Um Espírito - ShikaTema

1 A Árvore e o Tal Espírito


P.O.V's Temari

Eu estou caminhando pelo cemitério, totalmente entediada.

Sim, eu acabei de falar que estou andando pelo cemitério. E, não, eu não sou louca, nem estou perdida, nem estou morta.

Na verdade, a explicação para isso é trezentas vezes mais simples: hoje tá rolando o enterro de um cara chamado Jin no Sabaku, que é um tio meu.

Eu nunca vi esse tal de Jin na vida, mas a mamãe me disse que ele era um primo distante do papai, então eu tinha que vir junto para me "despedir" dele, e dar meus pêsames à família (seja lá o que pêsames significa).

Mas o que eu, uma garotinha de oito anos, ia ficar fazendo lá? Ia ficar chorando pela morte de alguém que eu nem conheci? Claro que não! A própria mamãe disse que ele não era próximo da família, mesmo!

Então eu aproveitei que a mamãe estava distraída com o tio Yashamaru, e que o papai estava distraído com o Kankuro e com o Gaara, e dei no pé, saí correndo para fugir daquela choradeira toda.

Depois que eu me afastei um pouco, eu fiquei só andando por aí, entediada, procurando algo para fazer… mas o que tem para fazer em um cemitério?

Daí eu só fiquei andando por aí, bem de boas, né…

Até que eu vi algo interessante: tinha uma árvore, e sentado ao pé dela, tinha um garotinho, que estava olhando para o céu, de forma entediada.

Ele não era muito alto, era magro e pálido. Os cabelos dele são castanhos e compridos, e estão presos em um rabo-de-cavalo, de uma forma engraçada, que lembra um abacaxi. Os olhos dele não são muito grandes, e são castanhos. Ele estava vestindo uma camiseta verde, uma calça preta e um par de tênis verdes.

Como o garoto não parecia ser muito mais novo que eu, parecia estar sozinho e entediado, eu resolvi me aproximar dele.

— Ei, garoto! — Eu o chamo, parando na frente dele.

— Você consegue me ver?! — Ele olha para mim, bem surpreso.

— Sim, ué! Por quê eu não conseguiria? — Pergunto, confusa.

— É uma longa história… — Diz, revirando os olhos. — Enfim, como se chama?

— Me chamo Temari no Sabaku, e você?

— Me chamo Shikamaru Nara. Quantos anos você tem?

— Eu tenho oito anos, e você?

— Sete anos.

— Ah, você é só um ano mais novo que eu! Então quer ser meu amigo? — Pergunto, direta.

— Pode ser. — Ele dá os ombros. — Não é como se eu tivesse muita opção… — Ele resmunga para si mesmo.

— Ué, por quê não? — Pergunto, curiosa.

— Longa história… — Ele diz, revirando os olhos.

— Oxi, mas tudo para você é uma longa história! Aposto que é só preguiça de me contar! — Eu digo, cruzando os braços ao vê-lo dando os ombros. — Vai, conta logo! — Eu exijo.

— Ai, que saco… — Ele diz, revirando os olhos. — Basicamente, eu vou ter que te acompanhar até a sua morte.

— Viu? Não é uma história tão longa assim, e… — Eu ia falando, até perceber o absurdo que ele me disse. — É O QUÊ?!?! — Grito, chocada.

— SHIU, FALA BAIXO! Vão pensar que você é louca por estar falando sozinha! — Ele me repreende.

— Ai, tá, foi mal! — Resmungo, irritada. — Mas que absurdo é esse que você acabou de dizer, Shikamaru?!

— Isso vai ser problemático… — Ele resmunga. — Senta aí, vou resumir essa budega toda.

— Ok, mas explica logo que porcaria é essa! — Eu me sento ao lado dele.

— Bem, caso você não tenha percebido, eu tô morto. — Ele diz, sem rodeios.

— VOCÊ TÁ O QUÊ?! — Pergunto, chocada. Ele me lança um olhar repreendedor, por ter gritado de novo. — Foi mal, foi mal!

— É, eu tô morto. Não faz muito tempo, já que fazem pouquíssimos dias que aconteceu o meu enterro.

— Então como que eu tô conversando com você, hein?!

— Eu sou um espírito, ué. Ou alguma coisa do tipo… Ah, tanto faz. O ponto é que eu preciso ficar cuidando de você até o fim da sua vida, pois teve uma hora que tudo ficou preto, e uma voz me disse que eu deveria cuidar da primeira garota loira dos olhos verdes que me visse. Daí eu acordei aqui, nessa árvore.

— Que viagem… a autora deve estar drogada… — Eu resmungo. — Mas como eu vou saber se isso é verdade? — Cruzo os braços, desconfiada.

— Ô, só segue o roteiro, vai…

— Não, eu quero provas!

— Que saco… Vem comigo, problemática. — Ele diz, se levantando e começando a andar para longe.

— Ei, não me chama assim! — Eu reclamo, o fazendo revirar os olhos. — E para onde você está me levando? — Eu pergunto, me levantando e o seguindo.

— Para o meu túmulo, ué. Assim você vai ver que eu não tô inventando nada.

— Pro seu túmulo?!

— É! Só vem logo!

Nós então vamos em direção ao tal túmulo de Shikamaru.

O caminho foi silencioso, e eu estava bem confusa. Será que ele está falando a verdade? Ou está mentindo? Espero que não, pois eu odeio fazer o papel de boba… Mas um espírito?! Como eu vou acreditar nisso? E por quê justo eu que ele tem que acompahar?

Continua…