Um Lugar Para Ficar
24 Capítulo 24 – Como se Fosse a Primeira Vez
Notas iniciais
Mais tarde, ainda naquela mesma noite, Rosalie levou as crianças pra cama acreditando que não demorassem a dormir. Para sua surpresa, os três se mostravam cheios de energia.
Amy não parava de pular no colchão segurando-se a cabeceira da cama. Enquanto fazia isso tentava, também, pronunciar algumas palavras novas. Enrico e Noah simulavam uma luta de super-heróis.
Rosalie desistiu de ir contra essa energia repentina deles, que certamente foi motivada pelos acontecimentos durante o jantar. E ficou deitada os vendo brincar, às vezes alguém caia sobre ela ou a pisoteava. Assustou-se quando, de repente, Amy caiu de bumbum em seu rosto. O instinto a fez agir rápido, segurando a criança com as duas mãos.
E quando Amy quis voltar fazer sua bagunça, ela a impediu pondo-a sentada sobre a barriga. A garotinha começou a chorar, fazendo um beicinho enorme de puro ressentimento. A mãe aninhou seu corpo pequeno sobre o peito, beijando seus cabelos finos, sentindo seu cheirinho de bebê, pedindo que não chorasse mais.
Vendo-a assim, os meninos pararam com a brincadeira, ficando um em cada lado da mãe. Os dois vestiam apenas cuecas, ambas com estampas de desenho animado.
— Por que a Amy está chorando, mamãe? – Enrico pediu.
— Ela se machucou foi, mãezinha? – Noah perguntou, aproveitando a proximidade para beijar e afagar as costas da irmã caçula.
— É que ela queria ficar pulando e eu não deixei.
— Oh, bebezinha, não chora, não – continuou Noah, se inclinando sobre elas para poder beijar no rostinho de Amy. Do outro lado, Enrico repetiu seu gesto. Amy ergueu a cabeça, olhando de um para o outro, em seguida, voltou encostá-la ao peito da mãe.
Enrico se aconchegou ao lado de Rosalie e se pôs enrolar, no alto da cabeça, uma mecha dos próprios cabelos. Noah procurou por seu coelhinho de pelúcia encardido entre os travesseiros e também se acomodou ao lado da mãe. Começando roçar as orelhas moles de Felpudo nos olhos fechados se deixando levar, finalmente, pela sonolência.
Uma breve batida à porta fez Amy erguer a cabeça.
— Rose...? – a grossa voz de Emmett anunciou sua chegada. Abrindo uma brecha na porta perguntou: – Eu posso entrar?
— Pode. Entra.
Ele abriu um pouco mais a porta, evitando fazer muito barulho, imaginando que as crianças já estivessem dormindo.
— Papa! – Amy praticamente gritou ao vê-o chegar.
— Eu a acordei? Desculpe, eu não pretendia.
— Não. Ela ainda não dormiu. Estava choramingando porque não deixei que ficasse pulando na cama depois de quase ter caído.
Emmett se aproximou.
— Ei papai – murmurou ao falar com a bebê. Amy lhe ofereceu um sorriso doce e moveu os bracinhos na direção dele.
— Ela quer você – Rosalie falou.
Chegando um pouco mais perto ele perguntou:
— Posso me deitar aí com vocês?
— Pode.
Ele tirou os chinelos e subiu na cama, que remexeu com o peso de seu corpo. Ficando ao lado Noah. O menino abriu os olhos em uma fenda reconhecendo a figura grande e forte. Ergueu as mãos esfregando as orelhas de seu coelhinho nos olhos de Emmett. Em seguida lançou uma perna sobre a mãe e a irmã.
— Papai tá aqui – balbuciou sonolento. Rosalie beijou sua testa desfrutando do cheirinho que tanto conhecia. Sorriu para Emmett quando os olhares se cruzaram. Amy se lançou nele, e ela a deixou a vontade.
Emmett aninhou sua filhinha, de fralda e camiseta, no peito largo e a ninou. Amy adormeceu minutos depois de estar nos braços dele. Ele então estendeu um braço, alcançando os cabelos de Rosalie com a mão.
— Vem cá! – pediu num tom de voz suave tentando não perturbar o sono das crianças. – Quero te dar um beijo.
Rosalie segurou a mão grande entre as suas, analisando toda ela; seus calos e pele grossa, o formato de seus dedos, as unhas curtas e limpas. Encostou-a aos lábios sem desviar o olhar do dele.
— Vem – ele pediu se inclinando na direção dela. Enquanto com uma mão segurava Amy adormecida sobre o peito com a outra segurava na nuca de Rosalie. Ela facilitou, se inclinando sobre Noah até seus lábios se encontrarem. Os lábios parcialmente abertos, a língua dele chegando sutilmente, percorrendo cada canto de sua boca. Gesto que se repetiu por alguns instantes. Terminando na proximidade de testa rente testa. Sustentando o olhar um do outro.
— Eu a amo. Amo você demais, Rose – declarou. – É estranho, porque nunca pensei que fosse viver esse sentimento um dia. Muito menos com essa dimensão toda. No entanto, não me vejo mais vivendo sem esse sentimento. Algo em minha vida antes parecia não fazer sentindo, e agora eu sei, faltava você.
Agora ajoelhada na cama, Rosalie pôs as duas mãos no rosto dele deliciando-o com seu toque sutil e suave. Dessa vez foi ela quem tomou a iniciativa de beijá-lo, e ele retribuiu com a mesma veracidade.
— Eu a quero tanto que já não posso mais me controlar... – ele sussurrou contra os lábios dela. – Vem comigo? Vamos para outro lugar... Eu a quero tanto, meu amor.
Rosalie fechou os olhos, movendo a cabeça numa afirmação envergonhada. É claro que ela também o desejava, mas o que aconteceu no passado tinha o poder der refrear, algumas vezes, suas emoções. Os lábios de Emmett se curvaram num sorriso esperançoso e as covinhas surgiram.
— Vou pôr Amy na cama com cuidado para não despertá-la – ele avisou em voz baixa e rouca.
Cautelosamente, ele pôs a bebê na cama, entre os dois irmãos maiores, e os cobriu. Rosalie estava na beirada da cama quando ele terminou de cobrir as crianças. Percebendo seu anseio, lhe estendeu a mão. Ela aceitou a oferta pondo um pé no chão e depois o outro. Sua mão ainda na dele.
Emmett a guiou para fora do quarto, pelo corredor agora vazio e silencioso, até o seu próprio quarto a algumas portas de onde estavam antes.
Acendeu a luz e trancou a porta com a chave. Voltou a beijá-la segurando sua nuca com as duas mãos. Depois acariciando seu rosto bem devagar. Afastou-se um instante apenas para retirar a camisa, daquele jeito que os homens fazem, segurando pelos ombros, puxando pelo alto da cabeça.
Rosalie percebeu os músculos dele se moverem rígidos com o movimento de tirar a camisa. Tomada por uma vontade própria suas mãos foram para lá, acariciando e sentindo toda rigidez dos músculos dele.
Emmett pressionou seu corpo ao dela de maneira que foi impossível não notar o quanto a desejava.
Ela recuou quando ele quis erguer sua blusa.
— O que foi? – pediu ele, preocupado, embora desejasse feito louco estar com ela.
— Tenho estrias... – ela hesitou. – E cicatrizes, também.
Aproximando-se outra vez fez ele o pedido.
— Me deixe ver – o tom de sua voz adquirira uma rouquidão diferente do habitual que ela conhecia. Quando não demonstrou recusa, ele retirou sua blusa com delicadeza. Depois se abaixou de frente a ela, abrindo o botão da calça e depois o zíper. Para surpresa de Rosalie, ele puxou seus jeans levando sua calcinha junto.
— Emmett... – sua voz soou trêmula.
Emmett a beijou nas coxas de maneira lenta e provocativa, aproveitando para acariciar a parte interna com as pontas dos dedos. Muito devagar se pôs de pé, tornando a beijá-la. Suas grandes mãos deslizaram pelas costas de Rosalie, causando ondas de calafrio sob a aspereza de seus calos. Com facilidade abriu o fecho do sutiã, em seguida, deslizando as alças finas sobre os ombros e braços dela.
Dando total atenção aos seios, com carinhos, afagos e beijos. Se demorando um pouco mais no seio direito onde havia uma pequena cicatriz, a qual imaginou tivesse sido causada por uma unha.
Levou-a para deitar-se em sua cama, com as costas sobre os lençóis recentemente trocados, onde o cheiro de amaciante ainda era forte. Beijou com veneração cada marca de agressão gravada no corpo dela. Rosalie estava entregue aos instintos e todas as sensações que o toque dele em sua pele lhe causava.
— Você tem...? – ela começou.
— Sim – Emmett concluiu, lhe dando a resposta certa. Então se afastou dela para retirar na gaveta da mesinha de cabeceira um preservativo.
Foi inevitável não pensar quando teria sido a última vez que Emmett usara um daqueles. Bom, ela dificilmente se lembrava de Royce ter usado algum dia.
Emmett trabalhou no processo com calma. Retirou a cueca boxer deixando que a ereção saltasse em busca da tão sonhada liberdade. Deslizou o preservativo com a prática de alguém que sabe o que estava fazendo. Às vezes se permitindo olhar no rosto dela. Estudando sua reação.
Com um gesto sutil voltou a se posicionar sobre o corpo de Rosalie. Acariciou seu rosto e seus cabelos dourados, que se encontravam espalhados sobre o travesseiro.
— É tão linda... – murmurou.
Para sua surpresa, ela meneou a cabeça negando o elogio. Pensava nas varias marcas deixadas por Royce em seu corpo, em anos de violência doméstica. E nas estrias que surgiram na última gestação e ali ficaram. Ela não era perfeita, trazia consigo imperfeições físicas e psicológicas. Só esquecia-se que ele, também, tampouco era.
Emmett tocou suavemente seu rosto. – É sim – afirmou, com palavras doces. E lhe beijou o pescoço. – É linda exatamente como é. Suas marcas contam a história de sua vida. Não tem porque senti vergonha delas. Eu a amo, querida. Amo cada pedacinho seu.
Os olhos dela revelavam ansiedade, desejo e medo.
Emmett se posicionou, guiando a ereção ao sexo dela, ansiando o momento em que se tornariam um só. Rosalie também o queria, já tinha tido provas o suficiente disso. Mas, de repente, tudo mudou. Ela estava paralisada, seus olhos de cor âmbar encarando o teto sem propósito algum. Seu corpo frágil, marcado pela violência de outrora, tremia. Lágrimas escorriam de seus olhos seguindo o caminho das têmporas, vindo a se perderem na fronha do travesseiro. Emmett desistiu. Suas mãos foram para o rosto dela em um gesto de conforto e cuidado. Rosalie se encolheu, fechando os olhos como que esperando pelo momento da agressão.
— Sou eu, Emmett. Não faz assim. Não irei machucá-la. Olha pra mim, querida – pediu num tom de voz suave. – Abre os olhos, Rose, por favor. – Ele distribuiu pequenos beijos pela extensão do rosto dela enquanto aguardava que abrisse os olhos o presenteando com sua cor âmbar. Limpou as lágrimas no rosto dela com as pontas dos dedos. – Está tudo bem. Não vou forçá-la a nada. Nem machucá-la. Quero que seja tão bom para você quanto tenho certeza será bom para mim. Eu a amo e seria incapaz de lhe causar danos. – Beijou brevemente nos lábios dela. – Você é o meu Raio de Sol. Apenas não se esconda atrás das nuvens escuras outra. Minha vida precisa sentir sua luz brilhar.
Suas palavras surtiram efeito positivo sobre as emoções de Rosalie. Ela abriu os olhos prendendo-se nos dele, naquela imensidão azul cristalino que chegava a ser tão frio quanto quente e soube nitidamente que aquele não era o causador de seus medos. Ele era seu libertador.
E, então, pela primeira vez, Rosalie foi capaz de pronunciar as palavras que ele mais desejou e teve esperança em ouvir um dia.
— Eu amo você, Emmett. Eu amo você.
As covinhas surgiram com cautela nas bochechas daquele homem tão grande e forte, mas com o coração de menino. E ele estava outra vez acariciando o roso dela com sua grande mão calejada, porém cuidadosa suficiente para fazê-la sentir-se amada.
— Você é preciosa pra mim, Rose – murmurou com uma verdade que ela jamais poderia duvidar. E foi com a certeza de seu amor e cuidado que a própria Rosalie guiou a ereção dele ao interior de seu sexo já desejoso.
Emmett gemeu nos lábios dela, encaixando-se feito peças de um quebra-cabeça que a muito era procurada: com prazer, satisfação e precisão.
— Fique de olhos abertos, querida. Quero você comigo o tempo todo – pediu num sussurro rouco. Seus olhos presos, sustendo o olhar um do outro enquanto se moviam. Suas almas estavam nuas. E então ele soube que seus laços jamais poderiam ser desfeitos. Estava ligado a ela, de corpo, alma e coração.
Era madrugada quando acordou com Rosalie nua em seus braços. A temperatura baixara um pouco com o cair da noite. Puxou o cobertor lançando-o sobre ela, aninhando-a ainda mais a seu peito a fim de receber mais de seu calor.
— Irei amá-la e protegê-la por toda minha vida. Nenhum um homem voltará a machucá-la, nem mesmo submetê-la a humilhações – sussurrou próximo ao ouvido dela.
Não esperava que estivesse ouvindo, mas ela ouviu cada palavra.
— Então me ame. Me ame com todo o seu coração e eu o amarei de volta. Ame os meus pequenos e eles irão amá-lo em dobro – sussurrou.
— Eu os amarei, meu Raio de Sol.
Rosalie beijou no peito dele. Ambos silenciaram, fadigados, e o sono chegou de mansinho outra vez.
Com os primeiros raios de sol entrando por uma brecha na janela, pássaros cantando felizes com mais um dia que se iniciava, Rosalie despertou sabendo que Amy não tardaria acordar para tomar a mamadeira.
Sentia-se bem nos braços dele. Renovada. Tomada por uma sensação de otimismo e bem-estar físico e emocional do qual jamais havia desfrutado. Segura e amada.
Afagou os fortes braços que envolviam seu corpo sob o cobertor amarfanhado, e Emmett reagiu aconchegando-se ainda mais a ela; pele com pele, misturando o calor de seus corpos e suor de uma noite de amor.
O choro de Amy veio no momento previsto pela mãe. Ela se preparou para sair da cama, sabendo que era impossível prolongar aquele momento nos braços do homem incrível que o destino pôs em seu caminho.
— Aonde vai? – Emmett segurou sua cintura, sem sair da posição que seu corpo repousava. – Ainda é cedo. Fique mais um pouco.
— Amy acordou. Preciso dar a mamadeira pra ela, e então ela volta a dormir. Mas se eu não for ela abrirá o berreiro.
Emmett suspirou na pele do pescoço dela, plantando um beijo no mesmo local um instante depois.
— Mesmo assim não vai voltar, não é?! Daqui a pouco os meninos terão de levantar para se aprontarem para irem à escola.
— Sinto muito... – Ela sentou na cama, de costas para ela. Ele se moveu inclinando o tronco, beijando as costas desnuda dela. Depois, deslizando a mão por toda extensão de pele se demorou um pouco mais numa antiga cicatriz. O coração dela vacilou, sabia exatamente onde ele tocava. Puxou o lençol até altura dos seios e virou-se de frente para ele. Emmett a olhava com olhos de puro amor. Rosalie levou a mão à cicatriz no ombro dele, deixando a sua de lado, precisando se inclinar um pouco pra frente para poder alcançá-la.
— Como a conseguiu? – pediu com cautela.
— É uma longa história – disse ele.
— Não vou poder ouvi-la agora, mas depois vou querer saber. Você já sabe como adquirir as minhas. Não é nenhum segredo. – Se curvou beijando demoradamente o ombro desnudo do homem que fez sua noite a melhor possível. Seu objetivo era beijar a cicatriz, assim como ele havia feito com as suas, mas, para isso acontecer, precisava estar atrás das costas dele e não na frente, que era onde se encontrava a gora.
Amy tinha se calado. Não demorando a chorar outra vez. Rosalie saiu da cama e recolheu, uma a uma, suas roupas. Vestiu cada peça sob o olhar atento e desejoso de Emmett.
Quando já estava com a mão na maçaneta da porta o ouviu falar.
— Hoje te amo mais que ontem e amanhã amarei um pouco mais.
Virou para olhá-lo tendo os olhos cheios de lágrimas. A pulsação acelerando. Pensando que alguém no céu estivesse trabalhando a seu favor. Anos e anos sobrevivendo aos maus-tratos, agora tendo a chance de viver um grande amor. De estar com um homem de verdade.
— Eu também o amo. Seria exagero dizer que a cada segundo um pouco mais?
As covinhas dançaram nos rosto dele trazendo ao seu sorriso a doçura de um menino.
— Rose, eu amo você – ele falou em alto e bom tom.
Rosalie olhou nos dois lados do corredor, preocupada que alguém a visse sair do quarto dele àquela hora da manhã. Tendo a feição suave no rosto, correu para o quarto onde estavam dormindo seus três filhos.
Abriu a porta e encontrou Enrico consolando a irmãzinha, que não aceitava a chupeta de forma alguma.
— Mã – Amy balbuciou enxergando-a através de lágrimas. Rosalie se apressou em pegá-la.
— Pronto. Pronto. Pronto. Mamãe já está aqui.
— Mamãe onde você estava? – perguntou Enrico. – Amy estava chorando de monte.
— Mamãe tinha ido ao banheiro – mentiu.
— Está com dor de barriga? – o menino perguntou em sua inocência, preocupando-se com ela.
Rosalie estendeu a mão, alcançando os cabelos bagunçados do filho. – Mamãe está bem. Dorme mais um pouquinho, é muito cedo ainda. Pode deixar que a mamãe cuida da Amy agora.
O garoto assentiu e voltou a deitar ao lado do irmão, que dormia de boca aberta, abraçado ao coelhinho de pelúcia.
— Olha só o seu irmão. – Rose comentou e Enrico deu uma risadinha. – Mamãe já volta. Levarei a Amy comigo. Dorme mais um pouco, meu amor.
— Ahã – Enrico murmurou já fechando os olhos outra vez.
Rosalie passou no banheiro para escovar os dentes antes de ir à cozinha. Lena estava lá, preparando o café da manhã com sua costumeira disposição matinal.
— Bom dia, dona Lena.
— Bom dia, minha querida – respondeu, com um ar de quem sabia demais. – Dormiu bem essa noite?
— Sim – Rosalie respondeu, com a nítida certeza de que estava com a face corando. Moveu-se pela cozinha com Amy pendurada ao quadril feito um filhote de coala. Cabelos bagunçados, rosto amassado e a chupeta na boca. Uma mão encostada ao peito da mãe.
— Meu neto foi gentil com você?...
Rosalie deixou cair na bancada do armário a lata de leite em pó, por sorte estava com a tampa e não derramou. No entanto, o incidente fez Amy se assustar. Os lábios curvados pra baixo indicava seu choro a caminho. A mãe beijou sua testa.
— Desculpe bebê, mamãe não queria te assustar.
— Ei – Lena pôs a mão no ombro de Rose. – Está tudo bem... Não precisa se envergonhar. É normal um casal que se gosta fazer certas coisas entre quatro paredes. Isso desde que o mundo é mundo. Acha que não sei que Kate e Garrett fazem coisas entre quatro paredes. Mas é claro que sei. Abby e Logan são as maiores provas disso.
Rosalie tinha certeza que sua cor se assemelhava a de um tomate maduro. E desejou como nunca que alguém entrasse na cozinha e a salvasse daquela conversa constrangedora com Lena.
— O que quero dizer é que estou feliz da vida que você e meu neto tenham se acertado. Não há, nesta terra, homem melhor, minha menina. Tenho certeza de que meu neto irá fazê-la muito feliz. Ele saberá como cuidá-la.
Pela primeira vez desde o início daquela conversa, Rosalie conseguiu olhar no rosto da vó de Emmett.
— Ele já me faz – foram estas as palavras a deixar seus lábios.
— Posso ver no brilho desses olhinhos – ressaltou Lena, tocando com as pontas dos dedos o rosto de Rosalie. – Um irá curar o outro...
A água fervendo na chaleira fez o apito soar.
— O café! – Lena declarou, dando alguns passos em direção ao fogão.
Emmett entrou na cozinha no exato momento que a avó passava o café. Estava com os costumeiros jeans e uma camisa xadrez de botões com mangas enroladas até os cotovelos. Os cabelos molhados. O chapéu na mão. Seu cheiro era de frescor e sabonete masculino.
Esquadrinhou a cozinha a procura de Rosalie, encontrando-a perto a um dos armários ainda um pouco rubra. As feições revelando constrangimento.
— Aconteceu alguma coisa? – pediu, dando alguns passos na direção de onde ela estava. No caminho, deixou o chapéu sobre mesa. Pôs as mãos na cintura dela, e beijou a cabecinha loura de Amy.
Lena se pôs a explicar enquanto trabalhava no preparo do café da manhã.
— Estava aqui falando pra sua mulher o quanto estou feliz que tenham se acertado. Não existe nada no mundo que essa velha tola quisesse mais que isso.
Os lábios de Emmett se curvaram em um sorriso travesso trazendo de volta suas covinhas. Rosalie acariciou o rosto dele com delicadeza, ainda intimidade pela presença de Lena. Tinha consciência de estar ainda com o cheiro dele em seu corpo, em cada extensão de pele. Tanto que se ela fechasse os olhos ainda podia sentir a textura das mãos e da língua dele em cada parte de seu corpo. Esse pensamento a fez estremecer.
Emmett verificou se a avó os olhava, apertando discretamente nas laterais da cintura de Rosalie. Sussurrando em seguida ao pé do ouvido.
— Você tem meu cheiro agora.
— É, eu sei – concordou aos sussurros.
Lena deu uma risadinha, fingindo não os notar.
Emmett estendeu os braços a Amy. – Vem com o papai, assim a mamãe pode preparar sua mamadeira. – Amy se lançou nos braços dele sem hesitar. E ele foi sentar-se com ela no colo, enquanto assistia Rose trabalhar diante do fogão no preparo da mamadeira.
A casa só começou ficar barulhenta quando Kate, Garrett e as crianças também acordaram.
Emmett se ofereceu para dar mamadeira a Amy. E Rose aproveitou para limpar a louça que sujou. Depois levou Amy de volta para a cama. Logo mais a babá chegaria. Teria também de preparar os meninos para irem à escola. Enquanto isso Emmett foi dar uma olhada no serviço da fazenda. Jujuba e Caramelo os acompanharam para o lado de fora da casa.
[...]
Às cinco da tarde, Emmett foi buscá-la no trabalho. Estacionou ao meio-fio em frente à livraria Refúgio. As duas mulheres lá dentro perceberam o momento de sua chegada. Ambas atrás do balcão olhando pela vitrine.
Nos fundos da loja, Alice e Jasper ajudavam os meninos com a lição de casa.
Mesmo antes de sair do carro, Emmett já tinha notado que Rosalie olhava para além dos livros na vitrine. Assistiu-o sair do carro mantendo uma das mãos oculta atrás das costas despertando sua curiosidade.
Ele passou para o lado da calçada e, em vez de entrar na livraria como de costume, encostou-se a lataria do carro.
A confusão no rosto de Rosalie cedeu lugar a um sorriso. O coração palpitando num ritmo acelerado vendo-o exibir uma rosa vermelha na mão, antes oculta detrás das costas.
Ele beijou as pétalas e seu próximo gesto foi oferecer-lhe a distância a rosa. A cor âmbar nos olhos de Rosalie cintilou e um sorriso largo marcou seu rosto.
“Eu realmente o amo”, pensou.
E ele ficou lá fora, esperando que fizesse alguma coisa, como ir falar com ele, por exemplo.
Rosalie desviou o olhar da cena no momento que a mão de Esme tocou seu braço.
— Vai lá. Vai lá falar com ele – ela disse.
Rose tornou olhar para o homem do lado de fora a sua espera. Esme, então, apertou de leve seu braço.
— Vai! Não seja boba. Não vou demiti-la por isso. Antes de qualquer coisa, somos amigas.
O sorriso ainda estava nos lábios de Rosalie quando, então, passou para o outro lado do balcão de atendimento e saiu pela porta. A sineta soou a sua partida.
Lá fora, Emmett ainda estava encostado ao carro, segurando a rosa na altura do queixo.
Rosalie apressou o passo alcançando-o rapidamente. Seus corpos se chocaram quando o abraço se fez necessário. Nas pontas dos pés, passou os braços em volta do pescoço dele. As mãos de Emmett se moveram levando a rosa vermelha junto enquanto abraçava a cintura fina.
Ela sentiu a barba rala roçar a pele de seu rosto enquanto ele beijava ao pé de seu ouvido. Moveu o rosto devagar, sem deixar de sentir o roçar da barba, até o momento que seus lábios se encontraram.
A mão dele, que segurava a rosa, permaneceu na cintura dela. A outra traçou um caminho de carícias pelas costas, alcançando a nuca onde se embrenhou nos fios dourados e compridos.
As pontas das unhas de Rosalie rasparam na pele da nuca dele. E ele, sem conseguir conter, deixou escapar um gemido rouco do fundo da garganta ainda durante o beijo.
Dentro da loja, Enrico e Noah, junto a Alice e Jasper, ao perceberem os dois lá fora quiseram correr para juntar-se a eles. Esme os barrou na porta antes que conseguissem. Enrico e Noah quiseram chorar imaginando que a mãe fosse embora sem eles. Foi preciso Esme explicar que eles estavam apenas com saudades um do outro e que por isso precisavam de uns minutinhos as sós. Claro que as crianças não entenderam, porque, afinal, eles estavam juntos pela amanhã e na noite anterior também. Mas desistiram de querer ir até lá, quando, através do vidro da porta, os viram se beijando.
— Rá! – gritou Alice. – Eu sabia que esses dois estavam a fim um do outro. – Nem sei como puderam demorar tanto para se pegarem.
— Pois é – esse foi Jasper apoiando Alice. – Sabe quem deve estar soltando fogos de artifício agora? Sua madrinha Lena.
— Posso apostar que sim – declarou Alice.
— Podem parar com isso vocês dois – Esme interferiu.
— Mas é verdade. A madrinha deve estar dançando uma rumba. – Os dois amigos gargalharam em cumplicidade.
Os dois filhos de Rose se encontravam encostados à porta, com as mãos apoiadas ao vidro.
— O que é uma rumba? – os dois se puseram a perguntar.
— É uma dança Cubana, queridos – Esme foi quem respondeu.
— Ah – os irmãozinhos soltaram, sem deixar de olhar para o lado de fora da livraria.
O casal parou com o beijo, mas permaneceram com os braços em volta um do outro. Até Emmett mover a mão com a rosa e entregá-la a dona.
— Uma rosa com amor – foram estas as palavras aliadas ao gesto dele.
Rosalie abaixou o olhar para a rosa que recebia, notando que os espinhos haviam sido todos aparados. Moveu a mão direita devagar a fim de recebê-la. Um vislumbre de um sorriso despontando em seu rosto.
— Obrigada. – E um beijinho selou esse momento.
— Eu disse que hoje a amaria um pouco mais que ontem.
Rosalie soltou uma risada gostosa, chegando até mesmo inclinar a cabeça pra trás. Emmett aproveitou o momento para beijar abaixo de seu queixo.
— E a cada dia um pouco mais – ele continuou a falar. – Pelo resto de minha vida. E o mesmo acontecerá em outras vidas.
Os braços finos se apertaram em torno dele com prazer. – Isso me parece um círculo vicioso – ela provocou, com um ar risonho.
O corpo grande sacudiu com uma risada gostosa.
— Eu gosto disso – disse, apertando ainda mais os abraços em torno da cintura dela. – Hummm... – sussurrou. – Gosto sim. – Depois de afrouxar o aperto olhou a entrada da loja deparando-se com todos eles observando pela porta de vidro. Acenou para os meninos, que ficaram loucos para saírem da loja e irem ao encontro deles.
America passou de carro pela rua, muito embora nenhum deles tenha tomado conhecimento disso, tendo o desprazer de presenciar a cena romântica na calçada da livraria.
Emmett fez sinal com a mão indicando a Esme que deixasse os meninos saírem da loja. Quando ela abriu a porta os dois garotos correram para junto deles. Rose se afastou. Emmett então abraçou seus dois filhos.
— Como vocês estão? – perguntou aos meninos.
— Bem – responderam simultaneamente.
Orgulhosa, Rosalie passou a mão na cabeça de cada um dos filhos.
— A gente já vai pra casa? – Noah quis saber.
— Vamos. Vamos, sim – Emmett afirmou. Os rostinhos felizes grudados nele. – Tem alguma coisa para pegar lá dentro, Rose?
— As mochilas dos meninos e minha bolsa. Já estou indo pegar, não demoro.
— Tudo bem – disse ele, abrindo a porta traseira para que os meninos entrassem no carro.
Quando Rosalie pisou dentro da livraria, Alice começou saltitar ao seu redor falando com grande entusiasmo.
— Tá namorando! Tá namorando! Pegou o boy magia e estava escondendo o jogo.
Rosalie a puxou para um abraço. – Não seja boba – caçoou.
— A madrinha já sabe?
— Sabe. Todos eles já sabem.
Alice se afastou, adquirindo um ar de indignação.
— É mesmo uma falsiane. Fui a última a ficar sabendo da boa nova.
Rosalie riu de seu comentário.
— Ela é doida – alertou Jasper.
— Eu iria contar. Acontece que não tive tempo.
— Minha mãe também já sabia?
— Sim. Eu contei a ela.
Alice bateu com o pé no chão, fazendo um bico enorme. – Chateada pra sempre.
— Não fique não – Rose pediu. – Agora preciso recolher o material escolar dos meninos e ajudar sua mãe a fechar a loja, mas prometo me redimir com você em outro momento.
Com os braços cruzados em frente ao peito, Alice declarou.
— Se você pensa que pode me comprar com um pacote de jujubas, esteja sabendo que acertou. – E então sua carranca desapareceu, trazendo de volta o entusiasmo.
Rosalie foi pegar suas coisas, ainda rindo de Alice.
Despois de fecharem a livraria, Emmett ajudou ela a pôr as coisas dentro do carro. Sendo surpreendido em seguida por um tapa no braço, dado por Alice.
— Agora sim, grandão. Gostei de ver. Mandou a solidão pro espaço. Eu sempre soube que esse dia chegaria, embora tenha tido momentos de dúvida.
— Alice! – Esme alertou.
— Estou feliz, mamãe, me deixa. O Emmett, esse ser perfeito, e minha best friend forever estão se pegando.
— Mas eu pensei que fosse eu seu melhor amigo – Jasper se queixou.
— Dã! Não seja idiota. Melhor amigo. Do sexo masculino, meu bem. Ela é melhor amiga.
— Mas a Rose é bem mais velha que você – continuou Jasper.
— Aff! E daí? Se começar com essa putaria te sento a mão.
— Alice, você não deveria tratá-lo assim – Rose o defendeu.
— Esse garoto é um carma – Alice praticamente gritou. – Grudou em mim feito chiclete. Se bobear, quando nasceu, Jasper já estava com um celular na mão me enviando mensagens de texto.
Todos deram risada de seu exagero. Logo depois se despediram.
Alice e Jasper foram com Esme no carro dela.
Emmett abriu a porta da caminhonete pra Rosalie entrar.
— Mãezinha, sabia que tem uma surpresa lá atrás, dentro do carro? Papai que disse – Noah contou.
— Surpresa é? Hummm... E vocês estão ansiosos para saber o que é?
— Sim! – Enrico e Noah pularam em seus assentos.
— Mas a gente só pode ver quando chegar à fazenda, porque Amy também tem de estar junto – explicou Enrico.
— Vocês conseguiram deixar a mamãe curiosa agora – disse Rosalie. E quando Emmett entrou no carro, ela tocou seu braço. – O que comprou? Não deveria gastar tanto com a gente. Não tem que fazer isso.
— Eu quero fazer isso. Mas não direi o que é até chegarmos à fazenda. E, por favor, te peço que não se ofenda toda vez que eu quiser presentear nossos filhos.
E foi essa última frase que a desarmou. Qualquer preocupação que sentia deixou de ser tão importante diante do que acabou de ouvir. Chegando um pouco mais para o lado, beijou nos lábios dele com carinho.
No momento que Emmett se voltou para o volante, olhando brevemente pelo espelho retrovisor, encontrou os dois garotinhos, com rostos felizes, em seus assentos no banco de trás, olhando para eles dois nos assentos da frente.
Novamente teve a certeza que nada poderia fazê-lo mais feliz que tê-los em sua vida.
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