Um Conto de Nós Duas
9 Capitulo 8
Notas iniciais
Emma entrou na mansão com um sorriso. Fora convidada por Regina para uma noite de pizza e isso a enchia o peito – loira que eu amo, Henry que te convidou e a Rainha meio que foi obrigada a aceitar, mas está valendo não é mesmo?
A Xerife olhou os cômodos como se fosse a primeira vez. Via a organização, sentia o cheiro de maçã por toda parte. Estar na mansão Mills era deliciosamente extasiante.
– Henry, vá tomar seu banho – a rainha falou enquanto se encaminhava para a cozinha. – Swan, gostaria de beber algo?
O garoto subiu as escadas devagar observando sua mãe Regina sumir na cozinha. Olhou sua outra mãe, deu um sorriso, uma piscada e continuou a subir.
Emma ficou vermelha como um dinamarquês nas praias do Rio em fevereiro.
A loira finalmente entendeu o que estava acontecendo. Estava no primeiro andar sozinha com a prefeita. Começou a suar, a tremer.
– Swan? – Regina insistiu.
– Estou aqui – Emma respirou fundo e foi para a cozinha.
– Pensei que tivesse desistido e me dado o prazer da sua ausência.
– Você não tem tanta sorte assim, madame prefeita – se sentou em um banco preto, se apoiando na bancada.
– Já percebi isso. Gostaria de beber algo?
– Uma cerveja por favor – Emma não conseguia desviar o olhar.
– Aqui não é uma taverna, Swan. Eu posso te oferecer vinho, cidra de maçã, whisky, agua, suco, café, mas não cerveja.
– Você pode me servir…. – Eu não posso falar o que Emma pensou. É muito indecente – água, por favor.
Disse isso com o sorriso mais malicioso do planeta. A loira estava descontrolada, não conseguia raciocinar vendo aquela mulher. As palavras estavam sendo jogadas da sua boca.
Regina estava confortavelmente irritada com a loira esparramada na sua cozinha. Ter a loira ali era insuportavelmente agradável. Abriu a geladeira e serviu gentilmente a salvadora. Emma só sorria.
– Se quiser ficar na sala esperando o Henry. Fique à vontade – a morena se virou procurando um número em seu celular.
– Estou bem aqui com você.
Emma era um poço de atrevimento. Desde que descobrira sua paixão, não tão repentina assim, não conseguia se afastar. Estava presa a prefeita e não conseguia se soltar, não queria se soltar.
Regina respirou fundo se controlando e fez a ligação. Andava de um lado para o outro falando palavras que Emma não entedia. A loira estava tão absorvida no andar da mulher que não conseguia prestar atenção em nada.
A prefeita se virou e viu a xerife a encarando. A encarou também.
Novamente aquele encontro de olhares. Olhares que não queriam se soltar. A avelã e a esmeralda se entendendo. Não havia sorrisos, não havia palavras, nem provocações. Apenas um olhar que fez as duas esquecerem onde estavam. O mundo começou a girar. Se encontraram em um campo verde com flores amarelas e um vento suave que beijava o rosto de cada uma. Se encontraram no meio do oceano em plena tempestade que insistia em destruir tudo. Se encontraram no alto de uma montanha com uma tulipa vermelha solitária. Se encontraram no meio do redemoinho roxo que trazia uma maldição. Se encontraram em uma plantação de trigo nos confins do mundo ao pôr do sol.
Regina foi arrancada do seu lugar tranquilo por uma voz ao telefone.
– Srta. Mills? Ainda está aí?
A prefeita desviou o olhar voltando a falar ao telefone.
Emma sorriu satisfeita. Havia algo dentro da morena e ela estava disposta a descobrir o que era.
Regina saiu da cozinha, não podia ficar ali. Foi ao banheiro e fechou aporta apressada.
“ O que foi isso? ”
Se apoiou na pia branca tentando controlar sua respiração, estava ofegante. Passou a mãos nos cabelos.
“ O que foi isso? “
PAUSA
Dá uma vontade de pegar os braços da Rainha com muito amor e carinho, a sacudir e falar.
– Mulher, acorda pra vida!!! Tem uma loira linda e gostosa na sua cozinha quase tirando a roupa pra você e você aí confusa? Confusa por quê? Confusa com o quê? Vai lá dar uns amassos nela agora.
Mas não posso fazer isso. Quero continuar com os dois braços presos no meu corpo e com a língua na boca.
Desculpem a pausa. Precisava desabafar.
FIM DA PAUSA
Regina saiu do banheiro e encontrou seu filho descendo as escadas. Agradeceu pela presença dele – é mesmo, Regina? E se ele não estive em casa? Falo nada. – Não entendia o que estava sentindo – Minto — Não aceitava o que estava sentido. Colocou uma das mãos no ombro do seu príncipe o acolhendo.
– Já pedi a pizza, sua mãe está na cozinha – a voz era tranquila, mas seu peito estava irrequieto.
“Maldita salvadora”
Os três se dirigiram à sala. Regina se sentou em uma poltrona na parede oposta ao portal, Henry e Emma se sentaram no aconchegante tapete. Os três entraram em conversas banais. A rainha contava as peripécias do seu pequeno príncipe quando era mais novo. O garoto contava como sua mãe Regina adorava um moletom comprido em dias de neve e Emma sorria vendo sua fami.... – Não, não, não. Quase errei, desculpa. Confundi os momentos. Perdão– Emma sorria vendo seu filho e sua rainha se divertindo como nunca. – Era isso que eu queria falar.
A pizza chegou. Os três se serviram. Emma e Henry zombava da rainha por comer pizza de garfo e faca sentada à mesa.
– Agora eu tenho duas crianças em casa – a prefeita falou limpando o canto da boca com um delicado guardanapo, depois o repousando em seu colo.
Creio que a nossa rainha não dosou bem as palavras antes de falar.
Emma se engasgou com o suco de laranja. Henry olhou sua mãe loira encabulada e riu ainda mais. A loira tentava recuperar o ar para falar, precisa perguntar.
– Você tem? – A xerife estava com um olhar de criança esperançosa.
Regina congelou. O que ela acabara de dizer?
– Não foi isso que eu quis dizer, Swan. Não distorça as minhas palavras.
– Mas foi exatamente isso que você disse, mãe – Henry queria ver o circo pegar fogo. Viu sua mãe rainha arregalar os olhos.
– Eu não vou discutir com vocês dois – Regina saiu resmungando algumas palavras, escondendo um sorriso que teimava em aparecer todas as vezes que uma salvadora abria a boca. Ao voltar, Henry e Emma estava brincando no chão da sala e ela se sentiu bem. – Já escolheu o filme, querido?
O filme não importava para Henry, ver suas mães sorrindo o deixava feliz. Queria congelar aquele momento. Não queria que aquela noite terminasse. Não queria que ninguém saísse ou entrasse daquela casa.
O filme sem importância começou. Os três estavam eufóricos, brincavam, se zombavam, gargalhavam. Tomaram sorvete sendo repreendidos por uma prefeita organizada. Estava tudo uma bagunça.
– Vocês vão limpar isso.
Depois de muita algazarra, se acalmaram e se concentraram no filme. Emma e Henry empolgados, Regina entediada.
A morena adormeceu na poltrona vendo um filme de super-heróis que ela não gostava. Henry deitou nas pernas de Emma e também adormeceu já no final. Ao subir dos créditos, a loira passou a mãos nos cabelos do garoto levemente, olhou para a morena e sorriu. Sentia que era sua família. Queria que fosse. Pegou seu filho nos braços, o levou para o quarto, o deitou, o cobriu com seu edredom azul.
– Boa noite, Garoto.
O olhou mais uma vez e voltou a sala, se sentou à frente da poltrona e observou uma prefeita dormindo serena. Não soube dizer por quanto tempo ficou naquela posição, o tempo não era importante. Sentiu seu peito transbordar. Novamente, a morena a prendeu sem a tocar, sem a olhar.
“Eu não sei o que fazer, Regina”
A loira se desprendeu do transe com cheiro de maçã, subiu as escadas silenciosamente, abriu a porta do quarto da rainha. Não entrou. Tremeu ao ver aquelas paredes, aquela cama, aquele travesseiro. Sentiu inveja por todos aqueles móveis serem capazes de acolher a morena. Suspirou e voltou à sala.
Respirou fundo criando coragem para o que estava prestes a fazer. Pegou a rainha em seus braços.
Neste momento, Regina involuntariamente jogos os braços em volta do pescoço da loira, se aconchegando nas curvas do seu pescoço.
– Eu não vou soltar você, não vou te deixar cair nunca mais.
Emma a apertou, passando a segurança que Regina precisava, sorriu sem respirar. Subiu as escadas desejando nunca terminar. Estava sentindo o calor de Regina, a estava segurando. Srta. Mills parecia tão indefesa.
Entrou no quarto da prefeita e colocou a morena na cama o mais gentilmente que conseguiu. Regina virou de lado e abraçou seu travesseiro. A loira a cobriu.
“Não existe nada mais bonito que ver você dormir”
Se abaixou, beijou a testa da mulher mais bonita que já vira.
– Boa noite, Rainha. – Saiu fechando a porta em silencio.
Regina abriu os olhos e sorriu.
– Boa noite, Emma.
Agora vocês precisam ir para casa. Já está tarde. Continuaremos a história amanhã.
Não me olhem assim. Vocês não podem morar aqui.
Espero vocês amanhã....você também Divas....
Boa noite.
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