Um Insuportável solitário
55 Capítulo 55 - Menino insistente
Notas iniciais
Dia quatro
Mais uma vez acordo com dor na coluna e não sei se é por ter dormido no chão duro ou por ter minhas duas filhas dormindo agarradas a mim que mal pude me mexer durante a noite.
Louise e Larisa até que estão bem atenciosas comigo depois de Alícia e Olivia terem partido para Grécia, me feito mais companhia e conversado mais. Tinha me esquecido como era tão bom interagir com minhas filhas que me deixava na dúvida de voltar a trabalhar ou não. Isso é um caso a se pensar.
Olho a hora no relógio em meu pulso esquerdo e vejo que dará sete horas. Meninas estão atrasadas e Louise odeia se atrasar.
– Meninas. — Digo com a voz rouca pelo sono. — Acordem!
– Nhãm... — Louise diz ao estar sonhar mastigando alguma coisa.
Até em sonho essa garota pensa em comida?
– Vocês vão se atrasar! — Digo soltando meu braço de Larisa que desperta em meio ao susto e olha ao redor. — São quase sete horas!
– Puxa vida! — Ela resmunga de cara fechada. — Vamos Louise acorda! A gente vai chegar atrasada hoje!
– Nhão! — Ela diz manhosa ao dar as costas ainda agarrada a meu braço.
– Lolo, hoje é teste da maria eu sei de tudo e você é burro de mais para entender minha matéria! — Ela diz rápido ao fazer um coque no alto da cabeça.
– Mais que droga! — Resmunga Louise se levantando feito um foguete. — Ela vai me comer viva!
E as duas saem correndo desesperadas para o quarto.
Sorrio para o nada ao ver minhas duas bolinhas agitadas e me lembro de quando ainda tinham apenas cinco aninhos e brigavam por qualquer coisa que queriam ao mesmo tempo, mas minhas lembranças não continuam pois dois furacões descem já com os uniforme e catam qualquer coisa na cozinha e colocam em suas mochilas e me beijam, bagunçam meu cabelo e me abraçam apertado e me desejando bom dia e para eu esperá-las para o almoço e me deixa sozinho outra vez.
Respiro fundo e quando me levanto ouço meu celular tocar e meu coração bate acelerado ao penar que é minha Olivia e meu sorriso se faz presente em meu rosto quando vejo sua foto sorridente com minhas três bolinhas ainda bebes na tela.
– Oi. — Ela diz baixinho.
– Oi. — A respondo no mesmo tom.
– Liguei para dizer que estamos bem. E como está tudo por ai? As meninas não me ligaram!
– Elas acabaram de sair, estão atrasadas e segundo Larisa hoje tem a teste da maria eu não sei o que mais é burro para entender minha matéria!
– Maria eu sei de tudo e você é burro de mais para entender minha matéria! — Ela me corrige rindo e sorrio ainda mais.
– Isso ai!
– Elas não costumam se atrasar!
– Ficamos vendo filmes ontem até tarde depois do jantar!
– Hum!
– Quando os gatos saem os ratos fazem festa! — Brinco.
– Quando maior a festa, mais a bagunça pra arrumar! — Ela diz em tom sério e paro de sorrir.
– Desculpa!
Ela suspira e sei que está de olhos fechados até voltar a falar.
– Olha, mamãe está me chamando para ajudar a preparar o jantar. Mais tarde te ligo.
– Ok.
– E Alícia está bem, do jeito dela, mas está bem.
– Que bom.
– É
Silencio!
– Eu te amo! — Digo.
– Eu também te amo meu amor mais cabeça dura, mais durão, chato, e insuportável!
Rio e ela ri de leve.
– Ok, agora tenho que desligar. Tchau!
– Tchau!
Na hora do almoço meu padrinho com Tia Ana com seus filhos Fátima e Francis. Minhas filhas chegam reclamando da vida como é injustas com elas que estarão de ajudante da professora não sei o que por terem chego atrasada no teste dela, porém ao ver nossas visitas seus humores mudam e agora são só sorrisos. Tia Ana ajuda Olga a fazer o almoço enquanto eu, meu padrinho Pietro e seu filho Frances conversamos sobre trabalho e essas coisas na sala e as meninas conversam animadamente sobre festas.
Festas? Eu ouvi festas de quinze anos?
Mas sou distraído quando o telefone toca e de novo é aquele furacão para ver quem vai atender e as duas colocam no viva vos e todos conversam com Olivia até que Ana nos chama dizendo para sentarmos que o almoço já será servido e assim que tomamos nossos lugares ouço uma gritaria vinda lá de fora e enrugo minha testa quando vejo que todos me olham.
– ALÍCIA! EU SEI QUE ESTÁ AI! APAREÇA! — Reconheço a voz de Maicon e reviro meus olhos.
Esse garoto de novo não!
Me levanto e ajeito meus cabelos e sua voz é mais forte vinda do quintal de trás e abro a porta da cozinha e o vejo com cara de determinado e com a respiração rápida.
– Já disse que Alícia ão está, agora já pode ir! — Digo ao cruzar os braços e ele se aproxima três passos.
– Mas senhor Kaik! O Senhor precisa acreditar em mim. — Ele suplica e o observo. — Você viu que eu tentei falar com sua filha, mas ela quase me deu uma voadora quando cheguei perto dela. Ela sabe que esse filho não é meu, EU SEI que esse filho não é meu! Posso trazer o pai se você quiser, isso se ela estiver realmente gravida!
– Maicon...
– Eu só preciso que sua filha acredite que eu não sou a roga do pai! Mais que saco! Por que ela nunca acredita em mim? — Ele diz a ultima pergunta mais para si mesmo e Louise faz questão de responder.
– Por que você é um idiota de um piolho que vai na cabeça das pessoas.
– Quando que fiz isso? — Ele abre os braços indignado. — Tudo o que fiz foi proteger sua irmã...
– Querido, isso aqui é a realidade! — Louise sorri sarcasticamente. — Não é um conto de fadas para que você proteja a donzela encantada. E você não seria um príncipe encantado a participar do conto de fadas da minha irma por ter feito o que fez! — Ela fica séria.
– Eu não... ah merda! Eu só beijei aquela louca!
– Viu. — Ela dá de ombros. — Você já leu algum conto de fadas onde o príncipe trai a confiança de sua amada? Seu idiota!
– Ok, eu errei...
– Bota erro nisso!
– Maicon se você não sair de minha casa agora terei que chamar Souza para lhe por para fora a força! — Digo olhando para ele que deixa os ombros cair derrotado.
– Tudo bem, mas não vou desistir até que sua filha entenda que aquele filho não é meu! — Ele me avisa.
– Ok. — Concordo com a cabeça e volto para a cozinha.
– Quem é esse menino? — Pede minha tia Ana.
– Ex de Alícia! — Responde Larisa tomando um gole de seu suco.
– Nunca pensei que Alícia iria se envolver agora! — Meu padrinho dá de ombros.
– Eu pensei que nenhuma das três se envolveria agora. — Fecho a cara ao olhar para Louise e Larisa que sorriem abertamente para mim e me mandam um beijo.
O resto almoço foi divertido onde eu e meu padrinho relembrávamos os tempos em que eu era criança e as mancadas que ele dava com meu pais e meus tios, minhas filhas se divertiram com Fátima quando ela falava sobre moda e Louise era a mais interessada, Tia Ana ficou conversando com Olga sobre umas receitas que ela havia aprendido com a avó dela.
Assim que eles partiram, minhas meninas correram para seus quarto e eu mais uma vez fiquei sozinho na sala encarando-a silenciosa.
– Senhor, vai querer que eu prepare o jantar agora? — Pede Olga me trazendo a realidade.
– Ah, não. Vamos jantar fora. Pode deitar se quiser, não precisarei de seus serviços hoje. obrigado.
– Com licença. — Ela sorri acenando com a cabeça.
Subo as escadas com a cabeça voltada para Alícia e Olivia e vejo que não fui um bom pai ou marido nesses últimos anos e meu peito bate apertado, porém sou aliviado quando ouço as risadas de minhas meninas e sorrio para a porta fechada de seu quarto.
– Meninas? — Bato de leve na porta e elas gritam um sim. — Vamos jantar fora hoje.
Elas vibram e sorrio ainda mais.
Vou para meu quarto e fecho a porta atras de mim, vou tirando a roupa pelo caminho e fecho meus olhos quando abro o chuveiro e sinto aquela água gelada cair sobre meu corpo. lavo meus cabelos, me ensaboo umas duas vezes e fico parado de baixo d'água de olhos fechados pensando onde é que eu havia errado com minha filha.
Quando vejo meus dedos ficarem enrugados percebo que é hora de sair e visto uma calça jeans, uma blusa de manga gola V preta e sapatênis preto com azul marinho, passo o perfume que minha Olivia me dera e coloco meu relógio de prata e ajeito meus cabelos para o lado e depois dou uma leve bagunçada.
Pronto!
No final do corredor vejo a porta que dá para o sótão e a curiosidade me invade, esse é o único lugar que eu não entro faz anos. Me aproximo alguns passos e coloco minha mão sobre a maçaneta e vejo que está destrancada e entro subindo as escadinhas e ascendo a luz e vejo o material de pintura de Olivia espalhados pelos cantos como em seu antigo apartamento e meu coração dá uma batida calorosa.
Me aproximo para um quadro que está diante de sua cadeira e suponho que estava pintando antes de acontecer aquilo tudo com Alícia e vejo que no quadro só tem cores escuras, na verdade a maioria dos quadros que estão no chão apoiados nas paredes têm cores escuras e enrugo a minha testa ao pensar que minha menina está com pensamentos nebulosos.
Será por causa de mim? Ou de Alícia? Ou por causa de problemas que eu nãos sei?
Há também panos grandes cobrindo outras coisas e minha curiosidade está aguda então resolvi descobri-las e minha visão fica turva ao ver que são os quadros da exposição onde havia meus rostos, bocas e olhos.
– Quem pintou esses quadros? — Pede Larisa.
– Caramba! são perfeitos... olha esse aqui do papai Larisa! — Ela a chama e as duas ficam ao meu lado. — Quem os pintou pai?
– A mãe de vocês! — Digo baixinho ainda olhando para o quadro do meu rosto.
– Caramba, Guilherme parece tanto com você! — Louise toca o quadro. — Até os olhos, o cabelo!
– Papai sempre bonito! — Larisa sorri para mim.
ficamos em silêncio por aluns minutos até que eu respiro fundo e tampo os quadros.
– Bem, agora vão se arrumar que vou ligar para o irmão de vocês para jantarmos fora! — Digo as empurrando pelas costas.
– Por que? Vamos comemorar alguma coisa? — Questiona Larisa.
– Talvez! — Dou de ombros.
– Adoro comemorações! — Louise bate palmas empolgada.
– Sei bem como você adora! — Neo com a cabeça ao me lembrar da noite em que elas fugiram.
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