Um Lugar Para Ficar
27 Capítulo 27 – Em Família
O retorno à fazenda foi tranquilo. Apenas uma chuva fina começou a cair quando já chegavam. Por isso, ao deixarem a caminhonete no galpão, os quatro se molharam na rápida caminhada até a varanda da casa grande.
Garrett foi o primeiro a alcançar a porta. Abrindo-a permitindo Kate passar a sua frente. Aproveitando para sacudir o chapéu retirando a água da chuva da aba.
De costas para ele estava Emmett, abraçado a cintura de Rosalie, enquanto a beijava na testa com tranquilidade e cuidado.
— Foi divertido, não foi? – comentou Kate, do outro lado da porta, que permanecia aberta, olhando o irmão cobrir Rosalie de carinho. Emmett afrouxou o abraço, e Rosalie olhou para ela.
— Já nem me lembrava da última vez que me diverti tanto – disse. E um sorriso curvou suavemente seus lábios, lembrando-se dos momentos divertidos que viveu no bar.
Emmett aproveitou a proximidade para beijar no canto de seu sorriso.
No momento seguinte, todos passaram para o lado de dentro da casa. Deixando seus chapéus úmidos pendurados no gancho para agasalhos ao lado da porta.
— Eu só quero tirar essas botas e cair na minha cama – Kate comentou a caminho do quarto.
Rosalie notou Garrett cochichar ao ouvido de Kate e também o momento que ela deu uma risada solta.
— Boa noite – disseram os dois, virando os rostos brevemente para olhá-los mais atrás.
Quando estavam alcançando o quarto onde as crianças dormiam, Emmett e Rosalie notaram a porta do banheiro no fim do corredor se fechando atrás das costas da irmã dele. Kate parecia cochichar. Rosalie deu uma risadinha.
— Prefiro fingir que não vi os dois entrando naquele banheiro – Emmett comentou em voz baixa para não incomodar o resto do pessoal que dormia.
— Sente ciúmes dela? – Rosalie pediu, se divertindo com o desconforto dele.
— Não é bem ciúme.
— Tudo bem – acrescentou ela, com um pequeno aperto no braço dele –, é normal. Eu não tive irmãos. E nem mesmo tive a chance de sonhar com isso. Mas, na época da escola, tive amigas que tinham. E algumas delas se queixavam de como eles assustavam os rapazes que as convidavam pra sair.
Emmett anuiu.
Após um momento em silêncio, ela concluiu. – Talvez se eu tivesse tido um irmão mais velho pra cuidar de mim, não tivesse caído nas garras de... – E gentilmente, Emmett encostou o dedo indicador nos lábios dela silenciando-a com cautela.
— Não vamos falar sobre isso – disse. Ela concordou meneando a cabeça. E então eles entraram juntos no quarto onde as crianças dormiam.
Amy estava agarrada a sua bonequinha de pano, com chupeta pendendo no canto da boca, ressonando feito um anjo. Noah sempre agarrado a seu coelhinho de pelúcia encardido, a boca levemente aberta. E Enrico, de barriga pra cima, com um dos braços erguido na altura da cabeça.
Merci estava com um dos aparelhos da babá eletrônica em dos quartos vagos da casa, eles sabiam. Por isso não estranharam sua ausência no quarto.
Rosalie ajeitou os cobertores e em seguida os dois deixaram o quarto. Alguns passos depois, entrando no quarto que outrora fora apenas de Emmett.
Ele foi logo retirando a camisa de botões, enquanto ela alcançava a escova de cabelos e desembaraçava os fios dourados olhando-se no espelho. Suas bochechas estavam coradas, não havia a palidez nem os hematomas de antes. Sua aparência era saudável. Não era a Rosalie que vivia com Royce King. Estava feliz e isso estava claramente estampado em seu rosto.
Emmett terminou de tirar as roupas, ficando apenas com sua cueca boxer azul-marinho. Ela o viu caminhar em sua direção pelo reflexo no espelho. Seu coração disparou quando, então, sentiu os dedos dele tocar seus ombros e em seguida pressionar os lábios na pele sensível de seu pescoço.
— Faz amor comigo? – sussurrou, com os lábios na pele do pescoço dela, aquecendo o local com seu hálito morno. Apesar de sóbrio, havia um leve cheiro de álcool. Tinha bebido um drinque ou dois aquela noite no bar.
Seu gesto causou rebuliço a emoções de Rosalie. Ela girou nas pontas dos pés, ficando de frente pra ele, suas costas refletindo no espelho grande que Kate pôs no quarto do irmão pensando nela, os dedos finos alcançando os músculos do abdômen dele. As unhas compridas raspando na pele com suavidade.
— Sempre – sua resposta saiu sussurrada, no momento em que os olhares se prendiam um no outro. Emmett desabotoou, um a um, todos os botões da camisa que ela escolhera para usar aquela noite. Apesar de achá-la arrebatadora naqueles trajes de garota de fazenda, preferiria mil vezes vê-la sem roupa alguma. Sem pressa, afastou as duas metades do tecido xadrez deixando a barriga à mostra, repousando as mãos grandes na cintura dela. Subindo até alcançar os seios ainda encobertos pelo tecido delicado do sutiã cor de vinho. E, então, finalmente afastando a camisa pelos ombros, deslizando pelos braços até o tecido estar no chão.
Arfou ao encostar os lábios no ombro desnudo dela. Rosalie suspirou, desejando insanamente cada toque, cada carinho seu. Sempre gentil e cuidadoso. Jamais a machucara. A única marca que deixava em seu corpo era resultado do prazer que sentiam juntos enquanto se amavam.
Ele retirou toda a roupa dela com o mesmo cuidado de quem cuida das pétalas de uma rosa, temendo danificá-las. Depois de admirá-la, sob o olhar envergonhado dela por causa das marcas que carregava na pele, ele a levou para a cama. Se perdendo no brilho dos cabelos dela quando os fios dourados se espalharam pelo travesseiro refletindo a luz do teto.
O peito dela subia e descia com ansiedade presumindo o prazer que lhe proporcionaria. Inconscientemente apertando os lábios numa linha reta, sentindo o corpo inteiro clamando pelo dele.
Emmett se inclinou sobre o corpo dela, fazendo-o parecer ainda mais frágil sob os seus músculos, beijando demoradamente no umbigo dela, sentindo-a arrepiar ao toque de sua língua na apele. Deslizou a mão por entre as pernas dela, acariciando seu ponto mais sensível. Viu ela se contorcer e seus dedos apertarem os lençóis brancos. Deixando-a ansiosa quando tudo parou. Voltando a levá-la quase a loucura quando sua língua a tocou, dolorosamente levando-a ao primeiro orgasmo da noite.
Ele se afastou o suficiente apenas para pegar, na gaveta da mesinha de cabeceira, um preservativo. Deslizando no comprimento de sua ereção, voltando para junto dela em seguida.
Sem culpa, sem medo, nem arrependimentos. Fizeram amor devagar e sem pressa. Desfrutando de cada sensação, em toda sua intensidade. Arrepio e liberdade. Amaram-se por um longo tempo. E adormeceram nos braços um do outro quando o lusco-fusco já despontava no horizonte.
Rosalie foi embalada pelas palavras doces sussurradas ao seu ouvido: “A amo como nunca antes amei alguém”. “Você é o sol que ilumina a escuridão que há em mim”. “Juro honrar seu amor, pra sempre”.
Ela não ouviu Amy chorar pela manhã. Merci ainda estava lá, e, com a babá eletrônica, escutou os primeiros resmungos de sua filha, indo acalmá-la com uma mamadeira morna antes mesmo de o choro chegar.
Quando finalmente despertou eram 08h30 da manhã. Depois de uma breve olhada no relógio que ficava na mesinha de cabeceira, saiu da cama desorientada pensando na caçula. Vestiu a roupa intima e depois o roupão, fazendo um laço apressado. Antes de deixar o quarto, jogou o cobertor sobre o corpo nu de Emmett e abaixou-se para beijar a cicatriz em seu ombro. Mais uma vez imaginando a historia por trás dela.
No quarto onde as crianças estavam, encontrou Merci com a mamadeira vazia na mão.
— Obrigada – Rose falou em voz baixa.
— Imaginei que você fosse querer dormir um pouco mais – disse a babá.
— Deus, eu não a ouvi chorar – Rosalie se culpou.
— Não se preocupe. Eu me levantei antes pra preparar a mamadeira. Quando ela começou despertar eu já estava aqui.
Rosalie encostou a mão no ombro de Merci. – Você é um anjo. Obrigada. Eles lhe deram muito trabalho?
— De forma alguma. Dormiram a noite toda.
Os lábios de Rosalie se curvam com um sorriso, observando os filhos dormirem. Pensando serem os únicos responsáveis por ainda está viva. Eles eram sua vida. Em sua luta diária, na vida que deixou pra trás, tudo o que fazia era pensando neles.
— Está dispensada por hoje, Merci. Mas, por favor, não vá sem antes tomar café conosco. Também preciso acertar o pagamento por sua hora extra... – estava dizendo quando Merci a interrompeu.
— Não se preocupe. Emmett já fez isso.
— Quando?
— Ontem mesmo, ainda enquanto você se aprontava para sair.
Rosalie meneou a cabeça, pensando naquilo. – Ele não me disse nada. Danadinho. Mesmo assim, fique para tomar café com a gente.
Merci concordou. – É o tempo que meu marido levará para chegar até aqui. Vou ligar para ele vir me buscar. Ontem foi ele quem me trouxe, estou sem carro.
— Ótimo! – exclamou Rosalie. – Nos encontramos daqui a pouco, então.
Merci deixou o quarto para falar ao telefone com o marido. E Rosalie ficou observando os filhos dormirem com a adoração que nunca mudava, ano a após ano, desde o nascimento de cada um deles.
Passados cinco minutos, Noah acordou.
— Mãezinha... – sua voz soou preguiçosa, porém feliz por ela estar ali. – Você não saiu – constatou com felicidade. Embora estivesse enganado.
A mãe deu risada. Beijou na barriguinha dele e fez cocegas dos lados.
— Dormiu bem, meu gostoso?
— Ahã. Dormiu muito bem, sua bonitinha.
Ela afagou o rosto dele com as pontas dos dedos, e Noah fechou os olhos enquanto os lábios se moviam formando um sorriso preguiçoso.
— Te amo – ela confidenciou. E o menino se sentou na cama, com o coelho de pelúcia, de orelhas moles, nos braços. Pôs-se de pé, deixando o coelhinho de lado, agarrando-se ao pescoço dela.
— Mãezinha – ele pronunciou dengoso, deixando o peso de seu corpo pequeno desabar sobre o dela. – Você é meu amor.
Rosalie deu um tapinha no bumbum dele. E viu sobre seus ombros pequenos, o mais velho também acordar.
— Bom dia, meu amor – falou com Enrico, e Noah largou de seu pescoço voltando-se para o irmão a tempo de vê-lo levantar para, também, abraçar a mãe.
— Bom dia, mamãe – Enrico desejou, dividindo o abraço com o irmão menor.
— Vamos levantar. Escovar os dentinhos.
— E a gente pode ir brincar? – questionou Noah.
— Pode. Mas é claro que pode.
Noah deu uma risadinha, despertando na mãe a vontade de apertá-lo.
— Mamã – Amy chamou ainda deitada, segurando a bonequinha de pano. Os meninos se afastaram e Rose a pegou no colo. Beijando seu rostinho amassado. Sentindo o cheirinho de bebê e cobertas amanhecidas.
Amy deixou a boneca cair enquanto agarrava-se a mãe.
— Papa? – pediu.
— O papai? – Rosalie repetiu. – O papai está dormindo ainda.
— Papa, mino inda?
— Isso. O papai está dormindo ainda.
— Papa.
— Ela quer o papai, mãezinha – esclareceu Noah.
— É – Rose respondeu achando graça. – Depois de escovarmos os dentes e trocarmos de roupas a gente pode ver o papai.
Ela os levou ao banheiro no fim do corredor. Pôs creme dental nas escovinhas, e, enquanto supervisionava os meninos escovou os de Amy, depois os seus.
Enrico estava prestes a cuspir na pia, quando notou algo diferente no interior da boca. A mesma sensação de algo faltando que sentira outras duas vezes. Levando a mão a boca percebeu que seu dente havia caído.
Com o dente de leite entre o indicador e o polegar, ele falou com a mãe.
— Mamãe, meu dente caiu. Já caiu meu outro dente – repetiu contente, sabendo que a fada do dente o visitaria em breve.
Rosalie olhou na mão dele o dentinho ainda com resquícios de pasta de dente. Como que para confirmar, Enrico lhe sorriu expondo a janelinha recente.
— Deixe eu ver, irmão – Noah se precipitou, puxando o a mão do irmão para mais perto. – Outra vez. Já caiu outro – falou em tom de desgosto.
Foi quando a voz de Emmett se juntou a conversa. – Agora tem uma porteira aberta bem aí – brincou. Rose virou-se pra porta e ele estava lá, com um sorriso de covinhas peraltas que fazia seu coração saltar. Trajando uma bermuda de sarja e chinelos de dedos. – Sabe que a fada do dente virá para buscar, não sabe? – perguntou diretamente a Enrico.
— Ahã – a resposta do menino veio sorridente. – Nas outras duas vezes, quando esses daqui caíram – Ele encostou o dedo mostrando os dois novos dentes que cresciam. – A mamãe pediu que eu guardasse pra fadinha e ela me deixou moedas – os olhinhos brilharam com a recordação.
Noah fez bico lembrando-se de nunca ter recebido a visita da fada. – E eu vou ganhar também? – perguntou.
A resposta veio de Emmett. – Apenas o Enrico, papai, porque foi o dente dele que caiu.
Amy aproveitava da distração de todos para desenrolar o rolo de papel higiênico no chão do banheiro.
Noah voltou-se para a mãe, surpreendendo-a com seu pedido. – Tira o meu, mãezinha.
— O seu o quê?
— Meu dente.
— Não pode Noah. Ainda não é tempo de tirá-lo.
— É sim – ele se queixou, batendo o pé.
— Não, não é – a mãe reforçou.
— Tira – ele insistiu. – Tira esse dente. – Seu rostinho se moldou em uma careta de choro e irritação.
— Vai doer, Noah. Seu dente não está mole. Mas que ideia.
O peito dele sacudiu com o choro que se formava. – Eu quero que tire ele pra fada me dar moedas também. Eu quero, mãezinha. Eu quero.
Enrico e Emmett deram risadas. Depois de lavar a boca, Enrico mencionou que o dente vizinho àquele que caiu também estava mole. Foi quando Noah realmente se pôs a chorar.
— Tira, mãezinha. Tira papai, meu dente também.
Rosalie segurou o rosto dele entre as mãos. Abaixando-se pra ficar na mesma altura.
— Noah, olha aqui pra mamãe. – O menino olhou de Emmett para ela, com o rosto choroso. – Me ouve, filho – pediu. – Seu dentinho não está mole. Se a mãezinha tirar, vai doer muito e até vai sair sangue. O dentista pode até fazer isso sem que doa tanto, mas você vai precisar tomar injeção. E sabe o que vai acontecer depois? Vai levar muito tempo, muito mesmo, pra nascer outro no lugar. Porque eles só nascem na época certa.
O lábio inferior de Noah tremeu enquanto respondia. – Não quero injeção. Quero que você tire esse dente, mãezinha. Tira meu dente que nem do Rico – e o choro explodiu novamente.
Percebendo a dificuldade de Rose em fazê-lo aceitar, Emmett tomou a frente.
— Noah, olha aqui pro papai – pediu. O menino olhou pra ele com o rosto banhado em lágrimas. – Se você parar de chorar a gente pode até ir pescar e tomar banho de rio.
— A mãezinha vai? – ele pediu, com um soluço.
— Vai. A mãezinha vai, sim.
Ele olhou pra mãe. – Você vai?
— Vou amor.
— Tá bom – declarou, tentando controlar o soluço. E Rose afagou seu rostinho molhado.
— Chora mais não papai – Emmett pediu.
Noah voltou-se para o irmão.
— Rico você dá uma moeda pra mim? Eu queria comprar um pirulito de muitas cores. – O lábio tremeu na confirmação de seu desejo. – Eu queria muito.
O irmão concordou com seu mais novo sorriso banguela. Somente então Rosalie se deu conta do que Amy aprontava atrás de suas costas. De fralda e camiseta, seu corpinho estava enrolado pelo papel branco. Nenhum dos quatro conseguiu segurar o riso. E ela ficou ali, parada, olhando-os com uma expressão travessa no rosto.
Pouco depois do café da manhã, Emmett, com ajuda de Garrett, carregou a caminhonete com coisas que viriam a precisar durante o passeio no rio: caixas térmicas com comida e bebida. Coletes salva-vidas e boias. Brinquedos, repelente e protetor solar.
As quatro crianças mais velhas corriam em torno dos carros. Estavam tão empolgados com o passeio que não conseguiam ficar parados por mais que um segundo.
Rosalie estava na varanda com Amy. A menininha usava um chapeuzinho florido e segurava uma boia pequena na mão.
Quando já estava tudo pronto, Emmett chamou os meninos. Pôs na cabeça de cada um, um boné de baseball. Depois os ajudou a entrar na caminhonete e se acomodarem em seus assentos, ajudando-os com o cinto.
Seu olhar encontrou com o de Rosalie quando se virou procurando por ela. Ela lhe ofereceu um sorriso e foi caminhando ao seu encontro. Emmett pegou Amy no colo quando se puseram frente a frente. Inclinando o corpo alcançou os lábios de Rosalie com um beijo.
— Vai ser um dia agradável – disse, com uma das mãos nas costas dela.
— Eu acredito em você.
Logan gritou que tinha esquecido seu boné de baseball. Kate alertou que já estava dentro do carro. O menino correu e entrou no carro do pai, sentando ao lado da bisavó e da irmã, que estava em sua cadeirinha.
Depois de pôr Amy na cadeirinha, Emmett ajudou Jujuba e Caramelo a subirem na carroceria da caminhonete. Os meninos se viraram para olhar, rindo quando os cachorros encostaram seus fofinhos o vidro, como que para dizer que sabiam que estavam ali.
— Emmett – a irmã o chamou. – Não seria melhor prendê-los com a guia.
— Eles já estão acostumados, Kate. Além disso, não iremos tão longe.
Ela anuiu. Entrando em seguida no carro do marido onde estava o resto da família. Um grande chapéu de sol descansava no colo de Lena. Ela parecia feliz ouvindo a canção country que tocava no rádio.
O carro que eles estavam tomou dianteira.
Emmett e Rosalie se puseram no carro. Ele ligou o rádio, mudando de estação até parar numa que tocava Any Man Of Mine, de Shania Twain.
À medida que se afastavam da sede, Rose pôde ver parte da fazenda onde ficava o gado leiteiro.
De tempos em tempos a caminhonete ficava a sombra das árvores. Em outras ocasiões sacolejava com as rodas no chão de terra irregular.
As crianças pareciam se diverti. Seus olhinhos curiosos nunca deixando de olhar ao redor. Na carroceria, os cachorros estavam sentados um ao lado do outro; as orelhas balançando com o movimento da caminhonete.
Rosalie olhou brevemente das crianças para Emmett ao seu lado, e as palavras lhe vieram à boca sem precisar de esforço algum.
– Você é tudo pelo qual esperamos a vida toda.
O coração de Emmett pulsou forte dentro do peito. A vontade de beijá-la foi maior que tudo. Ele então desviou o olhar da estrada, com o carro cinza do cunhado há alguns metros de distância, beijando os lábios dela muito brevemente.
A voz de Noah soou alta, se esforçando para ser ouvido enquanto o rádio tocava.
— Papai, a gente vai nadar?
O casal achou difícil segurar a risada. Emmett olhava para a estrada ao responder sua pergunta.
— Vamos, vamos sim – disse. Sua voz soando risonha.
— E tem tubarão? – Noah quis saber.
— Tem papai? – Enrico, de repente, se viu preocupado.
— Balão papa? – Amy repetiu a pergunta dos irmãos.
— Não tem papai – Emmett respondeu. – Podem ficar tranquilos.
— E jacaré? – Noah tornou a perguntar.
— Também não.
— E urso? – Enrico quis saber.
— Se aparecer um urso, o papai acaba com ele. – As crianças deram risadas, e a mãe sentiu que o coração poderia flutuar dentro do peito. Essa relação das crianças com Emmett, a relação pai e filhos, era algo que outrora só existia nos sonhos dela.
Amava aquele homem com todo coração. Ele a amava da mesma maneira e também amava seus filhos. Jamais duvidaria disso.
Estavam quase chegando, quando ele perguntou em que estava pensando. Ela olhou pra ele, ajeitando os óculos de sol, que já não eram tão novos assim, no alto da cabeça e lhe disse:
— Que sou grata a Deus por tê-lo posto em minha vida.
As crianças se agitaram quando Emmett estacionou a caminhonete a sombra de uma árvore de tronco grosso. O restante da família já deixava o carro. Garrett também havia encontrado uma sombra para estacionar.
A mão de Emmett buscou a de Rosalie. Ainda apreciando o toque da mão dele na sua, ela ouviu Noah gritar.
— Eu quero descer.
— Cê! – Amy falou em voz alta.
Enrico tirava o próprio cinto de segurança. Os filhos de Kate já corriam pela clareia rumo ao deque, quando ela gritou por eles.
— Crianças, esperem pela mamãe e o papai. – Os dois pararam onde estavam. Logan aproveitou para arrumar o boné na cabeça. E a irmã voltou para junto deles.
Rosalie e Emmett saíram da caminhonete com as crianças.
As quatro crianças maiores se juntaram enquanto os adultos retiravam as coisas de dentro do carro. Jujuba e Caramelo correram ao saltar da carroceria a fim de fazer suas necessidades fisiológicas, desaparecendo entre as árvores, em meio à vegetação.
Uma manta azul e cadeiras de praia foram postas a sombra de um carvalho gigante. As caixas térmicas com comidas sobre a manta e também os brinquedos das crianças.
Emmett montou uma piscina infantil e, com ajuda de Garrett, encheram com água do rio.
Lena seguiu para o deque, com seu chapéu na cabeça, levando uma vara de pescar na mão e um balde na outra.
Kate retirou sua blusa deixando a parte de cima de seu biquíni azul turquesa à mostra.
— Abby – ela chamou, e Rose olhou em volta procurando pela sobrinha de Emmett, encontrando-a de mãozinhas dadas com Enrico.
A garotinha falou qualquer coisa a seu filho e ele sorriu pra ela exibindo sua nova janelinha, com uma sinceridade inabalável.
— Vem cá filha – Kate tornou a chamá-la. – Mamãe vai passar protetor solar em você e em seu irmão.
Rosalie observou Abby ir pra junto da mãe, depois de soltar a mãozinha de seu filho. Logan já estava lá quando a irmã parou ao lado de Kate.
Rose aproveitou e chamou os seus também. Depois de melecados com protetor solar, e apenas de sungas, voltaram para a brincadeira.
Amy brincava na manta, usando um maiozinho vermelho, que fora de Abby quando tinha sua idade, sobre a fralda. O chapeuzinho florido ainda estava em sua cabeça.
Abby usava um biquíni cor-de-rosa cheio de florezinhas e também um chapeuzinho florido na cabeça. Seus longos cabeços louros estavam divididos em suas tranças jogadas sobre os ombros.
Kate seguiu para o deque, onde o marido e a avó lançavam as varas de pescar na água.
Ao lado de Rosalie, Emmett tirou a camisa; seus músculos brilhando sob o sol fraco daquela manhã de sábado.
Após passar protetor solar nas três crianças, Rosalie passou também nas costas e braços de Emmett, enfeitiçada com a rigidez de seus músculos. Ao terminar, beijou no pescoço dele, bem próximo a nuca.
— Vem cá – ele ofereceu. – Agora é minha vez de cuidar de você.
— Isso é o que tem feito desde o dia em que nos encontrou – disse ela com a nítida lembrança.
Ele ergueu uma sobrancelha, o frasco de protetor solar na mão.
— Eu não vou tomar sol agora – ela explicou. – Por enquanto estarei aqui, a sombra desse carvalho.
Ele pareceu não entender sua recusa. Não estava tão quente, afinal. A temperatura estava apenas agradável e o céu limpo.
E então ela falou em voz baixa. – Não quero ter de tirar a roupa. Não com todos aqui, olhando pra mim. Não quero que... Tenho vergonha de meu corpo.
Emmett moveu a mão direita encostando suavemente ao rosto dela. – Você é linda, Rose. Ninguém fará comentário algum. Quanto a mim, amo tanto seu corpo quanto a pessoa que você é. – Ele traçou o contorno do rosto dela com a ponta dos dedos. – Esquece isso, amor. Tire ao menos essa camiseta e venha nadar comigo.
Ela hesitou. – Não sou uma boa nadadora...
Depois de beijar no rosto dela, ele completou: – Eu vou estar com você o tempo todo. E onde vamos entrar não é profundo.
— Tudo bem. Mas vá pescar um pouco. Eu sei que gosta. Deixe as crianças gastarem um pouco de energia. – Os dois olharam em direção ao centro da clareira, onde quatro das cinco crianças jogavam bola. Noah já estava completamente sujo de terra.
— Tem certeza? – Emmett perguntou, voltando olhar pra ela.
— Tenho. Pode ir pescar.
Ele se curvou em direção a ela, ansioso por um beijo.
As folhas secas no chão sob os pezinhos de Amy estalavam enquanto ela ia de um lado por outro, com um olhar curioso.
Quando Emmett foi se juntar aos outros no deque, Rose a pegou no colo e foi caminhar com ela às margens do rio.
Ela apreciava a liberdade. A sensação maravilhosa da brisa acariciando seu rosto. O barulho tranquilizante das águas e o riso das crianças.
Depois de um tempo, as crianças correram para a piscina de plástico. Rosalie voltou pelo mesmo caminho a fim deixar Amy brincar com eles na água rasa da piscininha.
Em sua visão periférica, viu Garrett atirar Kate na água e depois pular atrás dela. A irmã de Emmett ria e reclamava ao mesmo tempo o que dava a entender estar se divertindo. Foi quando no deque, Lena olhou para trás, em seguida, cutucou o neto com a mão.
— Vá ficar com Rose. Leve ela pra dar uma volta. Eu cuido das crianças.
Ele deixou que as covinhas dançassem em seu rosto, gostando da ideia.
— Obrigado, vovó. Irei agora mesmo – disse, olhando de relance Rose à sombra do carvalho enquanto as crianças faziam barulho e jogavam água pra fora da piscina.
Não haviam conseguido nenhum peixe até então. Ele ajudou a avó com as coisas e voltaram. Depois de deixar as coisas ao lado da caminhonete, ele se aproximou de Rosalie.
— Vem cá – disse, oferecendo a mão a ela. – Vamos caminhar um pouco.
— Mas e as crianças? – ela parecia incerta quanto a se ausentar.
— A vovó vai ficar com elas.
— Não se preocupe querida – começou Lena. – Ficarei com meus bisnetinhos até vocês voltarem do passeio.
Rosalie olhou de Emmett para as crianças e novamente para Emmett.
— Eu não sei...
— Então vamos dar um mergulho. Nadar um pouco, assim como estão fazendo minha irmã e Garrett.
— Não seja boba – bradou Lena. – Vá com ele. Vá se divertir um pouco. Já disse, eu cuido das crianças. Não estou tão caduca que não possa cuidar deles por uma horinha.
Rosalie se deu por vencida. – Está bem. Eu vou – se rendeu, aceitando a mão de Emmett enquanto ficava de pé. Quando estava frente a frente, ele pôs as mãos na barra de sua camiseta. Seus olhares se encontraram, e ele a beijou antes de mover a camiseta dela pela cabeça, deixando-a ali na cadeira.
Puseram-se a caminhar e em determinado momento, ele tirou o chapéu de couro preto da própria cabeça e pôs na cabeça dela. Aproveitando para admirá-la.
Caminharam às margens do rio, tomando uma distância considerável do local onde estava o resto da família. Passando por um estreito caminho de pedras. Indo parar onde havia uma pequena lagoa. Emmett retirou a bermuda e os chinelos.
— Vem comigo! – disse, oferecendo-lhe a mão outra vez.
Rosalie retirou o short sob o olhar atento dele, e de desfez das sandálias rasteirinhas. Em seguida, segurou na mão dele. Aproximaram-se um pouco mais da água, até seus pés a tocarem. A temperatura estava agradável. Isso lhe deu um pouco mais de coragem para entrar.
Foram se afastando, o nível da água subindo conforme avançavam. Até o momento que mergulharam, surgindo logo depois, de frente um ao outro. Rose tocou o rosto molhado dele com as mãos mantendo contato visual. Emmett trouxe o corpo dela para junto do seu, suas testas se tocaram e o beijo aconteceu; forte e ansioso. Mergulharam juntos ainda enquanto se beijavam. Voltando segundos depois a superfície para respirar. O peito dela movia-se com pressa, e ele beijou a pele de seu pescoço onde gostas de água escorriam fazendo o caminho até a clavícula.
Rosalie podia sentir a ereção dele se formando sob a água morna, pressionando sua pélvis, e desejou como nunca fazer amor com ele ali, ao ar livre. Cercados pela natureza.
Mergulhando sem prévio aviso, buscando refrear os pensamentos. Ele mergulhou junto, com as mãos na cintura dela. De volta à superfície, Emmett moveu as pernas dela de maneira a circundar seus quadris. Gemeu com os lábios nos pescoço dela, ofegante. Beijaram-se outra vez. As mãos grandes trabalharam com agilidade, desfazendo o laço que prendia o biquíni ao pescoço dela.
As mãos dele estavam em todos os lugares, moviam-se o tempo todo, reivindicando cada parte do corpo dela. Num instante, a parte de baixo do biquíni de Rosalie estava nas mãos dele. Estava nua. Completamente nua. Sentia a água circundando seu corpo sem obstáculos.
Emmett se afastou, indo até a margem, deixando o biquíni dela e sua sunga junto a outras peças de roupa sobre as pedras.
Estavam nus, nadando nas águas cristalinas, onde a natureza os envolvia os convidando a se amar. Rosalie sentia-se livre. Amada.
O barulho que as crianças faziam, ficou distante. Esporadicamente ouviam os latidos de Jujuba e Caramelo.
Ela estremeceu nos braços dele, sentindo-o deslizar para dentro, preenchendo-a de maneira única. A sensação foi a melhor possível. Nenhum dos dois se preocupou em controlar os instintos e os sons que emitiam. Deixando-se levar pela insanidade que causava o desejo.
Amaram-se sem pressa, apreciando o novo ambiente e a forma como seus corpos se moviam sob a água, saciando o desejo.
Mais tarde, quando retornaram ao local onde estava o restante da família, encontraram as crianças sentadas ao lado uma da outra, enroladas em toalhas de banho, comendo do almoço que levaram.
Garrett estava à frente da churrasqueira portátil fazendo hambúrguer para as crianças.
Kate sorriu ao avistá-los chegar. Estavam de mãos dadas. A expressão em seus rostos dizia muito do que sentiam. Rosalie tinha perdido completamente o ar doentio de quando chegou à fazenda. Suas bochechas estavam coradas e a pele mimosa. As únicas marcas que restavam daquela vida eram as cicatrizes.
— Apressem-se – comandou Lena. – Façam o prato de vocês antes que Garrett de cabo de tudo.
Garrett voltou-se pra ela, com falsa irritação, esforçando-se para manter oculto seu sorriso.
— O urso aqui é ele – anunciou apontado pra Emmett com um espeto na mão – não eu.
Kate sorriu, passando por ele para entregar mais comidas as crianças.
— Não liguem pro que meu marido fala – brincou. – Ele é um besta. – E Garrett gargalhou, virando a carne na grelha.
— Quando terminar isso aqui, Kate e eu vamos dar um volta. Sem hora pra voltar... – E ele sentiu uma mão grande acertar sua nuca com um estalo.
— Que merda é essa – reclamou Garrett. E Emmett deu risada.
— Parem vocês dois – pediu Kate se controlando para não cair na risada. – Tem crianças aqui. Cuidado com o que fala Garrett.
Emmett e Rose passaram por eles indo para juntos das crianças. Rosalie terminou de dar comida a Amy para que Lena pudesse almoçar sossegada.
Jujuba e Caramelo cochilavam a sombra, depois de terem devorado um prato de ração cada um.
Quando terminaram, todo o lixo foi posto em saquinhos para serem dispensados corretamente mais tarde.
Garrett e Kate não foram dar uma volta como ele disse que iriam. Em vez disso, jogaram outra manta no chão e deitaram-se juntos para tirar um cochilo. Abby deitou entre os dois.
Lena tentou tirou um cochilo na própria cadeira onde estava sentada. Logan, Enrico e Noah brincavam perto do deque.
Amy, com as bochechas lisas coradas, cochilava no colo da mãe. Rosalie tinha livrado ela do maiô molhado, trocado sua fralda, e posto uma camisetinha amarela. Os finos fios louros estavam bagunçados no alto da cabeça.
Emmett, que estava ao lado dela, acariciou a cabeça de Amy. Logo depois, sua mão estava no queixo de Rose fazendo um carinho.
— Acho que vou ensinar pescaria aos meninos – comentou. Quando ela virou-se para olhá-lo, ele tocou os lábios dela com os seus. – Vai ficar bem? – perguntou.
— Sim.
Ele se levantou e foi pegar os itens de pescaria onde havia deixado.
Rosalie ficou observando-o caminhar até as crianças e falar com elas, para, em seguida, os três garotinhos vibrarem. Os viu subir no deque e caminharem seguindo os passos de Emmett. Sentarem-se na madeira com as pernas penduradas. Emmett entre Noah e Enrico, Logan ao lado de Noah. Os viu falar qualquer coisa que não conseguiu ouvir.
Passado um momento, Logan se pôs de pé no deque.
— Mamãe, eu posso entrar na água?
Ao ouvir a voz do filho, Kate levantou a cabeça.
— Sozinho, não.
— Eu ponho o colete.
— Não – O menino cedeu os ombros, frustrado, e voltou a sentar-se.
O tio passou a mão em seus cabelos louros. – Daqui a pouco a gente entra – disse-lhe.
— Você vai entrar na água tio? – O rostinho foi erguido a fim de olhá-lo.
— Sim.
— E os meninos também?
De repente, Enrico estava preocupado. – Mas eu não sei nadar, papai – confessou.
Emmett olhou para ele. – O papai tem coletes salva-vidas na caminhonete. – A preocupação do menino diminuiu e seu rostinho suavizou.
— E o tubarão? – emendou Noah.
— Não têm tubarões aqui, filho – Emmett explicou.
— Só peixinho que não morde na perna? – quis saber o menino.
— Tem jacaré – brincou Logan.
— Então eu não quero entrar nessa água – Noah declarou com firmeza.
— É brincadeira do Logan. Não tem jacaré não papai – contou Emmett.
— Não? – Noah insistiu.
— Não. E você vai achar bem divertido até.
— Já é agora?
— Daqui a pouco.
Enquanto eles se dedicavam a pescaria, Rosalie aproveitou que a caminhonete estava na sombra e pôs Amy pra dormir na cadeirinha, deixando as portas abertas. E foi se juntar a eles no deque.
— Mamãe – Enrico falou assim que ela parou ao seu lado. Rose sentou ao lado dele e beijou no alto de sua cabeça. Sorrindo quando seu olhar encontrou com o do menino.
— Está gostando, filho? – pediu ela.
Os olhinhos castanhos brilharam, enquanto a cabeça balançava em uma contente afirmação.
— Ahã. Papai disse que nós vamos nadar daqui a pouco.
O olhar dela buscou o de Emmett imediatamente. – Eles não sabem nadar.
— Eles vão estar de colete. Trouxe alguns, estão na caminhonete.
— Se você vai estar com eles, e eles vão estar de colete salva-vidas, então acho que tudo bem eles entrarem um pouco na água.
— Mãezinha, e não tem tubarão – Noah contou vitorioso.
— Que bom né, filho?
— É. E agora eu tô pegando um peixe dessa água.
— Que legal!– disse ela, sorrindo pra ele.
Emmett passou o braço por trás das costas de Enrico, alcançando as costas dela com a mão. – E a Amy? – ele pediu.
— Está dormindo dentro do carro. As portas estão abertas. Sua avó está de olho nela pra mim.
— Quer se juntar a nós na pescaria?
— Eu me contento em apenas observar.
— Tio – gritou Logan. – Acho que peguei alguma coisa. – Ele se pôs de pé, se esforçando para segurar a vara de pesca. Ao lado dele, Noah ficou de pé num pulo, passando por trás de Emmett e Enrico, agarrando-se a mãe. A vara de pesca que segurava caiu no deque. Ao passo que Emmett ajudava o sobrinho, Noah subia cada vez mais em cima de Rose. Em momento algum deixando de olhar para o peixe, que se debatia preso ao anzol.
— Muito bem, parceiro – Emmett elogiou o sobrinho. O menino abriu um enorme sorriso, mostrando alguns dentes trocados recentemente.
— Mamãe. Papai. Eu peguei um peixe – gritou, olhando em direção as árvores onde eles estavam. Garrett sentou-se na manta, com Abby adormecida ao seu lado, enquanto Kate pegava o celular para fotografar a pescaria do filho.
— Ele pegou um peixe – disse para a avó.
— Anda, tira logo essa foto. O que está esperando?
Kate sorriu. – Já estou indo.
Enquanto Logan pousava pra foto com o peixe, Noah gritava sem parar.
— Solta ele. Joga na água. O peixinho vai morrer.
Para a surpresa de todos, Enrico também declarou ter pegado alguma coisa. Era um peixe bem menor que o de Logan, ainda assim estava tendo dificuldades para trazê-lo a superfície.
— Me ajuda!
Emmett se pôs ao lado dele, segurando o molinete, ajudando-a enrolar a linha. Depois de pousar para uma foto, Enrico devolveu seu peixe à água. Logan imitou seu gesto. A essa altura, Noah estava praticamente montado na mãe e seus olhos azuis estavam molhados de lágrimas.
— Eles queriam matar o peixinho – choramingou.
— Ninguém machucou o peixinho – explicou Rose.
— Eles estão vivos? Tão, mãezinha?
— Estão.
— E onde eles foram?
— Foram atrás da mãezinha deles.
Um pequeno sorriso ameaçou brotar nos lábios do menino, enquanto aceitava que os peixinhos estavam bem.
Pouco tempo depois, Emmett e as crianças estavam na água. Quatro coletes salva-vidas laranja se destacavam no cristalino que refletia a luz do sol. Logan sabia nadar, mas a mãe não se sentia confiante em deixá-lo sem proteção. No começo, Noah sentiu muito medo, agarrando-se a Emmett feito um polvo. Agora se divertia e gritava junto com os outros.
Rosalie percebeu Kate sentar ao seu lado. A conversa sobre as criança chegou naturalmente.
Abby se aproximou, com cara de sono, e sentou no colo da mãe. Rosalie aproveitou para beijar suas bochechas coradas, e a garotinha retribuiu beijando seu rosto. Em uma breve olhada para trás, Rose viu Lena se aproximando com Amy no colo. Sua filhinha segurava o copo de bico dosador entre as duas mãos pequenas. Pela carinha de satisfação soube que só podia ser suco de uva.
Garrett passou por elas correndo e se lançou na água gritando “Homem ao Mar”.
Quando Lena chegou perto o bastante, Rosalie pegou Amy no colo. Vez ou outra lhe roubava um cheirinho no pescoço.
O barulho que as crianças faziam brincando na água se misturava ao som das vozes de Emmett e Garrett e aos risos constantes.
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