Um Dia Eu Tive
8 Capítulo 8
Carl:
Engraçado, nunca imaginei que choraria a perda de um homem. Quando meu pai morreueu tive uma crise de riso, ou melhor, achei legal aquele homem velho e rabugento, mas que eu amava, deitado com algodões em suas narinas. Minha mãe, já com aparência idosa, chorava como criança. Após aquele dia, eu achei que nenhum homem seria capaz de me fazer chorar.
Entretanto, eu chorava e como uma criança que acabou de perder seus pais.
- Me desculpe.
Odeio a forma como ele fala. Tão manso e doce. As mãos acariciavam meus cabelos endurecidos pelo gel que ele tanto odeia. Eu nada conseguia responder, apenas chorava. Aliás, estava me cansando de tanto chorar em seu colo.
John e eu moramos juntos há muito tempo. Na verdade, nem me lembro quando me apaixonei por ele, só sabia que estava. De tudo, me lembro perfeitamente quando nos conhecemos. Mark e eu estávamos conversando sobre banalidades, Kill era pequena e estava sendo abordada por outra garota que deveria ter a idade dela.
No meio da conversa, Mark parou subitamente de falar, sua feição passou para uma assustada ou talvez raivosa e logo, curioso como era e ainda sou, olhei para a mesma direção. John estava lá, sorrindo para Mark.
John começou a falar algo com Mark, que estava furioso, e em certo momento olhou para mim, assim perguntou meu nome.
O pior de ter essa lembrança, é que o choro só aumenta. E logo, meu corpo ficou pesado demais para eu continuar acordado.
O choro tornou-se soluços descontrolados.
E quando abri os olhos novamente eu já estava na cama. Olhei para o relógio em meu pulso e constatei que já era de manhã. Levantei-me e caminhei até a cozinha, John havia preparado o café da manha e provavelmente ido trabalhar.
As lagrimas brotaram novamente em meus olhos. Voltei a ser uma criança.
- Carl! – O meu corpo foi abraçado com força. Ele estava assustado e eu desesperado.
Entendam, eu não quero perdê-lo!
- Eu, — solucei – Não quero que você vá! Quero você aqui, comigo! – Respirei fundo tentando, inutilmente, acalmar meu diafragma. – Não quero perder o seu calor que tanto me vicia, a sua voz doce quando sussurras que me ama, a sua presença... — Procurei as palavras certas. — ...Como eu conseguirei viver sem ela? – Berrei.
- Carl. – o abraço ficou mais forte. – Não sei como dizer a intensidade do meu amor por você. Minha vida não é nada sem você, nunca foi. Você é o que trouxe sentido à este antigo recipiente vazio. Eu te amo, meu pequeno anjo.
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