Notas iniciais
Eu prometi um capítulo hoje e ele está pronto. Espero que eu compense pela raiva que vocês passaram. Esse capítulo foi o mais difícil de todos até agora. Não sabia como externar o que precisava e não sei se consegui. Meus amores, hoje eu recebi uma recomendação. Eu sou uma mulher independente que começou a chorar como uma garotinha na frente do computador emocionada ao ler algumas palavras. Não pensei que vocês fossem gostar da minha loucura e ler as palavras da Ágatha me emocionou demais. Por isso, eu dedico esse capitulo inteiramente a você, Agatha. Por ter me dado a inspiração que eu precisava para escrever esse capítulo. Boa leitura

A tempestade castigava a cidade. Aumentava a cada lágrima derramada por uma rainha triste. Novamente se via encolhida sentindo cada dor que um coração partido pode sentir. Seus olhos não estavam negros, estavam vazios.

Viu a noite se despedir cumprimentado o dia. Se escondeu em seu mausoléu esperando seu peito se refazer e ali ficou por todo o domingo. Quando a escuridão confortável da noite chegou, ouviu alguém entrando em seu buraco sombrio.

– Regina?

Ruby

Regina estava sentada em uma cadeira se olhando em um espelho. Passou o dia assim, olhando a mulher derrotada que se tornou. Tentando lembrar em que momento da vida se perdeu, rendendo-se a uma vida de dor, de solidão e de corações partidos.

– Como me achou, Srta. Lucas?

– Você sempre se esconde aqui, Regina. É muito fácil te achar. Se você quer se esconder, precisa encontrar outro esconderijo urgente.

A rainha conseguiu sorrir com o comentário.

– O que você está fazendo aqui? – Regina se virou e encarou os olhos azuis.

– Você precisa conversar com ela e precisa parar essa chuva. Eu fico com cheiro de cachorro molhado – Ruby se tornou uma amiga, não era mais uma quase colega distante, era uma amiga.

– Não sou eu quem está provocando isso.

– É você sim. Ontem nos sentimos a cidade tremer e ouvimos você gritar, então a chuva aumentou e não para. – A garçonete se aproximou e se ajoelhou na frente da prefeita, pegando suas mãos. – O que aconteceu?

– Emma não te contou?

– Emma não conversa com ninguém. Só perambula pela cidade.

Regina sentiu seu corpo arder. Sentiu culpa.

– Ontem à noite ela foi até minha casa e o Robin estava lá.

Ruby arregalou os olhos, mas não soltou as mãos da rainha.

– O que diabos aquele homem estava fazendo lá, Regina? – A loba a repreendeu.

– Ele foi me pedir perdão e dizer que sentia minha falta – desviou o olhar envergonhada.

– Regina Mills, o que você fez?

– Nada! Eu disse que ele era louco e que eu nunca mais queria vê-lo, mas então Emma chegou e as coisas não terminaram bem.

– Eu percebi que as coisas não terminaram bem. Por que você o deixou entrar?

– Ele estava na minha porta, na chuva e quando o olhei, eu não senti nada. Percebi que ele não fazia mais diferença na minha vida. Percebi que não era por ele que meu coração se acelerava, que não era ele que meu corpo pedia, que meu estomago ardia. Nunca foi ele, Ruby.

– E por quem seu coração bate, prefeita?

– Por alguém que nunca vou ter.

Srta. Lucas começou a entender o que tudo aquilo significava.

– Você precisa conversar com ela, Regina.

– Eu não posso – a rainha olhou para suas mãos suadas.

– Por que?

Regina se levantou irritada e Ruby se levantou junto.

– Por que eu não posso arrasta-la para o desastre que é minha vida. As Pessoas sofrem quando se aproximam. Elas morrem ou desistem de mim quando veem a bagunça que eu sou. Eu prefiro sofrer pela eternidade do que vê-la derramar uma lágrima sequer. Então eu fiz uma escolha. Eu escolhi a felicidade dela.

– Você enlouqueceu??? Você acha que ela está feliz agora? – Ruby estava próxima da rainha gritando tudo que Regina não queria ouvir. – Você não estava lá quando ela ficou arrasada por ter te magoado. Não estava lá quando ela percebeu que estava apaixonada pela rainha má, se afogando em dúvidas. Você não estava lá quando ela derramou todas as lágrimas por você a ignorar. Você estava escondida, com medo demais para admitir, então não me venha com esse papo furado que escolheu a felicidade dela.

Os olhos da rainha se enegreceram e a chuva aumentou. Ruby continuou.

– E para de ficar irritada toda as vezes que ouve a verdade. Para de destruir a cidade por você não aceitar que gosta dela.

Gente, vamos nos acalmar. Querem uma água com açúcar?

Regina estava pasma, estava pálida. Controlou sua respiração.

– Ela vai sofrer, Ruby. Entenda isso. Eu destruo as pessoas.

– Você não pode tomar essa decisão por ela, Regina e ela já está sofrendo. Converse com ela por favor. Se depois disso as coisas não se resolverem, eu prometo que te deixo em paz e até arrumo um lugar para você se esconder. Por que este esconderijo não é mais segredo para ninguém.

Regina sorriu triste.

– Eu prometo pensar.

– E eu prometo que volto aqui amanhã se você não conversar com ela – a loba deu as costas indo embora. — E pare essa maldita chuva.

– Você é muito atrevida sabia?

– E você muito teimosa.

Ruby Lucas saiu deixando uma rainha mais centrada. Regina precisava se concentrar, precisava tomar uma decisão.

Acho que não odeio mais Ruby Lucas.

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A segunda amanheceu ensolarada e Ruby percebeu que Regina havia se acalmado. A lanchonete estava lotada. A população saiu de casa aproveitando um sol bem-vindo e acolhedor.

Emma Swan se levantou da cama, depois de mais uma noite sem dormir. Seu peito doía pela magoa, pela decepção. Tomou um banho automático, se vestiu e saiu sem conversar com ninguém.

Desde a noite de sábado, ela não falava. Ninguém sabia o que atinha acontecido e ninguém ousou perguntar. A xerife nunca esteve tão distante. Mary Margareth e David Nolan estavam no nível 5 de pais preocupados. Esperavam uma reação da sua filha, uma brecha para conversarem. Brecha que ainda não viera.

– Eu estou indo, querida. Preciso ficar perto dela. Você leva o Henry para escola? – Todos estavam tristes naquela casa.

– Claro. Me liga se ela reagir.

David beijou sua esposa, seu filho, seu neto e saiu.

Emma entrou na lanchonete e todos se calaram, ninguém sabia o que havia acontecido, mas sabiam que envolvia a prefeita e a xerife. A alegria sumiu do corpo da loira e todos viram a felicidade esvaecer e sobrar um corpo pálido e oco.

A xerife se sentou em seu famoso banco vermelho e não disse nada. As pessoas voltaram a conversar, voltaram a especular o que havia acontecido.

O sino toca e o assistente da xerife se senta ao lado da sua filha, calado. David e Ruby trocam um olhar triste e cúmplice.

– O mesmo que ela – foi apenas isso que o príncipe disse a garçonete, que acenou com a cabeça.

Após alguns minutos, Ruby voltou com dois copos de chocolate quente, um em cada mão. Repousou um na frente de Emma e um na frente de David. Depois um prato para cada um com uma rosquinha de canela. Olhou sua amiga naquele estado e pensou:

“Pelo amor de deus, Regina. Faça alguma coisa”

Novamente o sino toca, a lanchonete se cala e Ruby sorri.

Saltos

O silêncio da lanchonete faz o barulho dos passos ecoarem na cabeça da loira. Ela finalmente reage. Se vira lentamente e vê seu pesadelo entrar. Se levanta imediatamente.

Regina não olha para mais nada além dos olhos verdes.

– Precisamos conversar – a voz rouca sai tranquila e triste.

– Não precisamos. Eu já entendi, você não me deve nada – a loira começou a andar em direção à porta. – Eu só não esperava que você o aceitasse de volta tão rápido. Depois de tudo que ele fez. Ele te largou, te trocou, te abandonou e você o recebe de braços abertos, Regina.

– Você não sabe o que está dizendo, Emma! — A voz que antes entra tranquila, agora estava autoritária.

– Me deixa em paz.

A loira estava prestar a sair da lanchonete. Regina balançou as mãos e Emma pôde ver a porta e todas as janelas se trancarem. A loira voltou seu corpo para a morena.

– Abra a porta, Regina.

– Não.

– Abra a maldita porta! – Emma começou a se exaltar. Seus olhos estavam inflamados.

– Não! – Regina olhava no fundo dos olhos da salvadora. – Precisamos conversar e vamos conversar.

Elas estavam alheias as pessoas. Era como se ninguém estivesse ali.

Todos estavam congelados pelo pavor e confusão. Não havia um barulho sequer. Um cochicho, um murmúrio. Nada

– Nós não vamos conversar – Emma estava gritando. – Quando você não quis conversar e se escondeu de todos, inclusive do nosso filho – adoro quando ela fala “nosso filho”. Desculpem, sei que o momento é tenso. É por que eu estou nervosa. – Eu não consegui chegar perto de você, você não me deixou chegar perto. Agora EU quero ficar sozinha!!!

Emma bateu um dos pés e uma luz branca correu pelo chão, a porta e todas as janelas se abriram.

Oi? Como é o negócio aí? É mesmo, Emma tem magia. Tinha me esquecido. Ela nunca usa.

Regina ficou tão assustada que não conseguiu reagir, não se moveu. A xerife saiu da lanchonete e seu pai correu atrás. A rainha encarou a garçonete com cara de pouco amigos.

– O que? Eu disse que você precisava conversar com ela, eu não disse que seria fácil. – Ruby respondeu ao olhar acusador da prefeita.

Regina bufou e saiu da lanchonete se dirigindo à prefeitura.

Ao chegar, não olhou sua secretária, apenas falou.

– Cancele minhas reuniões. Eu não recebo ninguém hoje. – Entrou em seu gabinete batendo a porta.

Sra. Boyd não teve coragem de responder.

Deve ser muito difícil trabalhar para essa mulher. Primeiro, por que nunca se sabe seu humor e segundo, por que ela está sempre com as penas de fora. Deve ser torturante.

Regina andava de um lado para um outro furiosa.

“Maldita salvadora”

Olhou sua mesa abarrotada de papéis e resolveu trabalhar, precisava esquecer aquela mulher que a desestruturava completamente.

Não conseguiu se concentrar, não conseguiu tirar Emma da cabeça.

Lembrou-se de Daniel, lembrou de todo o amor que sentiu por ele. Percebeu que o que sentiu pelo tratador de cavalos, não se compara com a corrente que percorre seu corpo quando encontra Srta. Swan.

PAUSA

Daniel foi o primeiro amor de Regina. A mãe da rainha arrancou e esmagou o coração dele na frente dela, foi bem triste – mas isso é outra história, que tem meio que haver com a da Branca de neve.

O que?

Vocês estão cansados de ouvir que isso é outra história?

Existem muitas histórias, pessoal. Se eu for contar todas, vamos ficar aqui pelo resto da vida.

Voltando

Depois disso, Regina ficou um pouco amargurada – só um pouco, quase nada. – Se casou com o pai da Branca de Neve e se tornou a Rainha Má. Não vou explicar muito essa parte. Envolve a Branca e ela me dá preguiça.

Como Daniel foi o primeiro amor dela e depois disso, todo o seu mundo desmoronou. Ela meio que tem essa fixação que seu final feliz morreu.

Quando Robin “insuportável, imprestável, preguiça” Hood, apareceu. Ela achou que pudesse ter uma chance, mas vocês perceberam que ele é só um idiota.

Só queria explicar isso.

Vamos voltar

FIM DA PAUSA



Trabalhar foi difícil naquele dia – como estava sendo nos últimos 2 meses, vamos ser sinceros. – Olhou para o relógio

15:53

“Ela não vai me ignorar? Não agora. ”

A prefeita pegou sua bolsa e suas chaves e saiu. Não falou nada.

Passou em frente ao relógio da cidade em suas mercedes e o ouviu badalar.

16hs

Emma estava na delegacia com os cotovelos na mesa e com suas mãos escondendo seu rosto.

David ficou perto o dia todo. Não podia deixar sua filha sozinha. Ligou para sua esposa mais cedo, contado os últimos acontecimentos. E sua preocupação passo para o nível 6. Nível que nem sabia que existia.

Saltos

Emma levantou a cabeça em câmera lenta tirando as mãos do rosto.

– Ela só pode estar brincando comigo – falou para si mesma.

David arregalou os olhos e olhou a porta.

A xerife se levantou e caminhou até o meio da delegacia, também encarou a porta esperando o inevitável. Esperando a mulher que tirava sua paz e a dava tranquilidade. A responsável por sua calmaria e sua explosão.

Regina entrou imponente. Com sua saia preta e sua blusa branca.

– Eu já disse que não quero conversar, Regina.

A rainha balançou as mãos e David desapareceu em uma fumaça roxa. Atravessou a delegacia decidida, não tirou os olhos da Xerife.

– Eu não vim aqui para conversar.

Regina invadiu a loira sem pudor. Agarrou seus cabelos dourados com as duas mãos e a beijou. Não houve resistência, não houve dúvidas.

Emma imediatamente segurou a cintura da prefeita e apertou. Não se lembrava por que estava com raiva, não havia mágoas, não enxergava nada. Não existia nada. Aquele beijo era a única coisa importante no momento, sentir a prefeita era a única coisa que precisava.

Regina só queria aquela boca, aquela língua, aquela pele. Havia urgência, havia um desejo acumulado de três anos que precisava ser liberado, extravasado. A rainha adentrou mais as mãos nos cabelos loira e apertou. Necessitava daquele beijo. Emma sentiu seu corpo tremer, a apertou mais. Deslizou suas mãos pelas costas da morena a trazendo mais para perto. Sentiu cada movimento de músculos da rainha e sentiu aquele corpo também tremer.

Emma se soltou daquelas mãos assustada e afastou a prefeita, a forçando a dar um passo para trás.

Regina respirava com força. Encarou a boca da loira inchada pelo beijo.

– Eu não.....

A rainha não terminou a frase. Agarrou a gola da jaqueta surrada da xerife e a trouxe para outro beijo.

Tudo estava intenso, desesperado. Aquela sensação de necessidade não passava. A excitação só aumentava e não podiam parar. Emma queria devorar aquela boca. Queria atravessar aquele corpo.

O mar se agitou, as montanhas tremeram, o sol ardeu dentro delas. Foi o momento da redenção, da entrega e tudo pareceu fazer sentido. A dor, a maldição, a rejeição, o abandono que as duas um dia já sentiram. Tudo isso só a prepararam para esse momento único e indescritível.

Um beijo que fez todo um mundo sentir a calmaria.

O beijo se tornou mais calmo, menos urgente, mais tranquilo. Estavam aproveitando cada gosto e evitando voltar a realidade. Não queriam parar, mas era necessário.

Regina quebrou o beijo, se afastou um pouco, ainda segurando a floresta dourada.

Se encararam e sorriram. Foi a rainha quem falou.

– Eu disse que não vim para conversar, mas precisamos conversar e eu vou esperar. Eu só quero que saiba que eu preciso de você, então não desista de mim.

Soltou a loira, deu dois passos para trás e sumiu na imensidão roxa, deixando uma salvadora flutuando.

Emma não se moveu um centímetro se quer. Estava paralisada. Colocou dois dedos na boca ainda não acreditando.

– Não vou desistir.

É isso aí gente. Essa parte da história sempre me abala. Acho muito emocionante. Por isso vou parar um pouco.

Eu já volto para continuarmos.

Notas finais
Esse capítulo foi muito difícil, nossa. Espero que tenham gostado. Amanhã não terá capítulos. Preciso trabalhar quando chegar em casa, então não poderei escrever, mas prometo começar o capítulo na terça. Espero vocês nos comentários. Bjosss