Um Insuportável solitário
26 Capítulo 26 - Verdade que me bloqueia
Notas iniciais
Toda a exposição estava sendo conforme o planejado. Os quadros que continha o rosto e os olhos, os lábios de Kaik foram os mais falados, e na sessão de fotos, tirei varias com Fabiana, meus pais, meu irmão e meu sobrinho e com Kaik e Cael.
O intrometido!
Alegou que nos quadros também ser o rosto dele já que Kaik é a cópia dele. Então tirei varias fotos com os dois e depois algumas com Kaik. É claro que tirei uma casquinha. Tiramos muitas fotos abraçados, ele beijando minha testa, eu fazendo careta junto com ele, eu o agarrando portas.
Como diz meu pai! Sou suja toda vida!
Mas quem se importa? Se é essa foi a ameniera que encontrei de resgatar o amor d eminha vida, por que não fazer? Você faria?
Foi o que pensei!
Depois fomos a um coquetel e tirei mais algumas fotos com alguns artistas plásticos que ficaram encantados com minhas obras e conversei com alguns.
Mas minha mente estava voltada apenas para o homem dono dos olhos caramelados. A sensação de alegria, paz, de o mundo ter parado naquele instante das fotos está de volta. E nos braços dele onde quero estar, lá é o meu lugar onde eu nunca deveria ter saído e assumido que lá é o meu lugar. Mas ao vê-lo com aquela lambisgoia loira toda gostosa ao lado dele, me parte o coração e faz com que meus olhos fiquem marejados.
– Olivia, está na hora da entrevista! – Fabiana me tira de meus pensamentos conturbados.
– Oh, sim. – Dou de ombros.
– Sente-se bem querida? – Pede ela e apenas aceno com a cabeça.
Fabiana me diz tudo o que estava acontecendo na exposição, me disse também que o quadro mais cobiçado por todos aqui é o que pintei apenas os olhos de Kaik.
Realmente não é só a mim que os caramelados encantam a mim.
Fomos para o corredor onde há somente os quadros dele e meu coração se aperta inda mais, a cada passo que dou automaticamente meus dedos tocam as telas e a ultima que paro é a de seus olhos e onde há uma pequena multidão de pessoas em pé e lá há um banquinho de madeira moderno me esperando e respiro fundo. Não era bem isso que eu planejei, não eram bem esses quadros que eu queria expor. Mas nem tudo é como nós planejamos.
Sento no banco ainda com a mente voltada para Kaik nos momentos em que ficavamos em meu apartamento, quando andávamos de bicicleta, quando íamos ao cinema e ficávamos tacando pipoca nos outros, quando eu simplesmente invadia seu escritório e o arrancava de lá e nos acabávamos na boate.
Como pude esconder esse sentimento todos esses anos?
– Olivia Hedi? – Pede uma voz masculina e pisco par de vezes voltando à realidade.
– Sim? – Forço um sorriso e olho para frente.
Alguns fotógrafos e repórteres ficam algumas cadeiras à frente e outros convidados logo atrás.
Caço Kaik entre a multidão e não o encontro, mas encontro todo a sua família quase no final do corredor e todos estão acomodados, meu irmão está logo a esquerda na segunda fileira junto com meus pais e meu sobrinho. Ajeito meu cabelo apenas para ganhar mais tempo e volto a procurar Kaik e finalmente o encontro enquanto no final do corredor alisando os cabelos em sinal de nervoso e não encontro Lúcia.
Será que brigaram outra vez? Espero sim, e espero também que ela tenha ido embora!
– Srt. Hedi! – Cochicha Alana. – Srt. Hedi!
– Oi! – Digo baixinho ao me virar para ela.
– Responda a pergunta! – Ela pede e olho pra frente.
– Perdão, poderia repetir a pergunta, por favor? – Peço.
– A partir de que época você não se lembra das coisas, ou sua memória já voltou? – Pede um repórter e reviro meus olhos.
– Bem, as perguntas serão relacionadas ao m eu trabalho, caso isso não seja do interesse de vocês. Pode se retirar, por favor! – Sorrio, porém logo o desfaço.
– Qual a ligação dos quadros de cores misturadas com as do rosto do rapaz? – Pede uma repórter a minha direita.
– Na verdade o que posso lembrar... é que não tem muita coisa ligada! – Digo com um olhar distante. – Apenas pinto o que me dá vontade!
– E você teve vontade de olhar nos olhos ou beijar a boca do modelo? – Pede oura repórter e rio.
Todos riram.
Eu caio na gargalhada.
Todos riram mais um pouco.
Eu agora rio mais alto.
Todos entram em silencio.
Crise de risos.
Levo alguns minutos para que minha crise de risos parasse e quando para, repiro fundo e fecho meus olhos.
– É sério essa pergunta? – Peço quase rindo outra vez e vejo a repórter acenar em positivo com a cabeça. – Bem, na verdade eu não lembro bem. – Enrugo minha testa e entorto a boca. – Mas podemos dizer que seria um desperdício em não pintar um rosto tão lindo como o dele.
– E o que ele achou dos quadros? – Pede alguém.
– Não sei. – Dou de ombros. – Pergunte a ele!
– Qual o no me dele?
– Kaik. Porém ele tem um irmão gêmeo chamado Cael. Que muitos confundiram. Acreditem. – Sorrio. – eu também.
Eles riem.
– Podemos dizer que o que mais destaca nos quadros do rosto de Kaik são os olhos. – Diz uma repórter a minha frente. – O que eles diziam a você quando estava pintando-o?
Meu Deus! Eles querem saber se eu e Kaik fomos pra cama? Para o meu azar, não!
– Eu ainda não sei! – Digo ao olhá-lo no fim do corredor. – Mas estou prestes a descobrir!
Lanço um sorriso de canto de boca e sei que ele também está sorrindo.
– Qual a relação de vocês dois?
Bingo! Bando de fofoqueiros!
– Melhores amigos!
E todos murmuram algo como “duvido”, “não parece só amizade” e entre outras coisas, mas os ignoro. Meus olhos e mente estão focados apenas no homem de terno preto de pé no final do corredor.
– Você pretende expandir suas artes para fora?
– Claro! Por que não? – Dou um sorriso mais amplo. – Quero encantar o mundo com os olhos caramelados de meu melhor amigo! – Enfatizo o meu.
E a noite se estendeu em algumas perguntas e logo depois vieram alguns artistas internacionais falarem comigo querendo que eu faça uma parceria e logo joguei essa conversa para meu empresário Arthur, ele adora essas coisas.
As pessoas vão se despedindo e até meus pais já partiram e acho que está apenas eu e alguns seguranças na exposição e vou andando pelo corredores apreciando minhas obras e começa a tocar uma música da Pink- Try.
Jura? Logo essa?
Bufo de leve e solto uma leve risada e mais uma vez meus dedos vão tocando cuidadosamente os quadros de Kaik, mas a que eu mais encaro e acaricio é a do rosto todo dele. Os cabelos bagunçados, o olhar penetrante, o sorriso de quem vai aprontar e um pouco malicioso também. A pela branca e lisa, sem nenhuma marca, sem nenhuma cicatriz, nem mesmo pinta ele tem. Apenas fica sexy quando deixa a barba crescer, e quando fica muito grande fica parecendo um velho.
– Me pergunto desde que cheguei aqui, o porquê de meu rosto está nessas telas! – Kaik diz baixinho ficando ao meu lado e olhando o quadro.
Dou um leve sorriso ao cruzar meus braços nas costas e não tiro o olhar do dele no quadro.
– Sabe, eu estava pensando sobre isso! – Olho pra ele. – Juro que ainda não encontrei a resposta por seu rosto está em quase todos os quadros! – rimos.
– Acho que você me acha muito lindo! – Ele dá de ombros se achando.
– Talvez seja! – Sorrio canto de boca.
Ficamos em silencio e a música entra no coro e olho pra cima e em seguida para o quadro.
– Meus olhos são encantadores? – Pede ele.
– Sim. – Olho pra ele. – Tanto esses quando esses aqui! – Aponto para ele e depois para o quadro. – Realmente eu pinto bem. Peguei todos os detalhes!
– Nem todos. – Ele diz bem baixinho quando fico meu olhar no quadro.
– Por que ficou? – Peço.
– Não sei. – Ele dá de ombros e coloca as mãos no bolso de sua calça. – Talvez eu quisesse ficar um pouco a sós com você!
– Alguém sentindo minha falta? – Digo rindo e ele diz que sim com a cabeça.
– Você nem imagina o quanto! – Ele diz com uma voz sofrida.
A minha primeira vontade é de dizer toda a verdade, eu sei que não vou conseguir levar a diante por muito tempo, mas ele me fez sofrer tanto. Porém não é justo pagar na mesma moeda, eu só estaria perdendo tempo.
Respiro fundo e deixo meus ombros caírem e o puxo para um abraço e ele me engole com seu abraço de urso me deixando sufocada.
– Kaik... ka... kaik! – O chamo.
– Hum?
– Res... respirar! – Digo ainda mais sufocada quando ele me aperta ainda mais e depois me solta. – Meu Deus! Quase me esmagou!
– Desculpe, estava com saudades de sentir seu corpo! – Ele diz ao moldar os lábios com aquele maldito sorriso malicioso.
– Eu também... quer dizer, que bom! – Digo nervosa e ele enruga a testa de leve. – Que bom que... que somos melhores amigos! Hum? E a...
– Olivia? – Chama-me Arthur. – Vamos, nosso carro já chegou!
– Oh! Sim, sim! – Digo olhando pra ele depois para Kaik que disfarça muito mal sua carranca. – Tem como voltar para casa?
– Tenho. – Ele diz sério.
– Então nos vemos em breve!
Aceno para ele quando ele pensa que vou dar um beijo e dou as costas dando o braço para Arthur e beija-me a testa.
Arthur está me saindo melhor do que o combinado.
...
– AAAAAAAAAAAAAArg! MAIS QUE MERDA! – Esbravejo.
Jogo a lata de tinta azul na tela já com as cores verde e amarelo e vermelho. Um caos total que está o meu apartamento.
Sim, voltei para o meu antigo lar e cá estou eu em meu quarto onde sempre pintei, só que hoje nada sai coisa boa na tela, e tenho apenas duas semanas pra entregar a Fabiana.
Já se passaram três meses desde a minha primeira exposição e meu trabalho só tem aumentado, Isa ultimamente tem passado comigo, pois ela gosta de ver meus rabiscos e como eu dou vida a tela branca. Mas nessas ultimas duas semanas, Isa não tem ficado comigo, meus pais não tem me ligado, não tenho recebido visitas de ninguém, a não ser de Kaik.
Falando em Kaik, o mesmo está ficando cada vez mais próximo a mim e eu estou ficando cada vez mais maluca em não contar logo a verdade, só que ele me corta toda vez que resolvo contar, então tecnicamente não é minha culpa. Tem a parcela dele também.
Respiro fundo e tiro meu avental e passo o braço limpo no rosto para secar um pouco do meu suor e sento no chão frustrada por nada sair do meu agrado, nem mesmo pintar o rosto de Kaik está saindo bom, apenas borrões e nada mais.
Praticamente não sei pintar mais. Estou tendo um bloqueio da poha!
– Ouvi gritos! – Kaik diz ao entrar no quarto. – Ual! Bloqueio?
– Como sabe? – Peço ao enrugar a testa.
– Eu percebi que você estava com bloqueio desde quando me disse que ia começar novos quadros, mas você não parava em casa. Ai... – Ele puxa uma cadeira limpa e senta ao meu lado e me entrega um saco pardo.
Hum! Comida!
– Você deixa para cima da data de entrega ai quando você grita e posso dizer que aquela lata ali no chão foi você que jogou, e a julgar pelo seu grito... está com bloqueio! – Ele diz carinhoso e em seus lábios nasce um sorriso de canto de boca.
Posso me apaixonar ais de uma vez por ele? Acho que sim.
– Hum... – Arquei uma sobrancelha e deixo o saco de lado e me viro pra ele ao agarrar meus joelhos. — Então o espertalhão pode me dizer como eu faço para minha criatividade voltar, já que você sabe mais coisas sobre mim do que eu mesma?
– Será um prazer! – Ele diz ao se levantar e estender uma mão para mim.
A pego sem hesitar e corro para o banheiro apenas para tirar as tinhas em meus braços e pés. Calço meus allstar pretos e meus óculos escuros e o encontro na sala me esperando.
– Sempre com os óculos! – Ele comenta sorridente.
– Vi nas fotos que eu não largo ele, e até que ele é bonito. – Pisco, mesmo ele não podendo ver. – Até que eu tenho bom gosto! Estou bonita?
Estou vestindo apenas uma blusa de alcinha bege, com renda e alguns babadinhos e um short jeans escuto e curto e cabelos jogados ao vento.
– Está simplesmente gostosa! – ele ri.
– Não vai colar esse papinho pra me comer! – Solto ao revirar os olhos e ele me olha surpreso. – Oh, meu Deus! Desculpe! – Finjo está surpresa com que eu disse. – Meu Deus! Eu nunca falei assim com ninguém! Perdoe-me. Meu Deus! De coração me perdoe! Isso não é coisa a se dizer a um homem mesmo ele sendo seu melhor maigos...
– Calma, calma! – Ele ri e ajeita os cabelos. – Você costumava me falar essas coisas quando você pensava que eu queria... hãm... – Ele coça a cabeça nervoso e cruzo meus braços esperando sua resposta. – quando você pensava que eu queria... queria...
– Deixe pra lá! – rio ao pegar pelo braço dele e sair de meu apartamento.
Nunca que eu imaginaria que Kaik me levaria para andar de bicicleta, e olha que andamos muito, conseguimos chegar até a praia. E olha que de que carro é quase uma hora, agora imagina indo de bicicleta? Não quero nem ver o tempo que levamos.
Pela cidade andamos pela ciclovia e ele me amostrou onde os pais deles se conheceram , onde eles se esbarram pela primeira vez. Ele me contou com detalhes. Dona giovana era daquelas que nunca acreditava em amores e coisas relacionada, mas sempre foi uma romântica nata, pois era escritora e era dona de uma livraria na qual Kath toma conta. Kaik me disse também que Dona Giovana caiu em cima de algumas frutas da barraca do Felix, onde Kaik e Cael já derrubaram muitas frutas dando dor de cabeça a Dona Giovana e o Sr. Gandra.
Eu apenas caia na gargalhada com todas as coisas que ele me contava sobre os pais dele, nunca em toda minha vida que a doce e calma da dona Giovana era lutadora de box e luta livre.
Serio. Isso nunca passaria em minha mente.
Ele disse também que sua irmã adotiva mais nova, Gabriela, de apenas doze anos luta pelos os estados brasileiros. E para o desespero do Sr. Gandra, a menina é acompanhada pelo avô, pai de Sr. Gandra. O fanático por luta.
Já o seu irmão adotivo também, Patrique está em Paris estudando em algum colégio interno que não lembro o nome, e o que mais me espanta é que foi escolha do pequenino e dona Giovana ter deixado já que Kaik me dissera que ela é muito ciumenta com os filhos. E até com os netos.
Agora deitada na areia sentindo o leve vento soprar meus cabelos para os lados, encaro o céu ficando um laranja e um rosa com poucas nuvens.
– O que te atormenta? – Pede ele baixinho ao meu lado.
– Nada!
– A verdade!
– Só estava pensando nos seus pais. – Digo ao dar de ombro.
– O que tem meus pais? – Ele se deita de lado e apoia a cabeça em sua mão.
– Não sei, não me parece estranho. – Tento dizer a verdade sem que ele tenha um ataque.
Ele enruga a testa.
– Ah! Eles se trombando? – Pede ele. – Foi assim que nos conhecemos também. – Ele ri e arquei minhas sobrancelhas fingindo lembrar. – Você... se lembra disso?
– Hum... – Fecho meus olhos.
Odeio fazer cenas! Não é à toa que escolhi as telas brancas.
– Nos conhecemos na mesma faculdade, primeiro esbarramos no banheiro feminino! – Enrugo minha testa e rio dele. – Na porta, eu estava passando e você saiu. – Ele alisa meu rosto e tira alguns fios que ficam entre nós. – Eu segurei seu caderno e você o queria de volta, eu não conseguia te devolver, pois eu queria ficar olhando pra você!
Desvio o olhar por alguns instantes e volto a encará-lo.
– Você me pediu o caderno e te dei, e você partiu. – Ele faz um bico adorável. – Nem esperou eu pedir a informação, ai encontrei um idiota que era seu ex e me mandou para uma sala que não existia e onde fui parar?
– No pátio de trás da escola? – Peço rindo e ele me olha surpreso.
– Você lembra? – Pede ele esperançoso.
– Não muito, parece mais sonhos borrados. – Dou de ombros.
Conto ou não conto? Ele parece calmo, mas ainda não o suficiente!
– Sim, você estava lá! – Continua ele com uma voz carinhosa e alisa meus cabelos. – Estava deitada no banco, ai para eu não cair amarrei o cadarço de meu tênis e quando me levantei, eu vi um lindo anjo olhando pra mim. – Ele sorri lindamente e meu coração bate forte.
Se não fosse pelas ondas quebrando, dava pra ouvir a escola de samba.
AGORA EU CONTO!
– O vento dava vida as suas madeixas escuras. – Ele chega mais perto. – Eu falei com você e você demorou a me responder e eu sabia que estava admirando meus olhos assim como está fazendo agora.
MALDITO! ELE SABE!
Sem saber o que fazer, fico parada feito estátua e meus pulmões param de funcionar e pisco par de vezes quando sinto sua mãos em meu pescoço e em seguida seus lábios estão nos meus.
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