Notas iniciais
Prometi um capítulo para esse final de semana e está pronto. Eu estou mais contida neste capítulo. Mais séria, mais sóbria. Não teria PAUSAS mas eu não resisti e coloquei umazinha....rsrs. Alguns comentários meus não podem faltar tb não é mesmo? Espero que gostem Boa leitura

Emma estava atordoada com a tempestade de pensamentos devastando sua sanidade. Aquele domingo foi atípico. Ficou em seu quarto tentando traduzir aqueles sentimentos esmurrando seu peito de forma violenta.

Sua família sabia de suas preocupações, deixou a loira pensar. Não é todos os dias que uma salvadora se apaixona por uma rainha má e eles compreendiam bem a confusão.

O dia se arrastou. A loira acompanhava a luz do sol deslizar pelas paredes do seu quarto até desaparecer a deixando na escuridão conhecida.

“Ficar no escuro era melhor”

Adormeceu sem saber como.

A manhã de segunda-feira foi convencional.

Deixou Henry na escola com um falso sorriso, queria deixar seu garoto tranquilo.

“Está tudo bem”

Estacionou seu fusca amarelo na porta da delegacia.

“Trabalhar será bom hoje”

Emma nunca se sentiu tão concentrada. Se obrigou a fazer cada relatório, a atender cada ocorrência desinteressante – sem bruxas do Oeste, rainhas más ou senhores das trevas aterrorizando, Storybrooke era bem chata.

David ainda não estava no nível “pai preocupado”. Sabia que Emma entenderia e ele estaria ali para abraça-la. Observava sua filha a uma certa distância, só esperando a ficha cair. Não estava preocupado, estava ansioso. Uma ansiedade gostosa.

PAUSA

Vocês devem estar pensando

“Que pai em sã consciência ficaria feliz em ver sua filhinha gostando de uma Rainha Má, sanguinária e psicopata? ”

Regina Mills não é mais assim e David sabia que a morena deixara seu coração escurecer pelo ódio, pela sede de vingança. Ela nem sempre foi má, mas isso também é outra história.

Ele espera a felicidade de sua filha e se esta felicidade está nos braços de uma ex-devastadora...ele ficará feliz, eu ficarei feliz e vocês ficarão felizes também.

Vão ficar felizes sim e não discutam comigo.

FIM DA PAUSA

Hora no almoço e como sempre, Granny’s estava cheio. Emma sentou em um banco estofado de vermelho se apoiando no balcão. Analisar as manchas de café estava mais interessante que observar o entrar e sair de pessoas na lanchonete.

Ruby se aproximou vendo algo diferente, colocou suas mãos nas de Emma e antes que a loba perguntasse qualquer coisa que a loira se negaria a responder. A salvadora falou.

– Um Cheeseburger e uma soda, Ruby.

A morena estreitou os olhos desconfiada

– Por favor? – Emma falou encolhendo os ombros.

Saltos

Emma congelou. Conhecia bem esses passos. Ouviu o sino da lanchonete tocar e involuntariamente olhou para a porta.

Vestido vinho, casaco preto

A loira estava boquiaberta, era como se estivesse vendo Regina Mills pela primeira vez.

Começou olhando os sapatos, cada passo desfilado por aquela morena em uma lanchonete que não merecia recebê-los.

Aquelas pernas torneadas sendo vistas pela transparência de uma meia-calça que não deveria estar ali.

Aquele corpo perfeito brigando com um vestido deliciosamente justo.

Aquele sorriso que não estava em seus lábios, mas que Emma via como em um sonho embaçado.

Aquela boca vermelha......

A loira estava ofegante.

– Srta. Lucas, Srta. Swan.

– Srta. Mills – Apenas Ruby respondeu.

A prefeita passou por ela deixando aquele cheiro de maça conhecido. Emma sentiu seu estomago arder, cada pelo do seu corpo se arrepiar, começou a tremer. A voz rouca martelando em seu cérebro. Voltou para as manchas de café no balcão.

“ O que está acontecendo comigo? ”

Ruby viu tudo aquilo com um ar travesso. Apoiou um cotovelo no balcão, colocando uma mão no queixo.

– Tudo bem por aí, Emma? – Colocou um sorriso safado no rosto. – Parece que um caminhão vermelho cheio de maças passou por você.

A salvadora não estava prestando atenção, estava inebriada pelo cheiro. Regina Mills estava correndo por suas veias, ela tentava se concentrar e lembrar como se respira. Sentiu sua cabeça virar em direção a uma mesa única no final da lanchonete, onde uma morena segurava um cardápio.

Ruby sorriu, colocou a mão em um dos braços da loira.

– Você precisa parar de olhar pra ela agora. Está ficando desconcertante.

– O que? – Emma saiu do transe com o toque da amiga. – Parar de olhar pra quem?

– Um beija-flor vermelho com uma coroa que acabou de entrar – O que??? Beija-flor? Ruby, querida. Regina Mills é no mínimo uma águia imperial. Nunca se esqueça disso.

– Do que você está falando? – Emma não conseguia voltar a realidade, não conseguia entender uma palavra que saia da boca de Ruby. Ela estava tentando, mas aquele cheiro não ajudava.

– Nada. Eu já volto. Vou atender a prefeita – Falou “prefeita” de uma forma sugestiva.

Emma acompanhou sua amiga e novamente seus olhos esmeralda estavam repousados na morena. Não conseguia evitar, não entendia o porquê de aquilo estar acontecendo agora. Depois de três anos convivendo com a mãe do seu filho.

“ Essa mulher tentou me matar tantas vezes”

Enquanto Emma vivia sua crise existencial. Ruby Lucas foi em direção a morena imponente, pensando em como aquilo seria interessante.

– Em que posso ser útil madame prefeita?

– Não me faça perguntas difíceis, Srta. Lucas. Você útil? – a morena de mechas vermelhas soltou uma gargalhada. – Qual a graça?

– Senti falta das suas ofensas

– Eu já disse que você é estranha?

– Você já me chamou de muitas coisas. Garçonete sem talento, inútil – Lucas contava as ofensas no dedo. – Incompetente, cabelo de fogo, petulante, vira-lata, mas estranha é a primeira vez.

Por incrível que possa parecer, ela falava isso feliz.

– O de sempre prefeita?

– O de sempre.

Regina gostava daquela mulher atrevida — como eu disse antes, Ruby era uma quase colega distante de Regina. — Ela até soltou um pequeno sorriso quando a garçonete se virou a deixando.

Ruby voltou ao balcão servindo o pedido de sua amiga confusa. Emma brincava com o cheeseburger, sua fome foi embora no momento em que viu uma boca vermelha entrar na lanchonete.

Os minutos se passaram em silêncio. Emma não voltou a encarar Regina e não percebeu quando a morena foi embora. Estava entretida demais em seus pensamentos. Revirava suas memórias tentando encontrar o exato momento que tudo aquilo começou. Foi então que percebeu que nunca havia deixando a prefeita, desde sua chegada à cidade, nunca se afastou. Estavam sempre juntas, seja brigando ou enfrentando alguma ameaça. Sempre estavam juntas.

“ Eu sempre estive apaixonada por ela”

Novamente a claridade da descoberta incomodava, ardia. Emma estava renascendo para uma possibilidade que sempre esteve escondida, acorrentada e enjaulada dentro de si. Precisava de um tempo, precisava mastigar e engolir aquele chocolate meio amargo.

Se levantou desanimada. Acenou com a cabeça para a garçonete e quando estava prestes a sair ouviu Ruby chamar.

– Te espero para o café as 16hs?

– Hoje não.

Emma voltou para a delegacia. Sua felicidade de salvadora não estava lá. Apenas a confusão de uma mulher que sempre soube o que queria e agora estava perdida em um par de olhos avelãs.

David viu sua filha e sabia que finalmente ela havia percebido. Conhecia aquele olhar.

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15:56

A prefeita olhou para o relógio da parede branca com um sorriso ansioso e voltou para seus papeis importantes.

16hs tornou sua válvula de escape, nos últimos dias, naquela hora ela não se lembrava de maldição, de Robin Hood ou de qualquer coisa que sempre incomodava seu peito. Se sentia estranha com a espera de uma estregadora loira que transformava seus dias em dias normais. Gostava de alguém se preocupado com ela, mesmo sendo a salvadora que ela tanto odiava.

16:00

Olhou fixamente para a porta. Sra. Boyd sempre tentava convencer Emma a ir embora e depois de 2 minutos, batia e deixava seu café diário.

Sorriu ao lembrar do dia em que se envolveu em sua fumaça roxa e pode ver a secretária suplicando em sussurros para Emma ir embora.

16:06

Abriu a primeira gaveta da sua mesa, pegou seu celular olhando a hora na esperança de seu relógio de parede estar adiantado.

“Você está atrasada Srta. Swan”

Pensou consigo.

16:18

A rainha começou a se contorcer na cadeira tentando encontrar uma posição mais confortável, estava incomodada. Os papeis já não eram tão importantes ou atrativos. Não conseguia compreender quando as palavras se tornavam frases.

16:45

Se levantou e foi até a porta. Abriu e viu sua secretária no lugar de sempre.

“ Será que aconteceu alguma coisa? ”

Voltou parar o gabinete, pegou seu celular, nenhuma ligação, nenhuma mensagem. Henry avisaria se algo estivesse errado.

17:11

Seu humor estava péssimo. Pegou sua bolsa, as chaves de sua Mercedes preta e saiu com passos fortes.

A secretária saltou da cadeira ao ver sua chefe saindo.

– Não volto hoje, Sra. Boyd – Regina saiu sem ao menos esperar qualquer resposta.

Dirigiu para sua casa. Estava com raiva, decepcionada – decepcionada?– Apertava a mão contra o volante. Estacionou seu carro e percebeu que estava na porta da delegacia.

“ Como eu vim parar aqui? ”

Balançou a cabeça em negativa e voltou a dirigir. Se concentrou mais desta vez e foi para a mansão 108. Entrou batendo e fazendo a porta quase rachar no meio. Foi para cozinha e encheu uma taça com um vinho envelhecido. Fixou seus olhos no nada.

17:37

Srta. Mills ouve o grunhido de um fusca velho estacionar na sua porta. Aparece na janela e vê seu Henry saindo de uma coisa amarela com um sorriso feliz e percebe que está tudo bem a deixando mais nervosa.

“ Não poderia esperar outra coisa de você, Swan”

Henry entra satisfeito na mansão e a morena força um sorriso no rosto. Seu filho estava de volta.

Terça-feira 16:10

A porta do gabinete novamente não se abriu.

Regina estava cada vez mais irritada, mais mau humorada e a Sra. Boyd percebeu que a semana seria difícil.

Quarta-feira 16:54

Nenhuma batida na porta. A irritação da prefeita foi embora dando lugar a um sentimento de abandono. 16hs não era mais uma hora reconfortante.

Se rendeu ao fato de não receber mais seu café e finalmente conseguiu ler os papeis acumulados desde segunda-feira.

Estava sozinha.

Quinta-feira 17:00

Levantou e saiu. Seu corpo não estava irritado, apenas vazio. Entrou no Granny’s e pediu um café. Sentiu falta daquele café, não daquele café, mas DAQUELE café.

Pegou o copo com a bebida quente e voltou para o carro. Sentou e tomou um gole. Não estava bom, não estava divino. Estava faltando algo. Estava faltando baunilha e canela.

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David estava cansado de ver sua filha calada e quieta por toda semana. Precisava tomar uma atitude. Sem dar sinais do teor do assunto falou:

– Você vai desistir ou vai lutar? — Emma se sentiu confusa, estava preenchendo a papelada semanal da prefeita e não conseguiu entender do que exatamente seu pai falara. – Estou falando da Regina.

A Xerife não podia mais negar, não podia se sufocar naquele sentimento e cedeu ao seu pai.

– Não sei. Hoje, eu não sei. Não vejo como isso será possível, pai.

Pai

Essa palavra sempre mexia com David.

Ouvir sua filha, que fora privada dos seus braços por 28 anos, o chamar de pai. Sempre o deixava emocionado.

– Nós estamos aqui e vamos ajudar.

– Nós? – Emma arqueou uma sobrancelha.

– Eu, sua mãe e o Henry. Já estávamos montando uma operação para juntar vocês duas.

– Nós duas? Ela deu sinal que....

– Não. Ainda não.

Saltos

Emma novamente congelou ouvindo aqueles passos fortes. Fixou seu olhar na porta esperando estar enganada. O som dos passos cada vez mais altos, mais próximos. Arregalou seus olhos ao ver uma prefeita com a expressão tranquila entrar.

– Não esqueceu nada essa semana Srta. Swan?

Não fiquem ansiosos. Vou parar um pouco só para fazer chá e pegar algo pra comer. Alguém quer alguma coisa da cozinha? Não vou demorar

Notas finais
Espero que tenham gostado do meu lado mais contido. Comentem, preciso saber o que estão achando. Bjos Até a próxima.