Um Insuportável solitário
15 Capítulo 15 - Minha família, meu tudo.
Notas iniciais
Depois de ter chego de madrugada, eu não quis perturbar meu pais, eles se quer sabiam que eu estava voltando. Então resolvi ficar em um hotel e depois de ter tomado café, fui para casa de meus pais.
– Mamãe? – A chamo quando abro o grande portão e Rex e Flez correm em minha direção todos desengonçados. – Carambolas, como vocês estão grandes!
Coloco minha mala ao meu lado e tiro a mochila e começo a brincar e conversar com eles que me lambem e rio de seus carinhos. Flex, o mais carinhoso esfrega o focinho em minhas pernas querendo atenção enquanto o desastrado do Rex pula em mim querendo que eu o pegue no colo, mas acabo caindo sentada e eles ficam em cima de mim e caio na gargalhada.
– Olivia? Por que não nos disse que estava vindo? – Pede minha mãe. – Eu e seu pai teríamos lhe buscado.
– Mamãe! – Me levanto rapidamente já com a visão turva.
– Calma, meu anjo! – Ela me abraça forte e retribuo o abraço.
– Eu me apaixonei mamãe, tudo culpa minha! – Digo desesperadamente. – Desde que pus meus olhos nele...
– Calma meu amor. Mamãe está aqui! – Ela segura-me pelo rosto e o acaricia.
– Eu fui covarde, eu não contei...
– Calma, eu vou preparar aquele chocolate quente que você adora. Você quer? – Pede ela e aceno com a cabeça. – Seu irmão já deve está chegando com Junior, eles vão adorar te ver, minha linda.
– Eu... eu...
– Vem! – Ela me abraça de lada e seguimos para dentro e casa. – Vem Rex, Flex!
Assim que entramos em casa, vejo papai mexendo na pia e molha toda a cozinha e mamãe me larga para ajudar meu pai que xinga todas as suas gerações e eles entram em uma grande confusão e algo dentro de mim se alegra e caio na gargalhada, depois respiro fundo e resolvo ajudar, mas acabo escorregando e eles riem de mim e eu mesma rio até que tudo se entra em silencio quando vejo meu irmão Flávio.
– Nem acredito que você está aqui! – Ele abre um sorriso de coringa e coloca Junior sentado na cadeira que bate palmas ao me ver.
Ele me levanta e me dá um abraço apertado e em seguida começa aquela gostosa discussão com meu pai por ele ficar inventando ideias já sendo de idade e eu e mamãe pegamos o pano e secamos a cozinha enquanto Junior balança as perninhas e se lambuza em seu bombom com um sorriso igual de meu irmão.
– E você homenzinho? Peço ao sentar ao lado dele.
– Eu to bem! – Ele sorri e me á um beijo babado de bombom. – E você?
– eu to bem melhor agora com vocês! – Digo com um sorriso triste.
– Ah, titia. – Ele diz e me olha carinhosamente. – Fica assim não, agora você tá em casa!
E essas palavras lindas enchem meu coração e minha visão mais uma vez fica turva e mordo meus lábios e meu irmão me beija a testa.
– Já que Olivia está em casa, eu preparo o almoço! – Meu irmão diz animado. – Junior, por que você não amostra a sua tia Olivia o avião que você e o vovô estão construindo?
– É mesmo! – Ele se empolga e desce da cadeira e segura minha mão.
Corremos para o enorme quintal atrás, já que a casa de papai praticamente era no meio do mato, e não sei como tem um enorme portão na frente, acho que ele fez só por causa de mamãe que sempre gostara de portões.
E lá estava um pequeno avião de madeira, praticamente era um esqueleto, e Junior correu a minha frente para me amostrar com mais animação. Ele foi dizendo cada peça que ele e meu pai fizeram e me disse que era apenas um modelo, pois o verdadeiro estava mandando fazer as peças para depois montá-lo para a competição que teria daqui a seis meses e me fez prometer que eu ficaria aqui para vê-lo voar.
Depois de Junior me amostrar seu avião e dar uma volta pela floresta, fomos para casa onde a comida já estava cheirando e minha barriga roncou. Mamãe estava arrumando a mesa e papai preparava o suco de laranja que só ele sabia fazer enquanto Junior guardava seus brinquedos espalhados pela sala.
– E como estava lá no Brasil? – Pede meu irmão ao desligar o fogo.
– Bem. – Dou de ombros. – Dava pra viver bem!
– Vendendo muitos quadros? – Pede ele.
– Sim, mas quando começou a ser obrigação eu parei. – Dou de ombros.
– Por quê? – Ele me olha nos olhos.
– Uma galeria adorou minhas pinturas e então contratou alguns quadros, e depois alegaram que no contrato eu tinha tempo para entregá-los, e eu não li essa parte ai eu cancelei!
– Não pagou multa?
– Tinha um bom advogado! – Digo triste.
– Tinha? O que aconteceu entre você e Kaik? – Pede papai. – Eu gosto daquele rapaz!
– Eu também gosto dele! – Diz mamãe.
– Ele é um cara legal, mas se ele magoou minha menininha eu o mato! – Diz meu irmão protetor.
– Ele não fez nada! – Dou uma risada morta.
– Então porque está assim? – Meu irmão senta a minha frente.
– Ela se apaixonou! – Diz meu pai ao colocar a jarra de suco na mesa. – Eu sabia!
– Papai! – Exclamo.
– O que? – Ele diz confuso. – É verdade, nunca vi esse brilho em seus olhos quando fala daquele rapaz. Eu soube disso quando você nos ligou contando que tinha feito um amigo nerde lindo. Pensa que não conheço meus filhos?
– Meu velho conhece muito bem seus atentadinhos! – Diz mamãe ao dar um selinho em papai que fica constrangido.
– Marcelina! – Ele diz sério. – Já disse pra não fazer essas coisas na frente das crianças.
Eu e meu irmão rimos e balançamos de leve nossas cabeças e em fim podemos almoçar como antigamente, só que com mais um integrante a mesa que fala bastante e é totalmente ao contrário de seu pais que fala somente o necessário.
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