Um Lugar Para Ficar
25 Capítulo 25 – Enquanto a Tempestade Cai
Notas iniciais
Ainda na cidade, Rosalie pediu que Emmett parasse com o carro próximo a uma lojinha de doces onde comprou balas e pirulitos para as crianças. Usou do próprio dinheiro, mesmo que ainda do pequeno adiantamento. Estava apenas começando. Mas já era um grande passo para quem, dias atrás, não via expectativa alguma de futuro.
Quando Emmett estacionou a caminhonete a sombra de um carvalho, na margem esquerda da sede, os meninos estavam grudentos e cheiravam a açúcar de balas e pirulitos.
Rosalie retirou Noah de sua cadeirinha, e Emmett ajudou Enrico a deixar o assento elevatório. Os dois meninos correram para os fundos da caminhonete e começaram pedir, com ansiedade, que mostrasse o que tinha pra eles.
— Eu vou mostrar pra vocês, só que antes precisamos buscar a irmãzinha. Amy tem de estar presente para ver o dela também – foram as palavras de Emmett. O sorriso sempre em seu rosto.
Os garotos voltaram para perto da mãe, que recolhia as coisas deles de dentro do carro.
— Mãezinha.
— Mamãe.
— Oi?
— Busca a Amy – pediram os dois em uma só voz.
Noah pulava feito um animalzinho feliz. Enrico pulava sem sair do lugar. Rosalie intercalava o olhar entre os filhos e o homem que estava transformando suas vidas.
— Você vai enlouquecê-los com todo esse suspense – alertou num tom de brincadeira. – Olha que até eu estou louca para saber o que trouxe na carroceria dessa caminhonete.
Enrico cutucou na barriga dela. – Vai, mamãe, por favor, busca a Amy pra gente ver logo o presente. Busca?
— Mãezinha do céu, eu tô ficando doido – declarou um Noah afobado, apertando as mãos grudentas às bochechas.
Emmett lançou um olhar a ela. – Vai lá, amor, eu fico aqui com os meninos.
Rosalie anuiu. E começou caminhar em direção à varanda. Abrindo a porta, percebeu Abby assistindo My Little Pony, largada no sofá com uma bonequinha de cabelos cor-de-rosa ao lado.
— Abby, amorzinho da tia, cadê todo mundo?
— Tia, Rose, você chegou! – a garotinha tomou conhecimento, abrindo um sorriso enorme. – Cadê os meninos? Onde estão o Rico e o Noah?
— Estão lá fora com seu tio. – Ela deu uma breve olhada ao redor, deixando as coisas que trazia sobre sofá desocupado. – Então cadê o pessoal? – pediu outra vez.
— A mamãe está na cozinha. A bisvovó foi com Neva ver alguma coisa na plantação. Eu não sei o que é tia. E o Logan, ele está no banheiro. A Merci foi com a Amy trocar a fralda dela.
Foi ainda enquanto Abby falava que a babá entrou na sala trazendo a caçula de Rosalie nos braços.
— Mamã! – Amy chamou, lançando-se a ela.
— Oi, meu amor. A mamãe chegou. – Rose estendeu os braços a fim de receber a filha. – Obrigada, Merci. Como ela se comportou hoje? Chorou muito? – Ela beijou no rosto de Amy enquanto ainda a ajeitava nos braços.
— Um pouco menos que ontem.
— Me corta o coração ter de deixá-la. É praticamente todo o dia sem mim.
— Não se sinta assim – Merci tentou tranquilizá-la. – Ela acostuma.
— Até lá, o choro não para e meu coração fica pequenininho.
Merci tocou no braço dela com afeição. – Vou sempre cuidar bem da Amy, Rose.
— Eu sei. E sou grata por isso. – Amy grudou as duas mãos pequenas no rosto da mãe, grudando os lábios em sua bochecha em um beijo babado e estalado.
— Oi, tia – Logan cumprimentou ao entrar na sala, trazendo um leve aroma de flores nas mãos.
— Oi, meu anjo.
O menino se jogou no sofá, ao lado da irmã. – Onde está o Enrico e o Noah? Eles não vieram com você? Onde eles ficaram?
— Eles estão lá fora com seu tio. – Ela voltou à atenção a Amy, que agora descansava a cabecinha em seu ombro. Beijou os finos cabelos louros da filha, falando em seguida: – Vamos lá, meu amor. Tem um presente esperando por você lá fora. A mamãe ainda não sabe o que é. Seus irmãozinhos estão em polvorosos. – Ela caminhou em direção a porta enquanto falava. – Merci, se você quiser já pode ir. Obrigada por mais esse dia com meu anjinho. Sei que cuidou muito bem dela.
A mulher meneou a cabeça concordando. – Amanhã cedo estarei aqui novamente.
— Obrigada, Merci. – Agradeceu. E olhando para os filhos de Kate avisou: – Abby, Logan, a tia trouxe doces. Está nessa sacolinha aí junto à mochila dos meninos.
— Obá! – as duas crianças gritaram, empolgadas, pulando no sofá. – Obrigado, tia – ambos disseram, sorridentes.
— Peguem o que quiserem. Enrico e Noah já escolheram os deles.
Rosalie passava pela porta quando Kate pegou os filhos fuçando na sacola, no sofá.
— Quem deu permissão para vocês mexerem aí? Essas coisas são da tia Rose, vocês perceberam isso?
— Foi a tia quem mandou a gente pegar. – Os dois responderam simultaneamente, parados com as mãos na sacola.
Kate foi até a porta e deu uma olhada no lado de fora, na varanda.
— Rose?
Rosalie, que já descia os degraus, olhou pra trás.
— Abby e Logan podem pegar os doces que estão naquela sacola, no sofá?
— Podem. Eu disse pra eles pegarem o que quiserem.
— Mas e as suas crianças?
— Os meninos já pegaram os deles. E a Amy só chupa um pirulito. Tem mais de um lá, não tem problema. Eles podem pegar.
— Onde você está indo? Cadê os meninos?
— Eles estão esperando que eu leve a Amy. Seu irmão tem um presente. Ainda não sei o que é. Disse que mostra se estiverem os três juntos. Os meninos estão a ponto de enlouquecerem de curiosidade. E isso desde que deixamos a cidade.
Kate sorriu. – Então vai logo – Apressou ela. Em seguida desapareceu outra vez dentro da casa.
Quando Rosalie se aproximou de onde Emmett estava com os meninos, os encontrou simulando um jogo de baseball com taco e bola imaginários.
— Pronto, a Amy já está aqui.
Os meninos correram até ela, parando, cada um, com uma mão nas pernas da irmãzinha. E então, muito rápido, voltaram para junto da caminhonete preta de Emmett. E ele caminhou até Rosalie, aproveitando para beijar no rostinho de Amy.
— Ei papai, está com soninho? – falou com a garotinha.
Amy olhou para ele, movendo a mão pequenina. A chupeta mexendo na boca com a sucção. – Papa – balbuciou, meio preguiçosa sem tirar a chupeta.
Emmett beijou seus dedinhos gorduchos. Depois a palma de sua mão.
— Vem logo! – apressou Noah. – Eu vou ter um treco, eu to falando.
Rosalie tocou o rosto de Emmett com os dedos da mão direita – Vai logo, antes que ele nos enlouqueça. Ele não é nada exagerado – brincou.
Emmett fez como pediu, mas não sem antes lhe dar um beijo.
E, então, lá estava ele, levantando a capota marítima na carroceria da caminhonete, fazendo suspense, enquanto os meninos se remexiam como se houvesse pulgas dentro das roupas.
Os músculos dos braços tencionaram no ato de retirar de lá de dentro duas pequenas bicicletas com rodinhas de aprender. E depois um triciclo de assento macio. Com haste para empurrar e estruturas de proteção removíveis.
Os garotos arregalaram os olhos. Um instante depois os dois começaram a vibrar. Noah se remexia tanto que seu corpo pequeno parecia de mola.
O casal apenas ria da reação dos dois. Amy se esticava querendo ir para o chão, certamente desejando mexer no seu presente. A mãe a pôs sentada no triciclo e ajustou as hastes de proteção na lateral. Amy soltou um gritinho, contente, batendo as mãozinhas nos punhos. Depois se distraindo com os brinquedinhos nos punhos e no guidão.
— Papai! – Noah gritou animadíssimo. – Qual é a minha, papai? Papai? Papai.
— Você está é frito – Rosalie sussurrou a Emmett, com um ar risonho.
Ele piscou um olho para ela, antes de responder ao menino.
— A sua é a menorzinha, Noah.
— A do Super-Homem – concluiu o menino em alegria. – Uhuull! – E correu para montar a bicicletinha nas cores vermelha e azul.
Enrico correu para montar a outra, do Ben 10, nas cores verde e preta.
Noah estava analisando com as pontas dos dedos o emblema do Super-Homem no guidão de sua bicicleta. Os olhinhos azuis brilhando de felicidade e empolgação.
— Não acredito! – Emmett e Rose o ouviram falar. – Uma bicicletinha do meu herói favorito, só pra mim. Só pra mim. – Ele fez um baita esforço para pedalar e sair do lugar.
Depois de analisar sua bicicleta, Enrico voltou perto de Emmett abraçando suas pernas.
— Obrigado – disse. E sua voz parecia carregada de emoção.
Emmett o abraçou com cuidado. – Papai está feliz que tenha gostado. Agora vai lá! Vai se divertir com seu irmão. Aproveitem enquanto ainda está claro aqui fora.
E Enrico foi, mas não sem antes abraçar, também, as pernas da mãe.
— Você acabou de deixá-los felizes – Rose declarou.
Emmett aproximou o rosto do ouvido dela, sussurrando: – E a mãe deles também?
— Com toda certeza.
— Te amo – declarou ele.
— Também te amo. E obrigada por deixá-los assim, tão felizes.
— Não vejo a hora de tê-la só pra mim outra vez. E cobri-la de beijos.
— Mãezinha, acode eu! – Noah chamou sua atenção com um grito, tentando sair do lugar com a bicicleta. – Tá muito difícil. – Como o chão de terra era irregular exigia muito esforço de sua parte. E ele não tinha forças nem pratica para fazer isso sozinho, ainda que com rodinhas.
— Eu vou ajudá-lo, não se preocupe – Emmett se ofereceu e foi para junto de Noah.
Rosalie ficou empurrando o triciclo de Amy pela haste. Algumas vezes a pequena emitia um som com a boca que fazia a mãe imaginar que estivesse imitando um carro em movimento.
Emmett levou os meninos para uma parte do terreno onde o chão de terra era menos irregular e os motivou com palavras positivas. Ajudando-os com sua força sempre que um deles travava sem conseguir sair do lugar.
Jujuba e Caramelo surgiram naquela parte do quintal onde eles estavam e ficaram a segui-los para todos os lados.
Kate apareceu na varanda. Minutos depois, Logan, com uma bicicleta do Homem de Ferro, nas cores vermelha e dourado. E Abby com uma da Barbie, com rodinhas, e fitas coloridas nos punhos. Os dois se juntaram aos meninos e ao tio.
Todos eles juntos causavam uma barulheira danada do lado de fora.
Lena voltou do passeio pela fazenda com Neva ainda enquanto eles se divertiam. Sentaram-se as duas nas cadeiras de vime da varanda e se puseram a conversar com Kate.
Depois de um dia inteiro de trabalho, Rosalie estava cansada de ficar de pé. Acabou indo sentar-se um pouco nos degraus, deixando o triciclo de Amy estacionado ao lado, de tempos em tempos empurrando pra frente e pra trás para diverti-la. E a menininha retribuía com um sorriso.
Noah largou a bicicleta e foi correndo ao encontro da mãe. Jogou-se nos braços dela, enlaçando seu pescoço com os braços curtos. Enterrando o rosto nos cabelos.
— Seu cabelo tem cheiro de fruta, mãezinha. Muito cheiroso. O meu tem cheiro do quê?
Rosalie o segurou pelos ombros, dando uma fungada em seus cabelos louros.
— Normalmente tem cheiro de shampoo de bebê. Mas nesse instante, tem cheiro de pirulito. – Noah deu uma risadinha sapeca. – Você andou chupando pirulito pelos cabelos?
— É que era um cabelulito. – Tanto ele quanto a mãe caíram na risada. Um instante depois ele avisou: – Mãezinha, eu preciso fazer xixi.
— Pede pra tia Kate te levar no banheiro.
— Tia? – Ele se afastou da mãe e subiu no degrau mais acima. – Tia Kate, me leva pra fazer xixi no banheiro. Por favor... – ele se calou, de repente pondo as duas mãozinhas sobre o pinto. – Já fiz mãezinha.
— O quê? – disse Rose, virando o pescoço para olhar pra ele.
— Eu fiz xixi na calça – confessou todo desconfiado sabendo que tinha outras pessoas além da mãe olhando pra ele.
— Ah, Noah... – Rose gemeu de desgosto.
— Foi por causa do cabelulito – ele se defendeu. – Porque a gente riu de monte.
— Quer que eu o leve para se trocar, Rose? – Kate se ofereceu.
— Não, tudo bem, eu mesma levo. Obrigada.
— Então eu fico aqui com a Amy. Dando umas voltas de triciclo.
Rosalie se pôs de pé. – Obrigada! – E então pegou na mão de Noah levando-o para dentro de casa.
— Bisvovó fala ao papai que eu já volto, tá bom?
— Está bem, a bisvovó fala pra ele. Posso falar também que você fez xixi na roupa?
Noah deu uma risadinha. – Não! Isso não, bisvovó. Só que eu já volto pra pegar minha bicicletinha.
— Tudo bem. Essa parte a bisvovó não conta. Fique tranquilo.
— É. Não conta não, senão eu fico de mal – ele reafirmou momentos antes de desaparecer dentro da casa na companhia da mãe.
[...]
Mais tarde, depois que a crianças dormiram; exaustas de toda aquela brincadeira e um longo dia na escola, Rosalie procurou por Emmett e soube através Garrett que ele estava trabalhando em algo no celeiro.
Lena e Kate se enfiaram no quarto dele, provavelmente, imaginou Rosalie, tramando alguma coisa. Bem, isso ela viria a descobrir somente mais tarde.
O tempo mudou um pouco desde que o sol se pôs atrás das montanhas. Nuvens espessas e escuras encobriram o céu. A brisa suave do fim de tarde se tornou intensa, varrendo para longe as folhas secas e outros resíduos esquecidos na terra e gramado. O ribombar dos trovões cada vez mais próximo. Uma grande tempestade se aproximava.
Os funcionários da fazenda, antes de partirem, certificaram-se de que todos os animais estavam abrigados.
— Onde você está indo? – perguntou Garrett, surpreso, no momento que Rosalie abriu a porta da frente. A porta de tela bateu forte com o vento quando ela tentou empurrá-la.
— Vou ao celeiro ver se está tudo bem com Emmett.
— O vento pode ficar ainda mais forte com a proximidade da tempestade. Você deveria ficar aqui onde é seguro. Pode ser também que não o encontre no celeiro. Ele e o resto do pessoal sempre verificam se todos os animais estão abrigados quando tem tempestade a caminho.
— Não tem problema. Já passei por coisas mais difíceis que uma tempestade. Além disso, eu volto logo.
— Se insiste.
Rosalie segurou firme na porta de tela antes que o vento voltasse batê-la outra vez. Passou para a varanda, alcançando em pouco tempo os degraus. Olhou de um lado a outro. Prendeu o suéter bege de listras grossas ao corpo com os braços. A força do vento bagunçou seus cabelos, soltando alguns fios dourados do rabo de cavalo.
Apressou-se em descer os degraus. Percorreu a longa distância entre a sede e o celeiro com o vento chicoteando seu rosto. Folhas secas atingindo suas pernas a todo o momento.
— Senhora, o que faz aqui fora com esse tempo? – uma voz masculina se dirigiu a ela, demonstrando preocupação.
Rose parou para olhar quem estava ali e, mesmo com o vento jogando todos os fios soltos de seus cabelos no rosto, reconheceu a figura esguia de Scott em seus trajes de cowboy. Por causa do vento forte, ele segurava o chapéu na cabeça com a mão.
— Sabe onde posso encontrar o Emmett?
— A senhora não deveria estar aqui, não é seguro. Posso acompanhá-la de volta a sede.
— Não – ela apressou-se em responder, pondo o braço em frente ao rosto numa tentativa de diminuir a força do vento que a agredia. E também os ciscos que vinham em direção aos seus olhos. – Onde ele está?
— No celeiro. Ele me pediu que fosse embora antes que a tempestade chegue.
— Por que ficou lá? Ele não deveria voltar pra casa também?
— Ele garantiu que não demoraria. Insistiu, também, que a casa dele era mais perto que a minha. Já estávamos saindo quando a portinha, na parte mais alta do celeiro, se abriu com o vento. O patrão decidiu ficar para arrumar. A chuva poderia molhar todo o feno e ração e então correríamos o risco de perder tudo.
Rosalie correu para o celeiro quando um raio cortou o céu próximo de onde estavam.
— Vai rápido, patroa! – Scott alertou momentos antes de seguir seu caminho, às pressas.
A grande porta do celeiro batia com a força do vento. Rosalie precisou usar de toda sua força para empurrar contra a força da natureza e passar para o lado de dentro. Quando conseguiu, olhou em volta e também no alto. Pilhas e mais pilhas de feno e sacos de ração cercavam as paredes de madeira.
Havia uma escada de madeira rustica, em dois lances, que levava a parte mais alta do celeiro. Algo como um mezanino. Com beirais que rodeava todo o celeiro, deixando o centro completamente livre.
Virou-se de frente pra porta por onde tinha acabado de passar. Olhando pra cima, encontrou Emmett, sem camisa, usando um jeans sujo e botas de cowboy. Segurava um martelo em uma mão, e na outra, um pedaço de madeira.
O primeiro som de martelada antecedeu um forte estrondo causado por um trovão. Rosalie saltou no lugar antes de gritar por seu nome.
— Emmett!
Ele parrou de martelar pensando ter ouvido vozes. Olhou para baixo e teve certeza de não tinha ouvido coisas. Mas não pareceu gostar que estivesse ali.
— Rose, o que faz aqui com esse tempo? Há uma tempestade a caminho. Você deveria estar em casa. Em segurança.
— Vim te buscar. Fiquei preocupada com você longe de casa. Com essa mudança no tempo.
— Você deveria estar com as crianças... – O som do martelar aliado aos trovões a impediu que ouvisse o resto da frase.
Ela ficou em silêncio pelo tempo que ele terminou de prender, em transversal, a barra de madeira a janelinha no alto do celeiro. Somente depois disso, Emmett desceu para falar com ela. Deixando as ferramentas na caixinha ao pé da escada antes de se aproximar.
Rosalie passava as mãos nos cabelos empurrando os fios soltos para trás da orelha. Na proximidade, reparou que Emmett estava suado. E que o suor na luz difusa parecia brilhar. Os músculos formando vales onde gotas de suor se perdiam. Imaginava que tivessem sido adquiridos pelo trabalho braçal na fazenda. Mesmo com pessoas de sobra para tais tarefas, Emmett insistia em pôr mãos à obra. Desconfiava que fizesse isso para manter a mente ocupada, longe das lembranças ruins de seu passado.
— Ficou bravo? – ela perguntou um pouco contida. As próprias lembranças ruins de seu passado assombrando-a.
Emmett pegou uma flanela no bolso de trás do seus jeans e esfregou as mãos nela para limpá-las. Em seguida, tocou o rosto de Rosalie e afastou com gentileza alguns fios dourados que insistiam em lhe cobrir o rosto.
— Como poderia estar bravo com você, quando o que mais quero é beijá-la. Só fico preocupado que teime em sair de casa com uma tempestade a caminho.
Como que para reforçar suas palavras um forte trovão fez as paredes de o celeiro estremecer.
Segurou firme na mão dela. – Vamos, vou tirá-la daqui! – E a guiou de volta a porta. Ao abrir, percebeu que não dava mais tempo. Os pingos grossos começavam a cair. Os raios e trovões, fortes demais. A vegetação se curvava com a força do vento.
— É impossível sair do celeiro agora – disse ele, desapontado. E olhou para ela. – Nesse momento aqui dentro é mais seguro que do lado de fora.
Rosalie anuiu enquanto ele soltava sua mão e fechava a porta pelo lado de dentro com um grosso pedaço de madeira que ia de um lado a outro da porta.
— Vem! – ele tornou a dizer, pegando sua mão outra vez. E a levou para uma área próxima a escada, sob as madeiras do andar superior. – Aqui é mais seguro. Não quero que nada a machuque. Vou pegar uma manta no armário de ferramentas para forrar o feno, para que você possa deitar até a tempestade passar.
— Mas e você? – ela pediu.
Ele beijou de leve seus lábios. – Vou estar com você o tempo inteiro. Não se preocupe.
Rosalie se sentou no segundo degrau formado por fardos de fenos quando ele partiu em busca da manta no armário, no outro lado do celeiro. A luz piscou, balançando no alto. O ribombar de trovões não cessavam. O barulho das fortes rajadas de vento deixava tudo ainda mais assustador.
— Emmett?... – ela o chamou, com medo.
— Estou aqui – ele respondeu se aproximando, trazendo uma manta nas mãos.
— Desculpe pelo cheiro de mofo.
— Eu não me importo.
Ela se levantou. Ele forrou o feno como havia dito que faria. E ela voltou a sentar.
— Estavam todos em casa quando você resolveu se arriscar aqui fora?
— Sim. Sua irmã e sua avó estavam no seu quarto. Acho que estavam tramando alguma coisa.
— Pedi que me ajudassem – ele assumiu. – Elas estão arrumando tudo para que caibam todas as suas coisas. Quero que se mude pra lá. Quero que seja minha esposa, Rose. – Ele a olhou, se mostrando ansioso.
— Sabe que não posso me casar com você enquanto...
— Não me importo com o que diz o papel. Tudo o que importa é o que sentimos um pelo outro. E eu nunca estive tão certo de algo em minha vida como do meu amor por você. Você ainda tem dúvidas do sente por mim?
— Não. Claro que não. Eu o amo. O amo demais. Relutei muito em me entregar a esse sentimento, mas já não posso mais. É você quem eu quero.
— Então isso é tudo o que conta. Quero construir uma vida ao seu lado. Se você aceitar, prometo seremos muito felizes.
As luzes do celeiro voltaram a piscar. Lá fora, a tempestade seguia com força total. Lavando a terra. Ventos fortes curvando a plantação.
— Acho que estou disposta a tentar.
— Queria tanto poder te abraçar agora – murmurou ele.
— O que o impede?
— Estou suado. E você sempre tão cheirosa.
— Eu não me importo. Estou desejando sentir o calor e a segurança de seu abraço desde que entrei nesse celeiro.
Emmett aproveitou a deixa para chegar mais perto, passando um dos braços em torno dos ombros dela, puxando-a gentilmente para junto de seu corpo. Olhando no decote do suéter dela sentiu vontade escorregar um dedo por aquela faixa de pele delicada e lhe tocar os seios. Sentiu a garganta aranhar com tal pensamento.
O aroma amadeirado do perfume dele misturado ao cheiro natural de homem atiçou o desejo de Rosalie. De repente ela se viu desejando o toque daquelas grandes mãos calejadas explorando outra vez cada extensão de pele de seu corpo.
Um forte estrando lá fora forçou seus pensamentos mudarem de rumo.
— As crianças... – gemeu. – Eles ficarão apavorados se despertarem e não me vir por perto. Noah vai ter um ataque de pânico. Ele tem pavor a tempestades. Você tem razão, eu não deveria ter vindo. Tinha de ter ficado ao lado de meus filhos, ainda que estivessem dormindo.
Emmett apertou o braço em volta dos ombros dela um pouco mais. – Vovó e Kate irão tomar conta deles. Pode ser que chorem, mas, esteja certa de que não estarão sozinhos. Nem serão maltratados.
Rose anuiu. – Tomara que nenhum deles acorde, especialmente o Noah.
— Não poderia permitir que se arriscasse na tempestade. Retornaremos assim que possível. E prometo ajudá-la com as crianças. Vai ficar tudo bem querida.
— Uhu-hum – ela murmurou enquanto erguia o queixo, buscando o olhar dele.
Emmett segurou no queixo dela e foi aproximando seus rostos até seus lábios se tocarem. O beijo que começou suave e tranquilo foi se tornando incontrolável, assim como a vontade que sentiam de estarem nos braços um do outro novamente.
O calor do desejo chegando ao ponto de alcançar uma temperatura quase explosiva. As roupas foram arrancadas do corpo sem que se dessem conta. Entre beijos e carícias estavam se deixando levar pelo desejo. De repente, um lampejo na mente de Rosalie fez o alerta. Ironicamente isso aconteceu no momento em que a luz elétrica se apagou.
O celeiro estava escuro.
Emmett se enterrou dentro dela, soltando gemidos roucos de prazer. Pele na pele. O prazer que causou em ambos fez as palavras perderem o sentido.
Ela agarrou-se a ele, sabendo que tinha algo a dizer, mas as palavras não vieram como deveria. E tudo o que ela conseguiu pronunciar foi o nome dele.
— Emmett...
Ele grunhiu. O rosto afundando no pescoço dela. Excitado demais para pensar em desistir. E tinha plena consciência de que ela também se sentia assim.
Os movimentos cada vez mais intensos obedecendo a um padrão.
Momentos mais tarde jatos de sêmen respingavam na velha manta. Apesar do descontrole tinha ejaculado fora. As últimas gotas mornas ainda pingavam na fenda de sua ereção. Ele olhava Rose com um misto de prazer e satisfação, e um grunhido no fundo da garganta lhe escapou.
Rosalie respirava com dificuldade e em momento algum deixou de sustentar seu olhar. O celeiro ficava claro de tempos em tempos pela luz dos raios que incidia pelas brechas no telhado.
Emmett se curvou sobre o corpo dela buscando seus lábios em mais um beijo. Em seguida se acomodando ao lado dela na manta levando-a para descansar em seu peito suado.
— Isso não deveria ter acontecido... – ela murmurou, com a mão no peito dele.
Ele buscou o olhar dela, pondo a mão abaixo de seu queixo. – O quê? Não voltar a fazer amor comigo? – Roçou os lábios no nariz dela, depois deu um beijo. – Eu amo esse cheiro de maçãs que você tem nos cabelos – sussurrou.
— Não. Estou me referindo à falta do preservativo. Foi um risco muito grande...
— Você tem razão, Raio de Sol. A partir de hoje prometo levar sempre um preservativo no bolso para onde quer que eu vá.
Rose deu uma risadinha. – Acho bom. Pelo menos até eu ir ao ginecologista e regular minha situação com os contraceptivos. Desde minha fuga, não tenho tomado nada. Minha cartela de comprimidos ficou pra trás, como tantas outras coisas.
— Se acontecesse de você engravidar, eu assumiria o nosso bebê e o amaria tanto quanto a amo.
— Eu sei, não tenho dúvidas de que seria assim. Só não estou preparada...
— Não gostaria de ter um bebê comigo? – nos olhos dele parecia haver ressentimento ao fazer tal pergunta.
— É claro que gostaria. É um homem maravilhoso. E eu o amo. É só que a Amy é ainda muito pequena.
Emmett acariciou as costas dela com a mão. – Você já me deu três filhos lindos. E eu os amo. – Ele apertou um pouco mais o corpo dela ao seu. – Seremos muito felizes juntos, os cinco. Mas se um dia acontecer de sermos seis... ou sete, quem sabe oito. – Rose deu um tapinha no peito dele e seus lábios se curvaram num sorriso breve. – Estou brincando – disse risonho, roubando um beijo dos lábios dela.
Nos minutos que se seguiram o silêncio pairou sobre eles. Acabaram adormecendo nos braços um do outro enquanto a tempestade lá fora começava perder força.
Algumas horas se passaram até Rosalie despertar, pensando nas crianças, além do frio que a incomodava.
Abriu os olhos devagar se dando conta que dormia com o rosto colado ao peito suado de Emmett. A curva de um sorriso marcou seus lábios.
Ele estava com os braços ao redor de seu corpo. Aquecendo-se apenas no calor um do outro. Ela se remexeu buscando um modo de se afastar. Emmett reagiu, gemendo com preguiça, enquanto fazia do abraço ainda mais apertado.
— Emmett – ela falou em um tom de voz sereno. Como não houve resposta, tentou mais uma vez. – Emm... – Ele abriu os olhos devagar, ofertando um sorriso de covinhas, completamente satisfeito com o que ouviu.
Ela não tinha como ter certeza, mas, naquele momento, Emmett McCarty se sentia o homem mais feliz do mundo por tê-la em seus braços. Por ser ele a tocar a pele de veludo de seu corpo. Sentir seu cheiro e ouvir os leves e contidos murmúrios de prazer enquanto faziam amor. Até então haviam sido apenas duas vezes, mas ele estava certo de que muitas outras noites assim estariam por vir.
— Oi, amor... – falou com a voz sonolenta. – Já amanheceu?
— Ainda não. – Um instante depois completou: – Eu quero voltar. Estou preocupada com o como possam estar às crianças. – Ela voltou a se mexer nos braços dele, e dessa vez ele permitiu que saísse. A luz elétrica voltou, no entanto não saberiam dizer em que momento. – Também estou com um pouco de frio – ela acrescentou.
Emmett buscou no corpo dela os sinais. E parte em seu corpo começou esquentar com o que viu.
— Acho melhor irmos logo... – se apressou em dizer – Já que não podemos cair na tentação.
Rosalie olhou para ele confusa, estava pensando nas crianças. E já começava se vestir.
— Preservativos – explicou, beijando o ombro dela depois que ela terminou de pôr o sutiã.
A expressão no rosto dela se suavizou. Suas mãos repousaram no rosto dele enquanto beijava-o brevemente nos lábios.
— Isso não está ajudando – ele brincou e Rose se afastou, com uma risadinha.
— Eu a amo, Raio de Sol – declarou antes de se afastar. No instante seguinte pôs-se a vestir-se também.
Enquanto Rosalie abotoava o suéter, Emmett foi atrás de sua camisa pendurada num gancho em uma coluna de madeira. Terminou de se vestir e foi abrir a porta do celeiro. Deparou-se com a escuridão da madrugada do lado de fora. Presumiu que não passava de quatro da manhã. Notando também que fazia frio. Embora a ventania tivesse passado a brisa estava gelada.
Garoava também, por isso pôs o chapéu de couro na cabeça de Rosalie. Ela lhe lançou um olhar agradecido. Depois de fechar a porta com uma grossa tranca pelo lado de fora, afereceu a mão a ela e se puseram a caminhar em passos largos rumo à sede. Algumas vezes precisando desviar de poças d'água. Andando mais tranquilamente somente na parte onde a grama encobria o chão, embora ainda encharcada.
Emmett ergueu a mão que segurava a dela a altura dos lábios plantando um beijo no dorso gelado.
— Logo você estará aquecida – murmurou, abaixando suas mãos novamente. Apressaram o passo. Ao chegar à varanda perceberam almofadas, cadeiras e brinquedos no chão. Resultado da ventania no início da noite.
— Noah deve ter feito um escândalo. Estou me sentindo mal por ele e por sua família – confessou Rosalie.
Emmett alcançou a porta de tela com a mão livre ainda enquanto ela falava. Em seguida abriu a porta de vidro deixando que passasse a sua frente.
— Sua família agora – ele corrigiu. Retirou o chapéu da cabeça dela e o pendurou no gancho onde sempre deixavam agasalhos. – Além do mais – continuou falando–, nenhum deles vai ficar louco por uma criança ter chorado. – E virou para beijá-la novamente antes de seguirem casa adentro.
Rosalie soltou um suspiro. – Se você soubesse quantas vezes vivi um inferno por Royce não suportar o choro de meus filhos. Ele parecia não se dar conta, ou não se importar, que com sua loucura só os assustava ainda mais.
A essa altura, estavam chegando à parte da casa onde ficavam os quartos. Ele passou os braços ao redor do corpo dela confortando-a.
— Sinto muito que tenha passado por tantas coisas ruins. E sinto mais ainda não estar lá para colocar aquele desgraçado no lugar dele. Mas nada será mais como antes. Isso eu te prometo.
Rosalie assentiu, tendo o rosto escondido no peito largo dele.
Momentos depois, ele entrava com ela no quarto onde as crianças estavam. Deparando-se com Lena adormecida em seus trajes de dormir. Muito rápido Rosalie notou, para seu desespero, que apenas dois de seus filhos estavam na cama com a avó de Emmett. Virou-se para ele com olhos de desespero.
— O Noah! O Noah não está aqui.
Naquele momento, Emmett soube que se não houvesse uma boa explicação ela provavelmente surtaria. Foi então que deu um passo a frente, passando a mão na cabeça dela num gesto de carinho e confiança.
— Tenho certeza de que vovó sabe onde ele está. Fique calma, vou perguntar a ela.
— E se ele ficou com tanto medo que quis ir atrás de mim?! Deus do céu, Emmett, Noah morre de medo de tempestades. Eu sabia, não deveria tê-lo deixado sozinho. Eu tinha que ter voltado pra ficar com eles.
Emmett tocou o braço dela com a mão. – Fique calma. Tenho certeza de que ele está bem. – Chegou mais perto da cama e se pôs a cutucar a avó muito cautelosamente.
— Vovó? Vovó Lena?
Lena abriu os olhos devagar, revelando aos poucos aquele tom perfeito de verde-esmeralda que sua filha, neta e bisnetos herdaram.
— Que horas são? Já amanheceu? Dormir tanto assim?
— Não vovó. Ainda são quatro e quinze da manhã, acabei de ver no relógio da sala. Desculpe acordarmos a senhora, mas é que precisamos saber por que Noah não está aqui na cama com vocês?
— Ele está com sua irmã, na cama dela.
Com essa explicação Emmett olhou para Rosalie e viu o pavor em seu rosto ceder lugar ao alivio.
— Já que vocês estão de volta, posso ir pro meu quarto tranquila. – Lena se pôs de pé com ajuda do neto. – Só espero que tenham sabido aproveitar o tempo em que estiveram sozinhos no celeiro. Seu cunhado me disse que os dois estavam lá.
— Vovó... – Emmett se queixou, vendo as bochechas de Rose mudarem de cor.
— Eu também já tive a idade de vocês, não sou nenhuma mocinha ingênua. Deixa de frescura. Foi melhor saber que estavam os dois juntos no celeiro do que morrer de preocupação.
— Vovó, boa noite – ele se apressou em dizer, tentando fazê-la desistir de falar de suas intimidades da juventude.
Lena deu uma risadinha, ajeitando a robe floral ao redor do corpo. Assim que ela deixou o quarto, eles foram atrás de Noah.
Emmett foi quem bateu à porta do quarto da irmã e do cunhado. Em seguida murmurando:
— Kate, sou eu, Emmett. Pode abrir a porta, por favor? Viemos buscar o Noah.
Ouviram um pequeno barulho que indicava alguém se levantando. Pouco tempo depois, a porta foi aberta revelando uma Kate sonolenta, usando pijama branco de seda. Os pés descalços e os cabelos bagunçados. Encolhida como estivesse sentindo frio.
— Podemos entrar para pegar o Noah?
A irmã se afastou da porta, movendo a cabeça em sinal positivo. Emmett beijou sua testa antes de passar para o lado de dentro.
— Desculpe te acordar a essa hora.
— Sem problemas – ela respondeu, movendo a cabeça enquanto passava a mão no cabelo.
— Posso? – pediu Rose, movendo a mão em direção à cama.
— Pode.
Enquanto se encaminhava para pegar o filho, Rosalie se desculpou.
— Desculpa ter te dado todo esse trabalho. É que ele fica apavorado com tempestades, desde muito novinho. Não quero nem pensar como ficou quando descobriu que eu não estava com ele.
— Tudo bem. Abby também tem medo.
Rosalie percebeu que a garotinha loura também estava na cama com eles.
— Eu o trouxe pra cá porque estava chorando muito.
— O Enrico e a Amy também acordaram?
— Enrico perguntou por você, mas eu disse que tinha ido ao banheiro. Ele estava com muito sono por isso voltou a dormir em seguida. A Amy continua dormindo desde que você saiu. Por isso a vovó ficou lá com eles e o Noah veio pra cá comigo.
— Ele não fez xixi em sua cama fez?
— Não. Mas ele estava molhado quando o peguei, então, presumo que tenha feito xixi na sua cama ou de pé mesmo quando se levantou pra te procurar. Mas, não se preocupe, em momento algum ele saiu do quarto sozinho. E eu também o troquei, ele está sequinho e cheiroso outra vez.
— Obrigada, Kate. Estou sempre te dando trabalho.
— Que isso! Eu trabalho com crianças, estou mais do que acostumada. E também sou mãe de dois. Pode ficar tranquila, porque realmente não me incomoda. Além do mais, são meus sobrinhos. – Ela lançou um olhar ao irmão enquanto Rosalie se curvava sobre a cama para pegar o filho.
Garrett estava em um sono pesado. E usava um pijama azul-marinho. Abby estava entre ele e Noah, e dormia com a boca aberta. Sua bonequinha favorita, a de cabelos cor-de-rosa, estava embaixo do braço.
Noah estava agarrado possessivamente a seu coelhinho de pelúcia. Ao sentir que mãos o pegavam se desesperou.
— Mamãe! Mãezinha? Mãezinha. Eu quero a mãezinha.
— Shhhh... É a mãezinha, bebê – Rosalie sussurrou. O menino abriu os olhos, reconhecendo sua voz, enxergando sua figura um pouco embaçada ainda. Mas se acalmou e voltou a fechar os olhos.
Rosalie o levou de lá, murmurando um obrigado a Kate.
Emmett os acompanhou e deitou na cama com eles, ao lado de Rosalie, na beirada. Dormindo com eles as horinhas que restavam para a hora de levantar. Noah ficou sobre a mãe, uma mão pequena largada sobre o corpo de Emmett, e não houve nada no mundo que o fizesse mudar de posição.
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