Notas iniciais
Boa leitura!

– Tem certeza de que seu pai não vai nos matar por você estar indo embora a essa hora? – Maicon coça a cabeça em meio ao nervosismo e sorrio.

Algo que nunca vou esquecer!

– Eu disse que ligaria para ele me buscar e ele me aceitou numa boa! – Dou de ombros.

– Mas você disse que era na minha casa? – Ele apontou para seu próprio peito e rio.

– Quer parar de morrer de medo de meu pai? Ele não é nenhum bicho de sete cabeças, só é protetor e ciumento!

– Obrigado por me deixar mais tranquilo! – Ele diz com ironia. – A que horas ele chega?

Olho o relógio e sinto meu celular vibrar. Papai sempre pontual!

– Agora! – Saco o celular e aparece a foto de meu pai todo sorridente me segurando no colo quando eu ainda era um bebê.

Sempre que meu pai me liga eu me perco alguns minutos ao apreciar essa imagem, papai com aquele brilho nos olhos, sorriso que daria inveja no coringa e os cabelos meio loiros e lisos lindos que sempre deixa mamãe morrendo de amores por ele. E muitas das vezes papai precisa me ligar duas ou três vezes para que eu volte a realidade e atenda o celular.

– Não vai atender? – Pede Maicon ao apontar para meu celular.

– Oi! – Digo com um sorriso quando atendo o celular.

– Por que demorou tanto para atender? – Pede ele já impaciente. – O que estava fazendo? Por que não está no portão me esperando?

– Já estou saindo papai! – Digo carinhosa e sei que isso amolece seu coração.

– Tudo bem, estou esperando aqui no carro. Preciso sair? – Pede ele e sorrio mais uma vez.

– Precisa!

– Ok.

Desligamos e Maicon me encara como se tivesse vivendo em um filme de terror.

– Por que essa cara? – O encaro.

– Ele correu atrás de mim com um garfo enorme! – Ele diz exagerado. – Tem noção do que é estar frente a frente com um cara desses?

– Sei! – Digo rindo ao me levantar. – Vivo com um desse só a minha vida toda!

Maicon me leva até o grande portão e lá vejo papai encostado no carro de braços cruzados e todo agasalhado. Papai é tipo Maicon, não sente muito frio, mas aposto que foi minha mãe que o obrigou a usar, ou não sairia de casa.

Assim que nos aproximamos, papai abre um sorriso delicado, depois um triste e depois fica sério.

Algo errado?

– Boa noite, Senhor Gandra! – Diz Maicon amedrontado.

– Boa noite, Maicon. – Diz papai normalmente e enrugo minha testa, porém volto ao normal.

– Pai! Esse é Maicon, e Maicon, esse é meu pai! – Os apresento e eles me olham confusos. – O que foi? Vamos fazer certo dessa vez, nada de mal entendidos.

Eles apertam suas mãos naquele aperto de mão de homem de quem dá o aperto mais forte e reviro meus olhos.

– Você se parece com um menino que ficou me infernizando uma semana em minha casa atrás de minha filha! – Comenta papai irônico.

– Jura? – Maicon entra no jogo. – Até que você me parece familiar também! – Ele balança a cabeça de leve. – Naquele filme de terror onde um cara maluco corre atrás das pessoas com a serra elétrica, mas um garfo enorme é o que combina mais com você!

Com essa eu rio, mas prendo o riso quando o olhar feroz de papai cai sobre mim.

– Vamos! Sua mãe está louca e só vai se aquietar quando você chegar! – Ele diz sério e acena a cabeça para Maicon que retribui e entra no carro.

– Nos vemos amanhã? – Pede ele baixinho e beijo demoradamente sua bochecha. – Ual! Pode ser aqui também? – Ele aponta para os lábios deliciosamente carnudos.

– Boa noite Maicon! – Rio. – Te mando uma mensagem!

Papai dá partida assim que entro no carro e entramos em um silencio gostoso, mas acho que hoje ele não quer ficar no silencio comigo, pois está forçando sua respiração como se quisesse conversar.

– Aconteceu alguma coisa? – Peço ao olhar pra ele quando coloco meu sinto de segurança.

Ele nega com a cabeça ao fazer uma leve careta e volta a forçar a respiração.

– Ok, o que aconteceu para você estar fazendo isso?

– Isso o que? – Ele se finge de desentendido.

– Pai!

– Tá bom! Estou com ciúmes! – Ele se rende. – Mas não fala pra sua mãe que eu falei isso, ela me disse pra demonstrar que sou forte!

– E você é! – Aliso seu braço e ele me olha por alguns segundos. – E eu te amo muito por isso!

– Eu também te amo minha bolinha um! – Ele para no sinal e me beija na testa.

Seguimos para casa depois que o sinal abriu e ai sim fomos em um silencio gostoso, mas meu coração ainda batia preocupado.

Será mesmo que papai me deixaria viver no Brasil enquanto a tropa toda iria para Paris? Seria por isso que Souza ficaria no Brasil? Seria ele que tomaria conta de mim?

– Alícia? – Chama-me meu pai. – Vai ficar no carro?

– Hãm... não! – Digo quando tiro o sinto e saio do carro e papai me encarar com a porta aberta.

– Ok, agora sua vez de me dizer o que aconteceu! – Ele diz carinhoso quando fecha a porta do carro e me viro para ele.

– A gente precisa conversar! – Cruzo meus dedos atrás nas costas.

– Como eu gostaria de adiar todos os tipos de conversar com meus filhos. – Ele nega com a cabeça. – Vamos pro meu escritório porque aqui está frio de mais!

Quando entramos em casa vejo todo mundo deitado no chão da sala assistindo um filme qualquer, ou melhor dizendo dormindo na sala e a TV liga em um filme qualquer. Mas papai acorda primeiro minhas irmãs que resmunga coias indecifráveis e depois Guilherme que acorda no susto pensando que seu filho já está nascendo e Val volta da cozinha com um prato cheio de frutas picadas e sorri para nós. E por ultimo, meu pai pega minha mãe no colo e a carrega para o quarto.

Confesso que há muito tempo em que eu não via meu pai fazendo isso, e ainda mais fofo foi minha mãe fazendo dengo ainda sonolenta ao se encolher em seus braços.

Será que um diz meu futuro marido fará isso por mim?

– Não vai dormir? – Pede Val ao sentar no sofá e Guilherme sentar ao seu lado para roubar uma fruta de seu prato, porém ela não deixa. – Tem na cozinha! Eu em!

– Não. – Sento no braço do sofá. – Vou conversar com o papai agora!

– Arranca rabo há essa hora? – Pede Guilherme ao bocejar.

– Não, conversa de conversar mesmo.

– Quem pediu? – Ele me encara.

– Eu!

– Então não é merda! – Ele dá de ombro e fecha os olhos quando cruza os dedos atrás de sua cabeça fazendo uma pequena concha para se apoiar.

Papai volta minutos depois e me chama com o dedo.

– E vocês vão dormir! Já está tarde! – Ele diz.

– Pode deixar! – Val se levanta com o prato nas mãos como se fosse seu pote de ouro e Guilherme vai atrás bocejando e se espreguiçando.

Entramos em seu escritório onde é todo feito de madeira e há poucas coisas, nada passa de um pequeno armário, uma mesa e duas cadeiras.

– Posso ter uma ideia do que você quer conversar comigo! – Começa ele ao sentar na sua cadeira e sorrio ao sentar na minha de frente para ele.

– Mesmo? Então me diga como foi que isso começou?

– Não sei. – Ele dá de ombros. – Eu tenho uma coisa em mente do que seja, mas ao ver hoje quando fui te buscar, posso ver que é mais de uma coisa!

– Mamãe me levou ao paraíso dela. – Digo baixinho.

– Ah, isso! – Ele diz com um tom de tristeza.

– O que foi?

– Nada, continue. – Ele diz dando de ombros.

– Lá é um lugar bonito, tanto por fora quanto por dentro. – A paisagem do lago me invade a mente. – Ela me amostrou uns quadros antigos.

– Sua mãe sempre guardou os que ela mais gosta por lá.

– Ela me amostrou o que ela ama. – Nos encaramos e vejo certo brilho em seus olhos que dura alguns segundos. – Seu rosto.

– Eu também adoro aquele quadro!

– Mamãe pinta bem.

– Maravilhosamente bem.

Silencio.

– Mamãe me disse uma coisa que me deixou pensativa. – Começo com a voz baixinha e tenho total atenção de papai. – Ela disse que vocês conversaram sobre a viagem de Paris!

Ele apenas concorda com a cabeça.

– E me falou sobre o senhor me deixar em ficar aqui. – Digo calmamente esperando sua reação.

Meu coração batia forte e apertado. Será mesmo que papai me deixaria morar aqui? Então seria por isso que Souza ficaria também para cuidar de mim? Coitado de Souza, vou me esforçar para não lhe ar dor de cabeça, mas como será apenas uma e não três vejo que será algo fácil...

– Você me promete que vai se comportar aqui? – Pede ele baixinho.

– Ah papai! – Exclamo já indo para sentar em seu colo e ele me dá espaço.

Agarro seu pescoço com toda minha força lhe dando um abraço de urso que eu não dava há anos. Encho sua bochecha de beijos e sinto que está sorrindo, então paro e olhamos nos olhos e vejo papai se segurando para não chorar.

– Prometo me comportar todo dia! – digo e ele deixa uma lagrima cair e eu a seco.

– Não só todo dia, mas como todos os segundos do dia, não quero você dormindo tarde, não quero você indo pra balada, dando perdidos em Souza, muito menos fazendo...

– Vou ficar com Souza? – Meus olhos brilham de felicidade.

– Com meus pais, mas Souza vai ficar a sua disposição! – Ele diz um pouco enciumado.

– Eu te amo tanto papai! – O abraço mais uma vez.

– Eu também te amo muito meu amor! – sussurra em meu ouvido.

– Posso te pedir uma coisa? – Mordo meus lábios e ele enruga a testa.

– Por que sinto cheiro de barra pesada? – Diz desconfiado.

– O senhor me deixa namorar o Maicon?

Mordo meus lábios ainda com mais força e papai apenas me encara.

Meu Senhor Jesus! Será que dessa vez vai?

Notas finais
Então, não estou muito certa desse capítulo, mas espero que gostem!! Bjs, bjs e até breve! S2''