Um Homem do Exército

1 Até logo, meu amor


Uma pequena casa de tijolos marrons ficava no topo de uma colina verdejante, pontilhada de flores silvestres e uma entrada de cascalho pavimentada descendo a colina para se conectar a uma estrada principal que podia ser vista à distância. As nuvens se separaram e o sol lentamente subiu no céu escuro, brilhando seus raios no quarto onde um casal ainda dorme pacificamente.

As cortinas azuis se moviam levemente com a pequena brisa matinal que entrava pela janela aberta, ajudando a despertar os atuais ocupantes. Os raios de sol penetram nas pálpebras da jovem de vinte e cinco anos, que se virou para o homem que compartilhava a cama.

Ele abriu os olhos, um sorriso enfeitou seu rosto sonolento com o cabelo escandalosamente ruivo de sua amada, brilhando sob a luz da manhã; logo depois levantou seu braço musculoso e colocou-o na cintura dela, traçando pequenos círculos através do lençol de flanela verde-floresta.

— Hoje é o dia – ela sussurrou.

Buck fechou os olhos, tentando fugir da realidade por mais alguns segundos. Ele engoliu o nó na garganta e acenou com a cabeça em resposta, em seguida rolou para ter uma visão melhor do despertador digital na mesinha de cabeceira, suas placas de identificação tilintando enquanto eram puxadas pelo movimento da corrente em seu pescoço, os números azuis brilhantes se destacavam impiedosamente contra o fundo preto do relógio, marcando 6:30 da manhã.

— Vamos querida, vamos levantar e tomar café da manhã; precisamos estar na estrada às 09:00 – Buck resmungou, mas não fez nenhum movimento para sair da cama. Ele apenas ficou lá, aproveitando o calor dos lençóis e respirando suavemente.

Natasha rolou silenciosamente para fora da cama e caminhou descalça até a pequena e funcional cozinha, sabendo que seu marido estaria com ela logo. Ela preparou um café da manhã com ovos, torradas e bacon; enquanto deixava sua mente vagar. O sentimento de pavor quase a consumiu durante a última semana, quando o pelotão de seu marido recebeu ordens para ser enviado ao Afeganistão.

Mãos quentes e calejadas descansaram em seus quadris vestidos de pijama, fazendo-a pular e soltar um guincho indigno.

— Droga, Barnes! Você sabe que não pode se aproximar de mim desse jeito! – a mulher bufou cruzando os braços na frente do peito.

— Calma, meu Gengibre Selvagem, chamei seu nome duas vezes, mas você simplesmente não estava ouvindo. Está sonhando acordado de novo? – Buck indagou divertido. Ela se virou em seus braços, deitando a cabeça em seu peito nu, enquanto o envolvia com os braços.

— Eu não quero que você vá, Bucky, deixe outra pessoa ir para variar. Pelo amor de Deus, você nem terminou sua licença! Deveríamos ter pelo menos mais duas semanas! Você só está em casa há três semanas.

A ruiva queria bater em algo, ter um acesso de raiva e fazer jus ao seu apelido, mas sabia que isso só pioraria uma situação já atroz. Natasha não pôde deixar de pensar sobre as consequências do primeiro destacamento de Buck e sabia que, se fosse algo como o primeiro, ela não tinha certeza se o casamento deles sobreviveria.

Suspirando, ele apertou sua esposa contra peito com mais força, o golpe agridoce de suas placas de identificação cavando em sua pele. Barnes podia senti-la tremendo contra seu aperto forte. Ele sabia que isso estava chegando, mas não havia nada que pudesse fazer; Steve, seu capitão e melhor amigo, também não estava satisfeito por terem encurtado o período de folga e seu marido, Tony, estava tão ou mais mal humorado quanto Natasha. Mas eles receberam ordens, então precisam ir. Seu pelotão era o único pelotão de atiradores que não estava em treinamento ou em uma missão e um pelotão substituto era necessário na zona de guerra.

O café da manhã foi tranquilo, com apenas os sons de garfos contra pratos sendo ouvidos dentro de sua pitoresca casa de campo. As louças foram lavadas por Buck enquanto Natasha tomava seu banho matinal e se preparava para o dia. Uma vez que os pratos estavam no escorredor de louças ao lado da pia, ele vestiu seu uniforme da ACU, deixando seu PC na mesa de cabeceira ao lado de sua mochila verde militar, com seu sobrenome e os últimos quatro de seu número de segurança social marcados no aba superior da mochila.

Depois de verificar novamente o conteúdo de sua bagagem (um par de meias verdes, uma camisa bege, um par de cuecas bege, desodorante, material de limpeza de armas e fotos de sua esposa, tudo dentro de um saquinho Ziploc para ajudar a protegê-lo das intempéries), ele a fechou e a prendeu nas costas, pegou sua mala com a mão esquerda e agarrou seu PC com a esquerda. Barnes caminhou lentamente pelo corredor, parando para olhar as fotos penduradas em cada lado dele e tentou gravá-las em sua memória, para ajudar a suportar as noites solitárias no deserto afegão.

Com um suspiro saudoso, ele saiu de casa e caminhou a passos lentos até a garagem. Abrindo a porta do compartimento de carga de seu Jeep Wrangler, Buck colocou primeiro em suas malas, depois se virou e entrou para o que esperava não ser a última vez que viu o interior de sua casa. Mais uma vez tomando seu tempo pelo corredor cheio de fotos, Buck foi até seu quarto e abriu a gaveta de cima da mesa de cabeceira. Puxando um envelope grosso com o nome de Natasha escrito na frente, ele o colocou ao seu lado da cama.

Barnes encontrou sua esposa sentada no banco do passageiro do carro já funcionando. Ele suspirou, rezando e pedindo para qualquer entidade cósmica que esta não fosse sua última vez dirigindo com sua Natasha.

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A viagem levou apenas duas horas, que foram passadas principalmente em silêncio e de mãos dadas. Quando um deles falava, era para contar uma boa lembrança, compartilhando pequenas risadas. O clima dentro do carro era sombrio, e à medida que os quilômetros diminuíram e seu destino se aproximava, o clima se enchia de mais tensão.

Quando o aeroporto apareceu, os olhos verdes de Natasha se encheram de lágrimas, que começaram a escorrer silenciosamente por seu rosto. Ela odiava quando as pessoas a viam chorar, até mesmo seu namorado do colégio e marido de quatro anos. Buck olhou para a frente, recuando em suas posturas militares para não chorar feio na frente de sua amada.

Ele estacionou em uma vaga e desligou o motor, mas não fez nenhum movimento para soltar a mão de sua esposa ou sair do carro. Natasha foi a primeira a se mover, ela soltou a mão do marido, enxugou os olhos e saiu do carro. Em seguida caminhou até a parte de trás e abriu o porta malas, mas antes que pudesse envolver sua mão esguia na alça da mochila de viagem, Barnes a puxou para um abraço esmagador por apenas um breve segundo e depois a soltou. Isso a deixou atordoada, sem ter certeza se o abraço aconteceu ou não.

Antes que Natasha percebesse, Buck tinha tirado suas malas do bagageiro e segurado sua mão. Puxando-a levemente, eles caminharam na direção da multidão ao redor do avião civil. Balões vermelhos, brancos e azuis foram amarrados no pódio que ficava a cinco metros da aeronave. Muitos choravam enquanto outros permaneciam impassíveis enquanto o pessoal do Exército carregava suas bagagens para o avião.

Buck soltou a mão de Natasha para saudar seu melhor amigo, Steve, que já tinha assumido a postura de capitão Rogers e colocou sua mochila no compartimento de carga que estava enchendo rapidamente. Executando uma meia volta, liderando com o pé esquerdo, Barnes voltou para sua esposa, que rapidamente o puxou para outro abraço, mordendo o lábio para ajudar a conter as lágrimas.

Assim que todos os soldados chegaram e embarcaram seus equipamentos, o capitão Rogers assumiu seu lugar no pódio para dar seu discurso cerimonial de 'boa sorte e mantenha a cabeça baixa, meninos', exigido pelo comandante do batalhão, tenente-coronel Nick Fury.

Chamando a atenção de todos, o Capitão Rogers fez um breve discurso de três minutos, querendo dar a seus homens o máximo de tempo possível com suas famílias. Quando o chamado discurso acabou, o Capitão Rogers informou ao pelotão 107° da Alpha Company (também conhecido como Comando Selvagem) que eles tinham dez minutos até que precisassem estar sentados em seus assentos no avião. Esses últimos dez minutos se foram em um piscar de olhos. Logo o capitão Rogers teve que chamá-los.

— Precisamos de todo o pessoal militar, embarque nesse avião, agora! O piloto está colocando esse pedaço de metal no ar em quatro minutos! – Steve esfregou a mão no rosto e suspirou. Ele que sempre odiou fazer isso, enviar bons homens para a guerra sem saber se em alguns meses os receberia de volta com as próprias pernas ou em um caixa fechada de pinheiro com a bandeira americana.

Lentamente, os primeiros homens, os sem família, começaram a fazer fila para embarcar no pequeno avião. Logo mais alguns se enfileiram atrás dos outros, deixando seus entes queridos para trás. Os últimos foram os que se agarraram a seus entes queridos, nunca querendo deixá-los ir.

Buck olhou atentamente para a bela mulher à sua frente, os cabelos ruivos caídos em seus ombros, as pequenas sardas na pele pálida, os olhos verdes vibrantes; ela estava mais linda do que no dia que a conheceu. Ele a puxou para mais perto, enterrando o nariz na curvatura de seu pescoço e inalando seu perfume. Em seguida deu um beijo curto e casto em seus lábios rosados ​​e brilhantes. Antes que ele pudesse se afastar, Natasha enfiou um envelope no bolso de sua calça ACU.

— Não leia até que decole – ela sussurrou, sentindo a garganta apertada.

Buck acenou com a cabeça e tirou um par de dog tags idênticas às dele do bolso direito, colocando-as em volta do pescoço de sua esposa.

— Eu farei de tudo para voltar para casa, Gengibre. Farei tudo para voltar para você. Para nós – ele falou com a voz carregada de emoções. — Até logo, meu amor.

Buck rapidamente se virou e correu para o avião com o coração pesado, e entrou pouco antes de a porta da cabine ser fechada. Ela esperou até que o avião sumisse de vista, sendo a última a ficar de pé na pista. Natasha voltou para o carro, segurando as lágrimas com muito esforço. Ela dirigiu lentamente as duas horas de volta para casa, pedindo para qualquer deus que estivesse ouvindo que trouxesse seu marido de volta para casa vivo.

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Quando o avião atingiu sua maldita altitude de cruzeiro, o sargento do exército James "Buck" Barnes tirou o envelope do bolso e o abriu, retirando um único pedaço de papel.

Meu querido Yasha, eu estou contigo

Tentei ser forte para você. Tentei fazer diferente da primeira vez que me deixou, mas tenho certeza que não consegui. Eu queria não ter chorado, pois seus ombros estavam tão pesados ​​de culpa e seus olhos brilhavam de tanta tristeza, que partiu o meu coração ainda mais.

Suas palavras de despedida ecoaram dentro da minha cabeça durante todo o tempo em que esteve longe, durante seu primeiro destacamento. “Eu voltarei para casa para você”, me agarrei à sua promessa e ao sabor que seu beijo deixou em meus lábios com aquele beijo de despedida.

Você prometeu que voltaria para mim e é com essa promessa que eu me sento em nossa varanda, olhando para os campos tão verdes e espero, enquanto você parte novamente para cumprir o seu dever com o nosso país.

Tenha certeza de que meus pensamentos estão com você, espero fundo do seu coração que meu amor seja sua força e determinação para voltar. Use meu amor para guiá-lo em seus dias sombrios, quando a desesperança estiver demais e tudo o que você quer é desistir. Use meu amor e as memórias amorosas que compartilhamos. Memórias que nunca podem ser compradas.

Você está comigo a cada segundo; espero que também sinta isso também, porque quando vou para a cama à noite, tudo o que sinto é você.

Embora eu acorde de manhã e veja o espaço vazio, sorrio para a foto sua que tenho no seu travesseiro e ali digo “Olá Yasha”, pois sei que você ouvirá isso chegando e sentirá nosso amor crescer.

Sua amiga e esposa,

Natasha Romanoff-Barnes.

Lágrimas brotaram em seus olhos; abaixando a cabeça, o sargento Barnes rapidamente as enxugou. Ele tirou a sacola Zip Lock de sua mala de viagem e colocou o bilhete entre as fotos, então se recostou em seu assento. Bucky esperava voltar vivo para sua amada esposa, não em uma caixa de pinho, como tantos de seus irmãos e irmãs fizeram antes dele.

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Natasha finalmente chegou em casa. Foi uma viagem monótona, precisando apenas parar uma vez para abastecer. Pegando sua bolsa, ela entrou fechando a porta da garagem atrás dela. Natasha foi direto para seu quarto e finalmente se permitiu sofrer, embora ainda se recusasse a deixar cair mais lágrimas. Ela ouviu e sentiu algo que parecia papel sendo esmagado sob suas costas. Alcançando atrás dela, Natasha puxou um envelope grosso debaixo dela. Ao abri-lo, ela tira duas folhas de papel dobradas.




Natasha,

Quero que saiba que voltarei para você no final desta turnê, nada impedirá isso, nem mesmo a própria morte. Por favor, espere por mim, minha querida Gengibre Selvagem. Não vou dizer 'adeus' ou qualquer outra coisa senão 'até logo' porque adeus é uma palavra tola de se usar. Eu sei que isso é difícil, mas já passamos pelo Treinamento Básico de Combate, Treinamento Individual Avançado, a Escola de Atiradores e uma turnê; isso vai ser moleza para nós!

Sei que quando voltei da primeira turnê eu não era mais o mesmo, mas passamos por aquela fase difícil. Se voltar dessa turnê com o mesmo estado de espírito que voltei da primeira, só posso rezar a um Deus que nem mesmo tenho certeza se ainda acredito, para que você fique ao meu lado e que me ajude a ver o lado bom das coisas.

Também sei que posso nunca mais voltar (é uma possibilidade que me recuso a pensar) e se isso acontecer... quero que você me deixe ir. Vá em frente e encontre alguém que você possa te fazer feliz como eu costumava fazer.

Eu sei que você está fazendo aquele seu biquinho fofo, que tanto amo. Mas não quero que você passe o resto da vida se sentindo miserável, porque não posso estar ao seu lado. Agora não estou me despedindo, mas quero que você esteja preparado se não sairmos por cima. Por favor, entenda por que estou escrevendo isso. Sei que é difícil para você, mas também é difícil para mim.

Fique bem meu lindo Gengibre Selvagem, e espere por mim. Eu voltarei para você para sempre e sempre!

Do seu Yasha.

Lágrimas, mais uma vez, brotaram de seus olhos e escorreram por seu rosto. Não parando até que ela cerrou os olhos e mordeu o lábio com força.

— Maldito seja você, Bucky! Fazendo-me chorar duas vezes em um dia, vou te fazer pagar por isso! – ela gritou para a casa vazia.

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Os quatro meses de sua viagem terminaram depois do que pareceu uma eternidade, muitas cartas foram trocadas, mas poucos telefonemas foram feitos; sempre falando sobre os bons tempos, nunca as grandes explosões acontecendo nas proximidades e nunca dizendo a palavra 'adeus'.

Barnes planejou perfeitamente, garantindo um voo de volta para casa mais cedo. Alugando um carro, ele dirigiu duas horas do aeroporto para casa sem o conhecimento de sua esposa. O carro deles não estava na garagem, quando ele estacionou o Honda Civic alugado atrás da casa. Buck deixou sua bagagem no porta-malas do carro, para buscá-la mais tarde.

Ele pegou a chave reserva debaixo do tapete de boas-vindas na porta da frente para entrar; ele sorriu trancando a porta atrás de si. Checou seu relógio de pulso vendo que eram 13:00, depois se acomodou em sua poltrona favorita, para esperar até que sua esposa voltasse para casa de seu emprego de meio período como auxiliar de professor na escola primária local. Depois de dez minutos, Buck ouviu a porta da frente destrancar e abrir quando olhou para cima, lá estava sua esposa parada na porta, boquiaberta e pálida.

— Bem-vinda ao lar, Natasha! – ele disse rindo, empurrando-se para fora da poltrona e puxando-a para um abraço, plantando beijos por todo seu rosto.

Quando Natasha superou o choque de ver o marido pessoalmente, pela primeira vez em quatro meses, ela estendeu a mão e deu um soco no peito dele.

— Seu otário! O que você está fazendo de volta tão cedo? – ela perguntou, então rapidamente devolveu os beijos. Buck riu divertido.

— Senti muita falta do meu lindo Gengibre Selvagem, então decidi voltar para casa mais cedo.

— Você poderia ter me contado, idiota! Eu não me importo com surpresas, mas não gosto de ataques cardíacos!

— Deus, como eu senti sua falta, obrigado por esperar por mim.

— Obrigado por voltar – ela falou, abraçando-o.

— Por você, eu faria qualquer coisa.