Um Insuportável solitário
56 Capítulo 56 - Hércules
Notas iniciais
Dia um
Cheguei a casa de meus avós e fui direto apra a minha nova cama e dormir ou apenas fiquei de olhos fechados.
Dia dois
Comi, e dormi ou fiquei apenas deitada.
Dia três
Deitada o dia inteiro no sofá com a Tv ligada e vendo qualquer coisa que passasse apenas para eu não ficar com meus pensamentos sozinha.
Diz quatro.
– Chega! Eu cansei! — Mamãe altera um pouco a voz na hora do café de manhã. — Mais que coisa! Até aprece que não é minha filha! Até parece que eu não sou eu, mais que merda! — Ela balança a cabeça e todos nós olhamos para elas que alisa os cabelos algumas vezes. — Vá para quarto e coloque um biquíni! Hoje é sábado, vamos a praia, todos estão em casa e eu me recuso a ficar em um lugar tão lindo dentro de casa! Se você está depressiva, hoje isso acaba, porque nenhuma Hedi fica assim parada!
Ela agora me fuzila com os olho e eu tomo lentamente meu suco por causa de meus pulsos ainda costurados.
– Está esperando o que Alícia? Vamos! Vamos!
E a mesa vira um furacão e sou empurrada por meu tio até o quarto com um sorriso enorme. Balanço de leve minha cabeça e vou a caça de um biquíni que eu me lembre não ter de colocado nada, na verdade quem arrumou minha mala fora minha mãe e posso ter quase certeza que ela colocou o essencial. Nem preciso procurar, logo encontro um biquíni preto e simples e bem básico no canto de minha mala e me visto mais lenta do que uma tartaruga.
Me olho no espelho e vejo meu corpo em forme e me alegro com isso, porém quando meus olhos caem sobre meus cabelos todos picotados e desajeitados me bate uma vergonha, mas não me importa muito. Porém ir a praia com esse cabelo não me agrada nem um pouco.
Posso ter feito a maior merda do mundo, mas ir com esse cabelo já é de mais. Se Louise estivesse aqui ela faria questão de raspar minha cabeça só por eu ter ousado fazer isso. Louise sempre fora cuidadosa com nossos cabelos, achava o máximo que as trigêmeas fossem idênticas, mas isso já passou. Hoje seguremos caminhos deferente e eu começo pelo meu cabelo.
– Acho que alguém quer mudar o visual, mãe. O que a senhora acha? — Mamãe diz sorridente ao cruzar os braços na porta e minha avó lança um sorriso de coringa ao segurar a tesoura.
– Quer uma franjinha delicada? Vai ficar linda. — Diz vovó carinhosa.
Sento-me na cadeira enquanto vovó se aproxima sorridente e mamãe pega um lençol e me envolve.
– Pelo menos não está tão curto. — Vovó fala.
– O que acha daquele corte repicado, já que há lugares mais curto? E fizesse um bico na frente? — Mamãe propôs.
– Chanel? — Pede vovó.
– Esse, mas um chanel meio diferente. O cabelo dela não dá pra fazer muita coisa. — Mãe bufa.
As vezes acho mamãe tão adolescente e meio... maluca.
– Tem alguma coisa em mente, meu amor? — Pede vovó a mim e nego com a cabeça.
Desde que vim para cá não troquei uma palavra se quer, mas para garantir a mamãe que não havia ficado muda eu disse que só não queria falar.
Mamãe pega meu Ipad que nem eu sabia que estava aqui e me amostra algumas fotos de cabelos curtos e todos são lindos, mas penso que em mim não ficaria bonito, porém ao ver o corte da Jennifer Lawrence meus olhos brilharam e mamãe percebeu e disse que seria esse o corte. Então vovó começou com as mãos magica e em questão de minutos lá estava eu de frente para o espelho apenas de biquíni e com meu novo corte.
Minhas mãos automaticamente vão aos fios curtos e organizados agora, e meus la´bios se formam em um sorriso ao ver que ela primeira vez em minha vida estou sendo diferente e mamãe e minha avó sorriem atras de mim, porém quando meus olhos pousam em meus pulsos meu sorriso morre e elas se aproximam.
– O que foi meu anjo? — Pergunta vovó.
– Não gostei do corte? — Pede mamãe agora triste. — Está linda, até Louise vai adorar!
– Não é isso. — Sussurro e elas prestam atenção em mim. — Desculpa pelo o que fiz. Me desculpa se dei um susto enorme em vocês, nada justifica o meu ato...
– Chega! — Mamãe me corta secando minhas lagrimas que eu nem havia percebido. — Chega de chorar meu anjo, agora você é uma nova mulher e vamos pra praia pegar um solzinho e dar um mergulhinho básico!
– Mas mãe! — levanto meus pulsos.
– Não vai morrer se ficar poucos minutos no sol ou dar um mergulho, eu sei que você adora praia.
E assim todos nós fomos a praia, meus avós, minha mãe, meu primo que parece um fantasma camarada de protetor e meu tio que agora é só sorrisos para mim.
Escolhemos umas cadeiras e sentamos perto da água e mamãe coloca um enorme guarda-sol e nos acomodamos, meu tio é o primeiro a ir para a água e vovô o acompanha e em seguida meu primo todo desajeitado.
– Não vai entrar mãe? — Pede minha mãe passando um bronzeador, eu acho.
– Daqui a pouco. — vovó dá de ombros. — Pegar um sol é sempre bom!
Elas sorriem uma para a outra e sinto saudades de minhas irmãs. Elas são chatas, pegam no meu pé e querem que eu as acoberte em tudo, mas não consigo viver sem elas.
Como devem estar se saindo com papai?
Mamãe me falara que os castigos acabaram, até saíram para jantar e estavam penando em fazer uma social com algumas pessoas da família, pois a casa está muito vazia e tenho total certeza de que se meus avós, pais de meu pai souberem desa social vão transformar em uma grande festa.
Falando em festa, estou prestes a fazer quinze anos e lembro-me de papai dizendo que nos daria presente em vez de festa ou caso se queríamos tanto festa ele nos daria, pois essa é uma data importante para todas as meninas. Mas pensando bem eu não gostaria de uma festa, eu nunca fui fã de festas, somente as de escolas onde não tem adultos para nos vigiar e controlar.
Meus pensamentos são interrompidos quando ouço as risadas abafadas de minha mãe e minha avó e olho para elas.
– Meu Deus! — Diz mamãe rindo ainda mais. — Como pude fazer uma tão parecida como Kaik? — Ela pergunta a si mesma e sorrio discretamente. — Desde pequena!
– Lembro-me de Kaik me perguntando se eu achava que Alícia não gostava dele pelo fato de tanto ser encarado por ela. — Vovó me olha.
– Estou ouvindo. — Digo para elas que acenam com a cabeça.
Elas entram em uma conversa sem fim dos tempos em que eu e minhas irmãs eramos bebês e fomos crescendo sapecas, como minha mãe segundo minha avó.
Descubro também que minha mãe foi aquele tipo de pessoa que fala e doa a quem doer, falou também do primeiro encontro vergonhoso com meus avós na empresa de papai, das vezes em que ela marcava com a tia Isadora e tia Briana para beber em casa enquanto as crianças brincavam no quintal.
Cansada de ouvir elas falarem como matracas, pergunto se elas querem alo para beber que vou até o pequeno bar pegar umas bebidas e elas negam com a cabeça.
Coloco meus óculos escuros e ando lentamente até o pequeno bar que está um pouco cheio. Droga! eu só quero uma água!
– Λίντα. — Diz uma voz grossa e totalmente sedutora e continuo a olhar para frente quando me sento no pequeno banco de madeira clara.
– Ένα νερό ανά avor! — Peço e sou completamente ignorada.
Vejo dois caras altos e fortes, brancos e simplesmente lindos. Na verdade a maioria das pessoas aqui são lindas. Não seria uma má ideia morar aqui e ser privilegiada com essas visões.
– Λίντα! — Diz a voz outra vez e quando vou virar para dar um fora com a minha cara mais fechada e séria que papai me ensinara, meu rosto cai em total surpresa pelo garoto a minha frente.
– Oh, meu Deus! — Digo realmente feliz e o abraço.
Sabe aqueles amigos de infância em que a gente se apaixona, porém moramos muito longe um do outro para levar esse sentimento a diante? Então, mais ou menos isso.
– Por que não me avisou que estava aqui? Teria te buscado no aeroporto! — ele expulsa um cara que estava sentado ao meu lado para se sentar.
Esse é o Hércules! Mandão, irônico, arrogante, gostoso, lindo e...
– eu... eu não sabia que vinha. — Gaguejo e pisco par de vezes.
– Ficou linda com esse corte. — Ela me analisa e tiro meus óculos. — Sempre me perguntei se algum dia ia cortar os cabelos.
– Como soube que era eu? — Peço ao enrugar minha testa de leve.
– Louise e Larisa jamais fariam isso o que você fez! — Escondo meus pulsos. — Me refiro ao seu cabelo, mas isso também conta. — Ele aponta para meus pulsos escondidos e ele pede minha água ao cara que logo me entrega e ele paga. — não quero saber o que aconteceu. — Ele pisca para mim. — Prefiro aproveitar o tempo conversando sobre coisas bobas com você! Sinto sua falta.
Dou um leve sorriso. Agora me pergunto como eu pude esquecer desse garoto...bem, está mais para aqueles homens de livros eróticos de tão perfeito que está.
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