado aquela que cuida, mas ninguém cuidava dela. A não ser quando seus filhos, ainda tão pequenos, tentavam.
— Amor, não chore assim. – Emmett passou a mão no rosto dela. Como ela chorou ainda mais, ele se pôs de pé, pronto para pegar o celular no bolso e fazer uma ligação.
— Vou ligar para Carlisle...
— Não – ela segurou sua mão no caminho. E fungou.
Emmett pegou um guardanapo na bandeja e limpou gentilmente as lágrimas que caiam nas bochechas.
— Eu não preciso de um médico.
— Como não, Rose? Olha só para você, está inconsolável. Abatida.
— Eu não estou doente, Emmett.
— Como não? Você mesma disse...
— Eu sei... Eu menti.
Ele estava muito preocupado com ela. E não era apenas por achar que estava ficando resfriada.
— Raio de Sol?...
Rosalie afastou a bandeja das pernas.
— Eu não posso mais ficar aqui.
— Você quer ir para cozinha?
— Não é isso. Estou falando da fazenda.
Ele negou com um movimento de cabeça. – Do que está falando? Você quer ir para cidade? Eu me mudo com você e as crianças para lá. Pode escolher a casa que quiser. Eu a compro pra você.
— Você não entende...
Ela se levantou. Pegou a caixa do celular na mão e entregou para ele.
— Eu não posso aceitar isso. Não posso aceitar mais nada de você. Preciso ir embora.
— Rose? Raio de Sol, eu te amo. Como assim você precisa ir embora?
— Eu preciso ir... – ela conseguiu dizer. E novamente estava aos prantos.
— Se é por causa dele, não precisa ter medo. Eu te disse. Não permitirei que volte a lhe fazer mal. Humm... – Ele tentou abraçá-la, mas ela se esquivou de seus braços.
— Eu sinto muito – ela sussurrou.
Quando Emmett finalmente conseguiu abraçá-la, ela tentou mais uma vez se afastar, sentindo a dor imensa da separação. Mas ele a manteve ali, na segurança de seus braços.
A caixa do celular ficou jogada na cama.
— Estive pensando muito... – ela voltou a falar.
Emmett encostou sua testa a dela, murmurando palavras sofridas.
— Não faz isso comigo, Raio de Sol. Eu prometo, que se você ficar, nenhum lugar no mundo será mais seguro para você e as crianças que aqui ao meu lado. Você é minha luz, Rose.
— As crianças e eu precisamos ir... – “Estamos sendo forçados a ir”, ela quis dizer. Finalmente se afastou dele, desolada. Enxergando no rosto dele uma dor imensa e uma tristeza sem fim. Estava apagando a fagulha de esperança que dera a ele e tudo isso era doloroso demais.
Foi quando perceberam dois garotinhos na porta, olhando tudo, assustados. O menor tinha os lábios tremendo, claramente a ponto de chorar.
— Amor... – Rosalie murmurou se dirigindo as crianças. Os dois meninos recuaram. Isso nunca tinha acontecido antes e ela sentiu a dor no coração, forte e pesada. Sabia que era sua culpa.
— Eu não quero ir embora mãezinha. Aqui é nossa casa, a casa do urso. A casa do papai Emmett – Noah falou e disparou a chorar. – Aqui não tem monstros.
— Vai ficar tudo bem – Rosalie disse a ele. – Vamos conseguir outro lugar.
Com o choro de Noah, Amy acordou e também começou a chorar.
Rosalie sabia que seria difícil dizer isso para eles. Não aguentava o choro de Noah, sua dor. A dor de um coração inocente sendo despedaçado. Sendo forçado a deixar o lar e o pai que ele amava. Mas a dor silenciosa de Enrico a sufocava. Ele olhava para ela com aqueles olhos tristes, refletindo uma dor profunda. E Rosalie sentia como se ele gritasse que era culpa dela. Que ela fazia tudo dar errado.
— Enrico? – ela murmurou seu nome, implorando. Olhou rapidamente os outros dois chorando, do outro lado. E então aconteceu algo que ela não esperava. Enrico virou as costas e deixou o quarto, correndo. – Enrico? – repetiu seu nome, apavorada, temendo o que viria a seguir.
— Fique com eles – Emmett sugeriu muito rápido que ficasse com Noah e Amy. – Eu vou atrás de Enrico.
Lena e Kate encontraram com Emmett no corredor.
A irmã lhe disse, afobada, que Enrico tinha saído de casa, correndo, pela porta da frente. Emmett não esperou para ouvir mais nada, apenas correu. Correu para alcançá-lo antes que fosse tarde demais.
Tremendo muito, Rosalie pediu que Lena e Kate ficassem de olho em Amy e Noah. Ela disparou pela casa, logo atrás de Emmett, ouvindo o choro dos dois filhos mais novos ficando para trás.
Sua maior preocupação no momento era encontrar Enrico e acalmá-lo. Ele tinha só sete anos, e, pelo que disseram, tinha saído sozinho de casa. Quem sabe, se embrenhando na noite, em terras desconhecidas. Assustado e triste. Carregando no coração um peso que não deveria estar com ele.
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