Um Ideal de Amor. One-shot - Jimin
1 Capítulo único
Não era a primeira vez que me recriminava por passar tanto tempo a observá-lo. No entanto, era quase impossível não o fazer. Ele estava sempre ali, naquele mesmo lugar. Pedia sempre a mesma coisa, e pouco se comunicava com as pessoas. Era discreto, e muito, muito bonito.
Se eu tivesse que descrever meu tipo ideal, com certeza ele seria minha referência.
— Isso já está ficando constrangedor até mesmo para mim. – Ouvi quando Jimin disse, estando ao meu lado, imitando a minha posição curvado no balcão. Tirei minhas mãos no queixo, apenas para cruzá-las no próprio balcão de madeira. Baixei os olhos, envergonhada.
— Está tão óbvio? – Perguntei, mesmo sabendo a resposta. Ele concordou, erguendo a sobrancelha. Em seguida revirou os olhos.
— Se está afim dele, porque não puxa assunto? – Perguntou por fim, suspirando. Jimin parecia cansado, e eu entendia o porque. Estava se esforçando bastante para conseguir dinheiro extra para comprar o apartamento do qual alugava. Além disso, era meu melhor amigo e conselheiro. Deveria está cansado de ouvir meus lamentos e suspiros também.
— Não posso! – Neguei com a cabeça e mãos, voltando para meu assento na recepção do restaurante. – Ele deve ser rico e bem sucedido. O que haveria de querer com uma pianista de restaurante?
— Falando assim, é quase como se rebaixasse seu nível ao de um fracasso total. – Comentou, debochado.
— E não é? – Dei de ombros. – Me formei à quase um ano, e a única coisa que consegui, foi tocar piano em eventos para idosos e épocas natalinas aqui no restaurante, que por sinal, está quase sempre vazio, e ninguém se quer, presta atenção. – Bufei. – Poderia tocar Lady Gaga, e ninguém ligaria. – Jimin riu com doçura. Inclusive, estávamos bem próximo do natal.
— Não seja dramática. – Disse, sentando-se ao meu lado. – Eu gosto quando toca piano. – Sorri.
— Mas você não conta. – Fiz ares de negação, rindo.
— Ei! – Reclamou, fingindo-se ofendido. – Não esqueça que também sou um telespectador. – Lembrou.
De fato, todo natal, eu era escalada para tocar para os ricos desocupados e solitários. Jimin, como vivia sozinho aqui em Seoul, me fazia companhia no restaurante. Era sempre seu dia de folga, mas ele insistia que natal sem mim, não era natal. Eu entendia seus sentimentos de afeição. Eu era uma estrangeira, e ele estava sempre sozinho. O destino havia nos unido como amigos, enfim.
— Oh! – Expressei meu embaraço, no momento em que percebi que o rapaz, que minutos antes — que eu suspirava, apaixonada -, estava se aproximando com a conta.
Kim Seokjin era seu nome. Eu já havia decorado, desde a primeira vez que o vi entrando por aquela porta. Atualmente, estava de cabelos pretos. E particularmente eu gostava bem mais assim.
— Verifique pra mim, por favor. – Foi o que ele disse. Era a mesma frase de sempre. Mantinha seu lindo e gentil sorriso no rosto. Suas feições delicadas, era um claro sinal de que ele se cuidava e muito. Era alto e elegante. Quase um Deus.
Um pouco envergonhada, levei um pouco mais de tempo para conferir sua conta e solicitar seu pagamento. O motivo? Eu gostaria de tê-lo por perto um pouco mais. Senti alguém pigarrear.
Inicialmente, achei ter sido Jimin, quando o encareI, mas o mesmo e fitou confuso. Foi quando notei que era o próprio Seokjin que chamava atenção.
— Hoje é sexta-feira, não é? – Perguntou, como quem realmente estivesse interessado em algo. Confirmei, esperando que dissesse o motivo da pergunta. – Pensei que costumava tocar as sextas. – Disse.
Levei alguns minutos a mais para processar seu questionamento. Ele sabia dos meus horários e dias? Eu estava sonhando ou algo do tipo? Porque não seria a primeira vez.
— Estamos em dezembro. Costumo tocar um especial natalino todos as segundas, quartas e sábados até a véspera. – Respondi, surpresa com a situação. O Moreno sorriu, com o brilho típico nos olhos. Em seguida, olhou para o papel da conta em minhas mãos.
Percebendo que ele desejava fazer o pagamento, me apressei em solicitar, embaraçada. Estava agindo feito boba, novamente.
— Então terei o prazer de vê-la tocar no natal. – Sorriu, no fim do pagamento. – Solicitarei uma canção especial. – Concordei, sorrindo como uma boba. – Ele piscou. – Até mais. – Foi a última coisa que disse, antes de ir embora.
Não percebi quando sentei na cadeira, de forma rápida e automática. Meu sorriso não poderia ser maior.
— Ele, definitiamente, não é tudo isso. – Ouvi Jimin resmungar baixinho. Olhei para ele, ignorando sua expressão de desgosto.
— Ele estava interessado em meus dias no piano! – Soltei, animada. Jimin bufou.
— Você é uma boba, Nana. – Se levantou, pondo as mãos nos bolsos.
Ele sempre me chamava de Nana, por motivos de não conseguir pronunciar o “F” do meu Fernanda. Geralmente, as pessoas costumam me chamar de Nanda. Mas com Jimin, as coisas sempre eram bem mais fofas e diferentes. E eu gostava.
Notando que ele se afastara, não me importei com mais nada. Apenas com o fato de que Kim Seokjin, prestava atenção em mim. Sentia que nada poderia tirar a minha felicidade naquele dia.
***
— (...) Qual o problema com a encanação? – Perguntava, em tom de desespero. O senhor Kang, síndico do prédio em que eu estava morando, me encarava, entristecido.
— O cano principal do prédio está em manutenção agora. Mas estamos com dificuldade de encomendar o material necessário. Em um mês, as coisas voltam ao normal. – Informou, positivo, antes de se despedir.
Suspirei, cansada. Eu não teria água por um longo mês. Como sobreviveria? Meu dinheiro não era suficiente para alugar um apartamento, e nem para uma encanação particular, muito menos para comprar um serviço de depósito de água.
Frustrada, me joguei no sofá, apenas para lembrar que Jimin era a única pessoa que poderia me ajudar no momento.
Rapidamente, diquei o número no celular.
— Nana, algum problema? – Sua voz doce soou preocupada. Não era costume meu ligar para Jimin. Porque nos falávamos quase todos os dias no trabalho. Além de morarmos relativamente perto um do outro.
— Um problemão. – Respondi, a medida que contava a minha situação.
De muito bom grado, ele me ofereceu para ficar no próprio apartamento, mesmo que dissesse que eu não precisava de forma alguma pagar alguma despesa. No entanto, eu insisti do mesmo jeito. Jimin já se esforçava o bastante para manter o pagamento mensal. Minha estadia lá, era uma despesa a mais para ele. Eu o ajudaria.
Já em frente a sua casa, ele não hesitou em me ajudar com as malas. Seu apartamento era pequeno, por esse motivo, ofereceu o próprio quarto para mim. Neguei veementemente, achando a ideia absurda demais. Não poderia abusar da bondade do meu amigo.
— Aish, como você é teimosa! — Resmungou ele. Apenas ri. – Tudo bem, mas não me culpe de tiver dor nas costas.
— Não vou reclamar. – Fiz sinal de agradecimento, ao passo que ele riu.
— Não tenho chuveiro quente, mas se quiser, pode esquentar a água para não morrer de frio.
— Não se preocupe. Eu já estou acostumada com banho de gelo. – Rimos. Era uma clara referência a todos os clientes do restaurantes que não prestavam atenção em minhas melodias do piano. Falávamos sobre isso mais cedo. O que me fez lembrar no moreno dos meus sonhos.
— Ou... – Jimin sorriu, maliciosamente. – Eu mesmo te esquento. – Joguei uma almofada nele, rindo.
Quase sempre ele gostava de me constranger com suas ideias sujas, apesar de saber que era pura brincadeira. Jimin não me via como mulher, de fato, e isso se deve ao fato de eu achar que ele seria gay.
Ah, sim! Eu cheguei a essa conclusão, quando me vi admirando meu melhor amigo, logo quando iniciei meu trabalho no restaurante. Ele estava sempre perto de Jeon Jungkook, um – Atualmente -, ex-funcionário. Os dois sempre trocavam risos e brincadeira. Era bastante frequente. Eu era a substituta de Jeon. O mesmo estava indo para um longo intercâmbio nos EUA. Estava estudando para ser um grande cantor e dançarino. Isso já faz dois anos e meio. Nunca questionei a relação dos dois, mas sempre percebia quando o próprio Jimin comentava a falta que Jeon fazia.
Isso me fez perceber, que eu nunca tive interesse de saber como as coisas estavam com eles. Talvez eu não estivesse sendo uma boa amiga. Me dei conta de que a ideia de Jimin ter o Jeon, me deixava enciumada. Talvez eu não gostasse e pensar que Jimin tinha outro melhor amigo. Mas era egoísta da minha parte.
— E Jeon? – Perguntei, de repente. Jimin me encarou, surpreso. Deu de ombros em seguida.
— Faz um bom tempo que não conversamos.- Disse, e parecia entristecido.
Sem hesitar, sentei-me ao seu lado no sofá e toquei seu ombro.
— Tudo bem se não quiser conversar sobre isso. Mas saiba que estarei sempre aqui para o que precisar, ChimChim. – Sorri, minimamente.
— Obrigado. – Foi a única coisa que disse, sorrindo igualmente.
Jimin sempre foi bastante discreto. Ele nunca fala sobre a própria vida, ou sobre relacionamentos. Contudo, estava sempre disposto a ouvir a ajudar. E eu sempre o admirei por isso. Ele cuidava muito bem de mim, e cuidou muito bem do Jeon. Agora era minha vez de cuidar dele, por tudo.
Mesmo que ele não querendo falar sobre o assunto – que possívelmente teria algum termino de relacionamento ou por sentir que possa ser rejeitado por mim por ser diferente -, eu sentia que deveria me preocupar mais com sua saúde física e mental. Precisava mostrar era melhor que Jeon. Outro pensamento egoísta? Talvez. Mas agora, era para o bem dele.
***
— (...) Já estamos na véspera de natal! – Ouvi Jimin cantarolar no corredor enquanto se aproximava da cozinha. Estava preparando o nosso café da manhã. – Isso significa...? – Perguntou ele.
— Que estou mais próxima de conquistar o coração do meu Oppa? – Completei, e percebi quando Jimin bufou.
— Fala sério! – Fez careta. – Esqueceu que logo depois do seu expediente, trocamos presentes e comemos lamén juntos na praça vendo as estrelas? – Se animou. – Eu estou muito ansioso para saber o que vou ganhar!
De repente, a ficha caiu. Passei semanas pensando na possibilidade de finalmente conversar com Kim Seokjin, e esqueci, completamente, da minha programação com Jimin. Ele pareceu perceber.
— Você não esqueceu, não é? – Perguntou, desconfiado.
— Não! – Neguei. – Claro que não! – Ri, nervosa. Ele acreditou.
Discretamente olhei para o relógio, afim de verificar a possibilidade de comprar um presente antes de ir para o trabalho, ou não teria tempo algum para isso.
— Jimin! – O chamei, antes que ele voltasse a arrumação da sala. – Eu vou precisar ir mais cedo hoje. – Avisei.
— Porque? – Perguntou.
— O Sr. Lee disse que precisava verificar alguma coisa no piano comigo. – Dei de ombros. – Sabe como o Sr. Lee é perfeccionista. – odiava mentir para Jimin. Ele concordou, mesmo desconfiado.
— Tome cuidado. – Foi sua recomendação. – Estarei lá quando começar a festividade e o especial do piano.
Agradeci, como sempre fiz pela sua companhia. Porém, eu acrediatava mesmo que, desta vez, eu teria que compensá-lo ainda mais. Porque, muito provavelmente, se tudo der certo, Kim Seokjin estará ao meu lado na véspera de natal.
Apressada, pensei que poderia mesmo encontrar lojas abertas tão cedo. Mas infelizmente, o dia não estava sendo favorável comigo.
E foi bastante decepcionada que cheguei no restaurante.
***
Já era 20:00 quando me arrumava para tocar o especial de natal no piano. Para minha surpresa, o restaurante estava relativamente cheio.
Como de costume, tomei banho e me arrumei no próprio restaurante. Um vestido verde lodo rodado. Meus cabelos estavam soltos, que era incomum. Quase sempre estavam em um coque ou rabo de cavalo. Um salto preto para combinar. Era natal, e um dia bastante especial, apesar da minha tristeza por não conseguir comprar nada para meu amigo.
— Estão todos esperando, Srta. – Senhor Lee informou, simpático. Ele era um ótimo chefe. E eu fazia tudo de muito bom grado. Não demorei para iniciar a melodia.
Olhava ao redor, esperando ver Jimin por perto, e lá estava ele, sorrindo como sempre. Ele nunca perdeu se quer uma apresentação minha de piano no restaurante. De repente, me dei conta que passei o dia inteiro esperando por Jimin, e não por Seokjin.
Afinal de contas, foram quase um ano para o moreno me enxergar, e agora que eu estava, finalmente sob suas vistas, eu nem mesmo parecia ter ganhado a sorte grande.
No entanto, comparado aos dois anos e meio esperando, eu tive o melhor mês da minha vida com Jimin.
FlashBack On
Uma semana depois que me mudei para o apartamento de Jimin, logo cedo, os dois acordaram igualmente cedo para trabalhar, no entanto, Jimin havia entrado primeiro do banheiro, gerando diversas reclamações e provocações infantis. Vencida, apenas esperei o loiro sair do banheiro.
Foi a primeira vez que vi meu melhor amigo sem camisa. Nem mesmo sabia tinha um físico trabalho daquela forma. Desde quando Jimin malhava?
— Que foi? – Perguntou ele, olhando para si, de forma preocupada.
— Nada! – Respondi, empurrando-o para o lado, fingindo-me de apressada – O que de fato estava -, e evitando que o loiro percebesse meu embaraço.
Não nego que meu coração palpitou mais rápido naquele dia. Era quase como se eu estive o vendo pela primeira vez. Ainda sim, pensar nele como meu melhor amigo, me ajudava a evitar ideias impróprias. Além disso, ele era Gay. Era quase como violar um direito humano.
Flashback off
Foi um mês conhecendo ainda mais detalhes de ChimChim. Descobrindo que era bem melhor cozinhar e comer ao seu lado, do que com qualquer outra pessoa. Descobrindo que, de alguma forma, que ele era tudo... Exatamente tudo que eu tinha e precisava.
De súbito, e ironicamente, no fim da apresentação, voltei minha atenção para Jimin – Eu precisava dizer a ele que ele era bem mais que um amigo, mesmo que eu soubesse suas preferências -, até perceber que Kim Seokjin se aproximava de mim, a medida que eu me aproximava de Jimin.
Era quase como ver o tempo parar... ou andar lentamente. Eu estava prestes a confessar meus sentimentos para o loiro gay, sabendo que tinha um moreno maravilhoso de olho em mim, agora. Eu devera ter enlouquecido de vez naquele momento.
Meu ciúmes em relação a amizade que ele tinha com Jeon; Minha ideia de conforto junto a Jimin; Todas a suas cantadas de brincadeira... Tudo isso me fez pensar que eu estava perdidamente apaixonada pelo meu amigo, e não tinha percebido. Porque era bem mais fácil acreditar que ele era gay e intocável, do que sentir algo mais e me arrepender. De fato, eu poderia sim me arrepender, mas não por não ter expressado o que sentia por ele, mas por ter me deixado levar por esses sentimentos.
— Tem um minuto? – Ouvi a voz angelical do moreno logo a minha frente. Sua presença empatava a minha visão do loiro logo atrás.
Com um pouco mais de esforço, percebi que Jimin não estava só. Jeon Jungkook estava de volta, e por incrível que pareça, ainda mais bonito e cada vez mais próximo. Meu coração parou naquele mesmo instante.
Desolada, nem mesmo fiquei animada com um lindo buquê de flores nas mãos do moreno, direcionados a mim. Apenas dei uma desculpa qualquer e peguei a saída oposta a todos eles. Precisava de tempo para pensar.... Precisava de tempo para processar que Jimin não era meu. Nunca foi, e nunca será.
***
O tempo estava gélido. Havia esquecido, completamente, meu sobretudo no balcão. Não sei como cheguei a praça mais próxima. Felizmente, o Sr. Lee não teria o que reclamar, pois havia saído depois da esperada melodia natalina. Minha saída não prejudicaria a noite do restaurante.
Abracei a mim mesma, com frio. Estava a quase meia hora sentada naquele banco duro, e nem se quer havia pensado em nada. Sobre nada. Estava negando meus próprios pensamentos. No fim das contas, esconder meus sentimentos seria a melhor coisa a se fazer, ainda mais agora que Jeon voltara. Obviamente, isso preocuparia Jimin, e ele não aproveitaria seus dias como deveria.
Senti quando alguém me agasalhou com um casaco. O meu próprio sobretudo. Não fiquei surpresa por ser Jimin. Ele parecia preocupado, mas não deixou de empurra o lamén em minha direção. Era a nossa tradição, e ele não deixou de lado para ficar ao lado de Jeon.
— Porque saiu daquele jeito? – Foi a sua primeira pergunta. – Fiquei preocupado depois de correr atrás e te perder de vista.
— Eu estou bem. – Foi a única coisa que respondi. Ele me encarava.
— Aquele cara disse alguma coisa que te ofendeu? Porque se disse... – Não esperei que terminasse de falar.
— Não foi ele, exatamente. – Meu olhos encontraram os dele. Jimin estava surpreso.
Ponderei sobre falar ou não, mesmo eu já tendo decidido não dizer nada. No fim das contas, eu sabia que não poderia esconder por muito mais tempo. Jimin tinha o direito de saber, e eu tinha o dever de me afastar logo depois. Mesmo não querendo.
— Não deveria ter saído daquele jeito, seja lá o que tenha acontecido. – Disse, resmungando. – Poderia pegar um resfriado, ou pior... – Suspirou.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
— Precisamos conversar! – Dissemos juntos. Cada um com sua expressão de surpresa.
— Você primeiro. – Sugeri, e ele concordou.
— Jeon voltou... – Sorriu, animado. Pensei em interromper e eu mesmo começar a falar, mas ele continuou, não percebendo minha frustração. – Sabe o que eu descobri, que seu príncipe encantado é gay. – Brincou, rindo. – Olhei para ele surpresa.
— O kim? – Perguntei. Estava chocada.
— Jeon disse que Kim foi o professor de canto dele por um semestre. É casado com dono de uma produtora musical, Kim Namjoon. – Completou. – Atualmente, está trabalhando em um musical e procura por novos talentos. – Jimin parecia debochado. – Sinto que estou te decepcionando com essa notícia, mas não queria te ver iludida.
— Oh... – Ainda estava abismada.
— Então... Mesmo que tenha perdido um “crush”, ganhou um admirador de talentos. É sua chance, Nana! – Incentivou.
— Eu o dispensei de uma maneira bastante rudo! – Levei as mãos a boca, arrependida.
— Falando nisso... – Jimin me fitou. – Porque saiu daquele maneira? E porque o dispensou? – Estava interessado. – O que queria falar?
Suspirei. Eu não deveria mesmo dizer nada. Jimin não precisava se preocupar com meus sentimentos. Além disso, ele estava muito feliz com a presença de Jeon. Eu não tinha o direito de privá-lo disso.
— Eu acho que não gostava dele tanto assim... – Falei. Em seguida, me levantei. – Preciso voltar e me desculpar, e acho que Jeon deve está te esperando. Não precisa se preocupar comigo. – Pensei em sair, mas Jimin me impediu, puxando meu braço firme o suficiente para me fazer voltar para ele, mas delicado o suficiente para não me machucar.
— O que quer dizer com “não gosta tanto assim” dele? – Perguntou, curioso. – Nana...
Eu não pude evitar que uma lágrima marcasse presença. Meu coração doía, e não era pouco. Logo agora que eu havia descoberto o sentimento mais bonito de um ser humano, eu sofreria o pior dele também. E tudo isso no mesmo dia.
— Me desculpa, Jimin... – Lamentei. Ele me abraçou. Era quase meia noite e eu já podia ouvir os sinos da igreja mais próxima.
— Porque está se desculpando? – Perguntou, preocupado. – Nana.. porque está chorando?
— Porque eu gosto de você. – Confessei enfim. – Porque eu me apaixonei, sabendo que não seria correspondida. – Soltei. – Mas eu respeito sua preferência, Jimin... só não queria que as coisas fossem assim... – Ele me interrompeu.
— Mas o que você está falando? – Tocou em meu ombro, afim de me fazer encará-lo. – Nana... você se apaixonou por mim?
— Me desculpa! Me desculpa! – Pedi. – Sei que gosta do Jeon, e jamais me veria dessa forma... – Jimin roubou-me um beijo.
— Não seja boba! – Disso, logo depois. – De onde tirou essa história de que eu gosto do Jeon... – Suspirou. – Aliás, gosto sim, mas como meu irmão. – O fitei, surpresa. – Nana... Jeon Jungkook é meu irmão adotivo. Desculpa te fazer pensar que existia algo... Céus! – Jimin levou as mãos a cabeça, bagunçando os cabelos loiros. Riu. – Não acredito que pensou que eu era gay todo esse tempo! – Encolhi os ombros, envergonhada pela minha falta de noção. – É por isso que nunca levou a sério minha indiretas, e sempre ficou tão confortável em falar sobre garotos para mim? – Riu-se mais uma vez.
— Não tenho culpa de você nunca me falou sobre isso. – Cruzei os braços. – O que eu deveria pensar?
— Sabe o quanto foi difícil te ver desfilando de short curto pelo meu apartamento? Saber que estava dormindo no mesmo teto que eu? – Questionou. Fiquei curiosa.
— C-como assim? – Eu deveria está mesmo lerda para não entender que ele estava igualmente me correspondendo.
— Como assim?! – Riu. – Nana, eu sou apaixonado por você desde que chegou na minha vida. Mas nunca confessei, porque achei mesmo que estivesse me evitando e queria apenas a minha amizade. – Confessou. – Eu só queria te respeitar.
Não perdi tempo e nem hesitei quando o puxei para um beijo caloroso e cheio de significados. Como o esperado, fui correspondida de forma igual.
— Você sabe que vou ter que provar que não sou gay, não é? Minha dignidade está por um fio. – Sua indagação me fez rir, o que me fez lembrar do seu presente, que eu não pude comprar.
— Acho que preciso compensá-lo por não ter comprado um presente a tempo, também. – Confessei, envergonhada. Ele sorriu.
— Não tem problema... Você foi meu melhor presente. – Declarou, puxando-me para mais um beijo. – Mas diferente de você eu não esqueci o presente. – Disse, entre beijos. Dei um leve tapa em seu ombro.
Com bastante rapidez, tirou do bolso uma caixinha de veludo. Abriu e nela continha um lindo colar com o pingente de um piano pendurado.
— Apesar de ser maravilhoso, você é meu melhor presente neste momento. – Confessei, repetindo a sua própria declaração.
O sino da igreja tocou ainda mais forte, gritando para a cidade toda, a chegada do natal. Mesmo com toda a festividade pela rua, Jimin e eu estávamos vivendo o melhor momento. Um momento só nosso, de descoberta e afeição.
Estava feliz por saber que meu melhor amigo me correspondia. Que meus sentimentos não estavam sendo desperdiçados. E estava mais feliz ainda por ele não ser gay. Ou me sentiria culpada.
Jimin, definitivamente, era meu tipo ideial. Com toda a certeza do mundo, e com toda a propriedade que eu tinha no assunto.
Eu não havia perdido um amigo... havia ganhado um amor verdadeiro, sincero e puro...
— Acho que agora vamos ter que dividir a cama. – Sussurrou, me fazendo empurrá-lo, ao passo que ríamos com a bobagem dita.
... Ou nem tão puro assim, e sincero até demais.
Fim.
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