Um Lugar Para Ficar

21 Capítulo 21 – Quando o Coração Fala


Notas iniciais
Oi, gente! Eu sei que demorou. O problema é que aconteceram muitas coisas nos últimos dias e uma delas me deixou arrasada. Quero agradecer a Amia Mellark Everdeen pela recomendação e dizer que amei. Ficou linda de viver! Capítulo dedicado a você, coração. Espero que goste. Tenham todos uma boa leitura!

De volta à fazenda.

Logo após o almoço as quatro crianças correram para brincar do lado de fora. Aproveitando a liberdade que estar na fazenda Recanto dos Ursos lhes davam que era poderem brincar ao ar livre.

Emmett tirou alguns minutos para conferir os afazeres da fazenda já que muitos dos funcionários não trabalhavam aos domingos. O cunhado, Garrett, aproveitou para ajudá-lo nessa tarefa.

As três mulheres conversavam na sala de estar, com Amy indo de um lado a outro em passinhos vacilantes e apressados. Algumas vezes tropeçando, na tentativa de pegar alguns objetos de decoração.

— Amy, não! – Rosalie dizia toda vez que ela tentava alcançar um dos objetos com a mãozinha. Mesmo assim, bastava desviar o olhar por um minuto apenas e ela repetir tudo outra vez, com dedinhos inquietos e mãos agitadas. – Amy, a mamãe falou não. Não pode mexer aí, bebê.

— Não tem problema, Rose. Deixe-a brincar – disse Lena, sentada na poltrona reclinável.

— Não, dona Lena. Ela pode acabar quebrando alguma coisa.

— E daí se quebrar?! Eu sou a bisavó e estou dizendo que ela pode ficar à vontade. Deixe de bobagem.

— Melhor não contrariar – Kate brincou.

Amy estava quase alcançando com a mãozinha um dos enfeites de cerâmica, quando Rosalie correu a fim de impedi-la. Seu gesto a assustou. Amy caiu de bumbum no chão e começou a chorar logo em seguida. Rosalie apressou-se em pegá-la no colo, tentando consolá-la.

— Desculpe meu amor, mamãe não queria te assustar. – Ela beijou no rostinho de Amy mais de uma vez enquanto ela ainda chorava.

— Não chora assim, Amy. A bisvovó deixa você pegar tudo o que quiser. Não ligue pra sua mamãe, não. Ela está sendo uma boba.

Amy chorou ainda mais, ao lembrar-se do objeto que foi impedida de pegar.

— Oh, bebê... – murmurou Kate. – Até chorando é linda. Coisa fofa.

Amy encostou o dedinho indicador ao peito da mãe. – Mamã – balbuciou, fazendo beicinho. – Mamã...

— Foi a mamãe que te assustou? – brincou Kate. – Quer vir aqui no colinho da tia? Vem no colinho da tia. Vem amorzinho – Amy se lançou no peito da mãe com tudo.

— Acho que isso foi um não – Lena zombou da neta.

As três mulheres acabaram rindo da reação da criança.

Rosalie pegou a chupeta e pôs na boca de Amy. Ela parou de chorar no mesmo instante e ficou enrolando a ponta da fralda entre os dedinhos.

No outro lado da sala, o telefone fixo tocou. Kate foi até lá para atendê-lo.

— Eu vou lá fora dá uma olhada nas crianças – Rosalie avisou.

— Pode ir querida – Lena concordou. – Mas tenho certeza de que estão todos bem. Estão brincando lá nos fundos, no parquinho. Eu os vi agora a pouco quando precisei ir lá fora.

Rosalie saiu pela porta da frente e deu a volta pela varanda até chegar à parte dos fundos da casa. Antes mesmo de vê-los, ouviu suas vozes e risadinhas. Pareciam tão felizes, brincando de pega-pega. Em seus rostos suados, as bochechas coradas se destacavam.

Não quis interrompê-los por isso voltou para a varanda na parte da frente da casa. Desceu os degraus sem pressa, alcançando o gramado que se entendia por uma boa parte do caminho. Pôs Amy no chão, segurando sua mão pequenina enquanto andava com passinhos curtos e incertos.

Caminhou até a árvore de tronco largo, na qual sob a sombra gostava de ficar às vezes. Sentou-se em uma raiz exposta e ficou a olhar a paisagem com Amy andando ao seu redor, mantendo o dedinho indicador sempre erguido, mostrando os pássaros que pousavam nos galhos mais baixos.

Rosalie achava graça da carinha que ela fazia toda vez que um deles levantava voo.

— Oi – a voz de Emmett chegou aos seus ouvidos misturando-se ao canto dos pássaros, que pareciam sempre tão felizes. E ao olhar na direção de onde ele vinha o sorriso ainda estava em seu rosto. Emmett retribuiu seu sorriso, embora não soubesse o que o motivou, e o coração de Rose reagiu com inquietação. A ansiedade crescendo à medida que ele chegava mais perto de onde estavam.

Garrett estava com ele. Trocaram algumas poucas palavras, logo em seguida o cunhado de Emmett caminhou em direção à casa grande, olhando para trás apenas uma única vez.

Rosalie acenou para Emmett. E quando Amy o viu, correu ao seu encontro, cambaleante. Rosalie apressou-se temendo que caísse. Emmett fez o mesmo.

— Pode deixar – avisou. Com apenas mais alguns passos, ele a agarrou entre as mãos grandes girando com ela no alto. Amy gargalhou gostosamente. Ele então a segurou bem juntinho ao corpo e beijou sua barriguinha. Amy agarrou-se aos seus cabelos curtos com dedos pequenos enquanto gargalhava. E quando Emmett parava com os beijos, ela parava com a gargalhada. E isso se repetiu algumas vezes.

Rosalie os olhava com olhos de amor. E, sem que percebesse, descansava uma mão ao peito, bem acima de onde ficava o coração.

Ele parou de brincar com a bebê e se aproximou dela. Amy agora olhava com atenção o chapéu de couro preto na cabeça dele. Notando sua curiosidade, Emmett tirou o chapéu e deixou que brincasse com ele. Sem muito pensar se inclinou um pouco mais pra frente plantando um beijo no rosto de Rosalie.

— O que estão fazendo aqui fora sozinhas? – perguntou ele.

Rosalie, que tinha fechado os olhos ao toque dos lábios dele na pele de seu rosto, os abria agora bem devagar.

— Fui dar uma olhada nas crianças – ela falou, por fim. – Depois acabei vindo pra cá. Não sei por que, mas, de todas as árvores na fazenda, essa acabou se tornando minha favorita.

— Vovó sempre diz que foi o vovô quem plantou essa árvore. Na época em que eles iniciavam a vida aqui na Recanto dos Ursos. E que por isso, também, é sua árvore favorita.

Rose meneou a cabeça reconhecendo que havia uma história por trás daquela árvore grande e bonita.

— E os meninos, onde estão? – Emmett pediu, dando uma rápida olhada em volta.

— Estão brincando no parquinho. Lá nos fundos.

— Quer sair pra cavalgar?

— Eu não sei... Tem Amy...

— A minha avó e minha irmã podem ficar com ela por algumas horas. Tenho certeza de que ela não vai chorar. Já as conhece bem.

— Eu não sei...

— Papa! – Amy balbuciou, depois de várias tentativas enroladas. Os olhinhos na mesma cor dos da mãe, focados em Emmett, brilhantes e atentos.

Os dois adultos calaram-se imediatamente. Surpresos. A mãe, em choque, começou a tremer.

A sua frente, Emmett estava com os olhos marejados. Acabava de vivenciar um dos momentos mais marcantes de sua vida. Nada esperado, era verdade.

— Papa – Amy tornou a balbuciar. Em seguida, ergueu o bracinho numa tentativa de pôr o chapéu novamente na cabeça de Emmett.

Rosalie a tomou de volta de forma tão brusca que o chapéu caiu no chão. Ainda ajeitava Amy no colo quando se desculpou com Emmett. E foi ai que o sorriso no rosto dele murchou.

— Me desculpa... Amy nunca tinha usado essa palavra antes. Só, por favor, me desculpe... – Ela praticamente saiu correndo em direção à varanda da casa.

Emmett ficou um instante paralisado. Ainda absorvendo a magnitude da palavra papai. O coração pulsando com amor e esperança. Apenas depois se dando conta da reação contraria de Rosalie.

— Rose...? – ele chamou indo atrás dela. Isso só fez com que aumentasse o passo. – Rose, por favor, espera. – Ela subiu os degraus, e ele apressou-se em alcançá-la antes que passasse pela porta.

Segurou no braço dela, e a viu se encolher, com desespero estampado nos olhos, como que esperasse por uma agressão. Mas, em vez disso, ele acariciou seu braço e beijou sua testa. Ela pareceu perder o medo diante daquele gesto de carinho.

— Me desculpe... Você não... – ela gaguejou. – Não sei por que ela... Meu Deus...

Emmett viu que ela ainda tremia. Além de parecer estar muito confusa.

— Por favor, para de se desculpar – ele pediu.

Amy o olhava, sem entender o que estava acontecendo. E ele aproveitou a proximidade para beijar a cabecinha loura dela. Rosalie tentou falar, mas ele encostou o indicador em seus lábios.

— O que Amy falou foi a coisa mais linda que já tive o prazer de ouvir.

Rose moveu os lábios ainda querendo falar.

— Por favor, apenas me escute – ele pediu. – Eu sei que o que ela disse foi natural e peço que não a ensine o contrário. Eu ficaria muito triste se fizesse isso. Amy me escolheu. Eu os escolhi. Então peço que, mesmo que não queira nada comigo, permita-me assumir o papel de pai na vida de suas crianças. Na verdade, já me sinto nesse papel há alguns dias. Juro fazer por merecer todo amor passado a mim.

— Emmett, eu...

— Me permita ser pra eles o pai que merecem. E eu juro amá-los com toda minha alma. – Quando percebeu, ela chorava.

— Mamã – Amy chamou por ela, preocupada, vendo as lágrimas rolarem no rosto marcado pela mascara da confusão e angustia.

— Rose...? – Emmett murmurou, esfregando o polegar na pele do rosto dela.

— O problema é que eu quero... – ela buscou forças para falar.

— Quer o quê? Diz pra mim.

— Quero você em minha vida. Quero muito. Mas temo o que possa acontecer... Temo aos meus próprios sentimentos. Não estou sabendo lidar com tudo isso. Estou com medo.

— Não vai acontecer nada. Já disse isso uma vez e volto a repetir; vou cuidar de vocês. Vou estar sempre aqui para te ajudar. Saberei amá-la como merece.

Ela ergueu o olhar buscando finalmente o dele, as faísca do novo amor fazendo à íris de seus brilhar.

— Lembra que me disse que só voltaria me beijar se te pedisse pra fazer isso? – Ela perguntou. Ele moveu a cabeça concordando. – Quero muito que faça isso agora.

Emmett escorregou a mão alcançando a nuca dela. Fez um afago ali antecedendo a aproximação de seus rostos. Olhou no fundo dos olhos dela antes que seus lábios se unissem e seus olhos se fechassem apreciando o contato íntimo, a maciez e o gosto. Perdidos nas emoções que percorriam seus sentidos. Logo depois, mãos pequeninas tocaram seus rostos ao mesmo tempo. E o beijo foi finalizado com a ameaça de um sorriso.

Antes de se afastar, Emmett beijou ambos os olhos de Rose demoradamente, depois sua testa.

— Estou louco e completamente apaixonado por você, Rose.

— Emmett...

— Não precisa dizer nada. O que senti nesse beijo foi o suficiente pra entender que é recíproco o meu sentimento. Que você me quer. Você me ama como eu a amo.

— Isso não podia ter acontecido... – ela lamentou.

— Mas aconteceu, meu amor. Aconteceu e não há nada de errado em se deixar amar.

“Meu amor” essa frase se repetiu várias e várias vezes na cabeça de Rosalie. A emoção aquecendo o coração despedaçado. Unindo os pedaços do que fora um dia.

E então, quase que em câmera lenta, encostou a cabeça ao peito dele, e ele a abraçou. Amy ficou entre os dois, olhando-os sem entender o que acontecia. Ergueu a mão pequenina com a chupeta oferecendo-a a Emmett.

— Papa – balbuciou outra vez.

Emmett tentou pegar a chupeta. E Amy a puxou de volta, com um sorriso no rosto, confirmando que era apenas brincadeira.

— Papa – repetiu.

— Papai vai pegar esse seu pepê – ele murmurou. Arrancando da mãe da criança o mais verdadeiro olhar de adoração.

Amy tornou oferecer a chupeta pra ele e outra vez escondeu atrás das costas.

— Papa – falou, quase gritando. E, risonha, moveu a mãozinha apontando pra Rosalie. – Mamã – disse.

— É a mamãe? – Emmett pediu todo risonho.

— Mamã – Amy repetiu, e então beijou o nariz da mãe.

— Eu vou cuidar de vocês pra sempre. Eu prometo – ele afirmou.

— Ainda existe a possibilidade de que... – Rose dizia, quando ele a calou com um beijo breve.

— Não existe lugar mais seguro para vocês estarem do que aqui, ao meu lado – murmurou ele.

— Você, depois de meus filhos, é a melhor coisa que já me aconteceu. Às vezes tenho medo de acordar e ver que você e toda sua família desapareceram. Que tudo não passou de sonho. Que foi tudo criado por minha mente. A mente de uma pessoa que tudo o que sonhava era com um lar feliz. Um lugar para ficar.

— Não é sonho, Rose. É real. Eu sou real. Tudo aqui é real. – Ele levou a mão dela ao rosto para que o sentisse. Com um toque suave, ela acariciou a fina camada de barba que começava despontar. Logo depois, afagou com o polegar a covinha que se formou na bochecha dele.

— Sim, você é real – afirmou, com satisfação.

Amy ficou inquieta no colo. Os dois voltaram à atenção pra ela novamente.

— Alguém está querendo passear por aí – Emmett brincou, acariciando a cabeça loura de Amy.

— Papa – ela repetiu. E indicou o chão com uma mãozinha. Mostrando que era pra onde queria ir.

Rosalie achou graça, embora ainda atordoada com o último acontecimento em sua vida.

— Ei – disse Emmett –, eu sou o pai dela. Do Enrico e do Noah, também. Embora apenas Amy tenha dito a palavra papai se referindo a mim, os sinto dessa forma, Rose. E, como disse antes, mesmo que não quisesse nada comigo, seria para eles como um pai.

Dessa vez Rosalie não hesitou, tomando ela mesma a iniciativa de beijá-lo. Apesar da surpresa, ele amou verdadeiramente ser beijado por ela. Respondendo ao beijo com a mesma intensidade do trocado anteriormente. Só não teve a mesma duração.

Amy estava muito impaciente. Rosalie a pôs no chão e permaneceu segurando sua mãozinha. Emmett segurou na outra quando sentiu tocar a perna de seu jeans.

Ela soltou um gritinho e pulou, empolgada. Emmett e Rosalie olharam pra frente avistando, então, Alice e Jasper se aproximando da sede.

A baixinha trazia nas mãos algumas sacolas. E, ainda assim, começou acenar de forma frenética pra eles na varanda.

— Chegou à visita mais linda e magnânima que vocês poderiam receber nesta fazenda hoje – se gabou. – E, claro, isso não incluiu o Jasper.

Rosalie e Emmett riram de sua atitude nada modesta.

— Como assim? – Jasper se queixou com ela.

— Fica quieto. Você não tem do que reclamar. Te permito admirar minha beleza todos os dias. Você é um garoto muito sortudo por ser meu amigo.

— Pobrezinho – Rosalie falou baixinho.

— Se preocupa, não. Eles são assim desde criança. Jasper já está acostumado às maluquices e grosserias de Alice.

— Humm... o que fazem aqui sozinhos? – Alice provocou. Pondo o pé no primeiro degrau da varanda.

— A pergunta é: O que vocês estão fazendo aqui? – disse Emmett. – Porque, pelo que estou vendo, estão sozinhos. E nenhum dos dois tem idade para dirigir ainda.

— Não esquenta. O tio do Jasper nos deu uma carona. Mas ele estava com pressa e nos largou na estrada. Desgraça. Tinha de ser tio do Jasper, claro. Porque parente meu não faria isso. Nos largar numa estrada de terra qualquer.

— Eu acho que ele nos largou na estrada porque não aguentou você falando tanto.

— Que ousadia! – Alice se queixou.

Rosalie não conseguiu conter o riso.

— A mãe de vocês dois sabem que estão aqui? – ela pediu.

— A minha sabe ­– Alice respondeu, terminando de subir os poucos degraus. – Já o do Jasper, isso eu não sei. Ela é igual àqueles personagens de desenho animado que você só consegue ver a pernas.

— Que mentira! – Jasper se queixou. – Você já viu minha mãe um monte de vezes. E, além disso, ela sempre sabe onde estou.

— Ah, sim. Agora estou lembrando, ela tem o cabelo igual ao seu... Sem graça.

— Bom, eu gosto do meu cabelo. Qual o problema?

— Amy! – Alice gritou, batendo palminhas. Amy abriu um sorriso, se agitando toda. Alice se curvou para beijar no rosto dela. – Cadê o resto das crianças?

— Estão brincando lá nos fundos.

— Ótimo! Porque a gente trouxe umas coisas bem legais para brincar com eles.

— Antes eu preciso verificar se é seguro o que tem aí – disse Emmett.

— Está pensando que sou o quê? Terrorista? São apenas bexigas e pistolas d'água.

— E quem vai levar vocês dois de volta pra cidade?

— A madrinha pode pedir pra algum dos funcionários da fazenda nos levar de volta mais tarde.

— Hoje é domingo. Nem todos vieram trabalhar. Os que vieram já voltaram pras suas casas faz tempo.

— Mas o Scott e a família dele moram aqui.

— Isso não quer dizer que não possam ter um dia de folga. Eles também são filhos de Deus.

— Poxa, assim fica difícil. Me lasquei!

— Tudo bem, eu levo vocês de volta mais tarde. Podem ficar à vontade.

Alice abriu seu típico sorriso do gato de cheshire.

— Eu sabia que você estava só fazendo charminho. Mas e aí, vocês já deram uns pegas? Sabe... beijar, dar uns amassos. Essas coisas.

— Alice – disse Emmett. – Vocês não vieram aqui para brincar com as crianças?! Pois então, vão logo.

— Tem razão. Mas antes eu vou ver a madrinha. Porque não sou uma afilhada ingrata, ok. Minha madrinha é firmeza, merece minha consideração.

Nesse momento a porta foi aberta e Lena passou por ela.

— Olha só quem está aqui, se não é a afilhada mais linda de todas. E a mais faladeira, também.

— Madrinha – disse Alice, correndo para abraçá-la.

Lena olhou em volta, percebendo não haver nenhum carro diferente por perto.

— Quem trouxe vocês até aqui?

— O tio do Jasper.

— Mas, pelo que vejo, não está aqui. Como pretendem voltar?

— Bom, eu disse que a senhora mandaria alguém nós levar. Mas Emmett já disse que vai fazer isso porque estão todos de folga.

— Tenho uma ideia melhor. Vou telefonar pros seus pais e convidá-los para jantar aqui essa noite. Assim converso um pouco com eles também. Conversamos pouco hoje na igreja.

Outra vez Alice estava com um largo sorriso no rosto. – Obrigada, madrinha. Jasper e eu vamos agora atrás das crianças. Trouxemos umas coisinhas pra brincar com elas. Vai ser muito divertido.

— Tudo bem, vão lá. Se sentirem fome, já sabem; vão até a cozinha.

Jasper seguiu Alice, depois de cumprimentar Lena.

Kate apareceu na porta com Garrett logo atrás.

— O que está acontecendo aqui? – ela pediu.

— Alice está na fazenda – o irmão avisou.

— Ah, só podia ser o pequeno furacão. E cadê ela?

— Foi atrás das crianças. Você pode olhar a Amy e os meninos pra Rose ir comigo em um passeio a cavalo?

— Emmett... – Rosalie começou.

— Não vamos demorar – ele alertou a ela e a irmã.

Kate não perdeu tempo, foi logo se aproximando e pegando Amy no colo.

— Mas é claro que posso. E, não se preocupem, cuidarei de todos eles direitinho. Já estou indo ficar de olho nas maluquices de Alice. Por aquela ali é mais danada que os pequenos, se bobear.

— Então, nesse caso, acho que preciso me trocar – disse Rosalie.

— Sim – Emmett respondeu. – Eu vou encilhar os cavalos. Já te encontro aqui. – Quis beijá-la, mas, como ainda não era do conhecimento da família, e como não tinha tido tempo de perguntar a ela sobre contar a eles, decidiu esperar. Ainda assim encostou a mão a dela permitindo seus dedos tocarem-se, e afastarem-se lentamente.

Lena, claro, percebeu. – Minhas preces estão sendo atendidas... – sussurrou.

— O que disse vovó? – Kate perguntou.

Emmett já seguia caminho rumo aos estábulos. E Rose tinha entrado na casa quando Lena respondeu a neta.

— Seu irmão finalmente está se acertando com Rose.

— Tomara vovó. Às vezes penso que somente ele quer.

— Você não viu a forma como as mãos deles se tocaram?

— Na verdade, não.

— Ai, minha neta, às vezes você é lenta. E diria mais, quase parando.

— Vovó! – Ela olhou para o marido. – Garrett, você não vai dizer nada em minha defesa?

— Não fique brava comigo, amor. Mas penso que é melhor deixar quieto.

— Seu marido é um homem inteligente – Lena provocou.

— E dormindo no sofá da sala, também – Kate mandou de volta.

— Mas eu não fiz nada, minha flor lis.

— Ele nem vai precisar dormir no sofá da sala. Não seja tola, minha neta. Têm muitos quartos vagos na casa.

— Ah, é mesmo, né vovó?! Tinha me esquecido disso.

— Kate, amor... – Garrett segurou nos ombros dela por detrás de suas costas. – Não está falando sério, está? – e beijou o pescoço dela bem devagar.

— Estou brincando, seu bobo. Isso não é motivo suficiente para tirá-lo de nossa cama.

Garrett beijou outra vez no pescoço dela. E a seguiu até onde estavam brincando as crianças.

Lena entrou novamente na casa. E foi direto ao telefone falar com Esme.

[...]

Ao retornar do estábulo trazendo os cavalos, Noturno e Estrela, pelas rédeas, Rosalie já estava a sua espera na varanda. Ela deu um passo à frente e se pôs a descer os degraus.

— Ai, meu Deus – disse, olhando os dois cavalos a sua frente. – Não estou certa se quero mesmo fazer isso.

Antes de dizer qualquer coisa, Emmett a olhou dos pés a cabeça numa minuciosa avaliação de seus trajes de montaria. Usava os mesmo acessórios usados noutro dia; chapéu de couro e botas caramelo. A calça justa desenhando suas curvas. E uma blusa vermelha de botões.

— Não precisa ter medo. Estrela é uma égua extremamente dócil. Você já a conheceu no estábulo outro dia. E, bem, você montou Noturno em sua primeira aula de montaria. Vai tirar de letra.

— Mas, não se esqueça de que você estava a todo tempo me dizendo o que fazer. E pronto para pará-lo.

— Vou continuar fazendo isso, só que montado no Noturno e você na Estrela.

— E se, por acaso, ela decidir sair em disparada?

— Não vai. – Ele estendeu a mão na direção de onde ela estava. – Vem cá! Se aproxime. Como disse na primeira vez em que montou a cavalo, não deixe que o animal sinta sua insegurança.

Ela olhou de Emmett para os dois cavalos e novamente para Emmett. Chegou um pouco mais perto. Ele retirou uma cenoura do bolso de trás dos jeans e entregou na mão dela.

— Aqui – disse–, dê para ela. Ela vai gostar.

Rosalie observou a cenoura por um instante antes de pegá-la.

— Pode dar – Emmett instruiu. – Não vai acontecer nada.

Rosalie obedeceu. Aproximou a mão que segurava a cenoura da boca de Estrela e a égua a pegou. Enquanto ela mastigava, Rosalie afagou entre seus olhos em movimentos suaves.

— Viu só. Não há razão para sentir medo.

Rose lançou um olhar confiante a ele, e seus lábios foram tomando a forma de um sorriso. No momento seguinte, lembrou-se de algo.

— Mas e o machucado na perna dela?

— Ela já está bem. Além disso, não vamos tão longe assim. Não demora muito começa escurecer.

— Então vamos logo. Não quero estar montada num cavalo quando isso acontecer.

Emmett concordou. – Como te ensinei, está bem?

— Sim, senhor professor. Instrutor, ou o que quer que seja.

— Espera – disse ele –, preciso fazer uma coisa antes. – Ele chegou um pouco mais perto e, antes de encostar seus lábios aos dela, disse: – Isso. – Depois completou. – Ah, e o correto é instrutor.

Os lábios dela ameaçaram formar um sorriso. Ele a ajudou subir na égua. Uma vez que ela estava corretamente posicionada sobre a sela do animal, e com as rédeas em seu poder, se dirigiu a Noturno. O animal se mostrou um pouco impaciente, relinchando e movendo as patas dianteiras.

— Calma, garoto! Já estamos indo.

Com o animal já mais calmo, Emmett estendeu a mão guiando a égua que Rose montava pra direção que deviam seguir.

Mesmo com o barulho do trotar de cavalos, Rosalie ouviu a gritaria das crianças, influenciadas agora por Alice e Jasper.

Cavalgaram tomando distância da sede, passando pelas margens do rio. O som da correnteza e a água cristalina foram o que mais atraiu a atenção dela.

Emmett, por vezes, fazia o papel de guia turístico apontando e falando a respeito das coisas que viam. Prosseguiram com o passeio até chegar a uma parte mais alta das terras. Ainda não eram as montanhas onde ele costumava se isolar, mas, a vista ali também era muito bonita. Não chegaram a descer dos cavalos, pois tinham pressa em voltar.

Quando Emmett buscou o olhar dela, Rose estava fascinada com a paisagem a sua frente. O verde da vegetação. As montanhas ao fundo, sob um sol de fim de tarde. E quando olhava no outro lado, via a fazenda ao longe rodeada por cercas brancas de madeira.

— Esse lugar é lindo – ela comentou.

— Sabia que iria gostar.

— Quando está sozinho, vai mais longe que isso?

— Muito mais.

— Não gosto que vá tão longe. Mesmo sabendo que cresceu aqui. E, como sua avó disse, conhecendo essas terras como ninguém.

— Nada vai me acontecer.

— Não sei... Não gosto de saber que está tão longe, sozinho.

Emmett soltou uma das mãos das rédeas do cavalo estendo a mão a fim de tocar na dela. E ela fez o mesmo encontrando a dele no caminho. Seus dedos se tocaram brevemente e voltaram a se afastar.

— Já chegou ver ursos por aqui?

— Apenas uma vez, no alto das montanhas quando fui acampar.

— Não me diz que fez isso sozinho?

— Sim.

— E o urso não quis te atacar?

— Ele era um urso ajuizado – Emmett brincou.

Apesar de cismada com a informação, ela deu risada.

Eles refizeram todo o caminho de volta, passando pelas margens do rio outra vez.

— Quer parar um pouco aqui? – Emmett perguntou, olhando a correnteza.

— Eu não sei... – ela hesitou.

— Ainda temos um tempinho antes que comece escurecer – disse ele, em seguida, saltou do cavalo. O prendeu a um galho de uma árvore e foi ajudar Rose saltar da égua. Mesmo depois de ela firmar os dois pés no chão, ele manteve as mãos na cintura dela.

— O cavalo... – Rose alertou quando Estrela começou se afastar seguindo na direção contraria.

Emmett foi buscá-la e a prendeu ao lado de Noturno. Voltou para perto de Rosalie abraçando-a por trás. Deslizou uma mão afastando os cabelos dela do pescoço, depois, se curvando, aspirou seu erfume. Lembrando-se de ter sido aquele mesmo cheiro a sentir em seus cobertores na noite em que ela esteve em sua cama, cuidando dele.

Rosalie fechou os olhos se permitindo desfrutar da sensação que o contato entre eles lhe causava.

As mãos dele se moveram alcançando a cintura dela. Fez com que ficassem frente a frente, girando o corpo dela devagar. Rose escondeu o rosto no peito largo sobre a camisa azul-marinho de botões que ele usava.

Emmett segurou o maxilar dela com as duas mãos. Quando seus olhos se encontraram, murmurou:

— Juro amá-la e protegê-la para sempre. Vai me permitir isso, não vai?

Inebriada, Rosalie meneou a cabeça concordando. Emmett a beijou e foi um beijo calmo. Minucioso. Não tinha pressa em deixar aqueles lábios. Nem mesmo se afastar da suavidade que efluía dela.

Ele a apertou em seus braços chegando a erguê-la um pouco do chão.

— Se eu estiver sonhando, não me acorde – murmurou ao pé do ouvido dela.

No entanto, apesar do amor e dos tremores que sentiu, Rosalie achava que quem estava sonhando era ela. Cada palavra amorosa que saia dos lábios de Emmett unia uma fibra invisível do seu coração partido. Estava encontrando sua própria cura ao lado dele.

Trocaram mais alguns beijos e então resolveram voltar à sede.

Passaram no estábulo antes para deixar os cavalos. Depois de desencilhados, Emmett lhes deu água para beber.

Segurou na mão de Rosalie por todo o caminho até a sede. Afastando-se um do outro ao alcançar a varanda. Ela pediu que não contasse a ninguém ainda. Não estava preparada.

A escuridão começava tomar conta da propriedade, e as crianças ainda se divertiam ao ar livre.

Quando alcançaram à varanda dos fundos avistaram as crianças tomando banho de mangueira; os meninos de cueca e Abby, calcinha de algodão lilás. Bexigas estouradas decoravam o gramado molhado.

Alice e Jasper estavam com as roupas molhadas. Emmett, inevitavelmente, riu da cena diante de seus olhos.

— O que aconteceu aqui? – Rosalie pediu. E foi pegar Amy com a irmã de Emmett.

— Mamã – a pequena balbuciou alegre em vê-la.

— Oi, bebê – Rosalie falou com ela num tom de voz suave. Em seguida, olhou para Kate. – Ela chorou?

— Só um pouquinho.

Rosalie beijou e cheirou o rostinho da filha algumas vezes. Sentia saudades ainda que o tempo afastadas tivesse sido curto.

Emmett chegou perto das duas, se curvando para beijar o rosto de Amy, e, quando se afastava, beijou no canto dos lábios de Rosalie. Kate percebeu. No mesmo instante seu rosto foi tomado por um largo sorriso. Não disse nada, apenas olhou para as crianças no gramado e bateu palmas atraindo atenção de todas elas.

Com todo aquele barulho não ouviu Amy chamar seu irmão de papai.

— Acabou! – disse em voz alta. – Por hoje chega. Todos para dentro de casa. Quero ver todo mundo indo para o banheiro tomar banho e vestir uma roupa sequinha.

As crianças, seguidas por Jujuba e Caramelo, correram de volta para a varanda. Alice e Jasper logo atrás delas.

— Mãezinha linda – gritou Noah. – Você é um cowboy de novo. – Ele deu uma risadinha.

— Mamãe, onde você estava? – Enrico pediu. E os dois, molhados, pararam de frente a ela.

— A mamãe estava andando a cavalo com Emmett. – Ela acariciou o rostinho molhado de um e depois do outro com uma mão. – Vamos tomar um banho e pôr uma roupinha seca? Humm...? Vamos?

— Vamos, sim – os dois responderam.

— Só tenham cuidado para não escorregar e cair.

Os dois se puseram a caminhar de cuequinhas à frente deles. E foi prestando atenção nos filhos que ela sorriu.

— O que foi? – Emmett pediu.

— Eles nunca fizeram tanta bagunça quanto nessa tarde – respondeu, sem deixar de olhá-lo em momento algum.

— Mas é assim que deve ser. Criança tem que ser criança. – Ele moveu o braço sobre os ombros dela, aproximando-a mais de seu corpo. Controlando o impulso de enchê-la de beijos na presença de todos.

Enrico olhou para trás os encontrando naquela proximidade confiante, desprovida de maldade ou medo. Sentiu-se feliz. Virou-se e correu para junto deles.

Rosalie o seguiu com o olhar capturando o momento que o filho estendeu a mão pequena a Emmett, e ele a segurou com afeto. O amor que encontrou nos olhos dos dois foi o suficiente pra fazer tudo valer a pena.

Notas finais
Beijo, beijo Sill