Um Lugar Para Ficar
10 Capítulo 10 – Conhecendo a Nova Escola
Por volta das seis da manhã, Emmett, já bem mais tranquilo, livre de mais uma crise noturna, despertou. Sentiu braços leves envolvendo seu corpo. Seu primeiro pensamento foi deduzir que se tratava da irmã Kate. Mas ao se virar percebeu o equivoco.
Ficou confuso, pois era Rosalie quem o abraçava. A pessoa menos provável, no mundo inteiro, a estar ali.
Desistiu de se mexer, tomando consciência do corpo dela muito perto do seu. Fez de tudo para permanecer na mesma posição em que se encontrava antes. Ainda assim, seu esforço foi em vão. Ela despertou e, envergonhada, tentou se afastar. Num gesto um tanto desesperado, Emmett cobriu o braço dela com o seu, rente ao corpo.
– Não vá... – ele pediu quase em desespero.
Rosalie estremeceu. Contudo, aquele pedido lhe pareceu tão familiar.
– Você acordou – disse ela, constrangida. Imaginando o que ele poderia estar pensando.
– Posso voltar a dormir... – murmurou. – Apenas fique aqui comigo.
– Eu não posso. Amy deve acordar a qualquer momento para mamar.
– Fique comigo apenas mais alguns minutos – pediu num tom de voz que a fez pensar o quanto ansiava por sua presença. O que era diferente pra ela, uma vez que Royce nunca se importou com isso; em estar junto, em dar e receber carinho. Ele buscava sexo apenas, depois a dispensava como se fosse um sapato velho.
– Eu realmente não posso – Rosalie voltou a se explicar. – Ela vai chorar se acordar e eu não estiver por perto. Faz muitas horas que ela está sozinha no quarto. Os garotos não estão na cama com ela.
Emmett permitiu que se afastasse, retirando o braço de cima do dela. E ela se afastou, deslizando o corpo no lençol até a beirada da cama. Movimentando levemente o colchão. O cheiro dele grudado em seu corpo.
Quando já estava de pé ao lado da cama, deu uma breve arrumada na roupa que estava torta e amarotada no corpo. Por fim, passando os dedos por entre os fios dourados, desembaraçando como pôde.
Por mais que quisesse, Emmett não conseguia deixar de olhá-la. Tudo nela o atraia, até mesmo a forma como seus cílios se moviam; algumas vezes pausadamente entregando seu constrangimento.
– Rose... – disse ele, gostando da pronuncia e do som.
Rosalie olhou para ele, como se a sua frente estivesse um anjo. Surpresa. Encantada com a nova forma de ele se dirigir a sua pessoa.
– Posso te chamar assim? Apenas de Rose?
– Iria adorar se fizesse isso. – Ela abriu um largo sorriso, e o peito arfou.
Emmett lhe ofereceu um sorriso antes de voltar a falar.
– Ele não te chamava assim, não é? – Quis saber, muito embora a resposta parecesse clara.
– Jamais. – Foi o que ela respondeu. Em seguida, fez menção de deixar o quarto, mas Emmett chamou sua atenção novamente ao mencionar seu nome na forma abreviada.
– Rose?...
– Sim? – respondeu ela, encantada.
– Porque estava na minha cama? E abraçada a mim?
– Pensei que pudesse ajudar. Sei que isso parece meio estanho... e ... só... por favor, não pense mal de mim.
– Eu tive outra noite ruim? Quero dizer, estive agindo de forma estranha? Agitado?
Ela abaixou o olhar, movendo os olhos, nitidamente constrangida.
– Sim. – Ela mexeu na barra na blusa com a ponta das unhas. – Sua irmã e sua avó também estiveram aqui. – Voltou olhar nos olhos dele. – Só que, eu cheguei antes e elas acabaram voltando pros seus quartos.
– Que bom – ele respondeu.
– Porque diz isso?
– Porque pude sentir você pertinho de mim.
Rosalie tornou abaixar o olhar.
Emmett achou graça de seu comportamento. Desconfiava de que não tivesse tido muitos namorados, apesar de sua beleza fascinante. Ou talvez estivesse tão acostumada aos maus-tratos que não sabia como agir ao receber atenção e cuidado.
Ela voltou olhar pra ele, ainda enquanto afastava uma mecha de cabelos do rosto.
– Vai me contar um dia?... – começou. – O porquê dessas crises? O que o faz tão mal.
– Um dia... – respondeu ele, permitindo que pensasse em sua resposta.
– Estarei esperando – respondeu, e, nesse momento ouviu um chorinho vindo de perto dali, precisamente do quarto que estava ocupando na casa dele. Ergueu o dedo na direção de onde ficava a porta. – Eu não disse – lembrou-o. – Ela acabou de acordar.
– Vá! Cuide dela. Eu vou ficar bem.
– Vou te encontrar na mesa do café da manhã?
Outra vez o sorriso de covinhas voltou a brincar no rosto dele.
– Gostaria que eu estivesse lá?
– Sim. Eu gostaria.
– Então, eu estarei.
Rosalie retribuiu o sorriso e, em seguida, deixou o quarto. Emmett puxou as cobertas, ansioso, encostando ao nariz, aspirando muito lentamente o perfume dela que ficou no lençol. Satisfeito, cobriu-se com ele.
Não iria sair para cavalgar aquela manhã a pedido dela. Ficou contente com essa constatação. Seria capaz de fazer qualquer coisa que pedisse. E o que não pedisse, também.
Permaneceu pensando nela por incontáveis minutos. Pensando no quanto havia sido bondosa se dedicando a cuidar dele aquela noite, quando tinha seus filhos pequenos para cuidar.
Não o tinha achado um louco. Ou se afastado. Preocupara-se com ele verdadeiramente. Ela era diferente de qualquer mulher que passou em sua vida. Ela era especial.
Nunca tinha tido tanta certeza de algo como tinha de seus sentimentos em relação à mulher que acabara de deixar seu quarto, e seus filhos pequenos. Os amavam. E os queria para sempre em sua vida.
[...]
Na sala de estar, Noah acordou dentro do forte feito com cobertores, olhando em volta sem sair do lugar, estranhando o local onde estava. Automaticamente, seus lábios se curvaram em um beicinho.
– Mãezinha...? – chamou. Viu o irmão juntinho a seu corpo, e decidiu cutucá-lo. – Enrico? Rico? Rico. Acorda.
Enrico abriu olhos bem devagar. Os coçou antes de focar a imagem do irmão, com cabelos desgrenhados, bem a sua frente.
– O que aconteceu, Noah? – sua voz soou sonolenta e arrastada.
– A mamãe – o irmãozinho respondeu choroso.
– O que tem a mamãe? Ela está machucada?
Noah balançou a cabeça negando. – Eu não sei onde está a mãezinha.
Assim como Noah havia feito antes, Enrico olhou em volta apenas movendo a cabeça.
– Eu acho que ela está na cama com a Amy. A gente dormiu no forte.
– Rico, me leva lá onde que tá a mãezinha.
– Tá bom. Mas não chore.
Enrico se sentou sobre os edredons que forravam o carpete. Dessa forma pôde perceber Logan e Abby dormindo ali pertinho também. Estendeu a mão ao irmão e, juntos, saíram do forte.
Noah segurava o coelhinho de pelúcia na outra mão. E a todo tempo olhava para Enrico. Seguiram pelo corredor, pisando no assoalho frio com os pezinhos descalços. Cabelos bagunçados e rostinhos amassados.
Encontraram a porta do quarto da mãe entreaberta; empurrando um pouco mais ao passar por ela. Rosalie estava sentada aos pés da cama dando mamadeira pra Amy quando os viu chegar.
– Ei – disse, sorrindo pra eles, lhes estendo a mão.
– Mãezinha – Noah falou contente em vê-la. – Minha mãezinha, você tá aqui. Sua bonitinha.
– Mamãe – murmurou Enrico, sentando ao lado dela, esfregando-se feito um gatinho. A mãe acariciou seus cabelos castanhos e o beijou no alto da cabeça.
Naoh subiu na cama, fazendo o mesmo que o irmão, só que do outro lado. A mãe sorriu, repetindo o mesmo gesto de carinho que havia feito em Enrico.
A caçula afastou a mamadeira da boca, sorrindo para os irmãos, mostrando-se contente em vê-los.
[...]
Algum tempo depois, todos estavam reunidos à mesa para o café da manhã.
Rosalie havia vestido as crianças com as roupinhas doadas por Kate na noite anterior. Inclusive os sapatinhos de Amy, e os tênis dos meninos.
Desconfiava de que a irmã de Emmett tivesse comprado os tênis para Enrico e Noah, apesar de não estarem na caixa e nem com etiquetas. O motivo que a levou pensar assim foi o fato de os tênis serem o número exato que seus filhos calçavam e não terem um único aranhão nas solas.
No dia da fuga, os dois estavam usando sandalinhas papetes. Obviamente, Kate percebeu isso e, em algum momento, longe das vistas de Rosalie, olhou o número nas sandálias de cada um.
Pouco antes de irem à cozinha, Kate deixou algumas mudas de roupas no quarto pra ela também. Rosalie até tentou argumentar, mas, a irmã de Emmett saiu às pressas, alegando que o marido a chamava, não lhe dando tempo para recusas.
Mesmo não fazendo frio, usava um suéter vermelho com uma nova calça jeans. Fez uma maquiagem leve, apenas buscando disfarçar alguns hematomas no rosto e pescoço. Os cabelos permaneceram soltos para ajudar disfarçar as marcas de violência.
Torcia para que tudo em seu corpo voltasse ao normal o mais breve possível. Enquanto isso não acontecia, tentaria disfarçar.
Na casa de Emmett ninguém tocou no assunto pelo menos não em sua presença. Muito embora desconfiasse de que todos eles soubessem sobre quase tudo a seu respeito. Mas não sabia como as pessoas de fora iriam reagir. Ainda mais se tratando de ir a uma instituição de ensino fazer a inscrição das crianças.
Não tinha dúvidas de que muitas perguntas seriam feitas. Desconfianças seriam levantadas. Tudo o que podia fazer era torcer para que a irmã de Emmett intercedesse a seu favor. E que a diretora não fosse um ser humano frio.
– Kate, eu acho que seu carro não vai caber todos. – De repente, Lena tocou no assunto.
– Como assim? – espreitou Emmett.
Lena olhou para ele. – Sua irmã ficou de levar Rosalie e as crianças à cidade para fazer a inscrição dos meninos na escola nova. Foi muita sorte terem conseguido, a essa altura.
Kate abriu um sorriso para o irmão.
Rosalie se viu olhando de um para o outro, com Amy no colo, brincando com uma colher.
– Posso mandar Logan e Abby com o pai – esclareceu Kate. – Garrett vai trabalhar, de qualquer forma. Pode levá-los no carro dele.
– Não tem problemas – Garrett apoiou a esposa.
Emmett sorveu mais um gole de seu café com leite.
Rosalie notou mais uma diferença, mesmo que essa ainda pequena, entre ele e Royce. Royce jamais tomava café com leite. Tinha que ser sempre puro e amargo.
– Não vai ser necessário – disse Emmett por fim. – Pode deixar que eu mesmo me encarrego de levar Rose e as crianças até a cidade.
Rapidamente todos notaram sua nova forma de se dirigir a Rosalie. No entanto, apenas os adultos demonstraram interesse nisso.
Já Rosalie, sentiu uma súbita agitação ao ouvir seu apelido sendo pronunciado por Emmett outra vez. Tornando difícil conter o sorriso que curvou seus lábios no mesmo instante. Tentou disfarçar, olhando Noah cobrir uma fatia de pão com pasta de amendoim. O garoto lhe sorriu, depois voltou à atenção a fatia de pão, levando-a a boca logo em seguida.
Deixou que o sorriso ganhasse vida em seu rosto, no momento em que se curvou para beijar as bochechas de Noah. Amy aproveitou para enfiar a mãozinha no pão que o irmão segurava, trazendo de volta toda suja de pasta de amendoim, pondo na boca. Seu rostinho se contorceu em uma careta. As outras crianças à mesa sorriram de sua carinha de asco.
Rosalie sentiu dó, sabia que a filha detestava pasta de amendoim. Rapidamente tratou de limpar sua mãozinha num guardanapo.
Voltando ao assunto da carona, Lena incentivou.
– É uma ótima ideia meu neto levá-los.
– Por mim tudo bem – afirmou Kate.
– Rose? – a voz de Emmett foi ouvida outra vez.
Rosalie olhou para ele. A essa altura, desconfiava de que Garrett também já estivesse sabendo de sua ida ao quarto de Emmett durante a madrugada. E, embora não tivesse feito nada além de cuidar dele, sentiu-se envergonhada.
– Tudo bem se eu levar vocês? – prosseguiu Emmett.
– Eu nem poderia recusar – ela admitiu, com o rosto queimando.
– Mãezinha. Mãezinha. A gente vai sair com o carro do Emmett? – quis saber Noah.
– É mamãe, a gente vai? – Esse foi Enrico, se mostrando bastante interessado também.
A mãe olhou os dois enquanto lhes respondia.
– Vamos. Vamos, sim.
Os garotos sorriram, exibindo os dentinhos pequenos, todos de leite ainda.
Ela voltou olhar pra Emmett, com uma expressão suave e um sorriso no rosto.
– Eles adoram sair no seu carro.
Emmett focou no sorriso dela, admirando os dentes perfeitos. A forma como seus lábios se moviam, e a pinta localizada logo acima deles.
Discretamente, no outro lado da mesa, Kate cutucou as costelas do marido. Garrett imediatamente olhou para aquilo que a esposa queria que olhasse; Emmett fascinado com cada gesto de Rosalie, por menor que fosse.
Lena tinha um sorriso gigante, e um tanto presunçoso, no rosto.
– E eu adoro que eles e a mãe estejam comigo em meu carro. – Foi essa a resposta que Emmett deu.
Rosalie outra vez desviou o olhar, envergonhada. Há muito tempo não era tratada assim; com tanta atenção, cuidado e boa vontade. O modo como Emmett a olhava, de repente, lhe fazia sentir-se como se voltasse à adolescência. Quando ainda estava se descobrindo mulher.
Estavam deixando a mesa, quando Kate voltou a falar.
– Espera! Acabei de lembrar que ainda tenho guardada a cadeirinha de quando Abby era menorzinha. Não vão ainda. Vou buscar pra Amy. Emmett pode pôr no carro dele. Esperem aí, que já volto. – Apressou-se em deixar a cozinha, seguindo o caminho que levava aos quartos.
– Ela é lilás com cinza, e é muito bonitinha – comentou Abby. – Amy vai adorar ela. Mamãe disse que eu gostava muito de ficar sentadinha nela. E que às vezes nem queria sair.
Rosalie afagou o rostinho macio de Abby. – Obrigada, gatinha, por ceder sua antiga cadeirinha a minha bebê. Tenho certeza de que Amy vai, também, gostar muito.
Kate retornou trazendo a cadeirinha segundos depois.
– Lamento não ter uma disponível pro Noah – disse.
– Ah, tudo bem. Já fico feliz em ter emprestado essa pra Amy.
– Não estou emprestando, Rosalie. Abby e eu estamos dando de presente pra Amy.
A garotinha loura pulou na frente de Rosalie. – É um presente – disse, abrindo um largo sorriso de dentinhos pequenos.
[...]
Do lado de fora da casa, Emmett tinha acabado de prender a cadeirinha ao assento traseiro da caminhonete. Deixando posicionada bem no meio.
Esperou que Rosalie pusesse a filha sentadinha nela, para então ajudar os meninos a subir na caminhonete e pôr o cinto de segurança.
Ao olhar a mãe das crianças, percebeu que ela o olhava. Embora as crianças conversassem no banco de trás, teve a impressão de que Enrico também o observava.
Garrett foi o primeiro a deixar a propriedade aquela manhã. O carro de Kate seguiu logo atrás do dele, levando Logan e Abyy no banco de trás. A menina na cadeirinha adequada a sua idade.
Emmett e Rosalie se apressaram em entrar na caminhonete. Em pouco tempo, o carro estava em movimento. Os dois cães da raça golden retriever os acompanharam até o arco de pedras onde estava localizada a placa com os dizeres Recanto dos Ursos. As crianças ficaram encantadas, esticando-se no assento para ver melhor a correria dos cães.
Lena ficou na varanda, com um sorriso estampado no rosto. Não demorou, um funcionário da fazenda subiu os degraus de entrada, retirando o chapéu de couro da cabeça, ainda enquanto a cumprimentava.
[...]
No estacionamento da escola primária. Crianças chegavam por todos os lados. Algumas em ônibus escolar, outras de carro com algum familiar.
O olhar atento de mãe, não deixava passar um único detalhe. Pensando, no quanto seus filhos poderiam ser felizes ali. Fazer novas amizades. E, com sorte, permanecerem no mesmo ambiente de ensino até que tivessem idade suficiente para frequentar a escola secundária.
Noah e Enrico olhavam tudo em volta. A expressão em seus rostos indicando gostar do eu viam. A mãe percebeu o momento em que os dois trocaram olhares, abrindo um sorriso. E isso bastou para ter a certeza de que ali era o lugar ideal pra eles estudarem.
Kate despachou os dela pra sala de aula. E eles se despediram de todos antes de partirem, de mãos dadas.
Rosalie achou uma graça. E muito rapidamente pensou em Enrico e Noah, andando de mãos dadas com Amy nesse mesmo ambiente de ensino algum dia. Tinha um sorriso singelo nos lábios, quando percebeu que Emmett a olhava.
– Eles são uma gracinha – disse ela, por fim.
– Só espero que continuem assim quando chegarem à adolescência – Kate confessou.
– Ah, mas, não tenho duvidas – acrescentou Rosalie. – Eles são muito bonzinhos. Você e Emmett brigaram muito na adolescência? – Quis saber, de repente muito curiosa.
– Nunca – Emmett foi quem respondeu primeiro. Aproveitando para chegar mais perto da irmã, plantando um beijo afetuoso nos cabelos louros, bem no alto da cabeça.
Seu gesto fez Rosalie abrir um pequeno sorriso.
– Posso apostar que Logan e Abby seguirão o exemplo – ela voltou a dizer.
Dessa vez foram os irmãos a abrirem um sorriso, satisfeitos por sua conclusão.
– Emmett, você não precisa ficar aqui esperando? – Rosalie tentou livrá-lo da chatice de ter que esperar. – Você deve ter outras coisas para fazer.
– Não tenho nada pra fazer. Nada que não possa esperar. Fique tranquila, nada disso me incomoda.
Seguiram caminhando em meio a tantas crianças a caminho da diretoria. Ao final de um extenso corredor, deparam com uma porta escura onde havia uma placa no alto indicando ser a sala da diretora.
Nos dois lados do corredor havia bancos de madeira. No canto esquerdo, um bebedouro de água mineral. E também uma mesinha com um vaso de flores.
– Eu fico aqui com os garotos enquanto vocês resolvem o que tem que resolver lá dentro – Emmett avisou.
Rosalie olhou para os filhos. – Vocês esperam pela mamãe aqui com o Emmett?
Os dois garotos concordaram movimentando a cabeça. A mãe passou a mão nos cabelos de cada um deles, como que não querendo deixá-los pra trás.
– Rose, vai tranquila, não sairei do lado deles em momento algum – Emmett garantiu.
Ela concordou meneando a cabeça devagar.
Kate bateu à porta. Segundos depois alguém a abriu. Rosalie olhava para Enrico e Noah quando a porta foi fechada atrás de suas costas pelas mãos da mesma pessoa que a abriu.
– Mãezinha... – Noah lamentou, olhando para porta agora fechada.
– Ela volta daqui a pouco, campeão. – Emmett estendeu a mão para Noah. E ao segurar em sua mão pequenina, notou Enrico se afastando. O menino acabou sentando no chão, encostado a porta da sala da diretora. – O que está fazendo, Enrico? – pediu, preocupado. Estranhando a atitude do menino.
– Esperando a mamãe. – Essa foi a resposta natural do garoto.
– A mamãe vai ficar bem – disse-lhe para tranquilizá-lo. – Kate vai estar lá dentro com ela. – Ele chegou um pouco mais perto do menino, estendo a mão. – Vem! Levanta daí. Venha sentar comigo e seu irmão ali no banco.
Enrico olhou para ele, curvando o pescoço pra trás, chegando encostar o topo da cabeça à porta. Nessa posição, Emmett parecia ainda muito maior do que era.
– E se a mamãe precisar de ajuda? – O menino parecia aflito, imaginando que algo pudesse acontecer a ela.
– Nós vamos estar bem ali – disse, olhando de Enrico para o banco localizado próximo a porta da sala da diretoria, encostado a parede.
– Vai me ajudar proteger a mamãe?
– Não só a sua mamãe. A você e a seus irmãos também.
–Tá – Enrico respondeu. Sentindo-se um pouco mais confiante, aceitou ficar de pé. A mão pequena desaparecendo na palma da mão do homem que os ajudava.
Emmett os guiou até o banco para que sentassem juntos. Mesmo assim, despois de sentados, nenhum dos garotos desviou o olhar da porta com a placa que dizia ser a diretoria.
– Você não é como ele – Enrico o surpreendeu. – Você faz a mamãe sorrir.
Enternecido, Emmett afastou os cabelos castanhos do menino dos olhos.
– Prometo, aos dois, me esforçar para sempre fazer a mamãe de vocês sorrir.
– Você nunca vai fazer um dodói na mamãe, nem na Amy, no Rico e nem em mim? – Noah arriscou.
– Eu juro nunca fazer um dodói em nenhum de vocês.
Mais uma vez Erico o surpreendeu. O garoto ficou de pé, e, em seguida, passou os bracinhos machucados e torno do pescoço de Emmett, que retribuiu com um sorriso no rosto, as covinhas cheias de ternura. E quando se deu conta, Noah fazia o mesmo.
Emmett os colocou no colo, um em cada perna. Depois beijou seus rostinhos.
Noah encostou a mãozinha no rosto dele, na fina camada de barba por fazer.
– Você promete que nunca vai rasgar a roupa da minha mãezinha?
– Prometo. Prometo nunca fazer nada que humilhe ou machuque a mãezinha de vocês.
Sossegado, Enrico encostou a cabeça no peito largo de Emmett. E o irmão, Noah, abriu um sorriso de covinhas semelhantes às dele.
A porta da diretoria foi aberta outra vez. Enrico e Noah rapidamente olharam naquela direção. Rosalie foi a primeira a aparecer. E seu olhar muito rápido encontrou os meninos. Se apaixonando, inexplicavelmente, pela cena que viu: Enrico, o filho mais velho, seu grande companheiro, no colo de Emmett. Dos três filhos, ele foi o que mais sofreu. Também era o que mais se parecia fisicamente com o homem que o maltratava. Noah sorria. Ambos demonstrando estar em paz, recebendo a atenção e cuidado que nunca tiveram de Royce.
– Perdi alguma coisa? – Rosalie conseguiu, por fim, falar.
– Estávamos conversando – Emmett respondeu, olhando de Enrico para Noah e então para ela.
Os dois garotos saltaram de seu colo, correndo ao encontro da mãe. Cada um abraçando de um lado do corpo dela.
– Bom – interrompeu Kate. – Eu preciso ir pra minha sala de aula, do contrario, as ferinhas irão destruí-la. Depois te ajudo com o que falta, Rose. Aliás, posso também de chamar apenas de Rose, não posso?
– Mas é claro que você pode Kate – concordou demonstrando gostar que a chamassem assim. – E obrigada por me ajudar aqui. Sem você não sei o que teria feito.
– Perfeito! – Bom, eu vou indo então. Vejo vocês mais tarde. Tchau crianças.
– Tchau – Noah e Enrico disseram ao mesmo tempo.
Amy mexia a mãozinha roliça sinalizando um tchau, enquanto balbuciava:
– Tá, tá, tá – se curvou no colo da mãe, olhando pros irmãos. – Tau! – disse.
Emmett, Rosalie e as crianças iniciaram a caminhada refazendo todo o trajeto de volta ao carro, no estacionamento.
– Então, conversavam sobre o quê? – ela pediu.
– Sobre proteger a mamãe – disse Emmett, apenas. Em seguida, olhou de Rosalie pros meninos e novamente para Rosalie deparando-se com olhos marejados. Atreveu-se encostar a mão no rosto dela, fazendo um afago com o polegar direito. Sentiu que ela retesou imediatamente ao seu toque. Afastou a mão, e muito rapidamente ela tratou de pôs os óculos escuros outra vez.
– Então – voltou ele a falar –, conseguiram fazer a inscrição dos meninos.
A mudança de assunto pareceu dar a ela um pouco mais de segurança.
– Sim. Eles já podem começar a frequentar as aulas manhã mesmo. – Um sorriso curvou seus lábios, com a segurança que aquela confirmação trazia. Esse era o primeiro passo, para a longa jornada, de uma nova vida, se assim Deus permitisse.
– Já é amanhã, mãezinha, que a gente vem com a Abby e o Logan? – Noah foi logo querendo saber.
– Já é amanhã, mamãe? – Enrico também quis saber.
O sorriso que a mãe abriu, não chegou aos seus olhos. Não soube o que dizer. Sim, eles poderiam começar frequentar as aulas amanhã mesmo, no entanto, não tinha dinheiro para o material escolar. Muito menos para o uniforme.
Embora evitasse olhar para Emmett naquele momento, ele capturou a essência do constrangimento e tristeza em seus olhos âmbar.
– Me dá a lista – ele pediu, com a mão estendida em frente ao corpo.
– O quê?
– A lista de material escolar das crianças.
– De forma alguma – ela se recusou arredia.
– Eu só quero ver, por favor.
Ela pegou a lista de matérias no bolso da sacola de Amy, entregando na mão dele. Só que Emmett não fez como tinha comentado, em vez disso enfiou a lista de material dentro do bolso dos jeans.
– Emmett, não – ela rapidamente recusou. Até quis enfiar a mão no bolso dele e pegar ela mesma a lista, mas não se atreveria a algo tão intimo.
Ainda existiam as fagulhas do medo que sentiu durante toda a vida de casada. Durante esse tempo jamais tentou algo como retirar na marra qualquer que fosse o objeto do bolso do marido. Certamente Royce lhe quebraria os dedos das mãos se assim o fizesse.
– Você não tem que fazer isso – ela tornou dizer. Mas tudo o que ele fez foi se curvar pegando os garotos no colo, os dois ao mesmo tempo, um em cada braço. Abrindo um sorriso arrebatador pra ela.
Rosalie meneou a cabeça, inconformada. Limitando-se a segui-lo pelo resto do caminho até o carro, no estacionamento da escola.
Assistiu ele pôr seus filhos dentro da caminhonete. Os meninos sorriam para ele, como se fosse a coisa mais legal no mundo. Somente depois de ele sair do caminho, ela pôs Amy de volta na cadeirinha.
– Aceite isso como um empréstimo – ele encorajou, enquanto abria a porta do carona para ela entrar.
Ela não se moveu, olhando para ele.
– Emmett...
– Por favor, Rose, me deixe fazer isso.
Ele a viu entrar no carro, estalando a língua em desacordo. Fechou a porta, e passou rápido pela frente do carro, acomodando-se em seu assento ao lado dela.
– Aceite – ele voltou a pedir.
Rosalie suspirou. Vendo que realmente não teria outra opção a não ser aceitar, pelos filhos. Para que pudessem voltar a frequentar a escola o quanto antes.
– Só se me prometer aceitar de volta todo o valor que for gasto. É sério, Emmett. Você já tem feito muito mais do que deveria.
Estava com as mãos no volante ao voltar olhar pra ela.
– Se isso te deixa mais tranquila.
– Sério. Sinto como se explorasse você e toda sua família. E isso me faz mal.
– Mas não deveria. – Ele girou a chave na ignição, fazendo o motor da caminhonete roncar algumas vezes antes de finalmente começar se mover. – Agora todos vocês são parte da família.
– Apesar de seu bom coração. E da forma como vem tratando a mim e a meus filhos, não passamos de estranhos vivendo na sua casa.
– Isso é você quem diz, Rose – respondeu, escondendo o mau humor que foi causado com a resposta dela.
No banco de trás, Noah e Enrico, faziam comentários a respeito da escola nova.
Mesmo que ainda falasse com Rosalie, Emmett estava atento a tudo o que falavam, para que nunca nada do que precisassem pudesse lhe passar despercebido.
Amy ameaçou chorar ao perder a chupeta no carro. Rosalie se virou para trás, pedindo aos meninos que ajudassem a procurar pelos bancos. Mas foi a própria Rosalie quem encontrou, embaixo da perninha dela.
Emmett olhou muito rápido pras costas de Rosalie. E olhando novamente pra frente, voltou a falar.
– Encontrou?
Ainda de costas pra ele, ela respondeu:
– Sim. Nem chegou a cair no chão. Estava embaixo da perninha dela mesmo.
– Pepê, mamã.
Amy balbuciou olhando da mãe para a chupeta cor-de-rosa.
– É, amor, mamãe achou sua pepê.
Amy sorriu o sorriso mais doce de todos, dividida entre olhar pra mãe e pra sua chupeta. E então agarrou a chupeta com as duas mãozinhas levando-a a boca.
A mãe lhe soprou um beijo e a pequena se jogou de lado ainda sorriso, mesmo de chupeta na boca.
Emmett os assistia pelo espelho retrovisor. Se recusando a esconder o sorriso de covinhas.
Estacionava em frente à papelaria, quando Rosalie se apressou em retirar o cinto de segurança que a prendia.
– Acho que chegamos – ela constatou.
– Vamos lá! – Emmett falou animado. – Vamos escolher o material para vocês irem à escola amanhã?!
– Obá! – Noah vibrou.
Enrico abriu um sorriso, pensando na nova escola. Nos novos amigos que faria.
Ambos se puseram fora do carro e foram ajudar as crianças.
Apenas alguns minutos depois, Emmett estava com a lista de material na mão, falando com a atendente da papelaria. A moça alta, de cabelos escuros e pele negra, rapidamente se encarregou de pegar todo o material pedido na lista das duas crianças, deixando sobre o balcão para que escolhessem o que mais agradasse.
Emmett esperou que ao menos as mochilas, lancheiras e cadernos fossem escolhidos por eles, mas nenhum dos garotos saiu de perto da mãe. Ou disse qualquer palavra.
– Não querem escolher os cadernos e a mochila?
Enrico e Noah olharam pra mãe.
– Tudo bem, vocês podem ir escolher. Mas apenas os cadernos. Ainda podem usar a mesma mochila, elas estão em bom estado. Quando encontrarem, chame a mamãe pra pegar na prateleira.
– Tá – os dois responderam. E saíram andando pelos corredores da papelaria a fim de escolher o que mais agradasse.
A atendente precisou se ausentar um instante, para buscar alguns mateias que estavam disponíveis apenas no estoque.
Emmett olhou das coisas no balcão para os meninos andando pela loja e então para Rosalie.
– Eles nunca pendem nada? – Por trás de sua pergunta havia um sentimento de pesar.
Rosalie olhou para os filhos. Amy estava distraída em seu colo com a chupeta.
– Não fora de casa. Nem na frente de outras pessoas. Eles têm medo do que pode acontecer depois.
– Mas isso não é certo, Rose. Mesmo que ainda possa parecer educado pra algumas pessoas. Eles são crianças. Toda criança uma hora há de fazer isso, mesmo que levem uma bronca depois.
– Royce os fez serem assim. Quando saíamos para fazer compras e os garotos pediam algo que ele não queria dar, a primeira coisa que fazia quando chegávamos em casa era bater neles. Na verdade, ele nunca queria dar muita coisa. Eu era quem comprava, com o dinheiro dele, claro. Só que, na maioria das vezes, tirava dele escondido. Você pode até achar que era roubo. Mas não vejo assim. As crianças também eram responsabilidade dele. Tudo o que fiz foi por elas. Nunca por mim.
Emmett encostou a mão no braço de Rosalie, e Amy tratou logo de brincar com ela.
– Ele nunca mais vai fazer isso – garantiu, vendo a pequena Amy mexer em sua mão. Presenciou a tristeza nos olhos da mãe da criança ceder espaço a confiança.
Rosalie iria falar algo, mas a atendente retornou ao outro lado do balcão com as coisas que faltavam. Ambos se voltaram para a moça a fim de ver o que tinha trazido. Mas Noah chamou pela mãe.
– Mãezinha. Mãezinha. A gente já achou um bem bonito. Bem ali. Rico tá esperando. Vem, mãezinha! Vem pegar pra gente.
Ela olhou para Emmett. – Eu vou até lá pegar pra eles.
– Sem problemas. Ainda estarei quando voltar.
Quando se juntou ao filho, ele levou a mão pequenina ao bolso de sua calça jeans. E caminharam desse jeito até onde Enrico estava.
– Já escolheu filho?
– Já, mamãe – Enrico respondeu.
– Mostra pra mamãe qual foi o que você e seu irmão mais gostaram?
O menino esticou o braço na frente da prateleira, sem chegar de fato encostar a mão nos cadernos. Noah não resistiu e pulou na frente para mostrar o seu.
– Olha aqui mãezinha. Que lindo. Gostei muito desse.
O que Enrico mostrou era do Ben 10. E Noah, carros Disney.
– Mãezinha está vendo, amor – ela respondeu.
Eram cadernos pequenos em capa dura. Rosalie pegou dois pra cada, no tema que escolheram, porém, com estampas diferentes. Entregando em suas mãozinhas ansiosas.
Voltou para perto do balcão com os dois andando em sua frente, satisfeitos.
A atendente já registrava as compras, quando os meninos entregaram os cadernos nas mãos de Emmett.
Noah gargalhou quando Emmett entregou em sua mão um livro de colorir. E outro na mão de Enrico.
– Eu queria muito um desses – disse Noah, animado. Abraçou o livro, e virou para ver a mãe. – Olha mãezinha, que Emmett deu pra mim. – Ele gargalhou. E seus olhinhos azuis estavam brilhando feitos joias preciosas naquele instante.
Enrico, embora um pouco mais tímido, também foi mostrar o seu a mãe.
– Agradecem a ele – ela pediu. O sentimento de felicidade que aquilo lhe causou, foi muito maior que nas crianças.
Com os livrinhos de colorir em mãos, Enrico e Noah se puseram de frente a Emmett.
– Obrigado – disseram ao mesmo tempo. O pescoço inclinado pra trás, olhando felizes no rosto dele.
Deixaram a papelaria com um Emmett carregado de sacolas, levando o material escolar das duas crianças.
Rosalie até pediu a nota, mas ele se recusou terminantemente a entregá-la.
Fale com o autor