Notas iniciais
Esse capitulo já estava pronto na minha cabeça faz tempo, espero que gostem.

Bakura entrou no apartamento e jogou as chaves na mesa perto da porta, caminhou ate a sala, olhou em volta e suspirou desanimado com o silêncio.


Ten miles from town and I just broke down

(Dez milhas da cidade e eu só estou quebrado)

Spittin' out smoke on the side of the road

(Cuspindo fumaça do lado da estrada)

I'm out here alone just tryin' to get home

(Estou aqui fora sozinho apenas tentando chegar em casa)

To tell you I was wrong but you already know

(Para dizer para você que eu estava errado, mas você já sabe)

Believe me I won't stop at nothin'

(Acredite em mim, eu não vou parar em nada)

To see you so I've started runnin'

(Para vê-la, então eu comecei a correr)


Foi ate a cozinha e pegou uma lata de cerveja, iria precisar para passar a noite, nem se lembrava mais quando foi a última vez que tinha bebido, Marik o proibiu. Foi ate a sala e se jogou no sofá deixando a lata na mesa de centro.

Seu humor tinha mudado durante o caminho de volta do hospital, pensou em passar a noite com Ryou e os outros, mas não tinha disposição para isso, seus pensamentos estavam em certo loiro. Sentiu-se sem vida, sem brilho, sem Marik.


All that I'm after is a life full of laughter

(Tudo o que eu estou atrás é de uma vida cheia de risos)

As long as I'm laughing with you

(Contanto que eu esteja rindo contigo)

I'm thinkin' that all that still matters is love ever after

(Estou pensando que tudo o que ainda importa é o amor para sempre)

After the life we've been through

(Após a vida que vivemos)

'Cause I know there's no life after you

(Porque eu sei que não há vida depois de você)


Tomou a lata em suas mãos e a abriu, quando a levava a boca um pensamento veio em mente:

- Nada disso, Bakura! — Marik dizia colocando as mãos nos quadris e o olhando irritado.

- Marik... — o albino gemia — Me deixe beber...

- Não! Enquanto eu estiver aqui este apartamento ainda é meu! E no meu apartamento não se bebe! — diz categórico e bufa.

Riu da lembrança e deixou a lata na mesa, balançou a cabeça tentando se livrar da imagem de Marik. Sentiu-se inquieto e sozinho. Ele olhava constantemente para as portas e paredes ao redor esperando ver Marik atravessar uma delas e fazer algum comentário sarcástico.


Last time we talked, the night that I walked

(A última vez que conversamos,na noite em que eu andei)

Burns like an iron in the back of my mind

(Queima como um ferro no fundo da minha mente)

I must've been high to say you and I

(Eu deveria estar bêbado para dizer que você e eu)

Weren't meant to be and just wasting my time

(Não fomos feitos um para o outro, e só estou perdendo o meu tempo)

Oh, why did I ever doubt you?

(Oh, porque eu duvidei de você?)

You know I would die here without you

(Você sabe que eu morreria sem você aqui)


Olhou para a TV e se lembrou que o loiro sempre sentava nela para chamar a atenção para algo importante ou simplesmente para chateá-lo. Pegou o controle e ligou a TV, ainda estava no filme que tinham assistido. Ele e Marik tinham assistido a vários filmes, foi divertido, comentaram as cenas e o que fariam se fossem os diretores. Mudou de canal enfadonho, nada o interessava, por fim a desligou.


All that I'm after is a life full of laughter

(Tudo o que eu estou atrás é de uma vida cheia de risos)

As long as I'm laughing with you

(Contanto que eu esteja rindo contigo)

I'm thinkin' that all that still matters is love ever after

(Estou pensando que tudo o que ainda importa é o amor para sempre)

After the life we've been through

(Após a vida que vivemos)

'Cause I know there's no life after you

(Porque eu sei, não existe vida depois de você)


Levou as mãos ao rosto, se sentia miserável, como se ele tivesse perdido uma pedaço de si mesmo, uma parte que não conseguia sobreviver sem. Sentiu os olhos marejarem e os fechou com força jogando a cabeça para trás e mantendo os olhos fechados. Se perguntou por que a falta de Marik o deixava dessa forma.


You and I, right or wrong, there's no other one

(Você e eu, certo ou errado, não há nenhuma outra)

After this time I spent alone

(Após este tempo que passei sozinho)

It's hard to believe that a man with sight could be so blind

(É difícil acreditar que um homem com visão poderia ser tão cego)

Thinkin' 'bout the better times, must've been outta my mind

(Pensando em tempos melhores, saindo da minha mente)

So I'm runnin' back to tell you

(Então, eu estou correndo de volta para dizer)


Abriu os olhos ao sentir um vento gelado, olhou para os lados a procura do egípcio que sempre fazia isso, mas não o encontrou, somente um vão da janela aberta o suficiente para entrar o ar gelado da noite. Suspirou fundo estava sendo difícil ficar longe de Marik.

Desolado passou as mãos nos cabelos. Suspirou fundo e se levantou, foi ate a porta do quarto, mas antes deu uma última olhada na sala como se o loiro fosse aparecer para lhe pregar um susto. Entrou no quarto e se jogou na cama enrolando-se ao edredom. Rolava na cama de um lado para o outro, sentia falta do egípcio. O loiro sempre o fazia conversar com ele ate que desaparecesse. Por fim o cansaço o venceu e acabou dormindo.


All that I'm after is a life full of laughter

(Tudo o que eu estou atrás é de uma vida cheia de risos)

Without you God knows what I'd do

(Sem você, Deus sabe o que eu faria)

All that I'm after is a life full of laughter

(Tudo o que eu estou atrás é de uma vida cheia de risos)

As long as I'm laughing with you

(Contanto que eu esteja rindo contigo)

I'm thinkin' that all that still matters is love ever after

(Estou pensando que tudo o que ainda importa é o amor para sempre)

After the life we've been through

(Após a vida que vivemos)

'Cause I know there's no life after you

(Porque eu sei que não há vida depois de você)

Know there's no life after you...

(Sei que não existe vida depois de você...)


Bakura acordou com o despertador como todos os dias e como sempre o jogou no chão, olhou em volta e nada do egípcio. Não conseguiria suportar ficar mais tempo na casa sozinho.

Pensou por um momento, pegou o celular e discou um numero, chamou algumas vezes — Alô.

Bakura suspirou fundo — Err... Ryou. Sou eu, Bakura.

Ryou riu do outro lado — Conheço sua voz Kura... O que foi? Lembrou que tem irmão? — perguntou ainda rindo.

O albino rangeu os dentes, tinha se esquecido completamente do irmão, nem se preocupou com ele nesses dias — Err... Estava ocupado, sinto muito... Eu queria saber se você e o pessoal querem ver um filme hoje...

- Ok. Nos encontramos na frente do cinema! Assim eu mato a saudade do meu irmão predileto! — disse animado.

- Sou seu único. — Bakura respondeu secamente, ouviu o outro lado da linha ser desligado e sorriu.

Se levantou com certa dificuldade, preguiça, decidiu que precisava de um banho urgente, espreguiçou-se olhando para os lados. Sabia que Marik provavelmente não tinha voltado, mas resolveu verificar para ter certeza.

Olhou nos armários, atrás do sofá, debaixo da mesa ate na geladeira, mas nem sinal do loiro. Suspirou fundo indo ate o banheiro para se preparar. Ele podia passar o dia sem Marik tranquilamente. Podia...?

Tirou o pijama e olhou por cima do ombro esperando ver Marik olhando extremamente presunçoso ou corado, fazendo algum comentário sobre sua cor pálida. Bakura fechou os olhos tentando apagar a imagem do loiro da mente, tinha que esquece ele pelo menos por um dia.

Tomou banho na água gelada para ajudar a acordar, se arrumou e depois de mais ou menos duas horas deixou o apartamento. Antes de sair escreveu um bilhete para Marik, mas foi breve, não queria que ele pensasse que tinha se esquecido dele nem que ele tinha pensado muito no rapaz.

Não foi de carro para o cinema, queria caminhar, o que já era de se surpreender vindo dele. Agora ele era uma pessoa diferente, Marik tinha trazido um lado dele que nem ele imaginava que existia, sentiu como se agora tinha algum valor, como se fosse útil para alguém.

Quando chegava perto da entrada viu seus amigos o esperando. Se sentiu relaxar, seria bom passar um tempo com eles para se divertir, e era bom saber que eles ainda o suportavam depois de tantas coisas estranhas que tem feito ultimamente.

- Bakura! — Ryou disse animado.

- Oi! — disse sorrindo gentilmente, não se sentia irritado pelo que fizeram no outro dia, na verdade ate estava agradecido, pois assim ele conseguiu ajudar Marik.

- Como foi no outro dia? — Yami perguntou cruzando os braços.

Bakura sorriu — Eu não sou louco! — disse mostrando a língua, os outros trocaram olhares desconfiados — Mas, obrigado... Foi de grande ajuda.

- Então? O que vamos assistir? — Jou perguntou olhando para a lista de filmes.

- Algo com sangue! — Bakura disse sorrindo sadicamente. Ryou, Yugi e Anzu o olharam horrorizados. O albino bufou — Certo. Eu assisto em casa. — disse com desdém. Yami revirou os olhos e Bakura riu, se sentia normal, como antes, mas por dentro sentia falta de algo, de Marik.

- Que tal comédia? — Yugi sugeriu e todos olharam para ele.

- Não sou suficientemente engraçado para você? — Jou perguntou fingindo de ofendido e todos riram.

- Então, o que nós vamos assistir, gênio? — Honda pergunta cruzando os braços e olhando desafiador.

- Hmm...? — Jou pensou por um momento — Podíamos entrar e assistir o que estiver passando. — disse olhando para todos, pensaram um pouco e depois concordaram.

Entraram em várias salas, viram vários filmes, ou metade deles, ou ate menos. Estava divertido, fazia tempo que não faziam isso. Apesar de tudo, em alguns momentos ainda se lembrava do loiro, mas logo era distraído por um dos amigos e acabava deixando Marik um pouco de lado.

-X-X-X-

- Foi bom termos vindo. — Yugi disse, ainda comendo pipoca. Bakura assentiu o seguindo do lado.

- Gostei daquele de ação. — Jou disse imitando os personagens atirando.

- Não gostei daquele de terror... — Ryou diz fazendo careta.

Bakura deu um leve tapa na cabeça do irmão — Era suspense. — disse rindo e os outros o acompanharam. O albino olhou para o céu, já era começo de noite, eles tinham ficado praticamente a tarde inteira vendo filmes, tinha sido bom, se pudesse ficaria com eles por mais tempo, mas sabia que tinha que voltar.

Anzu parou na porta do cinema olhando para os filmes que iriam ser lançados em pouco tempo — Podíamos vir assistir este filme... — ela aponta. Bakura ainda se sentia incomodado, mas Anzu ignorava e agia normalmente como se nada aconteceu, então ele resolveu deixar pra lá.

- Que filme é esse? — Honda perguntou olhando o pôster com curiosidade.

- É sobre um cara que se apaixona pelo espírito de uma garota. — ela explica, Honda e Jou fazem caretas.

Bakura sentiu suas veias gelarem e seu coração começou a bater mais forte. Tinha se lembrado de Marik. Era ate irônico, parecia que o autor tinha previsto o seu futuro, só que filmes tem finais felizes e ele não estava tão certo disso. Precisava ir para casa, precisava ver Marik — Err... Pessoal, eu tenho que ir, tenho muita coisa para fazer amanhã.

- O parceiro misterioso? — Yami disse piscando.

Bakura revirou os olhos e sorriu — Talvez... — disse sínico — Bem, tchau para você. — disse se afastando.

- Tchau! — Ryou gritou acenando, o albino acenou de costas mesmo e o irmão sorriu vendo que o gêmeo estava bem.

- Comporte-se! — alguém gritou, Bakura se virou e mostrou a língua, não tinha ideia de quem tinha falado, mas acabou pensando em coisas que o fizeram corar violentamente.

Bakura caminhou calmamente pelas ruas de Tokio pensando em como iria se comportar se Marik já estivesse em casa. Ele parou abruptamente e piscou várias vezes. Tinha pensado no apartamento não como sua casa, mas a casa de ambos, ele e Marik. Voltou a caminhar balançando a cabeça e rindo do próprio pensamento.

Não muito tempo depois finalmente chegou no apartamento. Fez uma busca completa no lugar e nada, suspirou em decepção e se jogou no sofá. Olhou ao seu redor, silêncio, isso o incomodava. Começou a pensar nos muitos comentários que ele pudesse cumprimentar o loiro quando ele aparecesse. Sentia seu estômago revirar ao pensar que tinha perdido Marik para sempre, ele não podia suportar a ideia. Sacudiu a cabeça para afastar os pensamentos, se levantou e foi ate o quarto, seu corpo pedia cama.

Marik entrou pela porta parando no meio da sala, mordeu o lábio, estava escuro e o albino não estava por perto, ele suspirou olhando em volta parando os olhos na mesa de centro onde havia um papel, se aproximou e notou que era um bilhete de Bakura Pegou e leu rapidamente, ouviu um som vindo do quarto e sorriu.

Ele tinha passado a noite anterior tentando se re-conectar com o seu corpo e falhou em todas as tentativas. Pela manhã seus irmãos e sua sobrinha tinham o visitado novamente, então ele resolveu os seguir durante o dia, foi com Ishizu e Sarah em um aniversário de uma coleguinha da sobrinha e depois seguiu o irmão ate a casa de Ryou? Riu com isso. Seu irmão e Ryou estavam juntos e nem ele e muito menos Bakura sabia disso, qual seria a reação do albino?

Na maior parte do dia aproveitou para se divertir e passar mais tempo com eles, mas sempre que tinha um momento sozinho seus pensamentos se dirigiram a Bakura e isso o estava deixando louco. Pensou se Bakura iria busca-lo no hospital, mas essa possibilidade foi descartada, o albino não era assim.

Sorriu com o bilhete em mãos e caminhou ate o quarto na esperança de encontra-lo acordado, parou na porta por um momento. Encontrou Bakura deitado enrolado no edredom, os cabelos brancos espalhados pelo travesseiro, expressão serena. Poderia ficar olhando para ele a noite toda, mas queria conversar com ele.

- Bakura? — ele disse se aproximando. O albino gemeu algo que o outro não pode entender — Bakura? Você esta acordado? — ele sorriu quando o outro murmurou e se sentou na cama.

O albino olhou em volta ainda sonolento e sentiu seu estômago oscilar quando viu a figura do egípcio em sua frente — Marik... — disse rouco e estreitou os olhos tentando confirmar.

Marik sorriu e se aproximou mais — Te acordei?

Bakura revirou os olhos e sorriu — Não esta óbvio? — perguntou sarcasticamente.

- Desculpe... Eu só queria... Falar com você antes de desaparecer. — o loiro disse se virando para sair, ele queria conversar com Bakura, mas se sentiu mal por acorada-lo.

- Não vai... — Bakura disse surpreendendo Marik, que se virou para encara-lo. Era verdade que o albino estava cansado, mas agora que o loiro estava ali na sua frente não queria que ele se afastasse — Bem... Já que você me acordou... Poderia me fazer companhia pra compensar.

Marik sorriu se aproximando — Se você insisti...

- Faço questão. — o outro disse sorrindo.

Marik estava agachado ao lado da cama debruçado sobre esta. Bakura tinha deitado e se apoiava em um braço para que pudesse falar com o loiro com mais facilidade — Então, o que fez hoje? — Marik começa incerto.

O outro levantou uma sobrancelha — Acho que eu deveria fazer as perguntas. Você é que vive aprontando.

- Calado! — ele disse corando. Bakura sorriu e esperou que ele continuasse — Bem, fui a uma festa de aniversário de uma garotinha de cinco anos e... — ele parou abruptamente.

Bakura ergueu uma sobrancelha — E?

Marik parou por um minuto, provavelmente Bakura não sabia da relação do seus irmão com Mariku e não seria ele iria contar — E... E acompanhei meu irmão nas coisas chatas que ele sempre faz. Satisfeito? — ele disse mostrando a língua e suspirando aliviado por dentro. Bakura ria em imaginar Marik no meio de um monte de crianças — Isso não é engraçado! — ele diz fazendo beicinho.

O rapaz de pele pálida contem os risos — É sim.

O loiro olhou para o teto fingindo irritação. Bakura o observava atentamente e teve um pensamento — Ei... Marik. E se você tentar dormir hoje a noite ao invés de esperar desaparecer? — Bakura se sente envergonhado com a ideia e tenta desviar o olhar.

Marik o encara com curiosidade num primeiro momento, mas depois sorri — Posso tentar... Eu acho. — Bakura olha para ele aliviado — Mas onde?

- Aqui. — o albino diz erguendo o edredom para abrir espaço — Se você quiser. — ele acrescenta tentando esconder um leve rubor.

O loiro pisca algumas vezes e depois ri abafando o som com a mão. Ele olha para Bakura e desliza para de baixo das cobertas, mesmo que isso não fizesse diferença.

- Confortável? — Bakura pergunta olhando para ele.

Marik se virou para ele, se sentiu estranho ao perceber que estavam muito próximos e agradeceu estar escuro ou Bakura veria que ele estava vermelho — Eu não posso dizer realmente...

- Verdade. — ele diz meio sem jeito e se amaldiçoando mentalmente por dizer algo estúpido.

Marik riu e Bakura o olhou sem entender — Acho que essa cama nunca teve mais que uma pessoa sobre ela. — ele comenta olhando para o teto em um ponto fixo. Um momento de silêncio, Bakura tentou pensar em algo para dizer, mas nada vinha a mente — Tentei voltar ao meu corpo de várias maneiras. — Marik comenta.

O albino se vira para ele e coloca uma mão no braço bronzeado de Marik — Vou continuar te ajudando, ok? — Marik assente e sorri. Bakura sorri de volta e boceja levando a mão a boca — Agora eu vou dormir. Você também deveria tentar. — o loiro sorri e Bakura fecha os olhos, em pouco tempo cai em sono profundo.

Marik se aproxima dele e pressiona seus lábios juntos suavemente — Boa noite, Bakura. — ele sussurra e fecha os olhos se aconchegando na cama.

Notas finais
A musica é Life After You - Chris Daughtry.
Na minha opinião tem tudo a ver com esse capitulo.