Um Grande Privilégio
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Desculpem os possíveis erros de ortografia.
Boa leitura! ^-^)/
Doía. Machucava. Era uma sensação agonizante. Era a sensação de estar sozinha. Seu pai fora morto em uma de suas viagens de negócios, ela nem pôde dizer adeus pela última vez. Seus empregados, tais como seus únicos companheiros, a abandonavam. Não precisavam mais ficar ali se o chefe se fora.
Ela gritava para que voltassem. Ela implorava para que não a deixassem. Ela era ignorada, como uma criança que ninguém mais tem paciência para lidar com. Um a um seus empregados iam saindo pela porta da frente sem dizer uma única palavra.
Tudo que era capaz de fazer: chorar. Seus soluços eram mudos e sua lágrimas invisíveis, ninguém a notava. Entre as lágrimas, ela viu um funcionário se aproximar da saída como todos os outros. Mas aquele não poderia deixá-la. Ela seria uma casca vazia sem ele por perto.
Desesperada, ela gritou o seu nome. O funcionário se voltou, era a primeira vez que alguém a ouvia. Ela ficou aliviada, quase feliz. Mas tudo passou quando ele a olhou sem expressão alguma no rosto. Seus olhos vazios a analisaram por um tempo, tornando-se ainda mais distantes. Por fim, ele virou suas costas para ela e saiu mundo afora.
Neon acordou assustada. Seu rosto estava molhado de suor e lágrimas. Lentamente, ela se sentou na cama confortável. Lembrava com uma certa lentidão do sonho que acabara de ter, e, a cada momento que ia lembrando, ficava cada vez mais aterrorizada. Chorando como uma criança, colocou os pés descalços no chão e correu para fora do quarto.
Sua primeira parada foi em uma porta grande e elegante, a porta do quarto de seu pai. Neon não tinha autorização pra entrar no meio da noite, mas precisava saber se ele ainda estava ali. Respirou fundo e contou até vinte. Seu nervosismo diminuiu minimamente, mas era o suficiente para que ela tocasse na maçaneta. Seus dedos trêmulos roçaram na maçaneta fina e a giraram.
A porta abriu em silêncio, revelando um quarto enorme e extremamente luxuoso. Algumas roupas e panos estavam no chão, mas o que mais importava estava na cama no meio do quarto. Seu pai dormia pacificamente ao lado de uma mulher desconhecida. Normalmente, Neon ficaria furiosa por vê-lo deitado com uma mulher qualquer, mas ela estava aliviada de mais para reclamar disso. Aquilo era como uma benção no momento.
A garota decidiu deixar o quarto quando seus soluços se tornaram audíveis, não queria se meter em confusão ao pesar de tudo. Seu choro agora era de alívio, mas nem por isso ele deixou de ser intenso. Ela andava com uma mão na boca para não berrar de tantas emoções borbulhando em seu interior. A outra mão tocava as paredes e os objetos no caminho, a guiava com uma precisão notável.
Sua próxima parada era em um corredor em especial: o corredor dos quartos dos empregados. Não eram muitos os quartos, mas mesmo assim ela não queria checar em todos. Fazendo o mesmo processo que com o quarto do pai, entrou em silêncio em alguns quartos, eram os quartos dos seus guarda-costas.
Alguns acordaram, outros não. Senritsu, uma de suas mais fiéis, notou o quão nervosa se encontrava. Neon não queria preocupá-la, então apenas lhe pediu para lhe mostrar onde era o quarto que mais queria visitar. A funcionária, ouvindo o coração da chefe palpitar em ansiedade e medo, indicou de bom grado. Com seu nervosismo crescendo a cada passo, a garota finalmente chegou na frente da porta tão desejada.
Ela era idêntica a todas as outras e, ao mesmo tempo, completamente diferente. Ela parecia mais pesada, mais resistente e mais bela do que qualquer outra. Tudo isso fazia com que ela não tomasse a iniciativa de abri-la. Seu choro voltou e suas pernas ficaram novamente bambas. E se ele não estivesse mesmo ali? O que ela faria?
Apoiou a testa na porta de madeira e respirou fundo. Ela não saberia até ver com seus próprios olhos. Ela precisava abrir aquela porta. Com o peito cheio de determinação, girou a maçaneta. A porta abriu sem que ela empurrasse e um jovem a segurava. Neon arregalou os olhos e puxou o ar com força.
O rapaz era alto e usava roupas leves para dormir. Seu cabelo loiro e um pouco comprido estava um pouco desajeitado e caía em seu rosto, cobrindo seus olhos.
— Aconteceu alguma coisa, chefe?
Sua voz quebrou o silêncio, assustando a garota. Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas nada saiu. Neon queria ver o seu rosto. Só assim saberia se ele realmente estava ali. Com cuidado, esticou sua mão na direção do rosto masculino. O rapaz recuou um pouco a cabeça, parecia fugir dos dedos trêmulos que insistiam em se aproximar.
— O que…?
— Deixa eu ver… — Ela pediu em um sussurro.
Confuso, ele permitiu que ela visse o que tanto queria. Neon afastou o cabelo do rosto pálido e sorriu com o que viu. Enormes olhos cinzentos olhando-a com uma curiosidade típica. Sem nem pensar duas vezes, o abraçou. Ele não correspondeu de imediato, mas quando o fez foi a melhor sensação de todos os tempos.
— Que bom que você não me deixou também, Kurapika… — Choramingou enquanto enterrava o rosto do peito do jovem.
— Não é tão fácil quanto imagina — Ele caçoou afagando o cabelo liso dela.
Neon riu, mesmo sabendo que aquilo não era verdade. Se ele a deixasse, ela nem teria forças para ir atrás. Sem ele nem perguntar sobre o porquê dela estar ali, ela contou todo o seu pesadelo. Estava tão concentrada em lembrar todos os detalhes e conseguir explicá-los com perfeição, que não notou quando ele a deitou em sua cama da forma mais confortável possível.
Só notou no dia seguinte, quando acordou na cama e no quarto de Kurapika. Confusa por nunca ter dormido ali e, consequentemente, não saber nada daquele lugar, apenas se sentou e olhou ao redor. Achou um bilhete ao lado da cama, seu nome escrito na frente.
“Sempre ao seu lado— Kurapika”
E sorriu pela sorte que tem.
Notas finais
Comentários, críticas e sugestões são bem vindas (^o^)/
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