Um Juramento a Manter
6 O Trabalho...
Notas iniciais
Foi uma ordem direta de Ártemis, ou melhor, um trabalho para sua nova serva... Além disso, seria melhor eu obedecer a deusa, mesmo que fosse muito irritante... Bem, deixa eu começar pelo começo...
Após Rachel ter sua sessão particular de cinema, sendo a protagonista de Atividade Paranormal 5: Acampamento Meio-Sangue, e aquele estranho espírito deixar o corpo dela, deixando para trás o que segundo Quíron era a nova grande profecia. Deixando os três deuses presentes com reações diferentes entre si.
Apolo sorriu e disse: “Eu já sabia que isso ia ocorrer”. Meu pai colocou a mão no rosto em reprovação ao sobrinho e soltou um: “Estou confuso”. E Héstia olhou diretamente para mim e sorriu.
Os semideuses começaram a comentar, alguns ajudaram Rachel a se recompor e outros faziam caras de apavorados. Annabeth encarava Quíron e as caçadoras pareciam não se importar muito... Quando se é imortal, talvez as profecias que aconteçam daqui há 70 anos não te assustam... Ou pelo menos não assustavam as caçadoras.
Eu estava ansiosa, era uma caçadora a pouco tempo, eu não havia me acostumado com a imortalidade, e realmente, não sei se algum dia iria me acostumar. E o jeito com que Héstia me olhava.
Aquela criança que parecia ter fugido de um orfanato estava sorrindo docemente para mim. Era um pouco assustador, ainda mais depois de ver alguns filmes de terror... A história era sempre a mesma, uma menina de 7 anos aparece do nada, conquista sua confiança e depois te leva para uma casa abandonada onde ela morreu e quer uma companhia para o resto da vida.
É claro que há variações, as vezes a menina quer seus rins, e as vezes ela sai de uma TV sem sinal com o cabelo na frente do rosto... Era incrível como minha imaginação é fértil...
E como eu posso ter medo de uma deusa tão amável e fofa como a Héstia?!
As coisas continuaram confusas, com todos falando ao mesmo tempo, até que Posseidon em toda a sua autoridade deu um basta naquilo...
– A profecia é importante... Mas onde está Percy? – Ele perguntou encarando Annabeth
Ela suspirou e seus olhos se enxeram de lágrimas.
– Eu não sei... –
Posseidon não a olhou com raiva, os dois pareciam estar tendo o mesmo sentimento, de aflição, se sentiam culpados pelo meu desaparecimento... Bem... Em parte era culpa de Annabeth... Mas, o erro do juramento foi meu...
Só de pensar nisso minha cabeça já começava a doer, e depois de tudo o que já havia acontecido em apenas três dias como “Misa”, acho que já era tarde demais para voltar atrás... Por um lado eu queria ir até Annabeth e falar: “Sou eu Percy!”, mas só de imaginar a reação dela, eu desisita, e meu “Novo Lado Caçadora” assumia falando docemente em minha cabeça: “Você é Artemisa, uma caçadora de Ártemis, os sentimentos infantis daqueles que não veem a realidade ou a eternidade... Seja uma Caçadora e Brilhe!”.
Aquele meu lado assustava, não só pela mensagem avisando nas entrelinhas: “Pare de pensar na Annabeth, e ou coisas ruins vão acontecer!”, mas também pelo tamanho do vocabulário e a profundidade daquelas palavras... Percy Jackson não seria capaz de formular uma frase como aquela, sem pelo menos estiver com um extintor de incêndios para depois apagar o fogo do cérebro super aquecido... ( ‘-‘ piada forçada essa ‘-‘ ).
Tudo se acalmou quando Quíron mandou todos para os seus chalés, as caçadoras começaram lentamente a se retirar para o Chalé 8, quando eu estava saindo, algo me puxou pela cintura.
Quando me virei assustada, eu vi a pequena deusa segurando na minha cintura, seu sorriso era reconfortante, mas os olhos eram penetrantes, ela estava preocupada.
– Ahn... Caçadora, eu posso falar com você em particular? – Ela perguntou sorrindo
Eu a olhei, acho que não poderia negar o pedido daquela linda deusa, ela era tão fofa! ( :3 kkkkkkk).
– Claro! – Eu respondi alegre
Hestia me levou para um local longe de Posseidon e Apolo, na verdade num lugar que eu não conhecia no acampamento, parecia uma clareira aberta no meio da floresta... Os olhos de Héstia brilhavam, eram realmente fogo, caloroso, mas ao mesmo tempo perigosos. Parecia impossível, mas Héstia passava uma sensação de que ela poderia ser perigosa.
– Não precisa mentir para mim... Percy... – Falou Héstia
Eu quase vomitei na deusa... Como ela sabe?! Seria Ártemis?! Ou Atena?! Será que as deusas eternamente virgens tinham uma irmandade, ou se falavam por uma espécie de facebook dos deuses?! Quem sabe elas tinham um grupo: “Eu quero humilhar a Misa”... Ou talvez uma página com o nome: “Misa, A Caçadora...”.
Cara, eu devo ter fumado algo muito pesado para estar escrevendo isso, e contando a vocês toda essa experiência louca...
– Mas... Eu sou a Misa! Uma caçadora! – Eu falei tentando parecer confiante
Héstia riu.
– Percy, não precisa mentir... Ártemis me contou tudo... Achei tão fofo, embora um pouco drástico... Ártemis sempre querendo se livrar de homens que possam lhe causar problemas... –
Espera aí!
– Como assim? –
– Bem... Pelo visto a benção de Atena lhe deu um pouco mais de velocidade no raciocínio... Mas esqueça isso... O que eu quero lhe dizer, é que não poderá guardar segredo para sempre! –
– Eu sei... Mas parece que a cada segundo eu me complico mais! –
Héstia sorriu.
– Sabe Misa, você não é a primeira vitima dessa brincadeira de Ártemis, há alguns milênios, um homem na Grécia viu Ártemis tomando banho... Bem... Na hora ela o transformou em uma mulher... De certa forma, ele foi feliz... Mas sendo mulher nos tempos antigos... Você têm uma oportunidade, embora talvez seja complicada! Eu sei que você poderá fazer tudo, só... Eu também estou preocupada! –
Héstia preocupada era tão bonitinha.
– Preocupada comigo? –
– Sim! Percy, Misa, estou preocupada se o seu passado não irá te atrapalhar... Se você irá tomar a decisão certa! –
– Héstia? –
– Porque você tinha que fazer o maldito juramento? – Ela perguntou com lágrimas nos olhos
Espera! Héstia estava chorando?!
– Héstia... – Eu a abracei
Ela agarrou minha cintura e escondeu o rosto contra o meu corpo, ela realmente parecia uma criança triste.
– É tão estranho te abraçar com você tendo seios... –
Eu a olhei envergonhada e ela voltou a sorrir.
– Desculpa... Isso não é coisa de deusa! Misa, você vai passar por alguns momentos difíceis, mas vai se sair bem! – Ela me largou rapidamente e sorriu – Para isso, eu quero lhe dar seu presente por ter ajudado a salvar o Olimpo... –
– Héstia... O Luke se matou... –
– Tanto faz! Eu quero que você use isso, sempre se lembrando de seu lar e sua família! –
Ela me alcançou uma pequena caixa de madeira, dentro da caixa havia um pequeno prendedor de cabelos, como as caçadoras usavam, só que ao invés de prateado, estava em um tom mais voltado para o vermelho, além do que parecia uma pulseira, que faria companhia para o presente de Atena.
– É um arco e flecha e um escudo... Sei que melhorou bastante no arco e flecha como caçadora, então, este é o meu presente para você! Espero que seja útil! –
Héstia sorriu e antes que eu pudesse agradecer, ela desapareceu em uma coluna de chamas.
E assim a noite teve continuidade, voltei ao meu chalé sem falar nada para as caçadoras. Os dias e logo o mês que se seguiu foi normal, uma pura tranquilidade.
Treinamentos e brincadeiras marcavam cada dia, e por alguns momentos, eu realmente me senti em casa em meio as caçadoras, por alguns momentos, eu quase me esqueci quem era Percy Jackson.
Não tinha tido a coragem de usar o arco de Héstia ainda, e muito menos o escudo, a espada de Atena ainda repousava em meu pulso... De certa forma, sentia que se eu usasse alguma delas, minha decisão seria definitiva.
– Hey Lara Croft... Onde aprendeu a saltar e a desviar de obstáculos desse jeito? – Perguntou Laura, uma das caçadoras mais novas.
Para quem não sabe... Lara Croft é a personagem principal da franquia de games de Tomb Raider, em alguns aspectos ela lembra muito a própria Ártemis.
– Eu não sei Laura... Eu apenas sinto a vontade de fazer isso e consigo... – Respondi
Thalia me olhava estranhamente.
– Parece a própria Ártemis lutando, acrobacias, e técnicas de luta que ninguém conseguia imitar... – Comentou ela
Atrás de Thalia, a deusa de olhos prateados ouvia toda a conversa.
– Ela parece comigo lutando Thalia? – Ártemis perguntou
Thalia parou de falar na hora e olhou para a deusa, sem palavras, a tenente de Ártemis ficou encarando a deusa.
– Bem caçadoras, vocês passara um mês e alguns dias no acampamento... Está na hora de partir! -
As caçadoras comemoraram, até Thalia pareceu feliz, mas eu, olhei rapidamente para os chalés e de realce para o Chalé 3, eu não estava preparado para deixar o acampamento.
– Misa... Nós podemos conversar? – Perguntou Ártemis
Ainda sem prestar atenção na deusa, eu apenas afirmei afirmativamente com a cabeça.
Ártemis me arrastou para um local reservado e focou seus olhos prateados em mim.
– Nervosa? – Ela perguntou
– Você nem imagina o quanto? –
– Percy ainda a incomoda? –
– Ártemis, eu sou Percy, ele não me incomoda! Eu não sei se estou pronta para deixar o acampamento... Eu... Ele sempre foi meu porto seguro! –
Meus olhos se encheram de lágrimas.
– Misa... Eu sei que é muito difícil para você... –
– Sabe?! Para começar foi você que me meteu nisso! Não podia só me caçar até a morte?! Tinha que me humilhar?! –
Os olhos de Ártemis mudaram rapidamente, de um olhar dócil e compreensível para um olhar de um animal acuado, pronto para atacar a qualquer momento.
– Artemisa! Perseu! Quem quer que seja! Eu lhe coloquei nisso e você vai continuar assim! – Ela falou com raiva – Se você têm problema em deixar o acampamento... Ótimo! Fique então, eu tenho um pequeno trabalho para minha nova serva... –
Eu fechei a cara.
– Não faça essa cara! – Ela respirou fundo – Misa, não vou lhe forçar a ir com a gente... E de fato, eu quero que você faça um pequeno trabalho para mim... – Ártemis forçou um sorriso
Eu a olhei assustada.
– Olhe isso... –
O que parecia um tablet apareceu nas mãos de Ártemis, e me mostrando um vídeo, as coisas ficaram ainda mais estranhas.
Havia uma garota em seu quarto, ela parecia ser descendente dos índios americanos. Olhos em caleidoscópio, um azul muito especial, e um cabelo picotado, mas que na verdade não escondiam a beleza dela. Quando ela começou a falar, eu tive vontade de saber tudo sobre ela, de virar uma pessoa fanática por ela.
– Sua voz é linda... Não é? – Ártemis perguntou
– É... Mas... É magia? –
– Sim, muito poderosa! Se chama charme, uma técnica especial que permite que algumas pessoas utilizem magia em suas palavras, convencendo qualquer um... –
A garota continuava falando assuntos sem nenhum nexo, mas prendia minha atenção e em menor efeito, sobre a deusa.
– Misa, ela está atraindo muita atenção de monstros em Los Angeles, é uma semideusa poderosa! Mas algo vai acontecer em breve, se ela não vier para o acampamento... Eu quero que você se encarregue disso! –
Eu olhei para a tela com uma imagem estática da garota e depois encarei Ártemis.
– Vou ficar no acampamento? –
– Por enquanto... Sempre quis ter uma caçadora no acampamento, cuidando do chalé... Vai aceitar o trabalho? – Ela perguntou sorrindo
– Conte comigo... –
A deusa sorriu.
– Qual o nome dela? –
Ela não me respondeu, simplesmente voltou a reproduzir o vídeo.
“Eu sou Piper McLean! Se inscreva em meu canal! E me acompanhe! Vídeos diários aqui no Dezessete minutos!”.
E naquele momento duas coisas passaram pela minha cabeça... “Porque dezessete minutos? Cinco já não eram bons o suficiente sem deixar a gente entediado?! (By Kéfera :v)” e “Ótimo... Uma youtuber...”.
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