Notas iniciais
Sim, eu demorei um pouco a aparecer. O último capítulo foi muito intenso e eu fiquei presa a isso. Não conseguia escrever. Todos estão se lembrando que a fic está acabando? Só mais uns 2 ou 3 capítulos. Quero agradecer a todos os comentários. Foram muitos e isso me deixou muito feliz. Obrigada mesmo. Quero xingar publicamente minha melhor amiga a 17 anos. Ela se chama Lorraine e teve a cara de pau de comentar um único capítulo da minha fic. O último. É esse tipo de amizade que eu tenho. Que fique registrado minha revolta. Quero agradecer a Ágatha. Muito obrigada pelas palavras de compreensão quando eu precisei. Obrigada por não me pressionar e por compartilhar comigo um pouco de você. Quero agradecer a HearthAngel (Eu sei o nome dela, mas não vou compartilhar rsrs) Ela recomendou minha fic e o capítulo já seria dela por isso. Pela recomendação linda que ela deixou, por todos os comentários que me emocionam e pelo carinho que ela me trata. Mas então, ela me fez companhia tentando fazer eu me esquecer da responsabilidade de escrever um capítulo, após o mais intenso da fic, o mais elogiado e o mais comentado. Ela me apresentou um sótão, que me deu pesadelos e ria da minha cara por isso. Apenas para me distrair e me deixar confortável. A única coisa que poso fazer é dedicar esse capítulo a ela. Muito obrigada, Anjo. Nada de expectativas. Desculpem os erros. Boa leitura.

Emma estava paralisada. Sentiu-se submersa em um lago congelado, tentando quebrar o tapete de gelo que a cobria. Que a sufocava. Regina passou a ponta do dedo pelo rosto da loira, a fazendo fechar os olhos e apenas sentir.

A rainha a olhava sem dúvidas. Sem medos.

A salvadora viu o tapete de gelo derreter pela certeza da mulher em sua frente. Submergiu, e pôde respirar, pôde falar.

— Eu te amo tanto — Srta. Swan sabia que aquela frase não era o suficiente para explicar o que ela estava sentindo. Era pequena demais. Simples demais. Não refletia o turbilhão de sentidos correndo por suas veias. Não demostrava o estado do seu peito. – Você é a minha necessidade, Rainha.

Se encararam. Não conseguiam falar. Não achavam palavras e por mais que palavras fossem necessárias para explicar, não cabiam naquele momento.

Regina se recolheu ao seu lugar favorito. Se recolheu ao corpo da loira. Novamente se sentiu segura, novamente se sentiu em casa. Adormeceu.

Adormeceu sabendo que o motivo da sua inquietação, da sua perturbação, da sua agitação estava ali, a acalmando.

Emma a olhou como na outra noite. A trouxe para mais perto. A apertou com medo de nunca mais tê-la em seus braços. Lutou com o cansaço, com o medo e perdeu.

Adormeceu.

Aquela noite sem estrelas, sem pesadelos, foi a mais bela e perfeita, em um mundo chamado Swan-Mills.

******************************************************

Agora eu consigo falar. Nossa!!!!! Aposto que ninguém percebeu que eu fiquei quietinha. Todo mundo concentrado, prestando atenção. Depois, eu que sou sem vergonha. Sei!!!

Emma saiu da mansão sem saber como voltar para casa. Sem saber como voltar a viver depois daquela noite.

Dirigiu sem rumo, precisava pensar. Passeou pela cidade esquecendo da sua família, do seu trabalho, de tudo.

“Eu te amo”

Um sorriso surgiu em seu rosto, não conseguia evitar. Viu Regina Mills, viu tudo que ela podia mostrar.

Estava assustada, não por vê-la quebrada, não por vê-la inteira, não por vê-la extasiada, estava assustada pelo simples fato de vê-la. Regina Mills se mostrou e isso era assustadoramente perfeito, ela era assustadoramente perfeita.

*****************************************************

A Rainha estava a 10 minutos encarando a porta. Não conseguiu se mover. Viu a salvadora sair e não queria voltar à sua realidade. Não queria voltar a ser a prefeita, a ex-rainha má. Não queria voltar aos seus conflitos persistentes.

Queria dormir e acordar em sua imensidão verde. Queria segurança, queria braços fortes, queria cabelos dourados, queria mar esmeralda, queria Emma Swan.

Se mover, era aceitar a possibilidade de um dia perde-la, de um dia assusta-la com seus pesadelos.

“Meus pesadelos”

Lembrou que ainda existiam seus pesadelos. Lembrou da noite em que Emma viu seu lado mais vulnerável e ficou. Ela sorriu. Por alguns segundos, sentiu o calor e a segurança. Se moveu, precisava de um café.

Dá uma vontade de levar a Regina pra casa e.....deixa pra lá.

*****************************************************

Estava sendo um sábado quente. Os moradores não sabiam exatamente a importância da última noite.

Estava sendo um sábado confortável. Os moradores não viram a Devastadora de reinos se derreter, se entregar e se render a um par de olhos verdes.

Estava sendo um sábado revelador. Os moradores não viram as vendas sendo jogadas e deixadas em uma caixa de ferro, no fundo de uma sala empoeirada em dois corações trêmulos.

Os moradores andavam em várias direções vivendo um sábado qualquer. Nenhum deles realmente entendia.

O mundo só parou de girar para duas pessoas.

******************************************************

Sábado de manhã. Ruby Lucas estava ocupada tentando servir alguns anões que invadiram a lanchonete. Todos de uma única vez. Anotava os pedidos, gritava com sua avó na cozinha e tentava servi-los.

Ouviu o sino tocar e sentiu sua cabeça girar até a porta. Foi quase automático. Uma fada sem asas, com alguns fios do cabelo caindo nos olhos em um coque mal feito, entreou. Sorria como se o mundo dependesse daquilo.Entrou com seu sorriso sem olhar para ninguém, entrou sem enxergar ninguém, entrou sem enxergar Ruby Lucas.

PAUSA

Para tudo!!!!!!!!!!!!

Fala sério! Como é possível alguém entrar em algum lugar e não enxergar a Ruby? Isso é humanamente impossível. Se a Ruby estivesse em um estádio de futebol americano em pleno Super Bowl, todo o estádio a veria.

Todos veriam, aquela barriga, aquele cabelo, aquele olho (meu ódio está voltando). Todos jogadores acenariam. Os juízes parariam a partida e falariam: “ E aí?"

Eu mandaria beijos e o meu telefone.

Todos se comportariam assim. Um comportamento normal.

Mas não, Tinker Bell ignora o ignorável.

“Ignorável? ”

Sim!!!! Ignorável!!!! Eu estou revoltada! Não me questione!

Alguém pode arrumar uma vodca, uma tequila, preciso eu me acalmar?

FIM DA PAUSA

Ruby acompanhou as passadas da fada com o olhar.

— Ei, moça!!! – Alguém chamou a morena inerte.

A garçonete viu Tinker se sentar sozinha em uma das mesas. Pegou seu bloco, sua caneta e se virou. Precisava atender a nova cliente.

Um dos anões – eu não sei qual, não guardo o nome deles. – Segurou seu braço, exigindo sua atenção.

— Eu estou aqui a 15 minutos!!!

Srta. Lucas olhou para aquela mão tocando seu braço. Encarou o anão atrevido. Seus olhos estavam amarelos, ela rosnou.

Ele a soltou assustado. Se desculpou e foi embora com o rabo entre as pernas. Ela saltitou alegre para a mesa onde a fada estava, jogando os cabelos para o lado. Estava radiante. Parou ao lado da loirinha e com um sorriso encantador, perguntou:

— Em que posso ajudar?

Pergunta pra mim!! Pergunta pra mim!!! Me escolhe!!! Me escolhe!!!

A fada virou a cabeça, despretensiosa ainda sorrindo e viu uma morena animada ao seu lado. Viu uma morena de lindos olhos azuis sorrindo, viu uma morena de mechas vermelhas com o sorriso mais sincero que conhecera. Tinker enxergou Ruby Lucas.

O mundo de Tinker Bell se tornou “Red”.

Eu não podia perder essa oportunidade, Gente. Vermelho, Red, Chapeuzinho Vermelho. Entenderam? Não?? Tá, parei.

Um cho-cho-chocolate quente? – Tinker gaguejou?

Srta. Lucas anotou o pedido como quem anota o telefone da rainha do baile. Do sonho de consumo. Da paixão platônica. Como quem anota o telefone de Regina Mills.

Sino.

Saltos.

Ruby fechou os olhos com aquele som. Ainda estava ao lado da loirinha e a prefeita sabia do seu precipício.

Desejou estar enganada. Desejou muito estar enganada.

“Nâo, não, não. Que não seja ela. Que não seja ela”

— Tudo bem, Vira-lata? – Claro que era ela.

Regina estava atrás da loba com um sorriso gigantesco. Como era divertido.

— Prefeita – Ruby virou, encarando o sorriso de Rainha Má.

— Tenho certeza que está sendo muito competente hoje – sarcasmo. Regina sentou na mesa à frente de Tinker, com o sorriso irónico enraizado em seu rosto. A fada ainda estava encarando uma Ruby irritada.

A rainha estreitou os olhos, observando a cena atentamente. Tinker Bell estava perdida na presença de Ruby. Estava se afogando naquele lago azul com tons de vermelho.

Regina conhecia bem aquele olhar. Conhecia bem aquela sensação de finalmente enxergar. De se encontrar.

— Você já conhece a Srta. Ruby Lucas, Tinker?

A loirinha piscou várias vezes. Tentou voltar ao normal. Tentou se localizar. Tentou não se afogar mais. Não conseguiu.

— Não, não, não conhecia.

Regina sorriu com aquela confusão conhecida. Tombou a cabeça para o lado direito com a perda da sensibilidade da amiga. Com o desnorteamento inevitável e com a claridade incomoda. Viveu isso, ainda estava vivendo isso.

Lembrou-se da noite e seu corpo tremeu. Não podia lembrar, não agora. Não ali.

Ruby e Tinker se olharam e se conheceram em segundos. Elas não tinham passado, não tinham filhos divididos, não tinham maldiçoes pesadas, não tinham vinganças esquecidas, não tinham rancores, não tinham muralhas negras, não tinham dúvidas, não tinham medos antigos, não tinham pesadelos, não tinham conflitos, não tinham corações quebrados.

Ruby e Tinker, eram apenas elas e se viram.

Ruby sorriu para dentro do vale de ventos calmos e Tinker sorriu para dentro do lago agitado.

Regina sorriu pensando na facilidade daquele momento. Ficou apenas observando o transe terminar e lembrou dos seus vários transes com uma certa loira.

“ Eu demorei tanto para entender, para aceitar. ”

Admirou duas pessoas sem passados turbulentos se olhando e viu a simplicidade encantadora do momento.

Sorriu mais uma vez ao pensar nisso. Ao pensar no simples.

— Ruby!!!!! – Uma voz chamou estragando o momento.

Regina viu o transe quebrando e viu a decepção naquilo. Decepção que ela também sentiu em algum momento.

Encarou sua fada, analisando cada traço se formando. Vendo a admiração e o encantamento serem absorvidos pela loira. Vendo aquele coração tomar forma, se acelerar. Ouviu aquela respiração falhar.

Ruby despediu-se resistente.

Tinker viu Ruby se afastar e sentiu seu ser voltar ao normal. Voltou-se para Regina, que estava à sua frente a encarando com um sorriso complacente.

Abriu a boca algumas vezes tentando encontrar as palavras. Querendo se explicar. Explicar o que exatamente?

— Foi muito fácil para você – Regina cansou de esperar uma explicação exagerada da loira. – Foi muito fácil entender o que acabou de acontecer aí dentro.

— Eu não sei o que acabou de acontecer, Regina – Tinker olhou novamente para a morena do balcão. – Eu só não consigo parar de olhar para ela.

— Agora você sabe como eu me sinto — Regina foi sincera com sua fada.

A loira não soube o que dizer. Estava em conflito sobre o que aconteceu anos atrás. Sobre um homem com tatuagem de leão. Sobre suas certezas.

“O que exatamente aconteceu? ”

“Por que o pó de fada a levou até Robin? ”

“Ele deveria ser o amor verdadeiro dela. ”

Novamente olhou a morena de mechas vermelhas.

“Não consigo parar de olhar para ela. ”

O silencio cortante mostrava a inexistência de argumentos.

A Rainha observava o rosto da fada se contorcer tentando encontrar uma resposta desnecessária, tentando explicar um erro indiferente.

O sino toca e uma salvadora com distintivo de xerife entra. Imediatamente encontra sua necessidade na mesa com uma fada de olhar pensativo.

Sorriu sentindo um alivio estanho. Alivio que não sabia ou entendia o significado. Respirou fundo uma vez.

“Eu te amo”

Ouviu a voz rouca perambulando por sua mente.

Respirou fundo novamente. Sentiu o medo evaporar. Medo de perder. Medo de nunca ter. Medo de nunca conseguir. Medo de nunca alcançar. Medo de nunca ser o suficiente.

Seus medos ficaram tão fundo e tão escondidos. Que se esqueceu que os tinha. Medo que voltou escancarado ao ver a verdadeira Regina Mills.

Encontra-la ali a deu certezas.

“Não desista de mim”

Essa frase se tornou tão ridícula na mente da loira. Tão impossível. Tão distante. Tão absurda.

Lembrou da noite dos pesadelos, da fragilidade e uma frase antiga lhe veio:

“Eu gosto de fingir estar protegendo você”

Essa impossibilidade era tão real agora. Tão possível.

Viu Regina tirar uma mecha do cabelo com a mão. Sorriu. Tudo em Regina Mills a fazia sorrir. Amava tudo naquela Rainha. Desde seus sonoros sapatos a até seu comportamento tempestuoso. Sua preocupação escondida. Sua hostilidade fingida e seus sarcasmos forjados.

Regina Mills era sua rainha presa em uma masmorra, protegida por um dragão.

Regina Mills era seu clichê.

Emma Swan olhava Regina Mills

Ruby Lucas olhava Tinker Bell.

A garçonete virou-se para a amiga e disse.

— Estamos ferradas!

Emma riu da frase e respondeu.

— Fale por você. Eu já tenho a minha rainha.

E com essa frase se dirigiu à mesa, não ouviu Ruby usar todo seu vocabulário de palavrões.

A prefeita viu a salvadora.

As duas se viam. Finalmente, as duas se viam.

Percebeu a preocupação da fada perdida e tentou não pensar muito.

— Tinker – Regina envolveu uma das mãos da loira com carinho. – Não importa o que aconteceu. Eu não me importo mais com isso. Eu sei com quem eu quero ficar. Eu a conheci, eu a descobri. Ela me encontrou no meio de um mundo. Eu não preciso de magia para saber quem é meu amor verdadeiro. Meu amor verdadeiro me encontrou, me viu perdida, me viu quebrada e mesmo assim quis ficar. Não me interessa mais o que o destino quer para mim. Eu sei o que eu quero para mim.

Tinker Bell não respondeu, sentiu o rolar de uma lágrima e apenas acenou com a cabeça. A lágrima foi o reflexo do orgulho que sentiu ao ver uma mulher se desprendendo, se desnudando.

Emma sentou ao lado da sua rainha e viu a fada chorosa.

— O que aconteceu? – Ficou preocupada.

“Aconteceu alguma coisa? “

As pessoas de Storybrooke são tão paranoicas. Deve ser trauma de infância.

— Eu estava dizendo a ela que eu encontrei você – Regina não se sentia mais amedrontada por confessar.

Emma sorriu e sentiu seu peito chorar. Todos desapareceram.

— Eu sempre estarei aqui.



Está todo mundo bem?

Dei uma aliviada. Estava todo mundo muito tenso aqui.

Vou comer alguma coisa e volto.

Alguém está com fome?

Notas finais
Foi isso. Espero mesmo que tenham gostado. Espero vocês nos comentários. Estava com saudades.