Um Lugar Para Ficar

23 Capítulo 23 – Todos Já Sabiam


Notas iniciais
:)

Ao chegarem à fazenda, Noah dormia em sua cadeirinha no banco de trás da caminhonete vestindo a nova fantasia do Super-Homem.

Quando Rosalie o pegou para levá-lo para dentro de casa, percebeu suas bochechas menos avermelhadas que quando o pegou na escola. Deu graças a Deus pela febre está cedendo.

Emmett se encarregou dos remédios do menino e das coisas dela que ficou no carro.

Encontraram Lena e Merci conversando na sala de estar, enquanto Amy dormia no colchonete colocado estrategicamente de frente para a tevê, onde passava um desenho animado. Ao lado dela havia alguns brinquedos espalhados.

Lena olhou naquela direção ao som da porta de abrindo.

— Posso saber por que me deixaram nessa agonia, sem notícias do meu bisneto? – Ela se pôs de pé, olhando Noah adormecido no colo da mãe. – O que estavam querendo com isso? Me matar em agonia?

Emmett foi o primeiro a tentar se explicar. – Meu celular ficou aqui, vovó – disse.

— E por que não telefonou do hospital? Quer matar sua avó do coração? Não tenho mais idade para ficar tanto tempo sem notícias, muito menos quando se trata das pessoas que amo. Ainda mais quando sei que foram a um hospital. – Ela se aproximou de Rosalie, acariciando de leve os cabelos de Noah.

— Me desculpe vovó, eu realmente esqueci. ­– admitiu Emmett. – Sinto muito. Isso não vai se repetir.

— Tá, tá, já chega – Lena resmungou. – Se me fizer outra dessas nem sei... Você já é bem crescidinho para ficar de castigo. Mas te juro Emmett, farei com que fique de castigo por tempo indeterminado. Onde já se viu, falar que vai me dar notícias do meu bisneto e não faz isso. Não cumpre com o que prometeu. Não te criei pra ser assim não.

Rosalie olhava para ele, com um sorriso ameaçando surgir nos lábios. Emmett balançou a cabeça como que dizendo “vovó não tem jeito”.

— Como ele está meu bem? – Lena falou com Rosalie. – Fiquei preocupada quando Kate disse que a enfermeira da escola pediu que o levasse ao hospital. O que o médico disse?

— É a garganta inflamada. Ela estava certa.

— Que lástima! Pobrezinho. Deve ter sido por conta do banho de mangueira e da guerra de bexigas de ontem de tardezinha.

— Provavelmente – Rosalie respondeu, ajeitando Noah nos braços.

— No hospital estão dando esse tipo de roupas para as crianças é?

Rosalie riu baixinho. – Não, não. Fui eu quem comprou pra ele, numa lojinha de fantasias perto da farmácia onde compramos os remédios. Ele tinha me pedido essa fantasia do Super-Homem já há alguns dias, porque a outra que ele tinha ficou pra trás. Como ele estava magoado comigo por causa da injeção imaginei que fosse um bom momento para satisfazê-lo. Por sorte eu tinha um dinheirinho que Esme me adiantou.

— Pobrezinho – lamentou Lena. – Chorou muito?

— A senhora não faz ideia – comentou Emmett. – Até tentou fugir do hospital. Quando eu estava chegando encontrei Rose e a enfermeira correndo atrás dele num dos corredores.

— Que maldade. Mas, essa roupa não está quente não, pra ele que ainda está febril? Não seria melhor deixá-lo com uma roupinha mais fresca? Estou achando essa muito fechada.

— Eu vou tirá-la quando o puser na cama. Só espero que ele não perceba quando estiver fazendo isso, do contrario, não vai permitir de jeito nenhum.

— Então vai lá. Leve-o pra cama para que descanse e fique bom logo. Você também querida, já deve estar doendo seus braços de tanto segurá-lo. Vai lá.

— Eu vou sim – disse Rosalie, olhando de Lena para Merci, que os ouvia de pé ao lado do sofá. – E a Amy, deu muito trabalho? Chorou muito? – pediu a babá.

— Não vou negar que pela manhã chorou bastante, nem quis comer. Mas Emmett conseguiu um tempo pra ficar com ela, e conseguiu com que comesse todo o almoço e também o lanche da manhã. O lanche da tarde ela comeu bem pouquinho, quase nada.

Rosalie olhou com gratidão o homem ao seu lado. – Obrigada... – sussurrou a ele.

— Não me agradeça por isso – Emmett lhe falou. Desejando muito naquele momento poder beijá-la, mas, com muito esforço, soube manter o controle diante da avó, que ainda não sabia que estavam juntos.

— Ah, e sabem do que mais – começou Lena. – Depois do almoço, antes de encontrar-se com vocês no hospital, Emmett levou Amy para ver os cavalos nos estábulos. Você tinha de ver como eles se divertiram. Sempre soube que meu neto seria um excelente pai. Você precisava vê-los assistindo ao canal infantil juntos. Uma graça.

Rosalie não os viu assistindo tevê, mas podia imaginar, porque já o tinha visto fazendo isso com seus dois meninos e também com os sobrinhos. A cena ficou nitidamente clara em sua mente.

— Bem ali – prosseguiu Lena – no sofá com minha bisnetinha no colo. Foi uma das cenas mais linda de se ver. Ele estava todo orgulhoso e cheio de cuidados.

Novamente Rosalie se viu olhando para ele com um brilho de satisfação nos olhos. Nos dele, havia amor e adoração.

— Hoje Amy aprendeu uma palavra nova – ele comentou.

— É? – disse Rosalie com curiosidade. – E qual foi?

— Cavalo. Na verdade, ela disse mesmo foi tavaio. – Rosalie abriu um sorriso ao ouvi-lo. – E disse não só uma vez. Foram várias.

— Ah, – lamentou – perdi isso. Não posso acreditar.

Guiada pelos sentimentos deixou que a mão alcançasse o rosto de Emmett, em um gesto de carinho. Contudo, foi breve porque precisava das duas mãos para sustentar o peso de Noah no colo. Emmett beijou sua palma antes de permitir se afastar. E, em momento algum, desviou os olhos dos dela. E Lena os inspecionou, vibrando por dentro.

— Vão pôr o menino na cama, vão – compeliu.

— Melhor eu ir mesmo – concordou Rosalie, ajeitando Noah novamente. E, em seguida, olhou para Merci. – Faz tempo que a Amy dormiu?

— Cerca de dez minutos apenas – disse a babá.

— Nesse caso, penso que deve dar tempo de eu tomar um banho antes de vir ficar com ela. Ah, Merci, se você quiser já pode ir pra casa.

— Tem certeza? Não prefere que espere você terminar seu banho, para o caso de ela acordar? De toda forma, ainda não deu o meu horário, posso ficar um pouco mais.

— Pode ir, sim. Não tem problema.

— Bom, então eu vou né. Amanhã cedo estarei aqui novamente.

— Obrigada – disse Rosalie. – Até amanhã, então.

Rosalie não viu o momento em que Merci deixou a fazenda porque tinha ido ao quarto pôr Noah na cama. Emmett a acompanhou para deixar os remédios do menino ao alcance dela.

Ele ficou parado ao lado da cama vendo-a cuidar do garoto.

Rosalie retirou a fantasia que Noah estava vestindo. Teve todo um cuidado para não despertá-lo. Afofou o travesseiro antes de repousar a cabecinha dele em cima. Procurando pelo coelhinho de pelúcia, lembrou que ainda estava na mochila. Pôs uma fralda nas mãos dele para o caso de sentir falta do coelho. Cobriu o corpo pequeno até a altura dos ombros já que tinha ficado apenas de cueca. Antes de se afastar beijou sua bochecha febril. Com o ato de mover a cabeça para longe do menino, seu olhar encontrou o de Emmett.

— Ele não vai gostar nada de acordar e descobrir que tirei sua fantasia de Super-Homem. Estarei encrencada.

— Não vai mesmo – concordou Emmett. – Ele estava empolgado demais com seu presente. Mas foi melhor assim. Ele, provavelmente, estando com a fantasia, soaria muito por causa da febre.

— É – ela concordou.

Emmett ofereceu a mão a ela. – Vem cá – E Rosalie aceitou pondo-se de pé, com a mão na dele. – Vou fazer uma coisa que estou querendo há horas – disse, aproximando o rosto do dela até seus lábios se tocarem. – Estava morrendo de vontade de seu gosto – murmurou nos segundos que antecederam o beijo mais forte. Mergulhando nas emoções refletidas no corpo enquanto se apertavam num abraço desejoso.

Como a porta do quarto se encontrava aberta, Lena não resistiu em espiar, quando passava pelo corredor. Os encontrando aos beijos ao lado da cama. Vibrou feito uma adolescente sentindo que poderia cantar e dançar pela casa, embora não o fizesse. Preferiu fingir não saber de nada para ver até onde eles negariam essa ligação afetiva. Na verdade, era mais em relação a Rose que a seu próprio neto.

Voltou pra sala com um sorriso de orelha a orelha. Dando um passo de dança que a fez sentir-se como num musical de Mary Poppins. Depois disso, olhou para os lados tentando ver se alguém a descobrira. Sentou-se e se pôs a trabalhar na colcha patchwork de Amy, alegremente, pensando na felicidade do neto que enfim estava batendo à porta.

No quarto, os dois ainda continuavam a se beijar e trocar carinhos. Quando por fim se afastaram, Rosalie comentou baixinho.

— A porta está aberta. Alguém pode passar e nos vir desse jeito.

— Que jeito? – ele fingiu não saber.

— Ah, você sabe... – ela respondeu um pouco tímida, embora feliz.

Com um ar risonho, ele lhe roubou outro beijo e então respondeu:

— Só se for minha avó, porque o resto do pessoal ainda não chegou. E Merci já deve ter ido embora.

— Não quero que descubram assim... Não desse jeito.

— Então sugiro que contemos pra eles o quanto antes – ele aproveitou o momento e lhe roubou mais outro beijo, dessa vez no canto dos lábios –, porque está cada vez mais difícil manter minhas mãos longe de você. Meus lábios longe dos seus. E também de sua pele.

Rosalie abaixou o olhar concentrando-se no linóleo, sentindo que o medo batia à porta. – Tenho muito medo... – sussurrou.

— Não precisa sentir medo, meu amor. O que eles mais querem desde que cheguemos à fazenda é que fiquemos juntos. Todos eles estão sonhando com esse momento.

— Não por eles... – ela deixou escapar, com agonia, enquanto mexia na ponta de uma unha com a outra.

Emmettt passou os braços fortes em torno do corpo dela aproximando seus corpos mais uma vez. O calor de seu corpo grande confortando-a lhe dando segurança.

— Esqueça esse cara. Esqueça o que diz o papel que os uniu. Esqueça tudo o que diz respeito a ele. Esse maldito não fez por te merecer, nem por merecer as crianças. Mas eu, sim, farei tudo o que estiver ao meu alcance para preservá-la. Para fazê-la feliz. Porque a amo, e amo nossos pequenos. Quero estar com vocês em cada momento. Quero ser parte da vida de vocês.

Ela o olhou, inclinando o rosto a fim de beijá-lo. Emmett não pensou duas vezes para unir seus lábios outra vez. Sem se importar com a porta aberta.

— Agora eu vou tomar um banho... – avisou Rosalie momentos depois.

— Te vejo daqui a pouco, luz do sol.

— Obrigado por ter ajudado Merci com a Amy hoje. Você foi um amor. Eu sei que foi difícil porque ela ainda não está acostumada a ficar sem mim. São muitas mudanças.

— Não foi nada. Cuidarei de cada um dos nossos pequenos com o mesmo cuidado e carinho. Não importa a situação.

Rosalie meneou a cabeça, sentindo os olhos lacrimejarem. O coração pulsando em paz. Pensando, depois de todo inferno que viveu ao lado de Royce King, Deus finalmente a tivesse recompensando. Só temia não ser merecedora de tal recompensa e ver tudo o que estava surgindo, renovando seus sentimentos e coração, desaparecer.

Emmett a deixou no quarto com o filho. Ela aproveitou para ir tomar o banho de que tinha mencionado. Pouco tempo depois ele fez o mesmo.

[...]

Rosalie se encontrava na sala, brincando com Amy, depois de ter lhe dado mamadeira, quando Kate chegou da escola com as outras três crianças.

Assim que passou pela porta, Enrico correu para perto da mãe, recebendo dela beijos e afagos. Em seguida, perguntando pelo irmão. Depois de saber que Noah estava melhor e que dormia na cama deles, Enrico sossegou e foi com a mãe tomar um banho.

Emmett se ofereceu para ficar com Amy para que ela pudesse se dedicar um pouco ao filho mais velho.

Rose concordou e, então, levou Enrico para o banheiro. Enquanto o menino retirava as roupas, ela verificou a temperatura da água. Não demorou, Enrico passou para o lado de dentro do box pronto para dar início ao banho.

— Não quer contar pra mamãe como foi na escola hoje?

— Foi legal.

— Legal como, minha vida? Fala pra mamãe – pediu cautelosamente. Conhecia bem a diferença na personalidade dos filhos. Enrico sempre foi o mais reservado. Sabia também que ele era o mais afetado por ter vivido por mais tempo os terrores da violência doméstica ao lado dela. Em parte por ter se tornado seu aliado na defesa dos menores.

— A gente aprendeu um monte de coisas novas. – Enrico começou a falar. – A senhorita Bridget disse que estou de parabéns. Ela disse também que minha letra é muito boa.

Rosalie pôs xampu na palma da mão e começou massagear nos cabelos dele.

— Isso é muito legal filho. A mamãe também acha sua letra muito bonita. É caprichada. Você é um menino muito organizado e bonzinho. E o que mais aconteceu na escola hoje? Hummm?

— A senhorita Bridget disse que eu posso tentar entrar para o time de beisebol.

— Que maravilhosa. E você quer fazer parte do time?

— Ahã. Quero sim. Mas, e se eu não for bom o bastante?

— Não importa Enrico. Nem todo mundo é bom em tudo o que faz. É natural que alguém se destaque mais em algo. O importante é que você vai se divertir e vai também fazer amigos. E com toda certeza vai deixar a mamãe muito orgulhosa.

— Mesmo se eu não for o melhor?

— Mesmo se não for o melhor.

— Ele ia me encher de pancada...

— Ele faz parte do passado agora. E você sempre será meu motivo de orgulho, Enrico. Sempre.

O menino a presenteou com um sorriso feliz.

— Eu também vou poder ter aulas de música, mamãe. A tia Kate disse que na igreja eles podem dar aula de graça se eu quiser.

Rosalie passou a mão na testa do filho afastando a espuma que chegava aos seus olhos.

— E você ficou feliz amor?

— Muito – ele respondeu num pulo. Institivamente, Rose o segurou.

— Ei, cuidado, não pode pular assim na hora do banho. O piso fica escorregadio, você pode se machucar muito seriamente.

— Desculpe mamãe. É que eu fiquei pulante de alegria.

— Está bem – ela disse, com um sorriso. – Vai ser maravilhoso que volte a ter aulas de música, meu amor. Se você está feliz a mamãe também está. A felicidade de vocês é também a minha.

— O Noah e a Amy também ficam felizes?

— Sim, eles também. Porque eles te amam.

Enrico sorriu para ela. E ela beijou seu rostinho mesmo com espuma. Depois pegou a esponja de banho e, com muito sabão, esfregou todo o corpo dele. Depois de tê-lo enxugado envolveu-o na toalha. E, então, se abaixou de maneira que pudesse olhá-lo diretamente nos olhos.

— Amor... – começou ela, com cuidado e zelo – você ficaria feliz se houvesse alguém, um homem, de bom coração, honrado, e que cuidasse de você, dos seus irmãos e também da mamãe?

— Mas ele já existe mamãe – o menino respondeu com muita certeza.

— É? E quem você acha que é esse homem?

— É o Emmett.

Os lábios de Rosalie se curvaram em um sorriso singelo, ainda que os olhos estivessem cheios de lágrimas.

— Você tem toda razão. Ele já existe – concluiu, beijando no rosto do menino. – E você estaria de acordo se um dia, veja bem meu amor, hipoteticamente, chegássemos a ser um casal.

— Como foi com o Royce? – O menino moveu a cabeça em desacordo. – Não quero mamãe. Não. – E a cabeça se agitou reforçando muito rapidamente sua negativa.

— Não como foi com o Royce, filho. Estou falando de amor de verdade. De um casal que se ama e vive em harmonia. Que se respeita. Que respeita os limites do outro. Royce desconhece o significado da palavra amor.

— Emmett sabe como amar. – O menino a surpreendeu ao pôr em palavras o que ambos sabiam.

Rosalie o abraçou sobre a toalha úmida. – Você tem toda razão, meu pequeno. Ao se afastar disse: – Venha! Vamos. Você precisa se vestir e depois fazer a lição de casa.

Os dois passaram pela porta do banheiro juntos. Enrico enrolado na tolha de banho verde, usando sandálias de borracha. Seus cabelos castanhos molhados estavam grudados na testa.

Acabaram encontraram-se com Emmett há poucos metros da porta do quarto.

— Deixei Amy brincando com a Abby na sala. Não se preocupe, minha irmã está lá com elas – ele comunicou. Em seguida, olhou para o menino, mexendo com a mão em seus cabelos molhados. – Como foi na escola hoje, campeão?

— A minha professora, a senhorita Bridget, disse que posso tentar entrar pro time de beisebol. Acho que eu vou jogar com eles. A mamãe deixou.

— Muito bem, campeão. Podemos praticar alguns arremessos de bola depois – sugeriu Emmett.

Enrico, todo contente, olhou para a mãe e ela lhe sorriu. E quando o olhar dela cruzou com o de Emmett, ela sussurrou para ele um obrigado.

— Também a tia Kate – Enrico voltou a falar – disse que eu posso fazer aulas de música na igreja.

— Mas isso é uma excelente notícia – Emmett incentivou. – E se ela ainda não falou com o Reverendo e a esposa dele, eu mesmo irei falar.

Enrico sorriu de orelha a orelha, olhando de um para o outro. Rosalie piscou um olho pra ele no momento em que seus olhos se encontraram, e o menino riu ainda mais.

— A mamãe também ficou muito contente – contou a Emmett.

— Tenho certeza que sim. – Emmett voltou a mexer nos cabelos dele. – A gente vai ter de comemorar isso depois.

— Vai indo na frente filho. Mamãe já te encontra no quarto.

Emmett encostou a mão na cabeça de Enrico quando o menino passou por ele, enrolado na toalha a caminho do quarto. A seguir, olhou para Rosalie e lhe estendeu a mão a fim de trazê-la para mais perto dele.

— Obrigada por ter se oferecido para ajudá-lo a praticar para entrar no time de beisebol da escola. E também por se oferecer pra falar com o Reverendo e esposa dele.

— Ele ficou contente, não ficou?

— Ele ficou radiante – esclareceu ela.

— E a mãe dele? – Emmett brincou, apertando os braços ao redor da cintura dela.

— A mãe dele ficou duas vezes radiante – ela admitiu, com um largo sorriso.

— Não aguento mais ter de ficar longe de você – Emmett murmurou em meio ao abraço apertado. – Quero que todos saibam que estamos juntos. Dê-me permissão para falar com eles essa noite, na hora do jantar. Está cada vez mais difícil para eu esconder a vontade que sinto de te beijar a todo instante.

Rosalie desviou o olhar pensando no que ele dizia. Ele, no entanto, segurou seu queixo com as duas mãos. Seus olhos um no outro novamente

— Eles ficarão tão felizes quanto eu estou.

— Tudo bem, você pode contar. Eles merecem saber a verdade.

As covinhas festejaram nas bochechas dele. E no momento seguinte, ele a tomou nos braços erguendo-a do chão enquanto beijavam-se sem pressa, ali mesmo corredor.

Enrico, que já tinha vestido a cueca azul que a mãe havia deixado sobre a cama, apareceu na porta do quarto encontrando-os naquele momento íntimo.

— Ma-Mãe? – gaguejou.

Eles se afastaram quase que imediatamente. Rosalie olhou para o filho, um tanto preocupada apesar de já ter mencionado alguma coisa com ele.

— Vem cá, príncipe. – Ela o chamou para perto, imaginando o que poderia estar se passando em sua cabecinha.

Emmett também olhava o garoto pensando no mesmo que ela.

Mas em vez de andar até eles, Enrico correu. E ao aproximar-se abraçou ambas as pernas dos dois afastando assim todo e qualquer medo que a mãe pudesse estar sentindo em relação ao que acabou de presenciar.

Emmett o pegou no colo. – Ei, campeão, o que você me diz de sermos uma grande família?

Enrico olhou dele pra mãe. O brilho em seus olhos não deixava dúvidas quanto a sua aprovação.

Rosalie afagou seu rosto. Enrico passou um braço em torno do pescoço da mãe, outro em torno do pescoço de Emmett. O coração pequenino batendo sossegado.

— Eu vou cuidar de vocês – Emmett declarou. – Dos quatro. E é pra sempre.

Enrico o olhou com um sorriso nos lábios. Emmett beijou a ponta de seu nariz pequeno, logo depois no de Rosalie. E então comentou.

— Eu vou precisar dar um uma olhada no trabalho na fazenda agora, mas, vejo vocês daqui a pouco.

— Estaremos aqui quando você voltar – garantiu Rosalie, e Enrico meneou a cabeça concordando. Então, ela o segurou de maneira que o menino fosse para seu colo. Logo depois o pôs no chão. – Como você está pesado filho.

— É que eu já sou grande – Enrico declarou.

— Ah, sim, mamãe esqueceu esse detalhe. Já é um homenzinho.

Enrico sentiu-se orgulhoso. – Até já sei me vestir sozinho.

— Mamãe sabe – disse ela, com certo divertimento em seu tom de voz.

Emmett se retirou enquanto eles ainda entravam no quarto.

— Mas a mamãe ainda pode te ajudar, não é?

— Ahã.

Rosalie abraçou o corpo pequeno do filho e lhe beijou o pescoço. – Amor da minha vida. Qualquer coisa, em qualquer momento de sua vida, deve sempre me contar. Eu só quero que sejamos felizes. Todos nós.

— Agora a gente vai morar aqui pra sempre?

— Não tenho certeza – respondeu, prestando atenção à reação do menino. Viu o rostinho feliz ser tomado por uma mascara de medo. – Mas penso que sim – tratou de corrigir suas palavras. E o rosto do menino se iluminou novamente com um sorriso.

Ela o ajudou se vestir. E quando lhe penteava os cabelos, Noah acordou.

— Mãezinha? – ele gemeu ainda um pouco rouco. O local da aplicação da injeção ainda incomodava. – Mãezinha?

Sabendo que ele choraria, Rosalie apressou-se em ir para o lado dele. Aproveitou para passar a mão em sua testa verificando a temperatura. Estava suado, mas a febre havia baixado.

— Olha a mãezinha aqui. Não chora, não.

— Irmão – Enrico falou, chegando perto deles na cama.

— Mãezinha eu tô molhado – disse com desgosto. – Fiz xixi na cama.

A mãe puxou os lençóis a fim de conferir.

— Fez xixi mesmo – ela estalou a língua. – Deixa a mamãe tirar tudo isso aqui para levar pra lavar. Vem, levanta!

Noah voltou a gemer. – Mãezinha, cadê minha fantasia do Super-Homem? Perdeu? Desapareceu.

— Não, não perdeu. A mamãe tirou enquanto você dormia e guardou.

— Por quê?

— Pra você não fazer xixi nela como acabou de fazer nos lençóis.

— Mas eu quero vestir de novo – choramingou.

— Vem! Vem no colinho da mamãe. Vamos tirar essa cuequinha molhada de xixi.

— Tire mãezinha. – Ele levantou o bumbum do colchão e Rosalie puxou sua cuequinha pelas pernas.

— Meu pinto – ele murmurou, cobrindo o pinto com a mão – tá molhado. E vai ficar fedido de xixi até.

— Solta o pinto e levanta daí pra mamãe tirar os lençóis pra lavar.

— Rico você chegou da escola foi? – ele perguntou ao sentar na cama.

— Foi. A tia Kate me trouxe no carro dela com a Abby e o Logan.

— A mãezinha levou eu no hospital, sabia?

— Se diz me levou – Rose corrigiu.

— Ah, tá bom. E uma mulher que fica lá furou meu bumbum com uma injeção. Olha Rico! – Ele virou o bumbum mostrando o pequeno curativo na nádega direita. – Até ficou roxo.

— Está doendo? – o irmão perguntou.

— Tá doendo de monte, Rico. Porque é uma injeção do mal.

Enrico abraçou o irmão. A mãe esboçou um sorriso singelo enquanto os observava. Apenas um momento depois, ela pediu.

— Enrico, você faz um favor a mamãe?

— Ahã. Faço, sim.

— Leve esses lençóis na área de serviço. Quando eu terminar de dar banho em seu irmão ponho tudo na maquina pra lavar.

— E depois eu posso ir ver desenho?

— Pode. Você faz a lição mais tarde. E fala pra tia Kate que já chego lá pra pegar a Amy.

— Tá bom.

Os dois desceram da cama e ela pôde retirar os lençóis. Enrico saiu do quarto levando nos braços os lençóis molhadas com o xixi do irmão à área de serviço como a mãe pediu que fizesse. E Rosalie, segurando Noah pela mão, entrou no banheiro.

Momentos mais tarde, quando foi à sala de estar com Noah, ele usava outra vez sua fantasia do Super-Homem e se mostrava pra todos, cheio de orgulho.

Emmett ainda não tinha retornado da inspeção pela fazenda.

Garrett falava com Logan e Enrico sobre beisebol. Rosalie ficou feliz por seu filho mais velho estar entusiasmado em fazer parte do time de beisebol da escola primaria.

Amy estava impaciente querendo seu colo por isso foi buscá-la com Kate antes que começasse a chorar.

Depois de mostrar sua fantasia a todos, Noah começou contar que tinha tomado injeção no bumbum e por isso estava doendo. Mas, por ter sido valente, tinha ganhado sua fantasia tão desejada. “Muito valente”, a mãe riu pensando.

Lena o chamou do outro lado da sala, sentada em sua poltrona favorita, e o pôs no colo cobrindo-o de mimos e carinho.

— Papa! – Amy gritou com grande entusiasmo ao vê-lo chegar. Todos na sala viraram a cabeça para ver o que acontecia. Era a primeira vez que a família unida presenciava ela chamá-lo de papai.

Rosalie sentiu que poderia morrer caso alguém, ou até mesmo Emmett, desapontasse sua filhinha de tal maneira.

— Papa – Amy voltou a dizer. O medo de Rosalie cedeu ao vê-lo se aproximar de sua garotinha com braços estendidos.

Ela aproximou os dois ainda mais, indo ao encontro dele. Não foi surpresa alguma aquando Amy se lançou nos braços de Emmett, risonha. Ele aproveitou para beijar suas bochechinhas macias e sedosas. E, olhando para Amy, disse:

— Gatinha do papai.

Rosalie observou o momento em que os outros dois filhos correram até Emmett, agarrando-se as pernas dele. E ele gargalhou feito um menino, enquanto suas calças arriavam até quase metade da bunda revelando parte de sua cueca boxer preta.

— Cadê o Noah e o Enrico? – começou Emmett entre risos. – Cadê aqueles dois ursinhos sapecas. – E os dois garotinhos em júbilo se puseram a gargalhar. Emmett dando alguns passos cambaleantes, com dois grudados as suas pernas.

Rosalie olhou em volta, preocupada, buscando pela reação da família dele, chegando à conclusão que sua preocupação não fazia sentido. Abby e Logan não conseguiam parar de rir. A irmã e o cunhado de Emmett tinham sorrisos largos no rosto. E Lena, essa lhe pareceu estar a ponto de sair dando cambalhotas. Isso a fez empurrar a vontade de chorar pra longe, pondo no rosto um sorriso largo.

Emmett se deixou ir ao chão junto com as crianças. E, no instante seguinte, em vez de três crianças em cima dele eram cinco. Logan e Abby haviam também se juntado a eles. Algumas vezes os gritos de Amy se destacavam do das demais crianças.

Kate se levantou de seu lugar no sofá indo para perto de Rosalie e lhe deu um abraço. Apesar de surpresa, Rosalie retribuiu ao gesto de carinho da irmã do homem que estava mudando sua vida e as de seus filhos.

— Se permita viver isso todos os dias – a irmã dele sussurrou momentos antes de interromper o abraço. Rosalie moveu a cabeça, concordado.

Ao se dirigir as crianças, Kate levantou o tom de voz.

— Criançada, todos pra mesa que o jantar já vai ser servido. Depois tem sobremesa: torta de maçãs e também de chocolate meio amargo com blueberry. Aí vocês escolhem o que preferirem. Na dúvida, come das duas – ela riu quando quatro das cinco crianças largaram seu irmão no tapete da sala e correram para a cozinha, eufóricas. E Emmett ficou lá, rindo com Amy sentada em sua barriga.

Rosalie foi buscar a filha com ele, mas, ao perceber o que a mãe pretendia fazer, Amy tentou ir atrás das outras crianças, correndo feito uma pequena fugitiva.

— Peguei você! – Rose declarou, erguendo seu corpo pequenino no ar. Amy soltou uma risadinha travessa se agitando nos braços dela, louca para escapar.

Emmett se pôs de pé, ajeitando as calças parcialmente arriadas, rindo tanto quanto as crianças.

Lena tocou no braço de Rosalie ao passar por ela a caminho da cozinha. Rosalie retribuiu seu gesto com um meio sorriso.

— Ainda bem que você não estava sem cuecas – eles ouviram Garrett zombar e, em seguida, deixar a sala assim como os demais fizeram.

As covinhas dançavam nas bochechas de Emmett no momento que ele se inclinou pra frente buscando os lábios de Rosalie com um beijo breve.

— Desculpe quase ter ficado sem calças na presença de todos – disse.

— Foi divertido – esclareceu ela. – As crianças riram bastante. Você foi um doce deixando-as se agarrar a você daquele jeito. Elas quase acabaram com você.

— Que nada! Sou forte como um urso – se gabou fazendo graça. E, então, ele se calou por um instante que pareceu a ela uma eternidade. Surpreendendo-a com as palavras a seguir.

— Você fica ainda mais bonita quando está feliz.

Rosalie segurou o rosto dele na mão direita, com Amy presa ao quadril feito um filhote de coala.

— Você é, em grande parte, responsável por isso – confessou. Ele não resistiu em beijá-la outra vez.

E quando entraram também na cozinha, encontraram Kate mostrando para as crianças as duas tortas de que falara. Ambos ouviram Abby dizer que as tortas tinham de ser servidas antes da comida. Viram Logan tentar espetar uma torta com o dedo e Kate freá-lo com um tapinha na mão. O menino recuou dando risada.

Olhando Enrico e Noah, Rosalie percebeu seus corpos pequenos se movendo feito um cachorrinho abanando o rabo com euforia. Em sua visão periférica viu Lena levar os pratos de Jujuba e Caramelo cheios de ração à área de serviços. Os dois cães a seguiram e se puseram a comer imediatamente.

Todos se puseram à mesa e o jantar foi servido entre risos e conversas como em tantas outras noites havia sido.

Pouco antes de a sobremesa ser servida, Emmett pediu que prestassem atenção ao que tinha a dizer. Embora as crianças estivessem mais interessadas na sobremesa, dedicaram-se a olhar pra ele também.

Estava com um guardanapo na mão quando começou dizer as primeiras palavras.

— Quero aproveitar que estão todos aqui reunidos e dizer que – nesse momento sua mão encontrou a de Rosalie sobre a mesa. No colo dela, Amy ainda mastigava um pouco de seu jantar – Rose e eu estamos juntos.

Os adultos trocaram olhares e esbanjaram sorrisos largos. Já as crianças pareceram não entender muito bem ao que se referia.

— Está todo mundo junto titio – lembrou Abby.

— Não assim. Não dessa forma, gatinha. O titio quer dizer que Rose e eu estamos...

— Namorando – Kate resumiu. – Seu tio e a Rose são agora um casal de namorados.

— Namorados – disse Logan se mostrando satisfeito.

— Marido e mulher – Lena reforçou e Rosalie sentiu o estomago se apertar, porque marido ainda era uma palavra que lhe causava arrepios. Mas não da forma que gostaria que fosse.

— Como o papai e a mamãe? – Abby perguntou. Puxando os pensamentos de Rosalie para fora do limbo.

Quando Rose fez menção de falar, Lena lhe mostrou a colher de pau erguida.

— Não se atreva a dizer o contrário – ela lhe jogou as palavras.

Surpresa, Rosalie olhou para Emmett com olhos arregalados. E tudo o que ele disse foi:

— Ganhei três filhos lindos. E também muito espertos. Só tenho a gradecer o presente que Deus me deu.

Rosalie olhou para os filhos, a felicidade estampada em seus rostos era tão grande que a fez imaginar se depois não sentiriam dor no músculo facial.

— Eu e a vovó já sabíamos – declarou uma Kate cheia de si. – Já tinha percebido o modo como se davam as mãos sempre que achavam que ninguém estava olhando. A vovó também os viu se beijando, no quarto da Rose.

— Quero dizer que também já sabia – declarou Garrett. – Kate me contou tudo.

— E por que ficaram todos calados?

— Queríamos que vocês mesmos dissessem – Kate respondeu.

— Não pensem que não quis gritar pra todo mundo que eu estava certa o tempo todo – Lena emendou. – Porque eu realmente estava. Ganhei mais uma neta e três bisnetos, não podia estar mais feliz. Deus sabe de todas as coisas, e ele queria vocês aqui, na fazenda Recanto dos Ursos, com a gente.

Enrico e Noah correram para junto de Emmett. E ele os pôs, cuidadosamente, cada um, sentado numa perna sua. Beijando suas bochechas macias sob o olhar de aceitação da mãe.

Lena se pôs servir a sobremesa, cantarolando uma velha canção que fizera parte de sua juventude. Sua felicidade e entusiasmo eram tanto que bem poderiam ser confundidos com loucura.

Notas finais
Sill