Um Insuportável solitário
16 Capítulo 16 - Saudade que me mata
Notas iniciais
– O que foi querido? – Pede minha mãe ao entrar na cozinha.
– Olivia não me dá sinal de vida já faz uma semana! – Verifico meu celular mais uma vez e não há uma mensagem. – Ela foi pra Grécia!
– Longe, não? – Ela cruza os braços.
– Mãe, ela odeia viajar de avião, e só volta pra casa dos pais se acontecer alguma coisa com o pai. – Digo olhando pra ela e deixo o celular na mesa.
– A comida tá pronta? – Guilherme entra todo alvoroçado e com a cara pintada.
– Daqui a pouco! – Digo e olho pra Nina. – Olivia deixou algum recado, Nina?
– Não senhor! – Ela diz de cabeça baixa e se vira para o fogão.
– Ela veio pegar algumas de suas cosias aqui! Ela não disse nada?
– Não, senhor! – Ela diz curta.
– Ok. – Cruzo meus braços. – Pode me contando tudo Nina!
– Não há nada pra contar, senhor! – Ela diz meio nervosa.
– Ela te ameaçou? É bem o jeito dela. – Respiro fundo e reviro meus olhos.
– Quem é Olivia? – Pede Guilherme.
– Nossa tia! – Diz Milena entrando com a mão toda suja de tinta e cruzo meus braços pra ela. – Juro que não sujamos nada, tio. Eu juro!
– Só quero ver quando eu for no quarto e ver a bagunça que vocês estão fazendo!
E eles saem correndo para dentro e olho para Nina que se interage com as panelas.
– Vou descobrir o que aconteceu dona Nina! – Digo ao olhar pra ela.
– Deixa a senhora em paz Kaik Maldonato Gandra! – Diz mamãe ao me olhar séria.
Meu celular toca e respiro fundo e vou para a sala.
– Gandra! – Digo.
– Senhor...
– Lana, não quero saber de negócios hoje, a não ser se for importante! – Digo.
– Senhor, a Vitória marcou uma reunião de ultima hora!
– Espera! – Enrugo a testa. – Você não trabalha aos sábados! O que raios você está fazendo ai?
– Senhor, Vitória...
– Lana, você é minha secretaria e não dela. – Digo com raiva. – Vaza daí agora!
– Mas senhor...
– Ordens minhas, deixe ela com o trabalho dela. Você trabalha para mim!
– Sim, senhor!
Desligo e ele volta a tocar e vejo que é Vitória e lá vamos nós.
– Gandra! – Digo curto e grosso.
– Kaik...
– Pra você é Senhor Gandra, porque você trabalha para mim e você tem sua equipe e ela serve para isso. E Lana não tem envolvimento nenhum com qualquer tipo do seu trabalho, até porque ela é MINHA secretaria. E outra, ela não trabalha no sábado! E seja o que for, pode esperar até segunda. Tenha um bom dia.
– Querido, não foi assim que eu e seu pai lhe ensinamos para falar com as pessoas! – Mamãe alisa meu ombro e respiro fundo.
– Estou nervoso mamãe! – Digo impaciente e sento no sofá. – Olivia não dá um sinal de vida, Lúcia querendo se reaproximar de mim, quero estar com Fátima, mas não temos tempo, Guilherme e Milena devem estar pintando as paredes do quarto, Nina e Souza não quer me contar o que aconteceu com Olivia! – Passo as mãos em meus cabelos. – Estou ficando perdido! Cadê Kath pra me acalmar? Cadê Isa pra me dizer que tudo vai ficar bem e que isso tudo é minha culpa?
– Acalme-se querido! – Ela sorri pra mim e beija minha testa. – E quem é Fátima? – Pede inciumada.
– Mãmãe! – Digo derrotdo.
– Ok, ok! – ela alisa meus cabelos. – Mas você não disse que Olivia foi pra lá ver os pais dela?
– Sim!
– Então ligue para os pais dela! – Mamãe diz como se fosse à coisa mais óbvia.
– Por que não pensei nisso antes? – Rio agora feliz. – Mamãe, eu não vivo sem a senhora!
A beijo e a abraço forte e ela ri. Pego meu celular e disco para a casa do Sr. Antônio que demora uma vida para me atender.
– Arghngtorts! – Diz Sr. Antônio com a voz grogue e bato a mão na testa ao constar que lá são de madrugada.
– Desculpa Sr. Antônio, sou eu Kaik! — Digo e ele resmunga mais alguma coisa.
– Oras! Já é tarde garoto! – Briga ele. – O que quer uma hora dessas?
– Sua filha...
– Você quer minha filha? – Pede agora mais desperto. – SANTO DEUS! LIGA-ME HÁ ESSA HORA PRA DIZER QUE QUER COMER A MINHA FILHA? SEU MAL CARATER!
Por que raios todo mundo pensa que vou comer Olívia? Mais que coisa!
– Não, não! Claro que não Sr. Antônio! – Me levanto e ando de um lado para o outro. — Eu quero falar com sua filha! – Digo já respirando com dificuldade. – Ela não costuma ficar ai muito tempo, não que eu esteja reclamando. Mas ela nunca gostou de andar de avião e essas coisas. E já tem uma semana que ela está ai e não me deu um sinal de vida se quer. Seu celular vive desligado, não consigo falar com ela!
Ele fica em silencio por alguns instantes e ouço algumas respirações e posso jurar que é Olivia por perto.
Será que fiz alguma coisa para aquela louca?
Busco em minha mente alguma coisa, mas nada vem e a tocam a campainha e quando Nina abre a porta, Isa aparece e meu coração bate mais calmo.
Pisco par de vezes quando escuto um ruído e volto minha atenção para o telefone e faço sinal para que Isa entre.
– Sr. Antônio? – O chamo. – Eu poderia falar com sua filha? Realmente é muito importante!
– Garoto, ela está dormindo. E você mais do que ninguém sabe que não gosto de acordá-la! – Ele diz e sei que Olivia está ao lado dele.
– Sr. Antônio, mas eu preciso saber se ela está bem! – Digo desesperado e Isa senta ao lado de minha mãe.
– Pode me dizer que falarei para ela assim que ela acordar! – Ele diz carrancudo.
– Ok, ok! – Digo ao me render.
Ouço um espirro abafado e sei que é dela e está ouvindo toda a conversa no viva-voz.
– Diga a ela que deu positivo, Guilherme é realmente meu filho. Teve um almoço que minha mãe fez para ele conhecer toda a família e eles perguntaram por ela. E que eu sinto muito a falta dela. E o que ela tem na cabeça em abandonar uma galeria no meio do caminho? E posso saber o que aconteceu com ela por ter viajado assim sem mais e ainda ameaçar meus empregados? – Peço já ficando irritado. – Sr. Antônio, sabemos que sua filha é de veneta e eu realmente não sei o que aconteceu com ela. E eu quero muito, mas muito mesmo, conversar com sua filha!
Mais silêncios se ouvem e depois pisadas duras para longe e se entra outra vez em silencio.
– Pode deixar que falarei para ela. – Ele respira fundo.
– Obrigado Sr. – Coço minha nuca preocupado com Olivia. – E pede pra ela me ligar? Diz a ela que sinto saudade da voz dela!
– Falarei, agora me deixe dormir. – Ele resmunga e dou uma risada morta.
Desligo o telefone e fecho meus olhos, coço minha nuca e solto a respiração.
– O almoço está pronto, Sr. – Diz Nina ao me trazer a realidade e enrugo minha testa.
– Eu sei que você tem culpa no cartório dona Nina. – Aponto pra ela que dá uma leve risadinha. – Eu vou descobrir.
– É assim que começa, ele faz a merda e dia que os outros são cúmplices de pessoas que não tem nada haver com a história! – Comenta Isa sentando na cadeira e me olhando.
– Sabe de alguma coisa que eu não sei dona Isadora? – Cruzo meus braços.
– Sr., você está muito cego para ver o que está acontecendo! – Diz Nina e me dá as costas na hora em que mamãe entra na cozinha.
– RÁ! VIU, VIU! EU SABIA! – Grito e assusto as mulheres.
– Pare de gritar Kaik! – Pede mamãe!
– Viu mãe, Nina e Isadora são cúmplices de Olivia! – Digo. – Olha a cara de culpada delas, mãe! Olha! OLHA!
– Quer parar? – Ela cruza os braços. – Vou chamar as crianças pra almoçar!
Mamãe sai andando e Nina vai para a dispensa e Isa dá uma risadinha e pega uma fruta na mesa.
– Se acalme, Olivia vai ligar pra você! – Ela diz sorrindo ao dar uma mordida na pera.
– Já faz uma semana que ela não me dá um sinal de vida! – Aliso meus cabelos. – A ultima vez que ela fez isso foi quando terminou com o caso/namorado dela pela primeira vez! E ela estava muito mal! – Olho para Isa. – Acho que não estou sendo um bom melhor amigo! Nem sei o que está acontecendo com ela, e o pior, a desequilibrada está quase do outro lado do mundo!
Isa ri de meu desespero e fecho a cara.
– Ela te ama de mais pra fazer isso! – Ela me lança um sorriso carinhoso e pisco surpreso.
Por que raios fico tenso quando alguém toca nesse assunto ou fala desse jeito? Que nos amamos?
– Você já não me disse uma vez que ela já ficou sumida por quase duas semanas e depois ela voltou como se nada tivesse acontecido? – Pede ela e aceno com a cabeça. – Então, dê tempo e espaço a ela. Ela vai vir a você quando se sentir segura.
– Mas ela nunca foi pra casa dos pais. E ela sempre pode contar comigo por que e vier! Doa a quem doer estaremos sempre juntos! – Digo sério e Isa lança um sorriso triste. – o que foi?
– Nada! – Ela desconversa. – É que você fica estranho quando tocamos no assunto de você amar alguém que não seja Lúcia. – Ela dá outra mordida na pera.
– Você deixou tia Olivia ir embora e não fez nada pra impedi-la? – Pede Milena ao entrar na cozinha com uma voz embargada.
– Ela não é sua Tia, Mi...
– ELA É MINHA TIA SIM! – Ela grita com raiva e começa a chorar.
O que raios está acontecendo com essa tampinha?
– O que foi? – Peço preocupado.
– Eu amo a tia Olivia, e quero ela de volta. – Ela bate os pés e seca os seus lindos olhinhos. – Eu quero minha tia Olívia! – Grita.
– Pare já com isso Milena. – Digo ao me aproximar dela que levanta o rosto para mim.
Abusada igual Kath!
– A tia Olivia está com os pais dela porque estão com saudades, e peça desculpa já para ei Tio Kaik! – Ordena Isadora ainda comendo uma fruta, porém agora é uma maçã.
– Quero minha tia AGORA! – Grita a ultima palavra.
– Pare já com isso! – Ordeno.
– NÃO! QUERO MINHA TIA! E EU QUERO MEU AVÔ!
E ela sai chorando e batendo o pé.
– O que raios está acontecendo com todo mundo? – Peço com raiva ao olhar para mim mãe que dá de ombros.
– Eu falo com ela. – Diz mamãe.
– Milena nunca age assim com ninguém! – Fecho meus olhos e aliso meus cabelos. – Kath deve ter colocado-a de castigo e ela sempre fica emotiva por qualquer coisa, e ela adora Olivia e...
– Relaxa, Kaik! – Isa se levanta ao segurar uma fruta na mão e alisa meu rosto com a mão livre e me dá um beijo babado na bochecha.
Velhos hábitos nunca mudam!
– ÉCATI! – Diz meu garoto e olhamos pra ele. – Tia Isa babou papai!
– Onde você estava?- Peço.
– Aqui! – Ele diz olhando para nós.
– Aqui onde?
– Aqui na cadeira quando a vovó nos chamou! – Ele dá de ombros. – Eu to com fome, eu posso comer sem vocês?
Eu e Isa rimos de meu garoto quando faz uma careta e coloca as mãos na barriga.
Realmente Guilherme se parece mais comigo do que eu imaginava.
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