Um Espírito - ShikaTema

2 Um pequeno guerreiro, que agora é um anjinho.


Notas iniciais
Aviso: Para diferenciar, as falas de Shikamaru estarão em itálico, indicando que apenas Temari o vê e o escuta.

P.O.V's Temari

Eu e o Shikamaru estávamos andando pelo cemitério, pois ele estava me levando para seu túmulo, para me provar que ele estava falando a verdade.

Nós caminhamos por um tempo, até que ele para de repente.

É essa aqui.— Ele aponta para uma lápide em específico.

Era um túmulo bem mais simples, indicando que sua família não era rica e poderosa. Em sua lápide, estava escrito seu nome, sua data de nascimento, sua data de morte (realmente, foi algo mais recente), e uma frase: "Um pequeno guerreiro, que agora é um anjinho".

Eu fiquei confusa com essa frase. Ué, o Shikamaru, guerreiro? Ele com certeza não lutava! O Shikamaru é tão magrelo e preguiçoso que eu derrubo em um soco bem dado! Então… por quê guerreiro?

Enfim, na frente de sua lápide, também tinham algumas flores, agora meio murchas. Eram lírios da paz, muito bonitos… pena que murcharam.

Bem, é isso aí…— Ele coça a nuca, olhando para sua lápide. — Aí, nome, nascimento, morte… tudo aí.

— Oh… por quê "pequeno guerreiro", Shikamaru? — Eu pergunto, sem rodeios. — Você não tem cara de quem luta.

E eu não luto. É que dizem que quem tem uma doença grave está lutando pela vida, então é um guerreiro.— Ele explica.

— Ah, entendi… então você morreu doente? — Pergunto, novamente sem rodeios.

Sim, acho que sim…

— Ué, como assim, "acho"? — Eu tombo a cabeça pro lado, confusa.

Então, eu não sei exatamente o que me matou… tipo, eu estava ocupado demais morrendo, então não sabia o que era.— Ele coça a nuca novamente. — Mas eu tenho quase certeza de que foi algo relacionado a minha doença.

— O que você tinha, Shikamaru?

Câncer.

— Câncer? — Eu fico meio surpresa. — Não é uma doença muito grave? Aquela que deixa as pessoas carecas, e de cama? Que deixa as pessoas muito preocupadas, fracas e tristes?

É, quase isso. Mas parte da fraqueza e o fato da gente ficar careca geralmente é por conta da quimioterapia, que é um tratamento contra o câncer.

— E você não fez? Tipo, você tem cabelo e tals…

Eu fiz, sim. Mas, sei lá, eu tô morto. Então acabei ficando com essa aparência mais saudável e apresentável… o que eu não reclamo nadinha, detesto parecer doente… detesto estar doente.— Ele faz uma careta.

— Então… você preferia ter morrido? — Eu pergunto, preocupada.

Sei lá, acho que não. Tipo, eu gosto de não estar mais doente, pois viver daquele jeito era muito ruim… Mas eu gostaria muito mais se eu tivesse me curado totalmente, e pudesse viver uma vida mais saudável…— Ele parece meio pensativo sobre a própria resposta.

— Entendi… E… — Eu ia perguntar mais alguma coisa, mas sou interrompida por duas pessoas que se aproximam: um homem e uma mulher.

O homem é grande e alto, e é muito parecido com o Shikamaru. Os olhos dele são iguais os do Shikamaru, e os cabelos também, só um pouco mais escuros, mas estavam presos da mesma forma engraçada que os de Shikamaru. Ele também tinha uma cicatriz no rosto. O homem estava usando roupas pretas, e segurava um buquê de violetas.

Já a mulher é um pouco mais baixa, mas nem tanto. Seus cabelos são castanhos (em um tom mais parecido com os do Shikamaru), lisos e compridos, mas não tanto. Seus olhos também são castanhos. Ela estava usando roupas pretas, assim como o homem. E ela segurava um belo buquê, com lírios da paz novinhos.

— Oh, olá, querida. — A mulher dá um fraco sorriso para mim. — O que faz aqui?

— Ah… eu… vim ver o Shikamaru, sabe? — Digo. Eu não pensaria em uma mentira boa, e a minha família (que estavam no enterro do tal Jin no Sabaku) estava lá do outro lado do cemitério.

— Entendo… Você o conhecia? — Ela pergunta.

— Sim, conheço, de certa forma… — Eu coço a nuca, meio nervosa. Eu olho de canto de olho para Shikamaru.

Não diga nada sobre eu estar aqui! —Shikamaru pede, parecendo um pouco agitado. — Por favor! Depois eu explico, mas não diga nada!

— Eu não me lembro de você, pequena…? — O homem pergunta.

— Temari, Temari no Sabaku! — Eu digo.

— Ah, pequena Temari. Eu me chamo Yoshino, e esse é meu marido, Shikaku. — A mulher se apresenta. — Nós somos os pais do Shikamaru.

— Então vocês são os pais dele? — Eu fico levemente surpresa. — Meus "dêsames"… "pêsamis"… "pêsa"… — Tento falar, mas acabo me embolando um pouco com essa palavra chata, que eu nem sei o significado. — Eu sinto muito. — Digo, enfim.

— Obrigado, minha pequena… — Yoshino diz, com um sorrisinho fraco, porém gentil, no rosto.

— Hum… onde estão seus pais, pequena Temari? — Shikaku pergunta.

Aproveita essa chance e sai daí, Temari! — Shikamaru pede.

— Ah, eles estão mais pra lá… Inclusive, eu tenho que voltar com eles! — Eu digo.

— Claro, pequena, claro… então volte lá com eles. — Diz Shikaku, com uma voz tranquila.

— Até mais, pequena Temari! — Yoshino se despede.

— Até, senhor e senhora Nara! — Eu digo, acenando para eles, enquanto me afasto.

Shikamaru sai correndo, e eu ia gritar para ele me esperar, mas resolvo ficar quieta e apenas correr atrás dele.

Após um tempo correndo, Shikamaru e eu chegamos de volta naquela árvore em que estávamos antes.

Você deve estar querendo uma explicação, certo? — Ele pergunta, e eu concordo com a cabeça. — Que saco, hein…

— Aqueles eram seus pais? Por quê você não me deixou falar nada sobre você? E por quê você parecia estar tão desesperado para sair de lá? — Eu pergunto, cruzando os braços.

Sim, aqueles são os meus pais. — Ele começa a falar. — Eu não deixei você falar nada sobre mim porque eles achariam que é uma piada de mal gosto, e ficariam muito chateados. E eu queria sair de lá porque não quero ver meus pais chorando e sofrendo por minha causa… de novo… — Shikamaru parecia meio cabisbaixo.

— Ah, entendi… — Eu digo, resolvendo não perguntar mais nada sobre isso, já que eu percebi que o Shikamaru pareceu ficar meio triste ao falar disso. E faz sentido, já que deve ser bem difícil, mesmo, ver os próprios pais chorando e sofrendo por ele, e não poder fazer nada para ajudá-los ou consolá-los…

Mas agora você acredita em mim, Temari? — Ele pergunta.

— Eu acredito que você está morto, sim, e que é tipo um espírito. Mas… como vou saber se é real o que você disse sobre me acompanhar até a minha morte?

Aí você apenas segue o roteiro, mesmo… — Ele coça a nuca.

— Nem vem com esse papo-furado de roteiro, não, Shikamaru! Eu quero provas de que você está dizendo a verdade!

Que saco… Se eu não menti antes, por quê eu mentiria agora, sua problemática?

— Não me chame assim! — Eu brigo. — Mas você tem um ponto…

Sem contar que, se você se recusar a aceitar, você irá me deixar aqui, sozinho por toda a eternidade, ou coisa do tipo?

— Ai, ok, eu já disse que acredito, Shikamaru! Que saco! — Eu resmungo.

Ei, você roubou a minha fala!

— Que? Mas que fala?

O meu "Que saco"!

— Ai, que idiota! Pega sua fala de novo, que saco! — Eu reclamo, apenas para irritá-lo.

Desisto, que saco! Sua problemática!

— Não me chame assim, seu preguiçoso!

Sua problemática!

— Preguiçoso! — Eu mostro a língua para ele.

Problemática! — Ele revida, também mostrando a língua para mim.

Continua…

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.