Um Insuportável solitário

33 Capítulo 33 - Mudanças


Notas iniciais
Então, espero que gostem, pois eu gostei muito! *0* Boa leitura!

– VAI DEVAGAR! – Kaik grita para Guilherme pela milésima vez.

Estou andando de bicicleta devagar um pouco atrás de Kaik que anda preocupara com Guilherme que corta as pessoas pela ciclovia de frente a praia. Não está muito cheia, mas Kaik é muito cuidadoso.

Desde que ele me pedira em casamento, uma semana atrás eu tenho ficado um pouco com a mente cheia e totalmente bloqueada para minhas pinturas, o que deixou Fabiane louca. Passar uma semana sem pintar nada é muita mais que um bloqueio, e ela surtou ainda mais quando disse que estava noiva. Já até queria arrumar meu casamento, mas logo dei um stop.

O vento soprava meus cabelos para trás conforme eu pedalava preguiçosamente, minha blusa fazia ondinhas conforme o vento me tocava, meus olhos sempre escondidos por meus queridos e inseparáveis rayban. Meus pés eram dominados por chinelos havaianas brancas, Kaik e Guilhere estavam vestidos iguais. Bermudas de tactel coloridas parecidas, chinelos havaianas brancas e sem camisas e cabelos aos ventos.

De costas até posso dizer que é um Kaik passado e um Kaik futuro.

Como são parecidos esses bichinhos.

Será que quando eu e Kaik tivermos um filho ele será tão parecido assim com ele ou comigo?

– Olivia! – Diz Kaik chamando-me para o presente e freio bruscamente e quase caio. – Cabeça longe?

– Desculpa! – Digo baixinho. – Ainda tenho medo de andar de bicicleta! – Minto.

– Pensei que já era piloto de fuga! – Ele sorri e pisca pra mim.

Ele coloca a bicicleta no descanso e me dá um beijo na testa e segue em direção de Guilherme e pula animado. Dou um sorriso triste e desço de minha bicicleta e coloco no descanso também e sento-me no meio fio e brinco com a areia entre meus dedos dos pés e observo meus dois homens brincando.

Eles brincam de correr pra lá e para cá e depois com a bola, por fim desistem e vem em minha direção rindo. Guilherme tira a bermuda e os chinelos e joga-os de qualquer jeito no canto ao meu lado e sorrio para ele que corre desesperadamente para o mar.

– ESPERA! – Grita Kaik tirando os chinelos e colocando ao meu lado. Ele cata as coisas de Guilherme e coloca bem ao meu lado. – Não vai entrar na água?

Faço que não com a cabeça e disfarço minhas duvidas com um sorriso.

– Tem certeza? – Ele tira sua bermuda e sou privilegiada com a visão de seu corpo malhado e a melhor parte coberta com uma sunga de praia preta.

Justo preta? Naquele corpo branco?

– Sei que tem estado em bloqueio, mas...

– Vai passar. – Aliso seu rosto e lhe dou um selinho. – Agora vá atrás de seu filho antes que ele se afogue!

– Nosso filho! – Ele diz com um sorriso lindo e pisco par de vezes surpresa e ele pisca me dando as costas.

Eu juro que não ia comentar nada, porém é inevitável de não descrevê-lo. Seria um crime se eu não o fizesse!

Começamos pelo cabelo, loiro quase mel, bagunçados e lisos.

Apenas uma observação, é uma delicia percorrer com os dedos e depois dá uma puxadinha de leve.

Seus ombros e costas são largas e totalmente musculosas, mas nem tanto. É a medida ideal! São lisas, macias, gostosas e cheirosas. Cheiro de homem.

E a bunda?

Que delicia de bunda, grande e durinha. Perfeita para dar aquela apertada ou mordida. E o tapa?

Foco...

As pernas são uma tortura a cada instante que fico ao lado delas. A boca fica seca e ao mesmo tempo cheia d’água. Minha língua sempre quer matar a saudade de percorrê-las...

Ok, ok! Parei.

Eu não estava com a mente perturbada com as coisas de morar em Paris, casamento, pinturas...

Fico mais algum tempo me perdendo nas vezes que eu e Kaik nos amamos e posso dizer que foram muitas vezes, porém eu não conseguia me entregar verdadeiramente e ele sabe disso, e eu dizia que era culpa por estar bloqueada para minhas pinturas. Que quando isso acontece, meu mundo para, porém ele é tão persuasivo que faz com que meu corpo relaxe por alguns momentos.

O que não reclamo, é claro!

– Vamos? – Pede uma voz e pisco par de vezes e vejo Kaik balançar os cabelos e sorrir para mim.

– Já? – Peço e vejo Guilherme correr até nós.

– Caraca! Perdeu tia Olivia! – Ele diz risonho.

– Outro dia eu dou um mergulhão com você! – Digo sorrindo.

– Promete? – Ele arqueia as sobrancelhas e aceno com a cabeça.

– Agora coloque a roupa e vamos para casa comer. Quem está com fome?

– Eu! Caraca, minha barrica conversa comigo agora! – Ele diz ao esfregar a barriga e rio de leve.

Com toda certeza ele é filho de Kaik!

...

Pov Kaik

– Coma tudo filho! – Digo dando uma garfada em meu macarrão.

– Pode deixar! – Guilherme acena com a cabeça.

– Você também Olivia! – Olho pra Olivia e ela acena com a cabeça sem tirar os olhos de sua comida.

– Estou sem fome! – Ela dá de ombros ao dizer baixinho.

– Você está se sentindo bem? – Coloco uma mão em sua testa e a sinto quente, depois coloco minhas mãos em seu pescoço e ela está ainda mais quente. – Meu Deus, Olivia! O que você está sentindo?

– Corpo pesado, às vezes frio, uns enjoos chatos e uma baita vontade de dormir. – Ela resmunga ao fazer uma linda careta. – Odeio sentir essas coisas Kaik! Não me deixa passar mal!

– Vá tomar um banho que vou levar um remédio pra você! – Digo e ela acena de novo com a cabeça e vai se arrastando até o banheiro. – E você come, Guilherme!

– Ah, droga! Tia Olivia consegue escapar da comida e eu não! – Ele cruza os braços.

– Sua tia Olivia está passando mal, e você disse que sua barriga estava conversando com você de tanta fome que estava sentindo. Agora... coma! – Digo.

Ele volta a comer resmungando alguma coisa que logo ignoro. Ultimamente tem feito graça na hora de comer, apenas comendo besteira. Já é magrelo, comendo essas porcarias ficará ainda mais magrelo.

Depois do almoço, eu e Guilherme limpamos a ouça, arrumamos a mesa e o liberei para ver desenho na sala e fui ver minha linda Olivia que estava revirando na cama.

– O que foi meu amor? – Peço angustiado por não saber com ajudá-la.

– Estou morrendo, odeio sentir dor, ficar desse jeito. – Diz manhosa. – Será que peguei alguma virose?

– Pode ser, fica no sol durante o dia e de madrugada fica na varanda pegando vento gelado! – digo com raiva. – Pensa que não vejo você fazer isso.

– Oras! – Ela diz fazendo um bico adorável. – Não brigue comigo e me ame! Faça-me carinhos, beije-me e dar-me amor.

– Além de ser dengosa é dramática. – Sorrio e beijo sua testa quente. – Vou medir sua temperatura e dependendo iremos ao hospital.

– Não, jospital não...

– Hospital sim! – Digo fazendo que sim com a cabeça.

– Eu odeio hospitais, você sabe disso! – ela se cobre até a cabeça.

– Olivia Hedi! – Diz o médico e Olivia resmunga. – O bom é que não é nada grave, mas devemos ficar de olho. É uma virose, você não é a primeira que chegou hoje com os mesmos sintomas. Essa semana apareceram bastantes pessoas assim.

– Você não tem uma vacina pra eu já sair boa daqui? – pede ela carrancuda.

– Infelizmente não. – Ele ri. – Mas vou passar uns remédios que te darão um alivio.

– Por favor! – ela pede e deita a cabeça em meu ombro.

Ao chegarmos em casa, Guilherme não desgruda da mão de Olivia e meus lábios estão sempre com um pequeno sorriso. Ele a leva para a sala quando Olivia pede para ver um pouco de TV, ele a ajuda a deitar no sofá colocando seus pés para cima e em seguida liga a TV em algum canal de um filme qualquer. Encosto-me na parede e cruzando meus braços ao observar os dois.

– Você quer uma coberta? – Pede ele carinhoso e Olivia acena com a cabeça e ele voa pela sala.

– Fome? – peço ao me aproximar e beijar sua testa menos quente.

– Algo fácil de comer? – Faz aquele bico que me deixa louco.

– Ok. Qualquer coisa você me chama! – Lhe dou um selinho e ela acaricia meu rosto.

Assim que me levanto, vejo Guilherme voltar com o grande cobertor e ele a cobre e Olivia o chama para deitar com ela e ele o faz. Vou para a cozinha e prepara um sanduiche de atum e maionese e coloco no pão de forma.

– Tia Olivia, eu posso te chamar de mãe? – Pede meu menino e isso me chama atenção.

Aproximo-me um pouco mais da sala e começo a prestar atenção na conversa.

– Hãm... acho... bem... pode. – Ela diz surpresa e meu coração perde algumas batidas.

– Meu pai conversou comigo. – Ele começa. – Disse que ele e minha mãe estavam lutando pra quem ficaria com minha guarda, mas eu só ficaria com um dos dois se eu dissesse ao juiz com quem quero ficar.

– Hum... – Olivia diz. – E você decidiu com quem quer ficar?

– Ainda não sei. – ele diz tristonho. – Eu gosto muito da minha mãe, eu a amo. Fiquei chateado por ela ter escondido o meu pai, mas a perdoo por isso.

– Que bom. – Diz minha menina. – Pois sua mãe ficaria muito triste se você não a perdoasse. Ela estava fazendo isso para o seu bem, tudo que nossos pais fazem por nós e para o nosso bem.

– Eu sei. – Ele solta uma risada. – Eu amo meu pai também, e agora eu amo você!

– Oh, pentelhinho. Eu também te amo.

– Eu quero muito vir morar com o papai e com você, mas tenho medo de mamãe ficar chateada.

– Conversa com ela. – Olivia tosse um pouco e logo se recompõe. – Explica a ela o que tá sentindo e que você não quer magoar nenhum dos dois.

– Mamãe é dramática. – Ele diz e posso jurar que está fazendo uma careta.

– Todas as mães são meu amor!

– Você não é comigo!

Meu coração bate feliz.

– Acho que sou uma mãe diferente!

– Você vai me dar irmãos? – Pede ele agora animado e curioso e ouço minha menina se engasgar com alguma coisa.

– Trouxe lanche! – Digo ao me anunciar e eles me olham. – Sanduiche de atum com maionese. Quem quer?

Guilherme logo pega um, porém é para Olivia que abre um sorriso lindo e alisa seus cabelos e meu garoto beija sua bochecha.

– Quer suco? – Pede ele e minha Olivia acena com a cabeça e ele vai para a cozinha.

– Como se sente agora? – Sento ao seu lado e ela me encara com quem quer falar alguma coisa.

– Com o corpo como um chumbo, mas bem. – Ela dá uma mordida em seu sanduiche.

A encaro comendo e ela desvia o olhar de mim para a TV até que ela suspira e quando vai dizer alguma coisa, Guilherme volta com seu suco e senta no outro lado e come o sanduiche vendo TV.

Mais tarde, perto das nove, Guilherme milagrosamente diz que vi dormir, pois está muito cansado e assim se despede com beijo em nossas testas e um abraço carinhoso em Olivia que o retribui, sorrio bobo. Volto a assistir um filme que passa na TV e sinto Olivia se aconchegar ainda mais e acaricio seus cabelos e braços.

– Sabe, estive penando...

Hum.. perigo a vista! Quando Olivia passa muito tempo quieta e depois me vem com “estive penando” coisa boa não é!

Notas finais
O que acharam? hum? Hora de falar o que se passa em sua mente! *0* Bjs, bjs e até breve! ô/