Um Helsing no encalço
8 Quando duas cabeças pensam melhor do que uma
Notas iniciais
Stiles tomou toda a água que tinham lhe oferecido e depois pressionou os dedos nas laterais da testa. Estava com uma dor de cabeça infernal.
— Por que mudamos de estalagem? — perguntou, abaixando o rosto na mesa e colocando os braços ao redor para evitar a luz excessiva do ambiente. Por que o sol tinha que ser tão claro?
Do outro lado da mesa Derek cruzou os braços.
— Saímos da cidade. Não lembra do que aconteceu ontem?
Stiles murmurou um “não” arrastado, nem se importando em levantar o rosto.
— Você começou uma briga na taverna e causou um incêndio lá. Disse que achava meus olhos lindos...
— O quê? Isso é mentira! Impossível eu ter feito isso... — disse sem muita convicção, principalmente por algumas inconvenientes memórias estarem voltando a sua mente. Uma entre elas era de uma curiosa cena de beijo entre ele e Derek... Mas não tinha como aquilo ter sido real, não é? — Não me perturbe agora. Estou sofrendo e preciso de paz e silêncio pra me recuperar.
— Tão fraco... — zombou o lobisomem que quase riu ao ouvir uma imitação de rosnado vir de Stiles. — E quando estará bom o suficiente para conversarmos sobre a procura por Deucalion?
— Já disse que não pert... — ergueu a cabeça de súbito, esquecendo momentaneamente suas dores e com os olhos brilhando de expectativa. — Você disse Deucalion? Esse é o nome do vampiro que esteve caçando até agora?
— Sim, ele...
— Então isso quer dizer que vai mesmo me deixar trabalhar com você?
— Sim, mas...
— Deucalion... Acho que já ouvi esse nome antes... Me parece familiar. Devo ter ouvido alguém falar sobre ele lá na Ordem dos cavaleiros sagrados... — olhou para o lobisomem que estava com o semblante bastante insatisfeito. — Ah, você queria falar algo?
Derek quase se arrependeu de ter aceitado a companhia de Stiles pelo resto da caçada.
Foi no terceiro livro de anotações que levava sempre consigo que Stiles achou o nome Deucalion numa das páginas. As anotações sobre ele eram poucas. Apenas que era tido como muito discreto e esperto, pois sempre sumia sem deixar sinal e nenhum caçador tinha conseguido rastreá-lo por muito tempo. Havia algumas suposições sobre o tamanho de seu clã e sobre a possibilidade dele ter algum parentesco com Drácula. Nada que realmente fosse útil.
O lobisomem, até então sem suas forças totais, já começava a sentir-se melhor. Era o último dia de lua nova, portanto, a influência dela começava a diminuir com o passar das horas. Andou até a única janela do quarto e apoiou o ombro ali.
— Depois da morte de Drácula a balança de poder entre as criaturas começou a mudar. Antes, com o domínio dos vampiros, outras raças eram consideradas inferiores e escravizadas; principalmente os lobisomens como deve saber. — desviou o olhar de Stiles, que começara a folhear outro livro, e olhou pela janela para a estrada pouco movimentada.
O caçador começou a andar de um lado para o outro deixando a mente tentar relacionar as coisas que Derek mencionava com algumas outras informações que já possuía.
— Há alguns meses houve uma reunião com membros de várias raças para discutir isso e tentar evitar que guerras desnecessárias acontecessem. Deucalion foi nessa reunião e como demonstração de suas intenções de paz ele levou sua família junto. — viu Stiles parar ao seu lado e também olhar para a estrada onde passava uma carroça cheia de frutas. — Mas alguém tinha deixado a informação chegar até a Ordem e poucos foram os sobreviventes que escaparam.
— E Deucalion foi um deles.
— Sim, mas ninguém de sua família sobreviveu.
Stiles colocou a mão no queixo, pensativo. Era essa a informação que interligava tudo.
— Foi depois disso ele começou a matar aleatoriamente?
— Ele passou um tempo desaparecido e quando voltou, começou a caçar os descendentes de famílias de raças antigas, já que não sabia quem tinha sido o traidor. Mas ele não parece estar muito são, pois agora está torturando pessoas normais também.
Stiles o observou de soslaio, distraindo-se ao admirar o tom esverdeado que suas íris ficavam na luz do sol.
— E por que você está atrás dele? — lembrou-se de perguntar quando o outro percebeu o olhar.
Derek apenas cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha como se a resposta fosse óbvia. E realmente era se parasse pra pensar.
— Entendi. Ele deve ter pego algum familiar seu. — coçou a nuca, sentindo-se desconfortável por provavelmente tê-lo feito ter lembranças ruins. — Então como vamos achá-lo? Deucalion já deve estar longe depois de todos esses dias.
Um sorriso feral brotou nos lábios do lobisomem, chamando a atenção de Stiles.
— Não tão longe. Desconheço o motivo, mas ao que parece ele não tem estado se alimentando de suas vítimas e o deixei bastante ferido antes do outro vampiro interferir.
— Então ele deve estar escondido em algum lugar próximo... — o caçador voltou para perto da cama, onde seus livros estavam jogados, e começou a abrir alguns dos mapas que possuía. — Onde você o viu pela última vez?
Derek se aproximou da cama também, observando com certa curiosidade o que Stiles vasculhava. Pra que ele andava com tanto papel mesmo?
— Era perto de uma cidade pequena chamada Piatre.
Com um sorriso animado Stiles achou o mapa que precisava e apontou para o lugar onde aproximadamente ficava a tal cidade.
— Acho que já sei onde eles estão escondidos. — voltou-se para Derek quase sugerindo que partissem depressa, mas logo lembrou-se de um detalhe. — Podemos ir daqui alguns dias...
Derek franziu a testa.
— E por que não hoje?
— Porque é melhor irmos quando você ficar curado e—
Precisou interromper-se naquele momento, pois um Derek desprovido de vergonha retirou a camisa que vestia, exibindo o abdômen que já não tinha ferida alguma. Apenas havia uma linha avermelhada que logo sumiria.
E que abdômen, hein!
— Sairemos agora. — ditou firme, não deixando brecha para uma resposta contrária.
No entanto, precisou estalar os dedos diante o rosto de Stiles para que este saísse do transe e tirasse os olhos de seu peito. Ele tinha ficado tão chocado assim ao ver o ferimento recuperado?
Fale com o autor