Um Lugar Para Ficar
14 Capítulo 14 – Em Busca de Emprego
Após deixarem o estacionamento da escola primária, Kate os levou direto ao estabelecimento onde, possivelmente, Rosalie trabalharia.
Ao lado da mãe, no banco do carona, estava Logan. Rosalie dividia o espaço no banco de trás com as outras crianças porque precisava levar Amy no colo.
Kate estacionou em uma das vagas que encontrou do outro lado da rua, em frente à livraria.
Enrico segurou no braço da mãe estendendo a outra mão ao irmão. Abby deu uma breve olhada nos dois, e sua mãozinha foi se juntar a de Noah. A garotinha sorriu pra eles. E Rosalie se pôs atravessar a rua, atenta ao trânsito, seguindo os passos de Kate, que estava de mãos dadas com Logan.
Pararam em frente à vitrine de livros, na calçada. Rosalie e as crianças olharam a fachada bonita, trabalhada na madeira, onde havia o letreiro em letras bem desenhadas que diziam Livraria Refúgio.
Não pode deixar de pensar o quanto aquele nome parecia significativo, e, de certa forma, ligado àquilo que há muito buscava.
Foi através da vitrine que pode notar a mulher atrás do balcão. Seus cabelos eram num tom próximo do caramelo e seus olhos, castanhos intensos. Rosto em formato de coração, não muito alta, magra, lembrava as mocinhas da época do cinema mudo. No primeiro instante, viu bondade em seu rosto. Só esperava não estar enganada.
A sineta da porta tocou quando passaram com as crianças.
Abby e Logan correram para cumprimentar a mulher ao balcão. Ganharam um beijo no rosto cada um e, novamente correndo, se embrenharam livraria adentro.
Enrico e Noah permaneceram ao lado da mãe, ouvindo o que diziam. Embora não compreendesse metade da conversa.
– Esme – Kate se pôs a falar.
A mulher atrás do balcão lhe ofereceu um sorriso, enquanto entregava às sacolas a moça a sua frente, que se retirou murmurando um gentil obrigada.
– Oi, querida. Que bom que chegaram – disse, passando pra frente do balcão. – Estava de olho no relógio, imaginando quando chegariam.
Kate olhou dela para Rosalie, que se encontrava um pouco mais atrás.
– Essa é a moça de quem te falei – mencionou.
Esme estendeu a mão pequena a Rosalie. – Oi, querida, como vai?
Rosalie firmou Amy em apenas um braço antes de aceitar seu cumprimento. O aperto de mãos foi gentil e breve.
– Olá. Vou bem, obrigada.
– Mamã. Bem? – Amy balbuciou, arrancando risos das três mulheres.
– Kate já me falou que se chama Rosalie. Nome bonito. Lembra rosas. E essa princesinha linda, como se chama? – pediu, estendendo a mão para acariciar a pele lisinha e corada do rosto de Amy.
– Diga “olá” para Esme, Amy – Rose instruiu.
– Oia – Amy arriscou, e abriu um pequeno sorriso. As três mulheres se encontraram rindo outra vez.
– Ela é linda – Esme elogiou. – E é a sua cara.
– Obrigada – Rosalie agradeceu, gostando realmente de como Esme agia.
– Quanto tempo ela tem?
– Dezoito meses.
– Dezoito meses, – repetiu mexendo na mãozinha de Amy – mas que gracinha.
– A idade onde tudo é um perigo. A curiosidade a mil – Rosalie acrescentou.
– A minha deu muito trabalho. Agora já está uma mocinha. E continua dando trabalho. Penso que nosso trabalho como mãe não acaba nunca. Porque mesmo crescidos continuamos nos preocupando.
– Nem me fale – Kate concordou. – Nem quero imaginar quando os meus forem adolescentes.
– Melhor nem pensar nisso agora, querida. – E, antão, novamente olhou para Rosalie. – Ela ainda está no peito?
– Ah, eu bem que queria, e teria facilitado às coisas alguns dias atrás, mas, infelizmente, meu leite secou quando ela estava com onze meses. No começo foi bem complicado, porque não queria a mamadeira, e quando eu a colocava no peite numa tentativa tola de acalmá-la, ela se irritava ainda mais por não sair nada. Mas agora ela já aceita bem. Graças a Deus.
– Você deu trabalho pra mamãe foi, princesa? – disse Esme, cutucando os dedinhos roliços de Amy. – A garotinha se jogou meio que de lado, o corpinho pendendo nos braços da mãe. E tornou abrir o pequeno sorriso. – Sapequinha – Esme ainda cutucava na mãozinha de Amy, quando olhou para os meninos. – E esses príncipes, quem são? São seus também?
– Sim – Rosalie afirmou. – O maiorzinho é o Enrico, e o outro é o Noah. Os príncipes de minha vida. Cumprimentem a Esme, meninos – sugeriu, olhando brevemente os garotos ao seu lado.
– Olá – os dois falaram juntos, se mostrando tímidos.
Esme afastou a mão que brincava com Amy, afagando agora os cabelos dos dois.
– Que graça. Os dois também são lindos. Também com uma mãe assim, não podia ser diferente – piscou para os dois, sorrindo.
Os meninos abriram um sorriso em resposta.
– Obrigado – voltaram a falar juntos.
Rosalie estendeu a mão acariciando o rosto de cada um dos filhos. Seus olhos brilhando com um amor imutável.
– Então, querida, Kate me disse que é nova na cidade e que está precisando de trabalho.
– Sim, senhora – Rosalie concordou, voltando sua atenção outra vez a Esme.
– Me chame apenas por meu nome. Esqueça isso de senhora. Faz me sentir velha. Apesar de já ter uma filha adolescente ainda sou jovem – sorriu.
– Sim sen... Quer dizer, Esme.
– A menina que trabalhava aqui comigo pediu demissão há alguns dias. Ela era muito eficiente, mas, infelizmente, precisou mudar de cidade. O marido foi transferido do emprego, então ela teve que ir junto. Diga-me, tem alguma experiência?
– Na verdade, nenhuma. Eu era muito nova quando me casei. O único emprego que tive foi de babá. Cuidava dos filhos dos vizinhos pra conseguir dinheiro e sair com as amigas. Na época eu morava com minha avó. Depois passei a cuidar dos meus.
– Mas você ainda é muito jovem. Tem a vida inteira pela frente. Pode aprender muito ainda. Ao menos gosta de livros?
– Sim. Adoro. E isso desde garotinha.
– Ótimo! – Esme abriu um sorriso enorme, acompanhada por Kate. – Isso é tudo o que precisava saber. O resto eu ensino.
A sineta da porta tocou quando dois adolescentes passaram por ela, e foram direto pra sessão de livros de Aventura.
– Isso quer dizer que eu já tenho um emprego?
Esme ainda estava com o sorriso no rosto quando lhe respondeu. – Na verdade, o emprego já é seu desde o momento que Kate me falou de você.
Institivamente, Rosalie olhou pra amiga, imaginando o que ela poderia ter falado. Como que para tranquilizá-la, Kate lhe ofereceu um sorriso, movendo a cabeça, dando entender que havia sido apenas o necessário.
Os lábios de Rosalie se moveram em um obrigado mudo, embora comovido.
Abby apareceu em um dos corredores, perto de onde conversavam, fazendo sinal para que Enrico e Noah se juntassem a ela. Os dois meninos negaram com a cabeça. Ela insistiu.
– Vem! Tem um livro bem legal ali. Vem ver. Vem Enrico. Vem Noah. Vem comigo.
Os dois continuavam movendo as cabeças se recusando.
– Vocês podem ir lá com ela – Esme incentivou vendo insegurança nos dois.
A mãe ajudou, porque, do contrario, não moveriam o pé.
– Podem ir. A mamãe chama vocês quando for hora de ir.
– Chama mãezinha? – Noah pediu, inclinando o pescoço enquanto falava.
– Mãezinha chama os dois. Podem ir.
Os meninos se puseram a caminhar a passos curtos, ainda inseguros, ao encontro de Abby, que se mostrava bem à vontade. Ela ofereceu uma mãozinha a cada um, mas apenas Enrico aceitou. Noah ameaçou correr para se juntar a Logan.
– Sem correr, Noah! – a mãe alertou. Ele olhou pra trás no mesmo instante, e se pôs a caminhar em vez de correr. Abby e Enrico estavam bem atrás dele, de mãozinhas dadas. O rabo de cavalo no cabelo dela estava bagunçado, e balançava sobre os ombros enquanto caminhava.
– São crianças adoráveis – Esme se viu falando.
– Obrigada. Então, quando começo trabalhar? – Rosalie disparou ansiosa.
– Poderia começar agora mesmo.
A expressão em seu rosto se tornou preocupada, imaginando como faria com as crianças, assim de supetão.
– Estou brincando, querida – Esme a tranquilizou. – Você pode começar amanhã, lá pelas nove. Esse é o horário que costumo abrir a loja. Embora algumas vezes abra um pouco mais tarde. Ah, e, não se preocupe, você pode trazer a Amy sem problema algum. – O rosto de Rosalie se iluminou. – Temos um cantinho pra leitura, um espaço bem agradável. Ela vai poder brincar lá e até tirar uma soneca. Em alguns sábados a loja é aberta mais pra lermos para as crianças. Minha filha é quem mais ler. Ela deixa os pequenos fascinados com suas interpretações exageradas. Fechamos no horário de almoço e não retornamos até a segunda-feira. No domingo costumamos ir à igreja.
– Obrigada, Esme, de verdade. Nossa, vai ser perfeito poder trazer a Amy comigo. Pelo menos no começo, não preciso me preocupar.
– Ah, esqueci-me de mencionar que no segundo andar temos cozinha e banheiro. Então você pode trazer e preparar as refeições dela tranquilamente.
– Nem sei o que dizer, além de muito obrigada. É uma ajuda e tanto.
– Viu só, eu te falei que iria dar tudo certo – Kate mencionou, tocando no braço de Rose gentilmente.
Os dois adolescentes que haviam entrado minutos antes, se aproximaram para pagar pelos livros adquiridos. Esme pediu licença e foi registrar a compra dos dois.
A porta voltou a ser aberta e a sineta tocou. Uma adolescente de cabelos repicados e curtos, com mochila nas costas, passou por ela, resmungando.
– Mamãe, o papai disse que não poderei ir à festa do pijama da Lauren. Diz pra ele que posso. A senhora falou que eu podia. Não vai voltar atrás agora, não é?! Fala com seu marido.
Os dois adolescentes passaram por ela, enquanto deixavam o estabelecimento, com suas novas aquisições.
Esme lanceou um olhar a adolescente que se queixava. – Rosalie, essa é minha filha Alice. Como disse agora a pouco, ainda dá muito trabalho.
– Como assim? Estavam falando de minha pessoa? Eu bem que senti minhas orelhas queimando...
– Comporte-se Alice – a mãe se queixou. – Rosalie é amiga da família de sua madrinha. Ela vai trabalhar comigo a partir de amanhã.
– Então você é a moça que está na fazenda Recanto dos Ursos?! Hummm. É ainda mais bonita do que andam dizendo por aí. – Rosalie, de repente, sentiu-se constrangida. Alice lhe estendeu a mão. – Muito prazer em conhecê-la Rosalie.
– Me chame apenas de Rose.
– Beleza! Então, seja bem-vinda Rose. E essa bebezinha linda – comentou mexendo no bracinho de Amy. E ela lhe sorriu em resposta. Depois de mexer mais um pouquinho com Amy virou-se para a irmã de Emmett. – Oi, Kate. Onde estão Abby e Logan?
– Estão andando pela loja com os outros dois filhos da Rose.
Alice tornou olhar pra Rosalie. – Você tem mais filhos?
– Tenho. Enrico de sete anos e Noah de quatro.
– Você casou com quantos anos? Quinze?
– Alice! – Esme a repreendeu.
– Não, tudo bem – disse Rosalie. – Eu tinha dezenove anos quando me casei. Embora me arrependa amargamente de meu casamento, não me arrependo de ter tido nenhum de meus filhos. Eles são a razão pela qual eu vivo.
– Puta merda! Seu casamento foi tão ruim assim?
– Alice, chega de tantas perguntas – a mãe tornou advertir.
– Porque você não vai lá falar com as crianças – Kate sugeriu.
– Ah, sim. Irei fazer isso agora mesmo. Já estou louca pra conhecer Enrico e Noah. Só pelos nomes já os adoro. E também estou com saudades dos meus queridinhos, Logan e Abby. – Ela deu um passo à frente e parou. – Mas, mamãe, eu vou poder ir à festa do pijama da Lauren?
– Depois falamos sobre isso, Alice.
Novamente a sineta anunciou a chegada de alguém. Quando Rosalie olhou, percebeu um homem de cabelos louros chegar trazendo uma expressão tranquila no rosto.
– Está se queixando do que pra sua mãe, mocinha?
– Nada, papai. Eu sou um anjo de candura. Só não ando exibindo minha auréola por aí, por medo de ser roubada. O mundo já não é mais o mesmo. Pode acreditar.
E, então, o recém-chegado lançou um olhar a Esme. – É isso mesmo, querida? – ele chegou ainda mais perto colando seus lábios aos dela em beijo breve.
– Carlisle, meu marido – Esme explicou a Rose. – Ele é médico no hospital da cidade. – Rosalie se lembrou de ter ouvido falar dele na fazenda, no dia em que chegou. – Querido, essa e a moça que está na Recanto dos Ursos. Ela vai começar trabalhar aqui amanhã. Essa é a filhinha dela, Amy. E os outros dois garotinhos estão pela loja com os filhos da Kate.
Carlisle ofereceu a mão educadamente. – Seja bem-vinda, Rosalie.
– Obrigada senhor?...
– Cullen. Carlisle Cullen.
Ao lado dele, Alice retirou o celular de dentro da mochila e quando começava digitar uma mensagem, o pai tomou o aparelho de suas mãos.
– Papai!
– Temos que conversar sobre aquela sua nota em matemática. Enquanto não me garantir que vai melhorar a nota, isso está confiscado.
– Eu juro que vou melhorar. Posso até pedir ajuda a um Pai de Santo. – As três acabaram rindo de sua resposta. – Não, não, melhor ainda. Jasper pode me ajudar. Ele é muito nerd. Vai ver papai. Eu vou gabaritar aquela maldita prova.
– Até lá isto fica comigo – dizendo isso, o celular desapareceu no bolso da frente da calça que estava vestindo.
Alice juntou as mãos abaixo do queixo, olhando o pai com cara de cachorro abandonado. – Eu te amo, papai – disse. – Você é o pai mais gato e louro do mundo. Seu lindo! Gatão.
O pai curvou o pescoço, achando graça. Enfiou a mão novamente no bolso e trouxe o celular de volta as mãos da filha. Alice saltitou.
– Eu te amo! Você é o melhor.
– Vai melhorar a nota?
– Eu juro.
– Se isso for um truque... Teremos uma longa conversa, mocinha.
– Juro que não é um truque.
– Certo. Vou confiar. – Ele olhou pra esposa. – Estou indo por hospital agora querida.
– Até mais tarde, querido. – Trocaram mais um beijo. E Rosalie não pode deixar de notar que todos os casais que conhecia naquela cidade pareciam se dar tão bem. Uma vida de amor plena.
– Até logo, Rosalie. Kate, diga a sua avó que tome os remédios direito. Do contrario terei de ir à fazenda adverti-la pessoalmente.
– Ah, eu direi. Pode deixar.
– Com licença.
– Tchau, papai – Alice gritou no momento em que o pai deixava a livraria. Deu um pulinho voltando-se para Rosalie. – Eu vou lá conhecer seus outros pequenos. Enrico e Noah, não é?
– Isso. Enrico e Noah.
– Beleza! – E desapareceu saltitando entre as varias sessões de livros.
Continuaram conversando, até que os meninos retornaram ao local onde estavam.
– Mãezinha, mãezinha – dizia Noah.
– Mamãe – Enrico chamou, ficando ao lado dela, tocando seu braço com a mão.
– Oi? – a mãe respondeu, olhando de um para o outro.
– A gente vai ouvir uma história. Que tem uma moça que conta.
– O quê? – ela pediu confusa.
– Tem uma moça que o nome dela é Alice. E ela disse que vai ler historinhas pra gente – Enrico explicou com mais calma.
– Ah, a mamãe acabou de conhecê-la. Ela é filha de Esme, a dona da livraria.
– A gente pode tirar os sapatos e ir ficar no cantinho da leitura? Pode mamãe? – pediu Enrico.
– Me dá o felpudo, mãezinha.
– Quem é Felpudo? – Esme perguntou, achando graça.
– É o coelhinho de pelúcia dele. Sem esse bichinho ele não dorme.
Esme e Kate esboçaram um sorriso. Rosalie olhou novamente para os meninos.
– O Felpudo não está aqui Noah. Em outro dia vocês sentam no tapetinho pra ouvir Alice contar histórias. Agora precisamos voltar pra fazenda. Kate precisa descansar. Ela trabalhou o dia inteiro, deve estar cansada.
Noah fez beicinho. Mas foi Enrico quem questionou.
– A gente vai voltar aqui outro dia, mamãe?
Antes de responder, ela passou os dedos por entre os fios castanhos dos cabelos dele.
– Vamos, sim. Mamãe vai trabalhar aqui agora.
– Que legal.
– Legal não é, amor?!
– Ahã.
– Se despeçam das duas. Depois a gente volta.
Os dois garotos foram se despedir de Esme atrás do balcão.
– Eu vou buscar os meus – Kate avisou dando um passo à frente. Mas não precisou ir até lá, Abby e Logan vinham ao seu encontro, acompanhados por Alice.
– Mamãe, – disse Logan – eu posso ficar com esse livro? – Em suas mãos estava um exemplar de Oliver Twist, de Charles Dickens.
– Pode. Leva lá pra Esme registrar a compra.
– Mamãe, eu preciso fazer xixi – Abby avisou, quando o irmão começava a se afastar com o livro na mão.
Kate entregou o dinheiro do livro ao filho mais velho e foi levar a caçula ao banheiro.
[...]
Atravessavam a rua, quando os meninos avistaram Emmett encostado à caminhonete estacionada logo atrás do carro de Kate. Enrico e Noah disparam naquela direção. Rosalie gritou, apavorada, pensando faltar muito pra chegarem do outro lado quando na verdade faltavam apenas alguns passos.
Amy, que cochilava em seu colo, ergueu a cabeça com cara de choro, assustada. Mas Rose conseguiu tranquilizá-la fazendo um carinho. Ela voltou encostar a cabeça ao seu ombro, sugando a chupeta preguiçosamente.
– Ei, aí estão vocês – ouviu Emmett falar, recebendo seus filhos nos braços. Os meninos tinham se lançado a ele, e ele os apanhou no ar. Manteve um em cada braço e beijou seus rostinhos sorridentes.
– A gente foi na escola hoje – Noah comentou.
Rosalie estava perto deles agora.
– Eu estou sabendo – disse Emmett, abrindo o sorriso de covinhas. – Se divertiram? Sabia que eu também já estudei lá?
– Sério? – Esse foi Enrico a perguntar.
– Verdade.
– Legal – os dois disseram ao mesmo tempo.
Ele pôs os dois garotos de volta no chão, e chegou mais perto de Rosalie, passando a mão direita nas costas de Amy. Ela olhou para ver quem era, e ao reconhecer lhe estendeu uma mãozinha. Os olhinhos sonolentos. Agindo preguiçosamente.
– Ela está bem? – ele pediu, preocupado.
– Sim. É só sono mesmo.
– E você como está?
– Bem. Mas e você, como está? – pediu, recordando de ele ter permanecido o dia inteiro fora.
– Estou bem. Desculpe não estar em casa hoje cedo para trazer você e as crianças.
– Está tudo bem, Emmett. Não tem porque está sempre disponível.
– Mas eu quero estar – murmurou, estendendo a mão para tocar o braço dela, desistindo de fazer isso no meio do caminho. – Se hoje fiquei o dia inteiro longe, foi para que não se sentisse pressionada. E, também, porque as montanhas me libertam...
– Você não precisa se afastar de sua casa... Nem por mim, nem por qualquer que seja o motivo. Lá estão todas as pessoas que te amam, Emmett.
O coração dele esmurrou o peito com ansiedade. Imaginando se ela se incluíra nessa equação. Estava abrindo a boca para dizer algo quando Logan os interrompeu.
– Olha o que a mamãe comprou pra mim na livraria da Esme, tio.
Emmett passou a mão amavelmente na cabeça loura do sobrinho.
– Que legal campeão. Quando terminar de ler me diz o que achou.
– Eu posso te emprestar depois tio.
– O tio vai adorar.
O menino abriu um sorriso e, em seguida, foi para perto do carro da mãe.
– Tio, Emmett, titio você tá legal? – Abby pediu.
Emmett a pegou por um instante no colo e lhe beijou o rosto.
– O tio está legal, gatinha.
– Eu não gosto quando você some... – a garotinha disse, com preocupação na voz melodiosa.
– É e nem eu – a mãe reforçou, por detrás das costas da filha, passando o braço em torno do corpo do irmão. – Como você está? Talvez devesse retomar com a doutora Ransen.
– Eu estou bem, Kate – ele se queixou, olhando Rosalie de canto de olho pra ver se prestava atenção à conversa deles.
– O que está fazendo aqui? – a irmã pediu enquanto se afastava.
– Vim buscar Rose e as crianças. Vovó me disse que vocês estariam aqui. E, então, conseguiu o emprego? – perguntou diretamente a Rosalie.
Ela sorriu. Feliz por dizer que teria um emprego.
– Sim. Começarei amanhã mesmo.
– Isso é ótimo. Está feliz?
– Muito. Acho que vou gostar muito de trabalhar com Esme. Ela me pareceu ser uma boa pessoa. O marido e a filha também.
– Eles são sim. Mesmo assim insisto que poderia te dar um emprego na fazenda. O cargo de secretaria ainda está disponível. Eu te ensinaria tudo o que precisa saber sobre o funcionamento da fazenda.
– E eu insisto que seria como aceitar que continue me dando tudo. E isso não é certo. Além do que tenho a impressão de está criando esse cargo só pra mim.
– Gente a conversa está ótima, mas eu realmente preciso voltar pra fazenda. Preciso de um pouco de descanso antes de corrigir os trabalhos de meus alunos.
– Rose e as crianças voltam comigo em meu carro.
– Por mim tudo bem, se ela quiser.
Emmett olhou pra ela. – Vem comigo?
– Vamos, mamãe – Enrico pediu. Noah estava distraído brincando de pisar nas riscas da calçada e nem notou.
– Tudo bem, nós vamos com você – disse.
Emmett e Enrico sorriram, satisfeitos. Ele pegou o menino no colo e o levou para dentro do carro enquanto ela se distraia com Kate.
– Vejo vocês na fazenda – disse Kate. – Vem, Abby! Você vem com a mamãe. – A garotinha correu e Noah foi atrás. – Você vem com a tia, amor? A sua mãezinha vai com o Emmett, na caminhonete dele.
– Então eu vou com a minha mãezinha. Tchau, tia – ele disse e, em seguida, correu para se juntar a mãe e aos irmãos.
– Vem filho!
– Mãezinha, eu pensava que você ia no outro carro. No carro da tia.
– A gente até ia. Mas Emmett veio nos buscar.
– Ele veio foi?
– Veio amor. Por isso ele está aqui.
– Eu gosto que ele veio.
Emmett esbanjou aquele sorriso de covinhas que o fazia lembrar um menino.
– Vem cá, Noah – ele chamou, de braços abertos, curvando-se de modo que o menino pudesse alcançá-lo.
Rosalie ficou vendo o filho de quatro anos correr pros braços daquele homem de coração tão grandioso quanto seu porte físico. Como poderia deixar de sentir todas aquelas coisas que ele despertava. Ele tinha tudo o que Royce jamais teve. Era o que Royce jamais seria, mesmo que vivesse mil anos.
Assistiu-o levar Noah pra caminhonete, rindo com ele. Somente agora notou que havia uma cadeirinha adequada à idade de Noah posta ao lado da de Amy – presente de Kate – e um assento elevatório para Enrico.
– Quando comprou isso? – pediu realmente muito surpresa.
– Quando estava vindo pra cá. E você nem vai poder se queixar. Porque é obrigatório. Claro que em primeiro lugar veio à preocupação com as crianças, depois com a minha carteira de motorista.
– Nem poderia Emmett. Eu só tenho que agradecer por se preocupar com meus filhos.
– Chega de tantos agradecimentos – ele brincou. – Agora ponha Amy na cadeirinha dela. Vou levá-los de volta para casa.
[...]
Mais tarde, na fazenda, depois de dar banho nas crianças, Rosalie sentou-se à mesa da sala de jantar com Enrico, Abby e Logan para ajudá-los com a lição de casa.
Noah dormia no quarto com Amy. Kate descansava na sala com a tevê ligada. Lena estava na cozinha conversando com Neva – a mulher que ajuda nas tarefas da casa – que mora em uma casinha ali mesmo nas terras da família McCarty com o marido Jeremiah e o filho Scott. Assim como o pai, Scott não cursou faculdade, mas sabia tudo sobre o funcionamento de uma fazenda e a lida com os animais.
As crianças estavam fechando os cadernos. Tinham acabo de fazer a lição.
– Tia, Rose, você vem brincar de hora do chá comigo? – Abby convidou.
Rosalie acariciou os cabelos louros, quase brancos, da sobrinha de Emmett.
– Oh, meu anjo, agora a tia não pode. Eu queria falar com seu tio Emmett. Prometo que brinco de hora do chá com você depois. Isso me faz lembrar que não sei onde seu tio está. Algum de vocês sabe me dizer onde Emmett está?
– O tio, Emmett, está nos estábulos – Logan falou. Ele guardava o material escolar na mochila. Rose até ouviu o barulho do zíper se fechando quando ele terminou. – Você sabe como chegar lá?
– Não, querido. Eu não sei.
– Eu sei mamãe – Enrico falou.
– Sabe mesmo amor?
– Uhum.
Ela olhou pra Logan novamente. – O Enrico me leva até lá, Logan.
– Tá legal. Obrigada por me ajudar com a lição tia.
Rosalie sorriu pra ele, enternecida. Era a primeira vez que Logan a chamava assim, de tia.
Logan foi o primeiro a deixar a sala de jantar.
Abby estava de joelhos na cadeira, terminando de guardar seu material, quando a cadeira tombou pra cair. Rosalie agiu por reflexo impedindo que isso acontecesse. A garotinha estava com os olhos esmeraldas, arregalados, ao olhar para ela. Podia jurar que o coraçãozinho estava acelerado.
– Tenha cuidado, gatinha.
Retirou a pequena da cadeira e a pôs no chão. A voz de Abby falhou enquanto agradecia.
– Obrigada, tia. Quase que eu caio.
E antes que Rose pudesse dizer qualquer outra coisa, ela correu pra fora da sala de jantar.
Voltou olhar pra Enrico, ele estava fechando a mochila.
– Terminou filho?
– Terminei mamãe.
– Pode mostrar pra mamãe o caminho até os estábulos?
– Uhum.
O menino estendeu a mão pra ela. Ela segurou sua mão amavelmente erguendo a altura dos lábios para um beijinho.
Abby estava com a mãe na sala. E arrumava seu joguinho de chá lilás sobre a mesinha de centro. No sofá menor estava sua coleção de pôneis de borracha, cada um numa cor.
A garotinha notou a presenta de Rosalie quando ergueu o olhar.
– Tia, Rose, eu vou guardar o seu chá pra depois, tá bom?
– Obrigada, gatinha. Eu vou adorar.
Abby abriu um sorriso, olhando da tia para a mãe.
– Você não vai escapar da hora do chá – Kate brincou.
Dessa vez foi Rosalie quem abriu um sorriso. – Sem problemas. Adoro chá imaginário. Ah, Kate, você me faz um favor?
– Claro, é só me dizer o que fazer. A propósito, obrigada por ajudar eles com a lição de hoje.
– Não foi nada. Você pode ficar de olho na Amy e no Noah, caso algum dos dois acordem enquanto eu estiver lá fora. É que Enrico vai me ensinar o caminho até os estábulos. Queria falar com Emmett.
– Mamãe – Abby voltou a falar –, você quer açúcar no seu chá?
Olhando brevemente a filha, respondeu:
– Dois torrões, por favor.
Abby abriu um sorrisinho maroto ao acrescentar dois torrões de açúcar imaginários ao chá, também imaginário.
– Pode ir tranquila. Eu cuido dos dois.
Rosalie assentiu e deixou a sala de mãos dadas com Enrico. Desceram juntos os degraus da varanda, deixando que o menino a conduzisse pelo caminho correto. Vez ou outra fazia um carinho na pequena mão junto a sua.
– Tem certeza de que esse é o caminho, filho?
– Tenho, sim, mamãe. Eu já passei por lá com o Logan no outro dia, quando a gente estava brincando.
– Mas você não entrou lá, não é? Não quero que fique muito perto dos cavalos. Eles podem ser bem perigosos se você não tem conhecimento de como lidar com eles.
– A gente só passou na frente. Tinha umas pessoas lá com uma caminhonete e um reboque. Logan disse que estavam levando cavalos pra competição.
– Ah, bom. Continue assim, sendo obediente a mamãe.
– Eu sou.
A mãe beijou a mãozinha dele novamente.
– A mamãe sabe amor.
De onde estavam agora ambos avistaram os estábulos. Scott estava do lado de fora desencilhando um cavalo de pelagem cinza e crina majestosa.
– Olha lá, mamãe!
– Obrigada, amor. Você acertou direitinho o caminho. – O menino olhou pra ela orgulhoso. – Olá, Scott – Rosalie o cumprimentou ao se aproximar.
– Como vai senhora?
– Bem. Obrigada.
– A senhora conseguiu fazer tudo o que tinha pra fazer na cidade? Posso levá-la amanhã de novo se precisar. Só preciso dar uma adiantada no serviço antes.
– Eu consegui, sim. De qualquer forma, obrigada Scott. Consegui um emprego – disse orgulhosa. – Começo amanhã mesmo. E então já não serei um estorvo tão grande por aqui.
– A senhora nunca será um estorvo para o patrão e a família.
– Seus patrões não existem – ela brincou.
– Eles existem, sim, senhora. Senão quem pagaria meu salário – Scott entrou na brincadeira.
– Não precisa me chamar de senhora o tempo inteiro, Scott. Chame-me apenas por meu nome.
– Não posso. Estaria, também, desrespeitando o patrão.
– Como assim?
– A senhora veio pra cá com ele. O patrão falou pra todos os funcionários que era como se fosse também dona dessas terras.
– Ele disse? – sondou incrédula.
Scott terminou de desencilhar o cavalo, deixando a cela sobre um pedaço de tronco. Pegando uma rasqueadeira de borracha, em movimentos firmes, fazendo pequenos círculos nos músculos do cavalo, evitando áreas mais ossudas como o rosto, coluna e pernas. Começando no lado, indo do pescoço à barriga, depois subindo até o traseiro.
– Disse, sim, senhora. E disse também que, pra qualquer coisa que precisar, caso ele não esteja na fazenda, eu tenho que servi-la.
– Obrigada, Scott. Mas, de verdade, não precisa fazer isso.
– Não me sentiria bem se não fizesse assim.
– Ele está lá dentro?
– Está sim. Está cuidando de uma égua que se machucou durante o treino. Ele está na baia quinze.
– Vou até lá falar com ele.
Scott substitui a rasqueadeira por uma escova grossa. Se mantendo sempre ao lado do cavalo, uma das mãos no animal, avisando de sua presença.
Enrico sacudiu a mão presa a da mãe. – Mamãe?...
– Oi, filho?
– Eu posso ficar aqui com o Scott? Eu quero cuidar do cavalo também.
– Eu não sei amor... – disse incerta, olhando para Scott, que agora substituía a escova grossa por uma macia. – Ele pode fazer isso? – perguntou.
– Pode.
– Promete cuidar dele direitinho?
– Pode ficar tranquila, senhora. O menino vai ficar bem.
– Tudo bem. Mamãe vai estar lá dentro, você sabe que qualquer coisa é só chamar.
O menino sorriu, movendo a cabeça em concordância. Com um beijinho na testa, ela se afastou. Mas ainda pôde ouvir Scott dizendo pra Enrico pegar o óleo de emu e borrifar na crina e na cauda do animal para facilitar o processo com o pente.
Deixou-os para trás, conversando um com o outro, enquanto cuidavam do cavalo. Caminhou devagar dentro do estábulo, verificando a numeração nas baias.
Com o sol já se pondo atrás das montanhas, luzes incandescentes estavam acesas lá dentro.
A cada animal que via, gostava ainda mais de viver naquele lugar. O contato com a natureza era uma excelente terapia.
Notou uma das baias abertas e foi para lá que seguiu. O número quinze estava bem ao lado da porta, em uma plaquinha de madeira.
Emmett estava agachado prendendo uma bandagem vermelha na dianteira esquerda do animal.
– Você vai ficar bem, garota – ele repetia, durante o processo. Passou a mão mais uma única vez no local sentindo a temperatura. E, então, ficou de pé.
Rosalie estava parada na porta da baia, com as mãos nos bolsos dos jeans.
– Oi – disse ele, nitidamente surpreso. – Não esperava vê-la por aqui. – Esfregou as mãos uma na outra antes de fechar a caixinha de primeiros socorros.
– Queria falar com você... – ela relanceou um olhar na direção de onde veio. – Enrico me trouxe até aqui.
– Onde ele está agora?
– Ficou lá fora com Scott. Cuidando de um de seus cavalos.
– Isso é bom.
– É, acho que sim.
– Ele parece gostar de cavalos.
– Só não sei se gosto que ele goste.
– Enrico vai ficar bem, Rose. Ele é cuidadoso e esperto.
A égua dentro da baia quinze mexeu uma pata e relinchou em seguida.
– O que ele tem?
– É ela. É uma égua.
– Tem nome?
– Estrela.
– Parece que você é um grande admirador da noite. Seu cavalo favorito se chama Noturno. Essa égua, Estrela. E também já te vi olhando muitas vezes o céu à noite.
– A noite tem seus encantos... – ele murmurou, com os olhos nela.
– Você tem toda razão. Mas o que aconteceu com a Estrela?
– Quando chegamos foram até a sede me avisar que ela havia se machucado durante o treino. Foi uma distensão muscular na dianteira esquerda.
– Você mesmo quem cuidava do machucado dela?
– Sim. Estive na faculdade de medicina veterinária por um bom tempo até conseguir meu diploma. Depois me especializei no Texas.
– Como assim? E você fala isso como se não fosse nada? Você, além de dono de tudo isso aqui, é também formado em medicina veterinária. Como não bastasse, fez também especialização no Texas.
– Minha irmã também é dona de uma parte dessas terras e de tudo o que tem nelas. E a vovó, obviamente.
– Tá, mas, é você quem cuida e administra tudo.
– Faço o que posso pra dar continuidade ao trabalho de meu avô. – Com essas palavras, ele deixou a baia, fechando a porta, com Rosalie chegando um pouco para o lado.
Ela chutou uma sujeirinha no chão com a ponta dos tênis.
– Eu queria mesmo te pedir desculpas pela forma como agi ontem... Por ter saído correndo daquele jeito.
– Você não precisa fazer isso. Foi uma reação natural. Quero dizer que entendo e aceito.
Rosalie permaneceu olhando a ponta dos tênis.
– Antes de começar com as aulas de montaria terei de lhe dar um par de botas – ele brincou, ela esboçou um sorriso.
– Li seu bilhete... – disse por fim.
– Tudo o que escrevi nele é a mais absoluta verdade, Rose.
– A cada dia você me surpreende mais – ela falou em voz baixa.
Ele estendeu a mão livre acariciando uma mecha dourada dos cabeços dela.
– Estarei te esperando pelo tempo que for preciso.
– Emmett...
– Não diga nada... – ele tornou a murmurar. – Não precisa.
– Eu me pergunto quem é você?!
– Eu sou esse cara que você ver – disse com naturalidade, mas havia melancolia em seu olhar.
Aquela tristeza a fez tomar coragem para erguer a mão a ponto de tocar o peito dele. Não pode deixar de notar a inquietude que o gesto lhe causou. E ele havia sentido o mesmo.
– O homem guardado aqui dentro... – sussurrou ela.
Emmett segurou gentilmente na mão que tocava seu peito. Olho no olho. O desejo de fazer tudo dar certo pulsando em cada gota de seu sangue.
– Mamãe – Enrico surgiu no largo espaço entre as baias –, eu posso montar a cavalo?
Rosalie moveu a mão, e Emmett deixou que escapasse de seu toque cautelosamente. Ela olhou para o menino há alguns metros de onde estavam.
– Hoje não. Já está escurecendo. Em outro dia a mamãe deixa.
Scott estava lá agora, bem atrás de Enrico, passando com o cavalo cinza para a baia cinco.
– Scott, você pode levar essas coisas para meu escritório depois?
– Sim, senhor. Apenas vou pôr Cinzento na baia dele.
– Tudo bem. Eu não tenho pressa. – Ele deixou as coisas sobre um banco de madeira ao lado de um monte de feno, e então olhou para o menino. – Enrico, vem cá! – Enrico correu ao encontro dele sem hesitar.
Rosalie ficou surpresa quando o viu pegar seu filho e colocá-lo nas costas.
– Já que sua mamãe não te deixa montar a cavalo, vamos fingir que sou um. – E foi assim que ele começou a trotar feito um cavalo, arrancando risos do menino.
– Vem, Rose! Não vai querer ficar aí, vai?!
Surpresa demais, encantada demais, precisou piscar algumas vezes para ter certeza de que ele estava mesmo brincando daquele jeito com seu filho.
Emmett imitou o som de um cavalo relinchando, arrancando de Enrico uma gargalhada gostosa. Motivada pelo som da gargalhada do filho, Rose também gargalhou. Em seus olhos estava o brilho imutável do amor e da admiração.
Do lado de fora do estábulo, Emmett passou a caminhar normalmente levando Enrico nas costas. Rosalie estava bem ao lado, ainda encantada com sua natureza fácil e dócil.
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