Um Lugar Para Ficar

31 Capítulo 31 – Amor, Cuidado e Um Pouco de Diversão


Notas iniciais
Oi, pessoal. Como disse em minha outra fic, fui impossibilitada de postar antes por falta de internet. Eu realmente lamento por isso, e peço desculpas pela longa espera.

Mesmo estando todos juntos na sorveteria já há algum tempo, Rosalie ainda sentia-se assustada com o que aconteceu na livraria. Olhando sempre ao redor, sentindo calafrios sempre que um novo cliente entrava no estabelecimento. Temendo enxergar neles a feição sádica de Royce.

As crianças estavam concentradas demais em seus sorvetes para notar qualquer diferença.

As bochechas de Noah estavam encobertas de creme cor-de-rosa. As mãos, grudentas e pegajosas.

Preocupado com Rosalie, Emmett buscava sempre seu olhar. De vez em quando, lhe apertava a mão sobre a mesa, num gesto sutil privando as crianças de saber o que tinha acontecido. Na última vez que fez isso, levou a mão dela a altura dos lábios beijando o dorso sutilmente. Percebendo soltar um suspiro leve olhando o sorvete no copinho.

A irmã de Emmett se pegou observando aos dois em alguns momentos.

— Aconteceu alguma coisa, não foi? – Kate pediu com cautela, para que as crianças não se envolvessem no assunto.

— Aconteceu – Emmett respondeu. E seu olhar foi dirigido às crianças em volta da mesa, conversando entre si enquanto tomavam sorvete. Olhando novamente pra irmã, completou: – Em outro momento falaremos a respeito disso.

Kate meneou a cabeça dando a entender que estava de acordo.

Rosalie olhou no rosto dela. – Te conto quando eles... – ela fez uma pausa lançando um olhar às crianças – não estiverem por perto – completou. E então viu Kate estender a mão sobre a mesa e num instante alcançar a sua com um aperto amigo. – Obrigada – Rose moveu os lábios, falando tão baixo que quase ninguém percebeu.

— Mamãe – começou Enrico –, eu preciso fazer xixi.

Rosalie já estava se preparando para levantar e acompanhá-lo até o banheiro, quando Emmett tocou seu braço com a mão.

— Tudo bem, eu o acompanho – disse. – Fique aqui com Kate.

Olhando o menino, ela pediu. – Tudo bem filho?

Enrico meneou a cabeça. – Ahã. E eu vou ao banheiro de menino?

Rosalie então se viu explicando a Emmett. – O único banheiro masculino que ele frequenta é o da escola. Quando saíamos era eu quem sempre o levava ao banheiro. Acontecia que era sempre o feminino.

— A mamãe também faz isso – Logan comentou. – Mas agora ela até já deixa eu ir sozinho, depende do local. Não é mamãe? – Logan olhou pra Kate ao pedir sua confirmação.

— Exatamente – ela afirmou. – Meu bebê está ficando crescidinho.

— Eles crescem tão rápido – Rose estava pensando em seus próprios filhos quando disse isso. – Parece que foi ontem que trocava as fraldas de Enrico.

— Então, eu vou lá com o papai?

— A mamãe não vai sair daqui. Pode ir tranquilo.

— Eu também quero ir mãezinha – Noah então empurrou o pote vazio de sorvete no centro da mesinha de tampo de vidro.

— Você não quer que a mamãe te leve? Assim eu aproveito e já limpo seu rosto e suas mãos.

— Não, eu quero ir ao banheiro de menino, com o papai e o Rico. Deixa mãezinha?

— Deixo filho. Você pode ir com eles. Eu limpo seu rosto depois, quando você voltar.

Noah saltou da cadeira, contente, oferecendo a mãozinha grudenta pra Emmett segurar.

Do outro lado da mesa, Logan também ficou de pé. – Eu vou também, mamãe – o menino falou pra mãe.

— Tudo bem. Fique perto do seu tio e dos meninos.

— Tá.

— Eu vou ficar de olho nele. – Emmett esclareceu. E ao olhar pra Rose, completou: – Estaremos de volta em um instante.

Rose anuiu.

Emmett se encaminhou a área dos banheiros levando os três meninos com ele. Noah segurando sua mão o tempo todo.

— Quer ir ao banheiro também filha? – Kate perguntou a Abby logo que os garotos se afastaram.

— Não. Mas, eu posso ir ver de perto a vitrine de doces?

— Chega de açúcar por hoje Abby.

— Eu não vou pegar nada, mamãe. Só quero olhar de pertinho.

— Tudo bem, olhar não faz mal. Mas fique onde a mamãe possa te ver.

A garotinha de longos cabelos louros já estava saltando da cadeira antes mesmo de a mãe terminar de falar.

— Gosto de ver as cores – comentou, empurrando uma mecha de cabelo claro do ombro.

Rosalie passou a mão nos cabelos de Abby quando a menina passou perto dela. Abby a olhou, abrindo no mesmo instante um sorriso de dentes pequeninos. E saiu toda saltitante para perto da vitrine de doces coloridos.

— Fico ansiosa pra ver a Amy com todo esse cabelão – Rose admitiu. – O dela é ainda tão curtinho que mal dá pra pôr um elástico no alto da cabeça. Na idade dela, Noah já tinha uma baita cabeleira. O Rico um pouco menos que ele.

— A Abby foi um bebê careca até quase um ano de idade, mas, quando os cabelos começaram a nascer, foi assim, como se tivesse usado adubo. Quando você menos esperar Amy vai estar com uma cabeleira loura igual a da Abby.

Rosalie anuiu de olho na entrada quando dois adolescentes entraram na sorveteria.

No mesmo instante, Kate notou que voltou a ficar apreensiva. Olhou para Abby, a menina estava bem, olhando os doces e confeitos ao lado do balcão. Kate finalmente sentiu que podia voltar a perguntar.

— O que aconteceu hoje no seu trabalho?

Rosalie olhava pra Abby e, antes de olhar pra Kate, suspirou, iniciando um resumo do que tinha acontecido antes de Emmett retornar do banheiro com as crianças.

As lembranças do momento de pavor trouxeram lágrimas aos seus olhos.

Os meninos retornavam do banheiro conversando com Emmett. Noah saltitando na frente, falando qualquer coisa sobre super-heróis. Suas mãos e rosto já não estavam mais sujos de sorvete.

Tarde demais Rose secou as lágrimas que lhe molharam o rosto. O olhar de Enrico encontrou o dela, imediatamente o menino soube que havia algo errado. O sorriso que trazia no rosto desapareceu feito uma leve nuvem de fumaça soprada pelo vento.

Rose passou as mãos no rosto, se esforçando para sorrir pra eles.

— Mamãe – Enricou chamou, enquanto corria para junto dela. O coraçãozinho batendo depressa dentro do peito. Assombrado pelas memórias deixadas por Royce. Sentindo medo pela mãe.

Reconhecendo o sinal de pânico na voz do irmão, Noah saiu atrás dele aos trôpegos.

Logan tinha parado de andar, tentando compreender o que acontecia a sua volta. Emmett segurou sua mão pequena, aumentando o passo seguindo caminho entre as mesas, indo atrás dos garotos. Viu Enrico abraçar a mãe, e Noah se chocar nas costas do irmão, depois se empurrando para colo de Rose.

— Mamãe.

— Mãezinha.

Enrico olhava no rosto dela, tentando entender o que a tinha feito chorar. O que lhe trouxera angustia e medo. Noah começou a chorar.

A mão pequena do mais velho acariciou o rosto dela, no mais puro e singelo gesto de amor e carinho.

— Por que você chorou mamãe? O que houve?

Rosalie ergueu as mãos com dificuldade, com os dois em cima dela daquele jeito, conseguindo segurar o rosto de Enrico entre elas. Então lhe beijou o rosto.

Noah estava inquieto, tentando uma posição mais confortável no colo dela.

— O que aconteceu, mãezinha? – ele disparou em meio ao choro. – Eu tô com medo.

Ela puxou Noah mais pra cima, em um único braço.

— Eu estou bem – falou a Enrico. Depois a Noah. – Não aconteceu nada, bebê. Para de chorar. Para mãezinha. Está tudo bem. Eu estou bem.

Emmett segurou na mão pequena de Enrico e com a outra mão afagou seus cabelos.

— Fica assim não, campeão. A mamãe está bem.

— Promete? – o menino inclinou a cabeça ao olhar pra ele.

— Dou minha palavra.

Noah estava agarrado a Rose com braços e pernas. Abby voltou pra perto da mesa deles, assustada, sem compreender o que tinha acontecido. Logan estava ao lado dela agora. Ele também não entendia o que causou tudo aquilo.

Emmett voltou a sentar-se na mesma cadeira onde esteve sentado antes, ao lado de Rosalie. Ele ainda segurava Enrico pela mão. Usando a outra para afagar a nuca de Rosalie enquanto a beijava na têmpora esquerda. Logo depois, afagou as costas de Noah.

— Ei, parceiro, está tudo bem. Por que está tão assustado, fala pro papai?

Noah não disse nada, em vez disso enterrou o rosto no peito da mãe.

Os olhares de Emmett e Rosalie se encontraram por um instante antes de ele voltar a falar com menino.

— Ei, ursinho – ele falou bem pertinho de Noah.

O menino mexeu a cabeça sem se afastar do corpo da mãe.

— Eu pensava que era o Royce aqui – confessou. Somente depois disso olhou pra Emmett.

Rosalie afagou as costas dele e beijou sua cabeça loura.

— Preste atenção no papai, ursinho – Emmett falou.

— Eu sou um ursinho – Noah falou meio orgulhoso, meio chorão ainda.

— É sim. É o meu filhote. Porque filhotes de ursos são ursinhos.

— Não deixe nunca Royce saber que a gente fica na sua casa papai. Na casa de urso.

— Recanto dos Ursos – Logan falou automaticamente, não tinha intenção de corrigir.

— Ele não vai saber.

— Na casa do urso é tudo bonito e feliz. No outro lugar é só maldade e porrada.

Rosalie o apertou nos braços, beijando seus ombros encolhidos. Controlando ao máximo a vontade que sentiu de chorar outra vez.

Kate se levantou indo até a moça no caixa, levando Abby pela mão. Mas a menina olhava pra Enrico.

— Vem aqui com o papai – Emmett chamou Noah. – Solta a mãezinha. – Usando apenas um braço, ele transferiu o menino de colo, passando pro dele.

Rosalie ajeitou a roupa que ficou torta e pôs a bolsa embaixo do braço.

— Fica assim não papai – Emmett pediu, depois de beijar no rostinho molhado dele. E então no de Enrico.

Emmett e Rosalie ficaram de pé. Ele com Noah no colo. Passando a mão de Enrico pra Rose segurar, para assim segurar na mão dela.

Kate se aproximou novamente. – Eu já paguei a conta – avisou.

— Obrigado – Emmett agradeceu a irmã. – Depois eu acerto com você.

— Não precisa, não foi nada demais. Vou pegar meu carro. A gente se encontra na fazenda.

Quando ela dizia isso, Abby soltou sua mão e foi abraçar Enrico. O menino soltou da mão da mãe retribuindo ao seu abraço.

— O meu papai e o meu titio não irão deixar que o homem mau volte a te machucar. Nem a tia Rose, nem o Noah e a Amy. Nunca mais.

Enrico assentiu. Abby se afastou devagar. Kate segurou novamente na mão dela.

— Nos vemos em casa – Kate disse aos outros.

Ela e os dois filhos saíram do estabelecimento na frente. Rosalie se sentiu grata por seus filhos terem sempre se dado tão bem com os sobrinhos de Emmett. Era como se estivessem a vida inteira os esperando.

Emmett, a fim de espantar a tristeza das crianças, cantarolou a primeira estrofe da canção de abertura de um desenho animado conhecido por eles.

— Sou xerife, não há um que me conteste. Eu jogo o meu laço e os amigos vêm, sou sim a melhor do Oeste...

Enrico e Noah olharam no rosto dele imediatamente. Emmett esboçou um sorriso, tinha conseguido a atenção deles para outra coisa que não o medo e a preocupação com a mãe. Eles eram novamente apenas crianças.

— Sabem de que desenho é essa música?

— Xerife Callie no Oeste – os dois meninos responderam juntos, com entusiasmo.

— Então cantem com o papai. Vamos mamãe, cante com a gente – Emmett incentivou Rose a cantar com eles, lhe lançando um olhar de carinho.

Os quatro cantarolaram enquanto deixavam a sorveteria, seguindo pela calçada até onde tinham deixado à caminhonete estacionada. Fazendo com que se esquecessem um pouco do passado.

America estava passando de carro, tendo o desprazer de vê-los juntos e felizes. Custava entender o que Emmett tinha visto em Rose. Foi muito difícil não sentir raiva, enxergando neles uma família feliz. Tinha passado tanto tempo desejando o que Rose estava tendo e tudo tinha sido perdido. Por pouco não subiu com o carro na calçada oposta. Pisando o pé no freio bruscamente enquanto o coração acelerava com o medo repentino.

Ainda enquanto dava à ré com o carro, olhando pra trás, os viu pôr os meninos dentro do carro. Depois Emmett abrir a porta do carona pra Rosalie, aproveitando para beijar nos lábios dela, mantendo as mãos na cintura fina por um instante. Então ela entrou no carro, e ele fechou a porta pra ela.

America manobrou o carro, saindo dali antes que pudessem alcançá-la com a caminhonete. Não tinha o menor interesse em ser vista. Não quando estava prestes a chorar.

[...]

Na fazenda, Emmett estacionou a caminhonete a sombra da árvore ao lado do galpão. Os meninos correram em direção à varanda. Rosalie foi quem ficou de levar suas mochilas e lancheiras para dentro de casa.

Ela subiu os degraus da varanda da frente observando os dois desaparecerem porta adentro, com a porta de tela batendo atrás de suas costas. Levando apenas um segundo para suas vozes se misturarem a dos sobrinhos de Emmett lá dentro.

Tomou um susto quando Emmett a alcançou na varanda, abraçando-a por trás, erguendo seus pés do chão. Suspirando em seguida, se dando conta de quem a abraçava, inalando o aroma do perfume dele como um calmante.

— Sabe que a amo, não sabe?

Rose meneou a cabeça, uma das mãos subindo para tocar o rosto dele. Acariciou seu rosto viril, gostando de sentir as pinicadas da barba de um dia sem fazer.

— Você é a melhor coisa que me aconteceu recentemente. – Ela lhe disse. – E ele girou o corpo dela de frente, apertando seus lábios nos dela por um minuto inteiro.

— Andei pensando numa coisa... – comentou bem depois.

— Em quê? – ela quis saber.

Emmett encarou os lábios dela em silêncio, desejando senti-los nos seus mais uma vez. Então a porta de tela se abriu e Lena ficou no umbral olhando aos dois, exibindo um sorriso que quase lhe rasgava o rosto.

Emmett ergueu o olhar, suas mãos ainda em torno de Rosalie.

— Oi, vovó – disse meio risonho.

Lena acenou pra eles. – Façam de conta que não estou aqui.

Rosalie não conseguiu segurar o riso, por isso acabou escondendo o rosto no peito largo de Emmett, enterrando o nariz na camisa dele, exalando seu aroma amadeirado ainda mais pertinho.

— Os meninos podem fazer a lição de casa mais tarde, depois do jantar? – ele perguntou, aproximando o rosto dos cabelos dela.

E Rosalie ergueu o olhar buscando o dele. – E isso por quê?

Lena continuava parada na porta olhando aos dois com a mesma feição de satisfação estampada no rosto. Gostava imenso de vê-los juntos. De presenciar a felicidade estampada nos olhos do neto ao olhar para Rosalie, e também para as crianças.

— Andei pensando numa coisa... – continuou Emmett

— Em quê?

Ele outra vez ficou em silêncio olhando fixamente nos lábios dela.

— Ei – Rose o cutucou nas costelas, da forma que conseguiu, já que carregava o material escolar das crianças.

— É que fica difícil me concentrar com você tão pertinho assim – ele admitiu. – Eu penso em te beijar e quando te beijo quase sempre penso em fazer outra coisa.

— Sua avó está olhando sabia? – ela sussurrou sem desviar os olhos do rosto dele.

— Tenho certeza de que vovó não se incomoda. Ela sempre quis que ficássemos juntos. Olha só como ela parece feliz – falou baixinho, ao ouvido de Rose.

— Eu vou entrar... – Rose falou, se afastando dele de repente.

— Amor? Rose? Não faz assim Raio de Sol, me deixa pelo menos dizer o que planejei para as crianças.

Ela parou a um passo de onde Lena estava. Emmett chegou um pouco mais perto.

— O meu avô... – E ele olhou para Lena e novamente pra Rose. – Quando eu era criança e cheguei para morar aqui na fazenda, meu avô me disse que faria uma casinha na árvore pra mim e pra Kate. Mas ele ficou muito doente... Acontece que não chegamos a fazer a casinha. Com tudo o que passei ainda na infância, acabei deixando a ideia de lado. Mas agora é diferente, quero fazer isso com nossos filhos. E também com a Abby e o Logan. Eles iriam gostar muito, você não acha?

Rosalie sentiu os olhos arderem com acumulo de lágrimas. E não foi somente pela forma como se referiu as crianças, mas, por querer criar vínculos, laços inquebráveis com elas. Ter uma casinha na árvore fazia parte do sonho de muitas crianças. E a parte mais importante disso tudo eram os momentos que compartilhariam juntos durante o processo de criação da casinha. O pai com seus filhos. As crianças se lembrariam para sempre desse momento. Quem sabe, no futuro, até contariam a seus filhos.

Ela piscou e as lágrimas lhe molharam o rosto.

Emmett se preocupou.

— Eu disse algo de errado? – ele limpou na ponta do polegar a lágrima no rosto dela.

— Não. Você não disse nada de errado. Pelo contrário, o que disse foi perfeito. Você tem ideia de que com isso estará marcando para sempre a vida deles? E de maneira tão bonita. Eles já estão tão apaixonados por você, isso só cresce a cada dia.

— Assim como eu sou por eles – Emmett reafirmou.

Lena voltou para dentro de casa quando Emmett começou a falar do avô. Ouvir falar nele lhe trazia saudades, e com a saudade vinha também à tristeza.

— Então, você está de acordo? – ele pediu a Rose.

— Mas é claro que sim.

— Vou precisar que esteja com a gente algumas vezes durante esse processo.

— E por quê?

— Pela Amy – ele disse. – Quero que ela também faça parte disso. Como ainda é muito pequena, eu não poderia trabalhar com as crianças maiores e cuidar dela ao mesmo tempo. Você fica lá com ela por um instante enquanto trabalhamos. Dessa forma estaremos também construindo suas memórias. Ela e os irmãos terão para sempre essa ligação.

Sim, eles teriam essa ligação, de algo vivido juntos na infância, algo bom e divertido. Uma memória boa que venceria muitas das memórias ruins vividas ao lado de Royce King.

Emmett estava recriando memórias. Todas elas felizes. Era disso que todos eles precisam. E era o que teriam de agora em diante, no que dependesse dele.

Rosalie deixou o material escolar dos filhos no piso de madeira da varanda, deixando os braços livres para abraçá-lo.

Passado um instante, ela recolheu o material escolar de Enrico. E Emmett, o de Noah. E entraram juntos na casa.

As crianças estavam espalhadas pela sala; no sofá e tapete. Na tevê passava o desenho animado Manny, Mãos à Obra.

Amy brincava no tapete com seus blocos de montar colorido. Merci sempre de olho nela, supervisionando a brincadeira.

— Atenção ursinhos! – Emmett se pronunciou, aumentando um pouco o tom de voz para que as crianças o notassem.

Kate estava achegando à sala naquele momento.

— Papa – Amy largou os blocos de montar, erguendo os bracinhos pra Emmett.

— Oi, ursinha. – Deu um beijo no rostinho dela, e ela se encolheu com o pinicar de sua barba por fazer. – Quem é a ursinha mais linda do papai? Quem é? – ele falava com ela, todo cheio de carinho e dengo.

— Ulsinha?

— Você é a ursinha do papai. Uma ursinha muito linda. – E ele a ajeitou no colo, olhando logo depois para os meninos. – Escutem ursinhos.

As quatro crianças deixaram de olhar a tevê para olhar pra ele.

— Vocês vão fazer a lição de casa só à noite, depois do jantar.

A animação foi grande entre eles. Mas logo veio a curiosidade, também.

— Por quê? – Noah foi quem perguntou primeiro. Ficando de pé em cima do sofá.

— Por quê? – E Emmett olhou pra Rosalie. – Porque nós iremos trabalhar na construção de uma casinha na árvore.

Houve uma agitação ainda maior na sala, as quatro crianças maiores pularam e comemoraram com palmas e vivas.

— Uma casinha na árvore?! Uhuullll! Isso é muito legal – dizia Noah.

— Que legal! – Logan fazia dancinha feliz em cima de um pufe de couro preto.

— Vai ser muito divertido, titio – Abby também comentou.

Rosalie viu Enrico atravessar a grande sala de estar e abraçar as pernas de Emmett.

— Obrigado, papai – o menino disse a ele, com gratidão. E a mãe ficou emocionada.

Emmett bagunçou os cabelos dele na palma da mão, num gesto feliz.

— Você gostou filho?

Enrico inclinou a cabeça pra atrás, tentando ver melhor o rosto dele.

— Gostei. Gostei muito.

Emmett moveu os braços segurando nos ombros do menino em um abraço desajeitado, Enrico apertou os braços finos em volta dele, outra vez com um sorriso crescendo nos lábios.

Era por coisas assim; gestos pequenos de carinho e afeto, que Rosalie se apaixonava cada vez mais por Emmett McCarty. Ele era tudo o que jamais imaginou encontrar um dia.

Passado um instante, Enrico voltou inclinar a cabeça e falar com ele.

— A Amy também vai?

— Sim. Sua mãe vai levá-la algumas vezes para ficar com a gente enquanto trabalhamos na casinha.

Enrico meneou a cabeça, concordando. No instante seguinte, estava abraçando as pernas da mãe.

Um Noah entusiasmado pipocava em cima do sofá.

— Vamos ser como Bob, o Construtor. E eu amo tudo isso!

Assim que Lena pisou na sala, ele lhe comunicou.

— Bisvovó a gente vai fazer uma casinha na árvore.

Os adultos deram risadas.

— Eu amo esse papai. Eu amo simmm – Noah cantarolou. – E minha mãezinha linda, amo muito demais.

Rosalie teve vontade de apertá-lo nos braços assim como fazia com Enrico, mas ele estava do outro lado da sala, saltitando feito pipoca em cima do sofá.

— Hoje a gente vai só escolher o melhor local e a nossa árvore favorita – Emmett explicou para as crianças.

— Eu sei onde podemos encontrar árvores bem legais pra se fazer uma casinha em cima – Logan correu para junto do tio ainda enquanto falava.

Emmett olhou a irmã parada próximo ao caminho que levava a cozinha.

— Tudo bem se ele e a Abby fizerem parte disso?

A irmã lambeu as pontas dos dedos sujas de chocolate, da cobertura que estivera fazendo para o bolo de cenoura.

— Hummmm... – murmurou. – Por mim tudo bem. Mas, acho que Garrett também vai querer participar disso. Sabe como ele é, adora uma farra.

— Bom – disse o irmão. – Se ele estiver na fazenda quando estivermos trabalhando, por mim tudo bem. Ele pode fazer parte disso. Não será todos os dias, porque as crianças têm outras atividades depois da escola. A gente só tem de checar o melhor dia e tudo dará certo.

Kate meneou a cabeça, concordando.

— Nós vamos sair agora. Vamos dar uma boa olhada ao redor. Pode deixar que eu mesmo os ajudo com lição de casa depois.

As crianças soltaram gritos e vivas.

— Lembrando que a árvore não pode ser muito longe da sede – disse a crianças. – Para segurança de todos, devemos escolher uma árvore perto daqui.

— Ah, mas já estão indo – Kate lamentou. – A vovó e eu íamos servir um lanche pra eles. Já está tudo pronto lá dentro.

— Eles podem lanchar antes, não tem problema.

Kate sorriu abertamente pra ele. E então bateu palmas atraindo a atenção das crianças pra ela.

— Galerinha, todos para a cozinha. Tem lanche pra todo mundo em cima da mesa. – E ao perceber que Logan iria falar, acrescentou: – Seu tio vai esperar por vocês. Não precisar se preocupar. Nem comer correndo.

O menino sorriu, sentindo-se agitado.

Noah pulou do sofá no chão, numa pose de Homem-Aranha.

— Tia Kate, e tem chocolate com leite no meu copinho?

— Se não tiver, a bisvovó prepara pra você – Lena avisou.

Noah voltou a ficar todo pulante.

Kate e a avó foram com as crianças para a cozinha.

Emmett olhou em volta, dando por falta de Rosalie. Caminhou até a porta levando Amy no colo, e empurrou a de tela para passar. Ela estava na varanda, se despedindo da babá.

— Até amanhã, então – Merci falou a Rose, se encaminhando ao carro do marido, que a aguardava na estrada de cascalho em frente à sede, bem antes do gramado.

— Ei – disse Emmett –, Amy e eu estávamos procurando por você.

Rosalie voltou alguns passos em direção a eles, e ao se aproximar estendeu os braços para pegar a filha no colo.

— Estava me despedindo de Merci.

Emmett deixou que Amy fosse pros braços da mãe.

— Viu, você estava morrendo de medo e deu tudo certo. E vai continuar dando, porque Merci é uma ótima pessoa. E excelente profissional.

Rose anuiu.

Então ele voltou a falar. – Acabei de falar pras crianças que hoje iremos só dar uma volta, pra tentar encontrar o melhor local, a melhor árvore. E anotaremos o que iremos precisar de material. Então, acho que você não precisa ir com a Amy dessa vez. A menos que você queira.

— Acho que vou deixar passar dessa vez – disse ela. – Estou um pouco cansada.

Emmett levou a mão à nuca dela, se inclinando para lhe beijar um dos olhos. Sentindo que Rose os fechava lentamente ao seu gesto de carinho.

— Eu amo você – ele falou baixinho, vendo-a abrir os olhos devagar.

— Papa – Amy falou, querendo também sua atenção.

— O papai também ama você, bonequinha – Ele brincou com as mãozinhas roliças de Amy, e então olhou pra Rose. Seus rostos bem pertinho um do outro.

— Você vai ficar bem? Quero dizer... por causa do que aconteceu na livraria hoje mais cedo. Se preferir, posso ficar aqui com você.

— Eu vou ficar bem. Além do mais, as crianças ficariam muito desapontadas se você desistisse agora. Elas ficaram muito excitadas com a ideia de uma casinha na árvore.

— Tem razão. Elas adoraram mesmo a ideia.

— É. E por falar nelas, onde estão agora?

— Na cozinha, lanchando. A vovó e a Kate acabaram de preparar um lanche. Você deveria ir comer um pouco também. Aposto que está tudo uma delícia.

— Mamã, lá – Amy ficou inquieta no colo, querendo descer.

Rosalie se abaixou e a pôs no chão. Atenta aonde ela queria ir. Até que Amy parou ao lado de uma das cadeiras de vime e sentou no chão iniciando uma batalha para retirar um de seus brinquedos de debaixo da cadeira.

Emmett olhou da menina pra Rose. Em seguida passou a mão na cintura dela, prendendo propositalmente os dedos no passador de cinto do jeans. Com um movimento preciso a trouxe para mais perto de seu corpo. Tão pertinho que podiam sentir a respiração um do outro. Abaixando a cabeça com ela olhando em seus lábios, presumindo o momento em que se beijariam.

Ele riu no momento que antecedeu o beijo ainda enquanto seus lábios se tocavam de leve.

Levou apenas um instante, e as crianças apareceram na lateral da varanda. Tinham saído pela porta dos fundos.

As quatro crianças pararam ao perceber que se beijavam.

— Uh – disseram.

Emmett e Rosalie acabaram rindo ainda enquanto seus lábios se afastavam, imaginando a cara das crianças.

Rosalie passou os dedos nos cantos dos lábios, abaixando a vista. Mas, assim que reparou nas crianças, notou que tinham um sorriso sincero estampado no rosto. Emmett, rindo escancaradamente pras elas.

— Olha a mãezinha – Noah falou todo cheio de graça –, dando beijinho no papai.

Rose teve de rir.

— Então nós já vamos, né? Já estão todos aqui – Emmett comentou, com um ar risonho.

Rosalie pegou na mão de Amy e ficou olhando as quatro crianças descerem com Emmett os degraus na parte da frente da varanda. De repente, Emmett agarrou Noah no braço e o colocou sentado em seus ombros largos.

— Eu tô quase pegando nas nuvens – o menino falou, animado. – Tô muito no alto.

E Rosalie ficou ali, rindo, os vendo dar a volta pela lateral da casa. As crianças, todas falando ao mesmo tempo, animadas e saltitantes. A voz grave de Emmett se destacando quando misturada as vozes infantis. Todos carregando o mesmo sentimento; felicidade.

Notas finais
Adoraria encontrá-los nos comentários. Ler um recadinho, por menor que seja. Beijo, beijo Sill