Um Insuportável solitário
18 Capítulo 18 - Amar e ser amado
Notas iniciais
– Alguém com problemas? – Pede Cael ao entrar em minha sala.
– Não, por quê? – Digo olhando para ele e tirando meus óculos de leitura.
– Alguém não foi a uma reunião! – Ele se aproxima com as mãos no bolso e para ao meu lado e olha para meu computador. – Tem certeza que você não ama Olivia? – Questiona ele e revira meus olhos.
– Isso se chama saudade! – Reviro meus olhos.
Em meu note está como papel de parede uma foto nossa quando fomos para a Grécia conhecer seus pais. Foi nossa primeira viagem junto onde rendeu muita risadas e vergonhas. Sr. Antônio é a melhor pessoa do mundo, não só ele como toda a sua família.
– E fico ainda mais angustiado é que não sei o que raios aconteceu, irmão! – Sussurro e aliso o rosto sorridente de Olivia na foto. – Eu não quero perder minha melhor amiga!
– Você quer dizer o amor da sua vida. – Cochicha ele bem baixinho.
O ignoro e respiro fundo e me afundo na cadeira e ele aperta meu ombro.
– E como está à papelada pro acordo com Lúcia? – Pede ele me trazendo a realidade e soto um suspiro ao me levantar.
– Vou me encontrar com ela agora no restaurante da vovó! – Me levanto.
– Ok. – Ele acena com a cabeça com as mãos no bolso da calça. – Preciso te dizer uma coisa antes que vá!
– Pode falar! – Ajeito meu paletó.
– Assumirei a empresa do papai por algum tempo até que se sinta melhor! – Ele diz calmo e arregalo meus olhos.
– Cael, eu tenho varias cois...
– Lana já me passou tudo, Gina esta com ela neste exato momento programando as coisas. – Ele dá de ombros e fecho a cara.
– Você não pode sair se baseando nas coisas confor...
– Ordens do chefão, meu irmão! – Ele sorri ao se aproximar. – Ele está preocupado contigo e feliz por você ter um filho. Por mais que o menino esteja já grande, mas ele quer que você passe tempo com ele como ele passou conosco. E não quer que você perca mais tempo. E mamãe aprova isso!
E quando estou prestes a protestar, Lana bate a porta me chamando.
– Sim! – Digo ao me virar.
– Souza já o aguarda senhor.
Olho para meu irmão que sorri abertamente e solto mais um suspiro e coço minha cabeça e ele bate de leve em meu ombro.
– Obrigado, já estou indo.
– Sim, senhor! – Ela fecha a porta e meu irmão arqueia as sobrancelhas.
– Obrigado! – dou um leve sorriso.
– De nada, irmãos mais velhos estão aí pra isso!
– Você é só minutos mais velho! – Enrugo a testa.
– Mas sou, não sou? – Ele dá de ombros rindo e abre a porta. Vira somente a cabeça pra mim. – E quando você vai buscar minha cunhada na Grécia? Sabe, há conheço pouco tempo, mas eu já a adoro. Ela consegue te deixar louco só com o olhar! – E cai na gargalhada me deixando sozinho.
Eita mania de dizer que estou apaixonado por ela!
Respiro fundo e pego meu celular e coloco no bolso e logo me vejo entrando no carro.
– Para o restaurante de minha avó, Souza. Por favor!
Ele apenas acena com a cabeça e entramos na avenida. Respiro fundo algumas vezes e ajeito meu paletó e meus olhos estão presos na janela onde o tempo começa a mudar.
– Bagaça! – Resmunga Olivia de sua cozinha.
– O que foi? – Digo de boca cheia e ligo a TV.
– Vai começar a chover! Droga! – Resmunga outra vez.
– O que tem? – Digo depois de engolir o sanduiche de presunto.
Coloco meus pés em cima da mesinha de centro e encosto-me ao sofá e assisto ao jogo.
– Não queria que chovesse hoje, eu queria andar de bicicleta! – Diz tristonha e senta ao sofá ao meu lado.
– Hey! Fica assim não! – Coloco um braço em seu ombro e continuo a olhar o jogo. – Isso, caralho! – Vibro.
– Posso saber o porquê de você estar sem camisa no meu sofá? – Ela cruza os braços e olho pra ela. – E ainda mais sujo Sr. Kaik Maldonato Gandra!
– Nome todo! Recado entendido! – Digo ao levantar as mãos. – Tomarei banho para me deitar em seu sofá de ouro, Srt. Olivia Hide! – Faço reverencia quando me levanto e ela ri.
– Bem melhor, porque você está chechelento! – Ela abana uma mão na frente do nariz.
– Você disse o que? – Peço ao fingir estar ofendido. — Chechelento! – Ela ri. — Chechelento? – Repito. – Você disse chechelento? – Peço e ela acena com a cabeça ao morder os lábios para prender o riso. – Você vai ver o chechelento!
Quando dou um passo em sua direção, ela rapidamente se levanta e corre e a sigo e paramos em seu quarto onde ela corre para o banheiro e a seguro contra parede e levanto meu braço e ela cheira meu sovaco. Caio na gargalhada e ela me arranha, me bate e quando ela me morde eu me afasto.
– Você me mordeu! – Digo assustado ao colocar a mão onde ela me mordeu.
– Ai que nojo Kaik! – Ela diz irritada. – Que nojo! Que nojo! Nojo! – Ela passa a mão na lingua e rio.
– Ah! Está cheirosinho, pouxa! – Sorrio ao cheirar meu sovaco onde há sua mordida.
– Seu podre! Vai tomar banho! – Ela grita e faço careta pra ela que lava o rosto na pia. – Nossa! Mordi um gambá agora! Vejo que nunca usou um desodorante. Você sabe o que é isso Kaik?
– Chata! – Cruzo meus braços no batente da porta e a observo. – Ainda tem alguma roupa minha aqui?
– Não sei, vê lá no quarto! – Ela alisa o rosto todo com sabonete, lava e depois enche a boca de pasta de dente e reviro meus olhos.
Exagerada como sempre!
– Da ultima vez você pediu para Souza levar tudo pra lavar!
– Ok, vou tomar banho, já que alguém diz que estou chechelento!
– Chechelento é pouco para a proporção do seu fedor! – Ela diz de boca cheia e caio na gargalhada dando as costas.
– Chegamos senhor! – Souza me desperta das boas lembranças.
– Ah! Sim! – Digo ao alisar meus cabelos. – Não devo demorar, quanto mais rápido eu resolvor isso, melhor.
– Senhor! – Ele diz assim que abro a porta e olho pra ele.
– Diga!
– Preciso buscar um pacote. – Ele diz e enrugo minha testa. – É rápido, senhor!
– Ok. Não demore! Não quero ter que ficar muito tempo com Lúcia! – Resmungo.
Ele acena com a cabeça e saio do carro abotoando um botão e entro no restaurante de minha avó. Pego meu celular e o reviro de ponta a cabeça se há algum sinal de vida da Olivia e nada.
O que será que essa garota está aprontando?
– Kaik! Meu querido! – Diz vovó ao bater uma mão na outra. – Lúcia já chegou querido, não é educado você chegar depois do convidado!
– Eu sei vovó. – Sorrio ao beijar sua testa. – Mas tive um pequeno contratempo, mas já resolvi.
– Tudo bem. – Ela me alisa os cabelos os ajeitando e solto uma leve risada. – Vou ver se Isa precisa de alguma coisa.
– Isa está aqui? – Enrugo a testa.
– Está testando algumas de suas ideias com os bolos. – Ela ri.
– Hum... depois dou uma passada na cozinha! – Digo e ela acena com a cabeça me deixando sozinho.
Nem precisei procurar Lúcia, seu cheiro de morango estava tão presente quanto eu gostaria que estivesse. Ela estava vestida em uma calça jeans e uma bata rosa choque e sapatos altos pretos e a bolsa na cadeira ao seu lado era da mesa cor do sapato. Seus cabelos agora estavam escovados com as pontas onduladas.
Simplesmente linda, um anjo.
– Oi! – Ela diz.
– Oi. – Dou um meio sorriso e espero ela sentar e me sento assim quando ela o faz. Silencio. — Você já almoçou? – Digo ao olhar pra ela.
– Ainda não.
– Aqui tem uma macarronada deliciosa. – Digo tentando amenizar o clima.
– Seria bom. – Ela dá um pequeno sorriso.
– Com licença. – Peço ao me levantar.
Vou para a cozinha e lá encontro Alef falando em sua língua estranha resmungando de alguma coisa e uma Isa irritada por seu bolo estar desmanchando.
– E o que você está fazendo na minha cozinha? Hum? Fora! – Ordena Alef.
– Eu só quero pedir àquela macarronada que você faz! – Digo já parando na porta. – Pra mim e uma convidada!
– Tá! Tá! Que seja! – Ele resmunga levantando as mãos e me coloca ainda mais pra fora e fecho a cara.
Realmente certas coisas nunca mudam!
Volto para mesa e tiro meu paletó e o coloco em outra cadeira e me sento.
– Você trouxe o documento? – Peço. Um garçom me serve caipirinha e agradeço e depois dou um gole.
– Trouxe. – Ela diz ao pegá-lo na bolsa e me entregar. – Não tenho nada a constatar.
– Concorda com tudo então? – Peço.
– Sim. Li tudo várias e varias vezes, pensei e cheguei a conclusão de que não posso mais esconder você de Guilherme. – Ela dá de ombros. — Uma hora eu acabaria descobrindo a verdade. – Seguro o copo com força.
– E é por isso que deixarei meu filho...
– Nosso!
– ... fazer suas próprias escolhas, mas sempre estarei aqui quando ele precisar! – Ela diz séria.
Dou mais um gole e ela meche em seu cabelo.
– Olha, eu não vim aqui pra brigar. – Ela começa. – Sei que errei em ter terminado com voc...
– Com uma desculpa...
– Você quer me deixar falar? – Pede ela nervosa ao me olhar e me calo.
Tomo mais um gole da minha caipirinha.
– Obrigada! – Diz irônica e reviro meus olhos. – Eu reconheço meu erro, em ter mentido pra você quando eu nos fiz prometer que haveria lealdade, verdade em nosso relacionamento. Eu sei disso tudo. Lembro-me de tudo! – Ela para, me olha e respira fundo ao fechar os olhos brevemente. – Mas nunca é tarde para corrigir nossos erros. E uma vez sua mãe me disse que às vezes cometemos erros que no momento nos parece o certo, e eu achei que era o certo em partir. – Seus olhos ficam marejados. – Você nunca me levou a sério quando eu falava em família. Você sempre me cortava ou mudava de assunto! – Ela seca uma lagrima. – Quando eu descobri, eu entrei em desespero, eu não sabia como te contar! Eu pensei que você surtaria e não assumiria.
– Lúcia! – A chamo quando vejo que ela entra em um desespero. – Se acalme!
– Eu pensei que seu pai te mataria e sua mãe com toda certeza ia me matar! – Ela continua e entrando em um desespero que começa a me deixar desesperado.
– Vão para meu escritório, querido! – Diz vovó como se tivesse lido minha mente e ajudo a Lúcia a se levantar.
Vovó fecha a porta assim que entramos e sentamos no pequeno sofá e Lúcia chora incontrolável.
– Calma, estou aqui! – Digo baixinho e a puxo para um abraço e meu coração bate apertado.
Ela se encolhe diante meu abraço e se aconchega ainda mais e fecho meus olhos tentando acalmar minhas emoções.
– Fique calma. – Aliso seus cabelos e beijo o topo de sua cabeça e nossos olhares está um no outro.
Ficamos alguns minutos em silencio e quando minha mente me leva para o passado, sua voz me traz outra vez ao presente.
– Me desculpa. – Ela sussurra ao deixar uma lagrima cair. – Fiquei com medo! Muito medo!
– Ok, ok. Eu te desculpo! – Digo ao alisar seu rosto e secando e ela me olha nos olhos.
Ficamos em silencio outra vez, mas agora nossos olhos estão conectados e nossas respirações são baixas e ritmadas, suas mãos sobem pelos meus braços lentamente e nossos rostos se aproximam.
E a única coisa que meu coração pede, é por ser amado, amado por aquela que tanto amo.
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