Um Insuportável solitário
14 Capítulo 14 - Uma idiota apaixonada
Notas iniciais
– Obrigada, Souza! – Digo com a voz embargada depois de ter chorado o caminho todo. – Foi muito gentil de sua parte me trazer até aqui! – Seco uma lagrima teimosa com um lencinho que ele havia me dado.
– Tem certeza que você vai ficar bem, Olivia? – Pede ele. – Ainda acho que devemos falar com o Sr. Gandra...
– Está vendo ele aqui? – Peço com raiva. – Agora, deixe isso pra lá! Obrigada e até algum dia, Souza! – O abraço forte e ele me retribui o abraço.
Souza deve ser mais ou uns dez anos mais velho que eu, e ele parece estar em boa forma. Lembro-me da época da faculdade em que ele buscava Kaik e eu pegava uma carona, já que o aluguel do meu apartamento ficava perto do Kaik. Em seguida começamos a dividir o apartamento onde começou toda a grande confusão de sentimentos e outras coisas, mas prefiro não comentar sobre isso. Se é que me entendem. Isso dói!
Hoje era meu aniversario e eu não estava com saco de estudar como sempre, mesmo que seja sobre o que mais amo, eu não estava afim de estudar. Então peguei minhas coisas na mesa e avisei ao professor que tinha que sair e assim fui. Sai da enorme sala com todos aqueles olhares e fui para o largo corredor onde havia poucas pessoas passando, dei uma rápida passada no banheiro e constatei o motivo do meu desanimo. Eu estava terrivelmente desarrumada, mas isso ainda não estava me incomodando, então eu estava de boa.
Sim, sou bipolar! Mudo de opinião e humor em questão e segundos.
Ao sair esbarro em algo duro que acabo caindo pra trás e meus livros caem no chão e reviro meus olhos.
Hoje realmente não está sendo um dia legal.
– Desculpe! – Digo derrotada sem me importar com outra pessoa e cato meus livros.
– Perdão, eu não te vi! Desculpe-me mesmo! – Ele diz e levanto meu olhar e vejo um lindo anjo a minha frente.
– Hãm... não precisa se desculpar! – Dou de ombros ao me levantar. – Obrigada. – Pego meu caderno em sua mão, porém ele ainda está preso aos dedos do estranho. – Pode me devolver meu caderno? Ele é meu! Eu sei que é bonito, mas creio que flores e borboletas não são o seu forte! – Arqueio minhas sobrancelhas.
– Desculpe. – Ele diz piscando par de vezes e balança de leve a cabeça e rio. – Qual o motivo da risada?
– Você! – Rio e pego meu caderno e passo por ele.
Hoje também não estou a fim de fazer amizades ou falar com alguém, a não ser meus pais que nem devem lembrar que hoje é o grande dia em que sua caçula nascera.
Mais uma vez respiro fundo e coloco meu caderno e os outros livros na mochila e as fecho e jogo nas costas e desço as escadas e vou para o pátio atrás da faculdade onde há uma enorme piscina. Até que é um lugar bom de ficar, já que sempre há os meninos da área de educação física que sempre estão fazendo competição, mas hoje eu quero algo mais pessoal. Algo mais eu e somente eu. Então resolvo ir além da piscina e da galera bombada, onde tem as arvores com alguns banquinhos perto do morro ao lado do estacionamento da faculdade.
O vento estava fraco e refrescante, logo avisto o meu banco favorito, de baixo da arvore onde algumas pequenas flores rosa caem sobre mim. Jogo a mochila de qualquer jeito no banco e me deito ao fazer a mochila de travesseiro e sinto a paz me fazer companhia, porém ela logo é expulsa quando meu celular toca.
Eu trouxe meu celular hoje? Mais que merda!
– Você ligou para Olivia Hedi, no momento não posso atender seu recado. Deixe sua mensagem logo após o bip. Biiip! – Imito uma voz de secretaria eletrônica.
– Desde quando seu celular tem isso, Olivia? – Pede meu irmão.
– Desde sempre! – Resmungo ao revirar os olhos, porém sorrindo.
– Mais que secretaria mais fajuta! A grana não tá dando nem pra uma secretaria eletrônica decente! – Questiona ele e caio na gargalhada. – Liguei pra te desejar felicidades, que eu te amo muito, que sinto muito a sua falta, que você é uma irmã, filha e tia desnaturada, pois nem ver sua sobrinha você veio. Quando estará de férias? – Pede ele.
– Obrigada, eu também te amo muito, e morro de saudades. – Digo baixinho.
– O que andas? – Pede ele.
– Nada, só... só me sinto sozinha! – Dou de ombros e me perco nas folhas a cima de mim.
– Você quem quis partir, minha irmã. – Diz chateado. – Sabe que para mim você nunca sairia daqui!
– Pra você eu nem soltaria de sua mão! – Rio.
– É verdade!
– Mas então, o que tem programado pra hoje? – Pede ele animado.
– Nada, estou matando aula nesse exato momento aqui atrás da piscina. – Respiro fundo. – Depois vou me trancar em casa, ou sair... não sei ao certo! – Sento no banco no momento em que o vento sopra meus cabelos para trás e vejo um lindo menino abaixado amarrando seu tênis e segundos depois ele levanta um pouco a cabeça.
Rapidamente meu coração dá um pequeno aperto, bate acelerado e depois volta ao normal quando sinto um formigamento em minha barriga. Minha mente roda a mil por alguns instantes e me vejo perdidamente apaixonada pelo menino loiro e de olhos caramelados que estranhamente sorri para mim.
– Ah! Oi! – Ele diz pra mim ao parar a minha frente. – Você sabe onde fica o bloco Y?
– Olivia? Está ai? – Diz meu irmão.
– Hãm... – Ele enverga a cabeça um pouco para o lado fazendo seus cabelos lisos e lindos caírem junto. – Menina?
Fica perdida em seu olhar caramelado e em seguida em seu sorriso quando ele estranhamente sorri para mim e estala os dedos a minha frente e volto à realidade.
– Olivia! – Grita meu irmão.
– OOOOOOOOOI! – Grito de volta e o menino a minha frente se assusta. – Droga! Daqui a pouco falo contigo, pode ser? – Peço e não espero a resposta de meu irmão e desligo. – Você está bem longe do bloco Y!
– Onde fica? – Ele ajeita seus óculos e olha o papel e depois pra mim. – Um cara disse que ficava por aqui, mas não vejo nenhuma sala além de bancos e arvores!
– Isso é porque não existe bloco Y! – Enrugo minha testa. – Aqui só vai até bloco G!
Ele arregala os lindos olhos atrás de seus óculos que o deixa estranho e nerde espinhoso e virgem, porém seu porte físico diz outra coisa...
FOCO OLIVIA!
– Terá aula de quem agora?- Peço.
– Hum... – Ele olha no papel e fica uma eternidade.
– Deixe-me ver! – Digo sem paciência.
Realmente esse garoto é lerdo! O que tem de gostosura tem de lerdice!
– Hum... deixe-me ver esta budega! – Digo olhando sua grade.
Merda! Não tem nenhuma aula comigo! Óbvio, advocacia é completamente diferente de artes, mas...
– Hey! Então quer dizer que temos um Gandra por aqui! – Digo e olho pra ele que dá de ombros. – Bem, sua aula agora é com o professor Antônio, ele é bem legal, mas é chato com essas coisas de chegar atrasado e você está dez minutos! – Lhe entrego a folha e ele bufa ao pegar.
– Novidade! – Revira os olhos.
– Hey, quem lhe disse que era no bloco Y? – Cruzo meus braços.
– Uma galera da cantina... por que? – Ele dobra o papel e coloca no bolso de trás de sua calça totalmente sexy.
–Hum... e um deles era um cara bombabo, moreno, careca de olhos verdes, blusa regata vermelha e bermuda larga preta de corrida e tênis da Nike colorido e rodeado por cara patéticos que só sabem falar de mulheres e musculação? – Digo rápido de mais ao colocar a mochila em minhas costas.
– Hãm... acho que sim! – Ele diz com os pensamentos distntes. – Mas...
– Meu ex! – Dou de ombros. – Agora venha! – Seguro sua mão e o arrasto comigo.
– Pla onde? – Pede nervoso e enrugo minha testa.
Ele acabou de falar errado mesmo ou foi coisa da minha cabeça?
Mas ele ficou sexy falando desse jeito!... FOCO OLÍVIA!!!!
– Você vai ver! – Dou um sorriso sarcástico.
Quando terminamos de atravessar a faculdade quase matei aquele lindo anjinho de olhos caramelados, ô bichinho pra falar o tempo todo e ainda por cima falar errado. Assim que subimos as escadas e viramos à esquerda, lá estávamos no refeitório onde estava o babaca do meu ex junto com seus amigos idiotas.
O menino nerd dono do lindo nome de Kaik ficou o tempo todo atrás de mim com medo de alguma coisa, mas não tenho medo de brutamontes, nunca tive. Por que raios agora terei?
– Qual prazer que você tem em dizer aos novatos às salas que não existem? – Cruzo meus braços e olho feio para Vinicius.
– O prazer que você não me dava na cama! – Ele diz sarcástico e todos na mesa riam.
E sem pensar duas vezes mais uma vez, fecho minhas mãos em punhos e dou uma bela de direita em sua cara e todos na mesa que antes estavam sentados e rindo de minha cara, agora estão de pé longe de nós com as caras assustadas. Vinicius resmunga alguma coisa de cabeça abaixada e se levanta. Mas não me intimido.
Estalo meu pescoço dos dois lados e sorrio maliciosamente para ele. Ele sabe que gosto de uma boa luta.
Mesmo que isso possa causar minha expulsão, estou pouco me lixando, hoje é meu aniversário e uma diversão até não me fará mal.
– Olivia! – Chama-me Kaik assustado e segura minha mochila. – Está maluca?
– O que você dizia mesmo Vinicius? – Peço. – Ah, sim! Que eu não te dava prazer!
Todos ao nosso redor nos olham.
– Eu é quem não sentia prazer alguma com essa poha aqui que você chama de pinto! – Aponto pra ele. – Quem olha assim pensa que é o maioral, mas a decepção chega quando arreiam suas calças e se depara com uma coisa mais minúscula do que o pinto de um chinês! – Digo com um riso na voz e algumas pessoas riem. – Nem tem pressão, gás, não tem gozo algum com você, seu idiota!
– Você me paga, sua piranha! – Ele e levanta.
Fudeu! Vinicis é grande mais!
...
–Ai! – Resmunga Kaik.
– Já falei pra ficar quieto ou isso vai ficar horrível! – Digo ao colocar um bife super gelado no olho roxo dele.
– Isso não teria acontecido se você não tivesse bancado a durona! – Resmunga. – Fui te defender e olha o que eu ganhei?
– Foi digno ao defender minha honra! – Dou de ombros e dou um sorriso de menininha.
– Esse seu sorrisinho não combina com você, Olivia! – Ele fecha a cara.
– Hey! Eu sou uma menininha. Ok? — Peço chateada.
– Sei, parece mais um homem! – Ele se levanta da cadeira e pega a mochila.
– Onde pensa que vai? – Cruzo meus braços.
– Vou pra meu apartamento cuidar disso antes que piore! – Ele revira os olhos e em seguida coloca a mão no olho roxo. – Minha mãe deve saber falar alguma coisa!
– Eu posso...
– Obrigado Olivia, mas já basta o olho roxo! – Ele me fuzila com os olhos.
– Quer ficar quieto? – Peço contrariada e seguro sua cabeça e ele faz uma cara fofa de contrariado.
Por alguns instantes nossos olhares se encontram e rapidamente desvio para o bife que fica em seu olho esquerdo. Meu coração bate forte, as borboletas tomam meu estomago outra vez e minha respiração fica acelerada.
– Você tem olhos bonitos! – Sussurra com sua doce voz.
– Esse papinho pra me comer não vai colar! – Rio nervosa e ele arregala os olhos.
– Mas eu só te elogiei! – Diz confuso.
– E eu só disse a verdade! – Dou de ombros.
– Uma verdade que só você está vendo! – Ele diz com um sorriso morto.
– É gay? – Pergunto indignada.
– Tenho cara de gay Olivia? – Ele fecha a cara e afasta a cabeça de minhas mãos e rio.
– Com toda certeza, não! – Rio mais. – E seria um desperdício você ser gay!
– Quem agora está com o papainho pra comer quem aqui? – Ele arqueia as sobrancelhas.
– Eu comendo você? – Faço careta. – Mais que nojo!
Rimos e sua risada é música ara meus ouvidos.
– Sabe, você é legal! – Ele sorri para mim e meu coração explode de alegria.
– Você também, mesmo parecendo gay! – Zombo ao dar de ombros outra vez e ele agora fecha cara e caio na gargalhada.
– Olivia! – Ele me chama e meu coração bate acelerado e logo me levanto.
– Vou pegar algo para comermos! – Digo e vou para a cozinha que fica ao lado da sala e preparo um sanduiche de presunto.
– Você acha que podemos ser amigos? – Pede ele calmamente e eu olho para a janela a minha frente na pia.
Que barulho é esse?
É seu coração caindo no chão ao ser despedaçado. Responde meu subconsciente.
– Claro! – Dou de ombros e fecho meus olhos. – Isso se você não tentar me comer com cantadinhas e olhares fofos com esses olhos caramelados!
Ouço sua risada e abro meus olhos e meus lábios se formam um pequeno sorriso.
– Fique tranquila que nunca farei isso! – Diz com uma pequena dor disfarçada na voz.
Termino de preparar o sanduiche e pego a garrafa de suco de manga na geladeira e coloco na mesinha de centro.
– Adoro sanduiche de presunto e suco de manga! Mamãe fazia isso pra mim e meus irmãos toda manhã! – Diz ao pegar um e dar uma grande mordida.
– Vejo que você é um filhinho de mamãe! – Digo.
– E você uma louca desgarrada da família! – Ele comenta rindo e reviro meus olhos.
– Não sou desgarrada, vim para o Brasil fazer minhas próprias escolhas! – Dou uma mordida em um sanduiche.
– Sei! – Ele diz como se não acreditasse e dá outra mordida e acaba com o sanduiche e o encaro espantada. – Sabe! – Ele pega outro sanduiche e dá uma grande mordida. – Acho que vãos nos dar muito bem!
– Se você não acabar com meu estoque de comida. Quem sabe? – Comento e ele dá de ombros e sorri pra mim.
É! Quem sabe nos damos bem como amigos?
Fale com o autor