Um Insuportável solitário
5 Capítulo 5 - Pelas barbas de Merlin!
Notas iniciais
– Sinto sua melancolia de lá do quarto! – Diz Olivia assim que entro na cozinha.
– Bom dia para você também! – Beijo sua testa e Nina poe café para mim.
– Senhor, chegou isso cedo para o senhor! – Ela me entrega um envelope pardo.
– Obrigado! – Digo e deixo o papel de lado.
– Não vai ver? – Ela diz ao tomar um gole de seu café.
– Não agora! Isso pode esperar! – Tomo um gole do café e passo geleia de amora na torrada e Olivia faz careta.
– Ok eu vejo por você então! – Ela pega o envelope antes que eu faça qualquer moovimento e bufo em frustração. – Entregar alguma coisa em pleno sábado e bem cedo custou caro, ou seja. – Ela me olha séria. – É importante!
– Não, não é! – Digo e tomo meu café.
– Com licença! – Diz Nina e nos deixa a sós.
Olivia segura o papel com uma mão depois de tê-lo aberto e na outra segura seu café que bebe lentamente e seus olhos estão concentrados no papel e em seguida ela intercala o que tem folha para meu olhar.
– O que foi agora? – Reviro meus olhos e dou uma mordida em minha torrada.
– Ach que alguém não vai começar o sábado bem! – Ela morde os lábios e abaixa o olhar para o papel outra vez e entro em estado de alerta.
– E o que tem ai? – Peço sem demonstrar muita importância.
– Realmente você vai querer e não querer saber!
– Quer logo me dizer o que...
– Bom dia, papai Kaik! – Ela diz e me engasgo com o café.
– Q-que? – Arregalo meus olhos.
– Como assim você tem um filho e não me disse nada? – Questiona Olivia e enrugo minha testa para ela. – Seu caipira de uma figa! Como pode fazer isso comigo?
– Por que será? – Peço irônico. – Deve ser porque nunca soube que tinha um filho! – Fecho a cara e limpo minha boca com o guardanapo. – E outra, isso pode ser qualquer um! Eu em!
– Mas eu nem disse ainda de quem seria! – Ela cruza os braços.
– Quer me dar logo esta merda? – Estico minhas mãos.
– Ok, mas não surta! Você ainda é meu hoje e amanhã! – Ela sorri pra mim e me entrega o papel.
Assim que retiro todo o conteúdo que não é só um papel com a frase, como também três fotos que me faz ficar com o coração parado e quase sem ar. Como diz meu bisavô... PELAS BARBAS DE MERLIN!
– Fudeu! – Digo quase sem ar ao ver a foto.
São fotos de Lúcia segurando a mão de um garoto IDÊNTICO a mim de apenas mais ou menos sete anos. Seus cabelos loiros e lisos, olhos azuis, pele bem branquinha. E ele é totalmente igual a mim, menos os olhos que são da mãe.
Mãe? Lúcia é mãe? Deus! Se ela é mãe e o garoto é a minha cara e a julgar pela sua idade ele... ele...
– FILHA DA MÃE! – Grito ao me levantar com as fotos na mão e olhando para elas. – Então foi isso? cretina! – Esbravejo. – Foi por isso! ela não teve coragem de me contar! Ah! Lúcia! Você me paga! E como me paga! – Rosno.
– Ok. – Olivia estala os dedos. – Me perdi!
– Lúcia foi embora porque estava grávida e inventou a estúpida desculpa de que teria conhecido outra pessoal e quando ela terminou comigo ela foi embora e nunca mais a vi, a não ser ontem...
– VOCÊ A VIU ONTEM? – Ela grita. – E onde é que eu estava?
– Ao meu lado mexendo na porcaria do celular! – Digo de cara fechada.
– Descupa! – Ela dá uma risadinha irritante e volta a tomar seu café. – E agora o que vocÊ vai fazer?
– Descobrir se essa criança é meu filho mesmo! – Digo convicto.
– Nem precisa. – Ela ri e toma um gole de seu café. – A cara dessa criança já responde tudo. – Diz ela quando pega a foto e encara o garoto. – Jesus amado! E não é que o moleque é a sua cara?
– Vamos, se arrume! – Tomo todo o café e pego meu casaco, já que hoje esta fazendo frio.
– Vamos? Onde? – Pede ela ao largar sua caneca na mesa e eu a puxo evantando-a. – Calma, meu casaco! Ela resmunga ao voltar e pegar casaco no sofá e o veste e a espero impaciente na porta. — O que vamos fazer agora é caçar Lúcia e obrigá-la a fazer o teste de DNA? – Pede ela quando passa por mim e aperta o botão do elevador.
– Sim. – Tranco a porta. – Eu nunca acreditei que... espera! – Olho pra ela. – O que quer dizer com o “vamos obrigá-la a fazer o teste”?
– Ué! – Ela ri e entramos no elevador. – Você acha mesmo que ela vai fazer o teste assim de boa? – Ea estalas os dedos. – Claro que não, baby! Ela vai resistir, e se ela fugiu de você há não sei quantos anos atrás, não me surpriendo se ela fugir agora! Ainda mais com o Mini Kaik!
Me encosto na parede do elevador e me encaro no espelho a frente. Será mesmo que Lúcia teria coragem de se esconder de novo? E se o moleque for meu filho? Perdi tantos anos do meu garoto!
Minha visão começa a ficar turva, porém sou dominado por uma fúria ao ouvir Olivia acabar com minhas esperanças.
– Isso se ela não estiver casada, e o moleque ter um pai! – Ela diz ao olhar para suas unhas.
– EU SOU O PAI! – Digo com confiança e ela apenas levanta o olhar para mim. Respira e depois se endieita e me encara.
– Ok. O Mufasa, escuta bem o que vou dizer!
– Não que...
– Mais vai ouvir, cacete! – Resmunga. – E se o moleque puxou a fisonomia do pai lá que ele tem?
– Tendo a minha cara? – Peço irônico. – Ah, vamos lá Olivia! Você já foi mais esperta do que isso! Vamos colocar uma foto minha daquela idade e a do moleque e vamos ver o que você dirá!
– Que ele pode parecer com você não ser seu filho! – Ela dá de ombros e fecho a cara.
Quando voou dar a resposta, a porta se abre e entra aquela linda morena, porém hoje ela não só está linda como gostosa. Usando uma roupa de malhar e toda preta colada no corpo e cabelos presos em rabo de cavalo lisos.
– Bom dia. – Ela diz sorrindo lindamente.
– Bom dia! – Eu e Olivia respondendo ao mesmo tempo.
Ela ajeita os fones de ouvido e fica de costas para nós e Olivia me olha enquanto meus olhos estão fazendo uma varredura no corpo da morena a minha frente e logo meu parceiro fica na ativa, porém logo ele é desativado quando sinto uma dor insuportável.
– Controla esta poha ai! – Olivia sussurra e me envergo no canto do elevador.
Realmente pra uma baixinha, Olivia tem uma força e tanto.
Alguém diz a ela que nunca se deve dar um soco nos instrumentos de um homem? Alguém diz, POR FAVOR! Pois esta merda dói pra cacete!
Quando chegamos no térreo, a menina sai e eu fico ali sentado no chão com minha dor enquanto Olivia resmunga alguma coisa e me levanta.
– Assassina! – Digo com a voz fraca enquanto ela me carrega onde o Souza já nos espera.
– Bichinha! – Ela zomba e rapidamente fico de pé, mas anão meio torto.
– Bom dia senhorita...
– Nada de senhorita, sou Olivia. Ok? – Diz ela com aquele sorriso.
– Sim senho... Olivia! – Diz ele.
– Essa parada, agora toca pra casa dos Grandas! – Ela diz e arregalo meus olhos. – Hoje vai ser o balaço balacobaco!
Entramos no carro e Souza já entra na avenida.
– Por que estamos indo para meus pais? – Peço.
– Souza, você sabia que Kaik tem um herdeiro? – Ela diz e vejo Souza arregalar os olhos.
– Minutos atrás você tentava me convencer de que o moleque tinha outro pai!
– Então, Souza! – Ela não me dá ouvidos. Pega a foto e amostra a ele quando paramos no sinal. – Você acha que Kaik possa ser pai deste moleque aqui?
– Pelas barbas de Merlin! – Ele solta.
– Foi a mesma coisa que ele disse! – Olivia ri.
– Desculpe senhor. – Ele diz e aceno com a cabeça. – Mas é quase cem por cento do senhor ser pai deste menino!
– Não Souza, você tem que concordar comigo! – Resmunga Olivia.
– Desculpa, Olivia, mas o menino é a cara dele quando era mais novo!
– Ok ok! Vamos ver o que o exame de sangue vai dizer! – Ela volta a sentar ao meu lado e seguimos viagem em silencio.
...
– Nem acredito que meu menino está aqui! – Mamãe agarra minhas bochechas e me beija a testa enquanto papai sorri.
– Aconteceu alguma coisa? – Pede ele ao me abraçar.
– Não! – digo ao mesmo tempo que Olivia diz sim.
Quem a chamou na história mesmo?
– Então? – Pede meu pai nos olhando quando sentamos no sofá.
– Kaik é papai! – Diz Olivia sem rodeios e meus pais arregalam os olhos.
– Você está grávida? Quando descobriu? – Pede mamãe já sorindo como um coringa.
– E-eu? – Pede Olivia gaguejando e ela fica nervosa.
Muito tempo que não via Olivia nervosa.
– E-eu, não estou grávida! – Ela gagueja e depois respira fundo. – Então, é a ex namorada do kaik. Aquela que o abandonou com uma desculpa esfarrapada e sumiu assim do nada! – Ela estala os dedos.
– Acho que só precisava dizer o nome dela. – Coço minha cabeça incomodado.– Não há nescessidade de...
– Ah, tem sim. – Ela ri. – Gosto disso! Mas voltando ao assunto! – Olivia retira da bolsa o papel e as fotos e amostra meus pais. – Ele recebeu isso hoje e olha a foto do pestinha... digo, da criancinha. Não é a cara de Kaik quando era mais novo?
– Meu Deus! – Mamãe coloca as mãos na boca. – Muto parecido, a não ser pelos olhos azuis!
– Pelas barbas de Merlin! – Diz papai impressionado. – Nem precisa de fazer exame de DNA. É seu filho, com toda a certeza!
– Se ele tiver o sinal no bumbum do lado direito com toda certeza é meu neto! – Diz mamãe sonhadora e me olhando.
– Você tem um sinal na bunda? – Pede Olivia ao me olhar. – Nunca reparei!
Meus pais nos olhos surpresos e me engasgo com a saliva.
– É porque você nunca me viu nu! – Digo quase rosnando e olhando pra ela.
– Ah, meu jovem. – Ela ri. – Posso te garantir que já te vi muitas vezes nu! – Ela cai na gargalhada.
– E ainda me diz que são só amigos! – Diz papai com um sorriso malicioso e fico nervoso.
– Foco, por favor! – Digo desesperado ao olhar pra eles. – E se esse menino for mesmo meu filho? Eu não acredito que Lúcia teria coragem de ir sem me dizer que estava grávida!
– TIOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! – Milena corre ao me ver e se joga em meu colo. – Você veio passar o dia comigo? Não acredito!
– Ual! Eita família bonita em! – Comenta Olivia.
– Você é minha tia também? – Pede Milena e Olivia nega a cabeça. – Então o que você é minha?
– Posso ser o que você quiser, flor! – Diz ela sorridente.
– Hum... – Milena toma a cabeça um pouco de lado e coloca uma mãozinha no queixo e olha pra cima com um ar de pensador e depois olha para Olivia com um sorrisão. – Quero que seja minha tia.
– Ok, sou sua tia então! – Diz Olivia sorrindo.
– Gostei de você! – Milena beija a bochecha dela.
– Eu também. – Olivia diz com a mesma intensidade.
– Te achei! – Grita minha irmã ao aparecer na sala e minha sobrinha me agarra pelo pescoço. – Hey, turista! – Ela zomba e sorrio pra ela. – OI! Sou Katherine! Irmã deste cafageste ai!
– Prazer, sou Olivia, amiga desse cretino! – Elas riem e se cumprimentam enquanto eu fecho a cara para elas.
– Mãe, eu ganhei uma tia! A tia Olivia! – Milena aponta pra Olivia que sorri e minha irmã me olha com malícia.
– Hum... ganhou uma tia! – Diz minha irmã e me levanto.
– Não é o que parece! – Me defendo e meus pais riem.
– Eita! Eu nem disse nada. – Ri minha irmã e pega Milena no colo. – Vou dar banho nesta gigante aqui, volto daqui a pouco!
E ela sai andando e rindo com Milena que me olha o tempo todo e mando um beijo pra ela que sorri lindamente para mim.
– E o que você está pensando em fazer? – Pede meu pai.
– Vou atrás dela! – Digo. – Preciso saber se esse menino é meu filho.
– Ai meu Deus! Mais netos! – Mamãe suspira.
– Cheguei vovó e vovô! – Diz meu irmão entrando com Emanuel no colo que abre um sorrisão sem dente ao ver meus pais. – Opa! Turista a vista!
Pronto! Não tenho mais nome.
– Kaik está aqui? Milagre! – Zomba minha cunhada, Briana.
– Sim, estou aqui. Qual o problema? – Peço derrotado.
– Ah nenhum, já que você NUNCA vem mais para cá! – Debocha meu irmão sem me dar muita atenção quando seu filho puxa seu cabelos.
– Pelas barbas de Merlin! – Diz Olivia e todos olham pra ela. – Realmente vocês são idênticos!
– E você é? – Pede meu irmão ao sentar ao lado dela.
– Olivia, amiga de seu irmão realmnete gêmeo. – Diz ela enfeitiçada.
– Prazer, Cael! – Ele sorri. – E essa é minha esposa Briana e meu filho Emanuel. Diz oi, garotão. Diz!
– Bá, bá! – Diz meu sobrinho rindo e pisca pra ela.
– Meu Deus! – Olivia se controla pra não apertar meu sobrinho. – Ele é tão lindo. Meu deus! Vontade de apertar essas bochechas! Onw!
– Meu filho já encanta as mulheres! – Meu irmão se gaba.
– Isso é passado de pai para filho! – Papai diz e mamãe concorda.
– Mas na hora de limpar a frauda cadê aquele amor todo? – Pede mamãe e Briana ri.
– Ainda bem que Kaik vai pegar a fase mais velha. – Comenta Olivia rindo e toda a sala cai no silencio ouvindo apenas sua risada.
A olho com raiva e posso já imaginar saindo raios deles e queimando todo o seu corpo.
– Ah sim, eu não contei! – Ela diz agora mais calma. – Enviaram um envelope com uma frase “bom dia papai” e umas fotos... aqui! – Ela peg a foto e distribui. – Lúcia com o filho dela. Vê e não parece com seu irmão! É a cara dele!
– Pelas barbas de Merlin! – Cael diz com os olhos arregalados. – Mano, esse bacuri é mesmo seu filho!
– Ual! – Diz Briana ao analizar a foto. – Hey! Lúcia não tinha ido para o outro lado do planeta morar com a avó?
– Tinha! – Diz Kath voltando e pegando a foto. – CACETADA! EU SABIA!
– Sabia o que? – Peço já ficando de pé.
– Eu sabia que ela estava grávida.
– E POR QUE NÃO ME CONTOU? – Peço enfurecido.
– Ei! Pode abaixando sua voz ai irritadinha. – Ela diz séria. – Eu estava desconfiada, não tinha certeza. Ela estava agindo muito estranho. E fiquei ainda mais quando soube que ela tinha ido embora sem mais nem menos.
– Mas ela me disse que tinha encontrado outro alguém! – Digo.
– E você é muito pastel em ter caído nessa! – Ela revira os olhos. – Sério! faz um teste e chama ela pra conversar, porque esse menino é a sua cara e se der negativo estarão te enganando.
– Serei vovó de novo! – Diz mamãe sonhadora outra vez.
– Eu não entendo porque ela fez isso ! – Digo derrotado ao sentar de novo no sofá. – Eu nunca fiz alguma coisa pra ela entender que a abandonaria em uma situação dessas!
– Talvez ela achasse que você não queria ter filhos! – Comenta Briana.
– Eu apenas brincava que não queria ter filhos, mas era apenas um brincadeira! – Digo.
– Você brincava muito...
– Eu sei, eu sei! – Bagunço meus cabelos irritado.
– Ahhh! Ka! Ka! – Diz meu sobrinho e olho pra ele que está me chamando com suas mãozinhas.
– Acho que alguém quer atenção! – Diz papai e sorrio para meu sobrinho que pisca par de vezes.
Só ele pra me distrair em uma hora dessas!
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