Um Litten de Alola
1 Capítulo Único
Notas iniciais
— Estou indo!
Gritou Satoshi eufórico para mais um dia de aula na Escola Pokémon. E seu Pikachu, como de costume, estava em seu ombro. Logo atrás flutuava o seu Rotom Dex, Pokédex encontrado exclusivamente em Alola.
A sua caminhada é interrompida quando ele percebe que havia um gatinho o olhando fixamente.
— Esse é um Litten! — Disse Rotom Dex.
Satoshi sorriu.
— Então é um Litten, nós já o vimos várias vezes desde que chegamos, certo Pikachu?
— Pika! — Pikachu confirmou.
Rotom Dex, então, começou a descrever o Litten.
— Litten,o pokémon felino de fogo, do tipo fogo. Ele gosta de ficar sozinho e não mostra sentimentos. Precisa de tempo pra ganhar sua confiança.
Enquanto ele explicava, Litten desceu do muro em que observava Satoshi, e passo a passo direcionou-se ao mesmo.
— O que houve? — Perguntou o garoto com um sorriso no rosto.
O felino, então, começou a se esfregar nos joelhos dele.
— Está com fome? — Tirou algo de sua mochila sem sair de sua posição — Este é o meu almoço de hoje.
Abriu a tampa do pote.
— Tatan! Sanduíche de Koroke!
Tirou um pedaço dele afim de oferecer ao Litten.
— Vamos, é delicioso! — Aproximou o pedaço do sanduíche ao pokémon.
Porém, Litten era esperto. Olhou ligeiramente para o sanduíche maior e pulou nele. Em seguida, ele começou a correr. Satoshi pegou a sua calda afim que ele parasse mas acabou levando várias arranhadas (movimento conhecido como "Scratch" no mundo Pokémon). Rotom Dex também tentou pará-lo, mas resultou em outra falha.
Litten continuou a correr por diversas ruas, até que acabou se encontrando com um infeliz Persian na forma da região de Alola. Esse Persian tenta intimidar Litten, e logo em seguida rouba o seu sanduíche. O felino de fogo, que não se intimidou, lança chamas em direção ao Persian, mas o pão acaba virando cinzas. O pequeno Pokémon se entristece, e logo é expulso pelo maior.
***
Enquanto isso, Satoshi conta aos seus colegas de classe sobre o acontecimento de manhã, que envolveu Litten e o seu delicioso sanduíche.
— Ah, este Litten, você já havia visto ele? — Pergunta Mao, garota morena de cabelo verde.
— Conhece ele? — Pergunta Satoshi enquanto arruma sua mochila.
— Pika. — Diz Pikachu curioso.
— Ele sempre vem pedir comida. Ele é tão fofinho...
Diz Mao que se aproxima de Suiren com uma face apaixonada.
— Acabo lhe dando comida. — Diz Suiren.
— Foi assim que ele me enganou! — Mostra o pequeno pedaço de seu sanduíche que sobrou com uma cara chorosa — E agora meu sanduíche de Koroke...
— N-Não pode ser... Litten fez isso? — Pergunta Lillie.
— É verdade... — Ele afirma depressivo.
— Ele está sempre sozinho, certo? — Comenta Suiren.
— Litten não gosta que lhe deem carinho... — Explica Sophocles — Ele não tende a se acostumar com os treinadores, mas é um pokémon com bastante caráter!
— Então é difícil de se criar... — O Satoshi murmura.
— Acho que ele é o típico pokémon solitário! — Diz Mao. — Embora sempre apareça no nosso café.
— Eu também já o vi roubando coisas no mercado. — Fala Kaki que estava ao lado dela.
— Mas ele é tão lindo, é difícil odiá-lo!
— E o que você quer fazer com este Litten, Satoshi?
— Vou pegá-lo! — Diz com determinação — Não deixarei que ele coma minha comida!
— Pikachu. — Pikachu parecia preocupado.
— Pegá-lo? Como? — Pergunta Lillie.
— Hã? Como? É-É...
Ele pensa por alguns segundos, até que chega em uma conclusão.
— Com isso aqui! — Mostra uma pokébola a todos.
— Êeeeeh! — Todos ficam surpresos.
***
Então, Satoshi e o professor Kukui decidem fazer algumas compras no mercado. Para a surpresa do garoto, ele vê Litten correndo para a sua direção oposta, e decide ir atrás dele. Rotom Dex decide ficar para trás para explicar a situação ao professor.
— Espere! — Diz Satoshi correndo atrás dele.
Depois de muito correr, ele se cansa e pergunta para si mesmo.
— Onde ele está?
— Olá, seja bem-vindo. — Uma senhora que estava em uma tenda diz a ele.
— É... eu e o Pikachu estávamos procurando por um Litten. — Ele olha para baixo e se surpreende. O Litten estava logo à sua frente comendo algo em um prato. — Aí está!
Os dois se encaram raivosamente.
— Não fique tão irritado. — A senhora oferece uma berry ao Litten.
— H-Hã, você vai dar isso a ele!?
— Em Alola, os presentes da natureza devem ser compartilhados.
O felino pega a fruta e vai embora. E logo em seguida, o professor chega e se junta a Satoshi.
— Esse Litten vem bastante aqui? — O Kukui pergunta à senhora.
— Sim, como se fosse sua casa. Será que ele se preocupa comigo? É por isso que eu sempre dou uma fruta a ele.
Os três vêem ele partir.
— Ele por acaso te roubou comida, garoto?
— Isso mesmo! Meu sanduíche de Koroke! — Afirma ele com raiva.
— Vou te fazer outro, Satoshi. — Diz o professor.
A mercadora continua a falar sobre o misterioso pokémon.
— Não sei onde ele vive. Mas ele não é um menino malvado.
***
Litten já estava longe.
Ele entra em uma velha mansão coberta por plantas e deixa a sua berry em cima de uma caixa. Ao lado dela, estava um Stoutland aparentemente não muito saudável.
Litten o acorda e o encara sorridente.
Stoutland empurra a fruta, mas Litten insiste.
O enorme cachorro, convencido, começa a comer a berry, e isso deixa o felino imensamente feliz.
Já de tarde, Stoutland começa a ensinar o seu companheiro a lançar chamas.
A primeira tentativa de Litten não foi muito boa. Scoutland decide mostrar a ele a maneira certa de se rugir. O gato, determinado, tenta novamente. E assim, eles ficam treinando a tarde toda.
E de noite, Litten teve um infeliz pesadelo. Ele caminhava sozinho, e alguns fantasmas o assombravam. Caído no chão, ele vê a luz do dia nascer, e logo é resgatado por Stoutland. O gatinho estava alegre. Porém, de repente os dois caem em um abismo. Scoutland se encontra no chão, e não parece acordar. Litten miava em total desespero.
Ele acorda assustado, porém percebe que o Scoutland dorme ao seu lado, e, aliviado, ele volta a dormir.
***
Outro dia nasce, e Satoshi está ainda mais determinado para capturar o felino de fogo.
— Até mais! — Se despede dos seus colegas de escola.
No caminho, ele é pego desprevenido por um combate entre Litten e um pokémon estranho.
— Hã, Litten? — O pokémon estava com uma fruta na boca.
— Pika!
— Rotom, quem é esse pokémon? — Dizia ele olhando para um gato grande e violeta.
— É um Persian!
— Persian? É diferente do que eu conheço.
— O que você conhece é esse... — Ele mostra a imagem do Persian bege — Mas sua forma Alola é esta... — Ele mostra a imagem do Persian violeta.
A atenção deles volta ao conflito.
— O Persian de Alola é do tipo Dark (escuridão), então ele pode ser sinistro e malvado.
— O que disse? Então ele...
O Persian continua a intimidar o Litten. E Satoshi, impulsivo como sempre, pula até o lugar para salvá-lo.
— Pare com isso!
O Persian usa o Scratch em seu adversário.
— Litten! — O Satoshi grita — Ei, não precisa fazer isso só por causa de uma fruta, certo?
Sem se importar, ele usa Psybeam no Satoshi e no Pikachu.
Litten tenta aproveitar essa situação para escapar, mas Persian o encurrala.
— Pikachu, use Electro Ball! — Satoshi ordena ao seu Pikachu.
O Persian esquiva, então o garoto pede para o Pikachu usar outro movimento.
— Thunderbolt!
Dessa vez ele acerta em cheio, e o pokémon sai correndo.
O treinador fica cheio de si. E ao olhar para trás, percebe que Litten está muito danificado.
— Você está bem, Litten?
— Litten está com danos de 90%. — O Rotom Dex analisa.
Ei Litten, não se esforce tanto! — Pois ele continuava a caminhar com a fruta.
Satoshi tenta pegá-lo, mas ele não permite.
— Litten, vamos juntos ao Centro Pokémon...
Ele pega o pokémon no colo, mas ele começa a se chacoalhar e volta ao chão. Logo que volta ao chão, ele tenta soltar chamas no Satoshi, mas ele estava fraco demais para isso.
O Pikachu tenta convencê-lo. Mas ele não aceita.
— Litten...
Satoshi e Pikachu o encaram tristes.
Litten quase desmaia. Ele tenta pegar a fruta, mas não consegue.
— Eu sei, é seu né.
O treinador empurra para ele. Ele a agarra ferozmente.
— Não vou tomar de você... Mas, não posso te deixar aqui.
Ele o agarra na força e pede para que Rotom carregue a fruta.
***
Era outro final de tarde, e Litten já havia sido tratado. Ele estava com um cone (nomeado no mundo Pokémon de protetor Heliolisk).
— Você ficou legal, Litten!
Ele vira o rosto.
— Agora é sua vez, Satoshi-kun. — Diz a Enfermeira Joy — Sei que ele te arranhou.
— Hã... É verdade, estou muito mal! — Ele repara as suas feridas.
Nesse momento, Litten pega a fruta e tenta escapar. Porém, dessa vez ele não consegue, pois, devido ao protetor Heliolisk, ele acaba não conseguindo passar em uma grade.
— Já chega! — Diz Satoshi nervoso — Me escute, não se mexa. Senão vai se machucar de novo.
Assim, ele leva o pokémon à sua casa, e explica toda a situação ao professor.
— E por isso você o trouxe aqui? — Ele pergunta.
— Ele pode ficar pelo menos essa noite? Por favor.
— Por outro lado, Satoshi, você está... — Ele repara em seus machucados.
— Isso não é nada mais que arranhões. — Ele sorri para o felino que segurava no colo.
***
Todos já estavam prestes a dormir, mas Pikachu aponta o Litten para o Satoshi, pois ele parecia estar muito incomodado com o cone.
— Vou te soltar. Mas não lamba nada. — Ele o tira.
O gatinho se chacoalha feliz.
— Melhorou?
Ele mia.
— Muito bem... — Satoshi o pega e o deixa entre suas pernas — Fique calmo.
Eles ficam por um breve momento em silencio.
— Você... Eu não sei o que aconteceu com você, mas... Poderia acreditar um pouco mais em nós? É incrível que você se esforce tanto sozinho. A vovó do mercado... Te apoia bastante. Seu ataque com fogo... foi bem forte.
Litten e Pikachu adormecem.
— Boa noite, Litten.
***
Todos já haviam dormido — o professor e o Satoshi babavam feito crianças. Litten, que esperava por esse momento desde o princípio, se levantou, pegou a fruta e começou a roer a porta afim de sair.
Satoshi e Pikachu acordaram ainda sonolentos.
— Sim, sim... eu vou abrir...
Abriu para Litten.
— Litten!?
Começou a seguir o mesmo, que carregava a fruta em sua boca.
— Aonde você vai?
— Para se recuperar, o melhor é estar descansando e não se mover. — Rotom Dex dá um sermão no pokémon.
Os três — Satoshi, Pikachu e Rotom — continuam o seguindo, até que se encontram em uma casa abandonada.
Ao chegar lá, eles se deparam com um Stoutland. Litten dá a fruta a ele. Ele a come, e o felino se alegra.
— Um Stoutland?
Litten ruge para eles.
— É bastante velho...
Satoshi se aproxima dos dois pokémons.
— Você roubava comida para este Stoutland? — Ele se agacha, e encara o Scoutland. — Sinto muito por ter chegado tarde... Stoutland... Ele batalhou e se feriu um pouco... E ele dormiu na minha casa. — Agora encarava Litten — Litten, eu pensava em te capturar mas... Acho que vendo isso... Vou me render. — Sorriu envergonhado.
Se levantou.
— É melhor eu ir embora, senão o professor vai se preocupar. Ah, outro dia trarei comida. Posso vir de novo, certo Litten?
De repente, todos ouvem alguns barulhos estranhos.
— O que é isso?
— Algo está se aproximando! — Diz Rotom.
— Hã?
Ele olha para cima e vê nos vitros da casa o Persian que intimidava o Litten mais cedo. O pokémon malvado pula para o chão.
— O Persian de Alola!
Ele tenta atacar a todos com um Psybeam, mas antes disso, todos correm para fora da casa.
Ele sai da casa e continua a atacar.
— Que tipo mais rancoroso! — Diz Satoshi.
Pikachu e Litten posicionam-se para o combate.
— Pikachu, Thunderbolt!
Litten solta chamas também, mas Persian se esquiva.
Ele tenta usar Scratch no Stoutland, mas Satoshi entra na frente e leva o dano.
— Só foi um arranhão. — Diz sorridente.
O Persian novamente avança no Litten. Litten tenta soltar chamas, porém ela sai fraca.
Scoutland olha para ele, e ele se lembra dos treinos intensos.
Dessa vez, ele as lança com toda a força. Persian corre para a floresta com o rabo pegando fogo.
— Muito bem! — Diz Satoshi
— Pika pika!
— Bem feito! — Diz Rotom.
O garoto olha pra Litten contente.
— Conseguimos, Litten!
Ele treme os seus braços.
— Isso dói...
O felino vai ao lado de Scoutland alegre.
Satoshi observa a cena.
— Tchau Litten, Scoutland! Amanhã eu virei de novo, e trarei comida!
***
Outro dia amanhece, e ele corre até a mansão com sacolas cheias de alimento. Mas para a sua decepção, ele não encontra ninguém.
Ele vai até a mercadoria da senhora, e explica a situação. A sua situação era deplorável.
— Entendi, foi isso que aconteceu... — Diz a mercadora.
— Me senti mal... — Estava cabisbaixo — Será que lhe fiz algo ruim?
— Os Pokémons são Pokémons, as pessoas são pessoas. Vivem cada um em um mundo diferente. Não é sua culpa.
Ela deixa um prato com fruta no chão.
— Debaixo do mesmo céu de Alola... Ele também deve estar. — Ela afirma sorridente.
Satoshi segura o seu boné pensativo. E ao virar sua cabeça, ele vê Litten se aproximando da fruta que a senhora deixou.
Ambos se encaram, e o garoto fica um pouco perplexo.
— Litten-chan, você se mudou? — A senhora o pergunta.
Ele mia para a Senhora, e encara o Satoshi. Em seguida, ele sai correndo.
— Litten! — O garoto chama por ele.
Talvez só o vento de Alola saberá onde ele vai. Talvez...
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