Um Insuportável solitário
10 Capítulo 10 - Meu pestinha detetive e sedutor
Notas iniciais
– E isso é tudo Senhor! – Diz Lana ao agarrar o tablet e olhando pra mim.
– Ok, qualquer mudança você me avise imediatamente, lembre-se que estarei fora por mais ou menos duas horas, ou talvez menos já que hoje estamos atarefados de mais.
– Sim, senhor!
– Qualquer ligação você diga para deixar recado, ou me ligar caso seja importante, e só passe as ligações de minha mãe ou meu pai!
– Mais alguma coisa? – Pede ela.
– Não, é só! – Meu celular toca e ela acena com a cabeça e se levanta me deixando a sós. – Gandra!
– Kaik? – Pede uma voz infantil masculina. – Aqui é o Guilherme, olha não posso falar muito!
Como esse pestinha conseguiu meu numero?
– Estou te ouvindo! – Digo com um sorriso .
– Minha mãe está inventando de sair comigo, disse que vamos visitar uma amiga dela, não sei onde é! –Ele diz bem baixinho. – Droga, ela está vindo. Vou me esconder até dar a hora, depois você pode me buscar no restaurante da minha bisa vó? A mãe de sua mãe? Agora tenho que desligar!
E a ligação cai.
Como é que esse muleque sabe das coisas?
Olho atônito para o celular tentando entender o que acabara de acontecer, e chego a conclusão que é uma mistura bem grande de Lúcia e eu.
Como vou sofrer com esse moleque tudo o que meu pai sofreu comigo.
A reunião onde tive varias interrupções com alguma coisa que mudava de ultima hora estava me deixando louco ao ponto de arrancar meus cabelos e tudo só piorou quando eu finalmente estava dentro do meu escritório pronto para partir ao hospital quando Lana bate na porta e entra me avisando que tenho uma visita.
– Diga que volto em duas...
– Estou indo embora! – Diz Olívia entrando e Lana nos deixa a sós ao fechar a porta.
– Pra onde? – Digo olhando-a e colocando meu paletó. – Quer uma carona? Estou indo ao centro...
– Estou indo para Grécia! – Ela me corta e depois respira fundo.
Grécia? Desde quando ela gosta de viajar de avião?
– Você odeia avião! – Enrugo a testa e pego meu celular e coloco no bolso. – Aconteceu alguma coisa com seus pais?
Esqueci-me que ela só vai para lá quando acontece algo de grave com os pais, já que mora lá desde que ela... desde que ela se entende por gente.
– Meu Pai inventou de arrumar o telhado e você sabe o que acontece quando ele inventa essas coisas! – Ela dá de ombros.
– Sr. Antônio tem que parar com essas coisas! – Me aproximo e beijo sua testa e ela fecha os olhos. – Que horas é o seu voo?
– Agora! – Ela não me olha nos olhos.
Nem se quer tirou os óculos. Alguma coisa aconteceu!
– Agora? – Questiono e ela acena com a cabeça. – Droga, eu queria te levar, mas agora é realmente muito importante!
– Tudo bem, eu apenas vim me despedir!
Ela me abraça forte e beija minha bochecha e abre a porta.
– Você vai ficar bem? – A viro pra mim e ela apenas acena a cabeça e se afasta. – Sabe que pode me ligar se acontecer alguma coisa que irei correndo. Certo?
– Certo! – Ela deixa os ombros caírem e entra no elevador.
No caminho até o restaurante de minha avó, encontro um garoto de cabelos loiros arrepiados e vestidos em calça jeans uma camisa de linho vinho e all star pretos. Ele olha de um lado para o outro e em seguida para seu relógio no pulso e meus lábios se formam em um sorriso.
Souza para com o carro na frente do menino que nos olha desconfiado e seus lábios se formam em um sorriso quando desço o vidro à janela.
– Bem na hora! – Ele diz sorrindo e abaixa de leve seus óculos Ray ban. – Mamãe vai ficar uma fera.
– Entre, antes que sua bisa dê um ataque! – Digo ao abrir a porta e ele entra e tira os óculos. – E posso saber como você conseguiu o meu numero e como sabe que esse restaurante é da sua bisa?
– Esperei mamãe dormir ontem e vasculhei as coisas dela, e... trouxe isso pra você me explicar algumas coisas! – Ele agora diz sério e pega sua mochila e abre o zíper. – Você teve duas namoradas?
– Tive algumas antes de sua mãe, mas nada sério. – Dou de ombros.
– Não é o que as fotos dizem! – Ele faz cara feia e enrugo minha testa e Souza volta a andar com o carro.
– Ok, me mostre então!
Ele pega uma pasta cheia de fotos da época em que eu e Lúcia estudávamos na mesma escola. E não só minha com ela, mas como também de meus irmãos e alguns amigos nossos.
– Como pode me explicar essa aqui? – Ele amostra uma foto de meu irmão Cael com Briana.
– Meu irmão Cael e Briana. – Sorrio. – Eles estão juntos até hoje!
– Tem certeza? – Pede ele duvidoso.
– Tenho. – Sorrio. – E sua tia Isa e Kath também são gêmeas, mas um pouco diferentes.
– Essas aqui? – Ele amostra uma foto de Isa abraçada com Lucas e Kath sorrindo feliz ao lado do canalha do Renan.
– Esse é seu tio Lucas, marido da sua tia Isadora.
– E esse? Meu tio também?
– Não. – Digo curto e grosso.
– Ok. E quem são esses? – Ele amostra uma foto em um de meus aniversários onde estão meus pais, Lúcia e eu na mesa do bolo.
– Seus avós. – Sorrio ao ver seus olhos brilharem.
– Meus avós são bonitos. – Ele diz.
– E essa menina aqui? – Ele aponta para minha tia junto com meus tios.
– Esses são irmãos do seu avô. Lorellay, Cristian e Rodolfo.
– E esse aqui? — Ele me amostra varias fotos de meu tio Miguel.
– Miguel, irmão da sua avó. – Sorrio. – Você vai gostar dele.
– Ele parece legal! – Ele diz agora triste.
– Hey, o que foi? – Aliso seus cabelos.
– Não entendo porque mamãe me escondeu essas coisas. – Ele bufa. – Eu sei que às vezes pareço levado como ela me chama, mas ela não podia fazer isso comigo.
– Olha. – Digo ao pegar a pasta de sua mão. – Uma vez, sua avó me disse que às vezes fazemos coisas erradas que no momento nos parece certo! – Dou de ombros. – E talvez sua mãe fizesse isso pensando que estava fazendo o certo. Mas isso não quer dizer que ela não queira que você não saiba sobre mim ou a minha família. Ela só estava te protegendo!
– De quem? – Ele cruza os braços e revira os olhos. – O que você fez pra minha mãe ter medo pra chegar ao ponto de me proteger de você?
Esse pestinha é esperto!
– Olha, no passado eu era muito brincalhão e sua mãe falava em ter filhos, uma família, casamento e isso me assustou e eu brincava ao dizer que não queria nada disso. – Aliso seus cabelos. – Mas no fundo eu queria tudo isso com sua mãe. E ninguém vinha em minha mente a não ser ela.
– Então por que ela foi embora? – Ele cruza os braços.
– Ela achou que eu estava falando a verdade. – Respiro fundo e olho para a janela. – Eu não achava que ela ia me deixar um dia!
Ficamos em silencio.
As lembranças e invadem, e mais uma vez me vejo naquela noite onde Lúcia estava na janela e não queria me ver, eu estava chorando feito uma criança e gritava seu nome, mas ela não me atendia e fazia com que meu coração martelasse com espinhos.
– Você ainda ama minha mãe. Não ama? – Pede ele com uma voz suave e me trazendo ao presente.
– Chegamos senhor! – Diz Souza e pisco par de vezes.
– Obrigado. – Digo e ajeito minha gravata. – Vamos?
– Você ama! – Ele lança um sorriso sapeca e guarda tudo em sua mochila e abre a porta.
Saímos do carro e entramos na clinica e logo somos atendidos. O pestinha pensou em tudo, trouxe os documentos. E com algumas artimanhas, consegui fazer com que liberassem o pequeno para o exame de sangue.
Como é bom ser o que sou hoje.
Entramos na sala e ele sentou em uma cadeira e eu me sentei em outra. Uma enfermeira morena entra com um patratinho de alumínio com agulhas e gases e ela sorri para mim e pisco par de vezes ao ver que é a morena do elevador.
– Oi! – Ela diz sorrindo lindamente. – Se não é o cara animado da academia!
– O-oi! – Gaguejo e respiro fundo me controlando. – Desculpa por aquele dia.
– Que nada, essas coisas acontecem! – Ela dá de ombros e coloca o prato em uma pequena mesa de madeira branca. – Então, quem aqui tem medo de agulha?
– Só menininha que tem medo de agulhas! – Diz meu garoto.
– Hum... então eu tenho dois homens fortes e corajosos aqui comigo! – Diz sorri para meu garoto que deixa a cabeça cair para um lado e sorri para ela.
Meu garoto ainda pequeno e cheio de charme!
– Moça, eu sou corajoso! – Ele pisca pra ela e rio de leve.
– Bom saber, na minha casa as vezes parece baratas e daquelas que voam. – Comenta ela ao limpar onde ela o espeta com agulha e meu garoto nem se importa. – E seria bom ter alguém como você para me ajudar!
– Eu posso pai? – Pede ele para mim e sorrio para ela.
– Claro! – Digo ao olhar para Fátima que ajeita os cabelos.
Está quase no papo!
Fátima recolhe nossos sangues e nos faz um pequeno curativo e ela dá uma atenção a mais ao meu garoto que resmunga quando seu sangue começa a sair de mais.
– Mamãe fala pra apertar, porque eu saio muito sangue! – Diz olhando pra
Fátima.
– Ok, colocarei um curativo maior. Pode ser?
– Pode!
Ela coloca uma gases e depois o espaladrapo e meu garoto respira aliviado e se levanta.
– Obrigado! – Peço ao olhar pra ela que sorri.
– Esse é um de meus trabalho! – Ela dá de ombros e ajeita os óculos.
E ficamos em silencio nos encarando e ela ajeita o cabelo atrás da orelha e desvia o olhar.
– Gostaria de tomar um café no dia em que estiver livre? – Peço ao colocar as mãos no bolso e ema me olha no olhos.
– Topo, sábado? – Ela propôs. – Eu tenho apenas esse sábado livre. – ela faz um bico adorável e logo o desfaz.
– Eu te busco, duas da tarde, pode ser? – Sorrio de canto de boca.
– Pode. – Ela sorri.
Estou enfeitiçado por esse sorrio.
– Fátima, você pode me ajudar com o Aroldo? Ele não para de se bater e precisotirar o sangue dele! – Pede um homem meio amarelo, cabelos lisos e negros e olhos escuros.
– Claro! – Ela olho pra ele e depois para mim. – Bem, preciso ir. Até sábado!
– Até!
Saio do hospital com Guilherme que agora está de cara feia e braços cruzados.
– O que foi? – Peço ao pegar meu celular e verificar se tem algo de Olivia, mas nada encontro, então resolvo deixar uma mensagem.
Onde está você? Oh! Minha boca suja preferida! S2
– Você convidou uma moça pra sair! – Pede ele como se fosse esse motivo de sua cara amarrada.
– E qual o problema? – Dou de ombros. – Queria que eu convidasse o homem que apareceu depois? – rio irônico.
– Não. – Ele para a minha frente e nos encaramos. – Eu prefiro que você convide minha mãe!
Respiro fundo e aliso meus cabelos e vejo se Olivia me respondeu, mas nada tenho. Ela já deve estar no avião. Mas ela me ligaria ou me mandaria uma mensagem de ultima hora dizendo que estava apavorada.
Alguma coisa aconteceu com aquela minha louca!
– Agora vou ter que te levar para casa! – Digo.
– O que? – Ele pede indignado. – Se eu voltar pra casa, minha mãe vai me matar!
– Não vai não! – Sorrio.
– Não podemos fazer um passeio...
– Não. – Digo ao verificar mais uma vez se há alguma chamada de Olivia e nada, nem mensagem.
– Ver onde você trabalha...
– Não! – Verifico mais uma vez e nada.
– Pai chato! – Ele resmunga ao cruzar os braços e fica de costa para mim.
– Agora mesmo que você não vai ficar comigo! – Olho pra ele que ainda está de costas. – Eu te levaria para o shopping ou dar uma volta!
– Mentira, ia nada! – Ele se vira pra mim e meu celular toca.
– Gandra! – Digo e ouço o grito de minha mãe.
– Meu filho, eu liguei para seu escritório e Lana me disse que você estava no hospital! O que aconteceu? Quebrou o braço de novo? Sabe que pode ficar comigo, não sabe?
– Não aconteceu nada, mamãe! Estou bem!
– Tem certeza? – Pede ela. – Não está escondendo nada da mamãe, não é?
– Claro que não, olha tenho que desligar agora. – Digo ao abrir a porta pro Guilherme que entra com um bico igual de um tucano e logo em seguida eu entro. – Estou indo para meu escritório agora, vai ser um dia agitado. Tenho uma surpresa pra senhora e o papai.
– Surpresa? Que surpresa? – Pede agora animada.
– Se eu contar vai deixar de ser surpresa. – Digo rindo.
– Oras! Você sabe que odeio surpresas! – Resmunga. – Seu pai está lhe mandando um beijo.
– Manda outro, agora tenho que desligar!
– Tudo bem, se cuida querido. Estaremos te esperando hoje. – Diz ela carinhosa e desliga.
– Para onde senhor? – Pede Souza.
Olho para Guilherme e ele está com a cara amarrada e braços cruzados, seus olhos estão presos na paisagem lá fora e sorrio.
– Para meu escritório, Souza. – Digo e ele muda sua expressão, mas não me olha. – Alguém quer ver o lugar onde trabalho.
Agora Guilherme me olha com um leve sorriso e depois volta a olhar para a janela.
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