Um Homem de Sorte - Hyunbin
4 Capitulo Bônus: A Celebração em Gyeongju
O cheiro de ensopado de carne com legumes cozidos lentamente e pão caseiro quentinho tomava conta de toda a cozinha do casarão. Naquela noite de sábado, a mesa da sala de jantar estava fartamente posta. Para comemorar a nova fase da vida de Changbin e o desabafo que finalmente havia libertado seu peito do passado, o casal decidiu reunir as pessoas que se tornaram sua família naquela cidadezinha.
Changbin terminava de organizar os pratos quando a porta da frente se abriu com o som de risadas conhecidas.
- Chegamos! E trouxemos a sobremesa antes que o Jooheon tentasse comer no carro — a voz animada de S/N ecoou pelo corredor.
Logo em seguida, o pequeno Jooheon, vestindo um macacão jeans e segurando um dinossauro de plástico, entrou correndo na cozinha. Ele parou bem na frente de Changbin, olhando para cima com os olhos brilhando.
- Tio Changbin! O dinossauro tá com fome! — anunciou o garotinho, levantando o brinquedo.
Changbin soltou uma risada genuína, agachando-se para ficar na altura do menino. Ele pegou um pedacinho de cenoura cortada da bancada e estendeu com cuidado.
- Então o soldado dinossauro chegou bem na hora do rancho — brincou Changbin, fazendo o brinquedo "morder" o legume, o que arrancou uma gargalhada alta de Jooheon.
Changkyun entrou logo atrás, carregando uma torta de maçã e uma garrafa de vinho, seguido por S/N, que foi direto abraçar Hyunjin, que mexia nas panelas no fogão.
- Vocês dois estão com uma energia ótima hoje — Changkyun comentou, colocando as coisas na mesa e dando um tapinha amigável no ombro de Changbin. — O ar em Green Valley parece até mais leve.
- E está — Hyunjin respondeu, desligando o fogo e levando a travessa fumegante para o centro da mesa. Ele olhou para Changbin com um sorriso cúmplice e cheio de carinho. — Nós finalmente arrumamos o ateliê ontem. Colocamos as coisas pendentes nos seus devidos lugares.
Todos se acomodaram ao redor da mesa. Jooheon sentou-se entre S/N e Changkyun, mas mantinha os olhos fixos em Changbin, fascinado pelo ex-militar. Durante o jantar, as conversas fluíram de forma mansa e calorosa. Falaram sobre o canil, sobre as novas pinturas de Hyunjin e sobre os planos de Changkyun para a colheita da temporada.
Em um determinado momento, enquanto S/N ajudava Jooheon com a comida, Changkyun ergueu sua taça de vinho, olhando para os dois anfitriões.
- Quero fazer um brinde — disse Changkyun, o tom de voz tornando-se um pouco mais suave e maduro. — Ao recomeço. Ao Changbin, que trouxe tanta força para este lugar, e ao Hyunjin, que sempre teve o dom de colocar cor nas nossas vidas. Estamos muito felizes por ver vocês dois assim. Juntos e em paz.
S/N sorriu com os olhos marejados, erguendo o copo de suco de Jooheon para que o menino participasse, e tocou a taça de Hyunjin e Changbin.
- Tim-tim! — gritou Jooheon, animado.
Changbin olhou para a mesa cheia, para os sorrisos dos amigos e, finalmente, para a mão de Hyunjin, que buscou a sua por baixo da mesa, entrelaçando seus dedos de forma firme e terna. O ex-fuzileiro naval deu um gole em seu vinho, sentindo o peito completamente aquecido. Os fantasmas da costa leste pareciam pertencer a outra vida, a um passado distante que já não tinha poder sobre ele.
A verdadeira sorte de Seo Changbin não havia sido sobreviver à guerra por causa de um amuleto; sua verdadeira sorte era estar ali, cercado de amor, risadas de criança e uma família de verdade para celebrar o seu retorno para casa.
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