Um Conto de Bravura: o Exército da Chama
3 Capítulo 2 - De volta à Bruxa do Pântano
[O Exército da Chama – Capítulo 2 – De volta à Bruxa do Pântano]
O Lorde caminhava, cada passada retinia com um som metálico conforme suas botas metálicas batiam no chão de pedra da pacífica cidade de Izlude. Ao seu lado, uma ave gigante – Joe, o PecoPeco – dava passos duas vezes mais ligeiros que os de seu companheiro. Por fim, pararam em frente a um homem que era dono de um navio. Ele costumava levar as pessoas por metade do preço até Alberta, a cidade portuária. Lucas acenou brevemente para o homem, que sorriu, expondo seus dentes sujos. Então, o Lorde se sentou no chão.
- Peco?
- Eu marquei pra daqui meia-hora, calma Joe... logo eles chegam.
O loiro apreciou a brisa vinda do oceano. Aquilo era muito refrescante – especialmente se considerarmos que Lucas veste uma quentíssima armadura completa. O Peco gentilmente lambeu o rosto do dono e se sentou ao seu lado.
- Eu espero que, hoje, nós obtenhamos as respostas necessárias... e, sobretudo, que os outros entendam a situação...
A meia-hora passou. Os relógios marcavam 14 horas. Mas nada das pessoas aparecerem. Lucas franziu a testa. Mais vinte minutos... nada...
Somente quando bateu 14:30 é que algumas pessoas começaram a chegar – como Souran e Mitsuki, da Ordem das Valquírias.
Pouco a pouco mais gente começou a se juntar ali – alguns atraídos pela curiosidade, outros porque estavam atendendo o chamado de Lucas. Por fim, do grupo original que foi à Vila dos Orcs, realmente só Mitsuki e Souran haviam aparecido – o resto eram figuras novas, como Tsukishiro Sayuki, uma Gatuna que havia sido atraída por curiosidade, Leadrrow, um Arqueiro que havia visto as mensagens que Lucas espalhou pelo reino, Riuzaki, um Lorde do clã Leviatan, um clã de Guerra do Emperium, o Justiceiro Sean, membro da Organização VII, entre outros.
- Bom, amigos, vocês sabem bem porque estamos aqui. Quero que vocês me acompanhem a uma visita à casa de uma “amiga” minha... a Baba-Yaga de Moscóvia. A maioria não estava aqui da última vez, melhor eu explicar bem... descobrimos que tinham Orcs migrando da Vila dos Orcs. Ao questionarmos o Orc Herói, ele confirmou que isso se devia aos Orcs estarem sentindo algo “estranho” no ar, como se algo ruim fosse acontecer. Quero que vocês me sigam até a Baba-Yaga pois ela pode ter respostas. Todos prontos?
O grupo fez que sim com a cabeça. Lucas se virou para o capitão que estivera escutando-os esse tempo todo, interessado.
- Viagem para Alberta, por favor...
Alguns minutos depois, os aventureiros chegavam à Alberta. A brisa do mar os acolheu como uma carícia úmida. Após inspirar longamente, feliz, o Lorde seguiu à frente, conduzindo o grupo até outro barqueiro, que os levaria à ilha de Moscóvia.
A cidade fervilhava de pessoas que conversavam excitadas. Lucas não conseguia captar muitas informações das conversas, mas notou que o assunto principal tinha a ver com peixes. Ao chegar no cais, ele notou qual era: centenas de peixes boiavam mortos no mar.
- Já começou... – murmurou para si mesmo, enquanto se aproximava da barqueira que representava o povo de Moscóvia naquela região. Era uma mulher simpática, animada em demonstrar as maravilhas de sua terra e os levou, feliz – ao preço de dez mil Zennys por cabeça – para Moscóvia em seu barco.
Uma hora e pouco de navegação depois, eles estavam em Moscóvia. O grupo desceu no píer de madeira e pôs-se a observar. A ilha podia ser descrita com uma palavra: verde. Plantas fartas e exuberantes brotavam em todos os lugares que a vista alcançasse, acolhendo os estrangeiros. Havia uma trilha em meio às árvores que levava até a cidade propriamente dita mas, já no píer, havia um comércio muito intenso de mercadores, que gritavam, anunciando suas mercadorias. A balbúrdia era menor que em Alberta, mas mais sufocante por causa da falta de espaço. O clima era agradável, graças à abundância de vegetação, mas pendia bastante para o frio. Lucas estava bem aquecido, mas Leadrrow chegou a tremer levemente.
- Venham, venham... aposto que muitos de vocês nunca viram uma coisa dessas...
E, então, tirou um belo instrumento de sua mochila, que se assemelhava muito a uma harpa. Lucas começou a toca-lo e ficou óbvio na mesma hora porque ele era um Lorde e não um Bardo. De fato, a música era tão ruim que a água começou a tremer! Não, não era por causa da música. A água começou a abrir caminho para uma colossal baleia que emergiu. Ela era totalmente feita de pedra, e possuía vegetação às suas costas – inclusive umas poucas árvores e uma cabana. Não era uma baleia. Era uma ilha. A Ilha Baleia.
- Todos a bordo! – Disse Lucas, sorrindo.
Logo, haviam chegado à Ilha Floresta Encantada. O local era belo, haviam magníficas plantas para todos os lados, e Pé Grandes andavam alegremente pelo local, sem nada a perturba-los. O local exalava paz. Mas aquele não era o destino do grupo. Inabaláveis, os aventureiros seguiram até a entrada da Floresta Encantada. Aquele local era completamente diferente da paisagem paradisíaca atrás. Sim, as plantas eram até mais fartas e mais belas, e inocentes fadinhas verdes esvoaçavam pelo local, acompanhadas de velhas árvores humanóides. Seria um cenário paradisíaco – se não fosse o constante guincho de dor das fadas, os rugidos de fúria das árvores-vivas, os gritos de habilidades e magias sendo conjurados... o local era uma zona de guerra constante entre monstros e humanos, pois era um local de treino muito constante para aventureiros. Lucas conduziu seus parceiros por entre os combates barulhentos, evitando uma eventual Chuva de Meteoros ou Nevasca conjurada por bruxos.
Finalmente, chegaram até a entrada do “segundo nível”, como era chamado o local, da Floresta Encantada. Uma pedra marcava a passagem entre os dois locais. A pedra apresentava os dizeres: “Os que avançarem vão se machucar, mas terão coragem”. E o grupo avançou. O novo local era bem menos bonito. A terra era enlameada, as plantas eram escuras, e o silêncio era assustador
- Fiquem atentos daqui para frente. – Disse o Lorde, sacando sua Lança de Assalto. – Criaturas agressivas moram nessa parte da Floresta. Não é tão ruim quanto o Pântano, o “Terceiro Nível”, e nós não vamos para lá, mas mesmo assim, fiquem de olhos aber...
Nem teve tempo de completar a frase, 3 Baba-Yagas apareceram. Eram bruxas, quase humanas, e andavam sempre em cima de uma espécie de “pote” roxo. Ficavam constantemente dentro do tal “pote”, com uma vassoura na mão para abater os desavisados.
Os monstros avançaram no grupo. Sayuki – ou apenas “Yuki” – avançou primeiro e, mostrando a agilidade de uma Gatuna, se esgueirou entre os monstros e furtou-lhes rapidamente um Pilão Yaga. Ela passou reto e se escondeu, enquanto as Baba-Yagas optaram por continuar a avançar. Mitsuki rapidamente distribuiu suas bênçãos aos mais próximos, e Riuzaki avançou. Ergueu a espada e a desceu, anunciando o poderoso golpe.
- Impacto de Tyr!!
As Baba-Yagas voaram para trás com a potência do golpe. Leadrrow atirou uma Chuva de Flechas sobre elas. Sean atirou e Souran atacou e, logo, todas estavam derrotadas sem muito esforço.
Após poucos minutos de caminhada, onde não encontraram maiores problemas, o grupo finalmente chegou à cabana da Baba-Yaga. O Lorde bateu na porta com a ponta dos dedos. O local era modesto, bastante pequeno, mas tinha uma estrutura sólida. Lugar discreto e perfeito para uma pessoa viver sozinha.
O grupo não notou, mas um Justiceiro havia se aproximado e os observava, curiosos. Seu nome era Vash. Lucas o notou, e fez sinal para se aproximar.
- Prazer, meu nome é Vash...
- Prazer, Lucas.
- Acabei cruzando com vocês, fiquei curioso e resolvi segui-los. Espero que não se importe...
- Tudo bem, quando mais gente melhor, chega mais... – E explicou rapidamente a situação para o recém-chegado.
A Baba-Yaga abriu, um tanto de mal-humor.
- Crianças malditas, não sabem nem respeitar uma criatura ancestral?!
- Hey, senhorita Yaga, sou eu. – Disse Lucas, acenando levemente para a bruxa. Ao reconhecer o Lorde ela bufou, mas abriu espaço para todos entrarem. O interior da cabana era tão modesto quanto o exterior, mas tinha um belo caldeirão no centro, e muitos potes com criaturas e ingredientes diversos em prateleiras.
- Veio pra que?
Lucas pigarreou antes de respondeu
- Eu preciso da sua ajuda. Quero que você mostre a eles o que eu vi. Isso vai ajuda-los e entender a gravidade da situação. E eu gostaria de qualquer informação extra que você possa me dar a respeito.
- Pois bem, mas tem um problema. Eu não posso fazer nenhuma poção ou magia sem o meu Pilão, e eu o perdi!
- Hmm... A Gatuna pegou um Pilão Yaga no caminho para cá. – Disse Souran, olhando para Yuki.
- Ah, ótimo. Passa pra cá. – Disse a bruxa, estendendo a mão para a Gatuna de cabelos roxos, mas ela fez que não com a cabeça.
- Troca justa ou nada feito. – Disse a garota, sorrindo de maneira quase adorável – se não fosse o fato de que estava fazendo uma chantagem no momento.
O grupo olhou revoltado para a garota, mas a Baba-Yaga simplesmente pegou uma poção da prateleira.
- Odeio crianças, por isso como uma ou outra de vez em quando... Toma. – E passou o frasco para ela. A poção parecia uma poção branca, mas brilhava muito – Se acha uma poção de Alquimista potente, é porque ainda não experimentou uma dessas. Agora, o Pilão...
A gatuna passou o Pilão para a Baba-Yaga e embolsou sua poção.
A Baba-Yaga pôs-se a mecher no caldeirão. Eventualmente, pedia um frasco de seus ingredientes para algum dos membros do grupo que lhe passasse e, após uma curta espera, ela estava com uma substância de aparência estranha, uma poção cor de lodo. Tirou um frasco para cada presente e encheu os frascos com essa poção, e então, distribuiu os frascos. Como o grupo olhava para a poção desconfiados, a bruxa bebeu-a primeiro.
- Isso parece horrível... – comentou Mitsuki. Lucas respondeu:
- Não pode ser tão ruim. – E bebeu de um gole só. Teve que segurar a vontade de vomitar. Não era ruim, era horrível, tinha gosto de lodo misturado com água de esgoto. Ainda assim, o grupo fez força para tragar a poção. De repente, começaram a se sentir zonzos, então sonolentos, então desmaiaram.
Chovia em Prontera. Mas as gotas da chuva poderiam ser as lágrimas dos deuses, visto a incrível quantidade de sangue e cadáveres que assolava Prontera. Vários edifícios estavam destruídos ou quebrados. O grupo ficou em choque com a cena, menos Lucas é claro. A maioria conseguia reconhecer uma pessoa conhecida entre os cadáveres. Olhando melhor, eles notaram que estavam na “Praça das Mãos”, perto da Estátua da Amizade, que mostrava duas mãos se cumprimentando. Exceto pelo fato que os fragmentos das mãos estavam espalhados pelo chão. A Baba-Yaga estava ao lado deles, apenas observando tudo.
Então, outro Lucas apareceu. Ele estava suado e ensangüentado – era claro que estava lutando até o momento. Ele olhava, desolado, os cadáveres. Foi avançando e, por fim, tombou de joelhos próximo à ponte de entrada ao castelo de prontera... tinha perdido a esperança. Não havia porque lutar. Estava sozinho...
O grupo observou o Lucas “visão” com um misto de pena e atenção. De repente, sons de passos começam a ser ouvidos. O Lucas – real – estranhou. Não se lembrava disso. Era para a visão acabar ali. Os aventureiros se viraram.
Ao sul, uma vasta quantidade de pessoas marchava, rumo à Prontera. Lucas “visão” abriu um sorriso.
- Vamos voltar... – disse a Baba-Yaga. A realidade ao redor deles se desfez como um espelho quebrado. Então, lentamente, eles acordaram no mesmo lugar que estiveram dormindo. Vash esfregou os olhos, sonolento, e Souran bateu um pouco de algum líquido estranho de sua roupa.
- Eu não... acredito... isso é horrível... – Disse a sacerdotisa Mitsuki, com os olhos arregalados – Odin, porque...
- Se acalme garota. Uma visão não é um fato concreto, conforme eu já expliquei para o Lucas. É apenas um aviso. E esse aviso pode ser mudado... se algo for feito – Disse a Baba-Yaga, olhando para Lucas significativamente.
O Lorde veio pensando nisso durante os 7 dias que ligaram uma expedição e a outra. Somente uma idéia passara por tua cabeça. Era hora de por ela em prática. Ele acenou em resposta.
- Pessoal... – começou ele, agora que o grupo havia saído da Cabana – eu quero saber uma coisa. Até onde vocês estão dispostos a irem para impedir essa visão? Vocês estão dispostos a lutar até o fim?
- Sim. – Responderam, sem titubear. Lucas sorriu.
- Pois bem. Preciso mandar umas cartas. Até mais...
Mais tarde, naquele dia, Lucas estava de volta ao Trapesac, castelo que naquele momento era propriedade de seu clã, o Fire Emblem. Estava sentado em uma cadeira, debruçado sobre um pergaminho. Estava com uma carta em mãos, a primeira das várias que escreveria, direcionada a seu grande amigo e líder de clã, Garbas:
Caro Garbas
Um problema de grande gravidade chegou aos meus ouvidos. O mundo vai passar por sérias turbulências. Tempos negros estão por vir. Eu vou organizar várias pessoas em uma grande aliança de proteção. Gostaria de saber se podemos contar com a Fundação Esmero. Obrigado.
Assinado, Lucas, seu amigo.
Lucas reproduziu o conteúdo da carta, alterando-o de uma para outra. Tornava-se menos formal e mais explicativa com relação à tal “situação” dependendo de quem era o destinatário. Por fim, tinha 8 daquelas cartas em mãos. No dia seguinte iria a Geffen e pedir para despacharem as cartas, agora ele precisava dormir.
Aquela era a semente do que viria a se tornar o Exército da Chama: Uma carta para cada líder de clã que ele conhecia. Garbas da Fundação Esmero. Samuel Hopkins da Corporação Rekenber. Kemaryus da Ordem das Valquírias, Coonell dos Corsários de Aegir, Hiei da DarkScale Kerdied da Chama Prateada, Rockstar dos Guardiões de Freya e Maloro da Organização VII.
Alguns não iriam aceitar o convite, mas, mesmo assim, nascia aqui o Exército da Chama!
[O Exército da Chama – Capítulo 2 – De volta à Bruxa do Pântano]
O Lorde caminhava, cada passada retinia com um som metálico conforme suas botas metálicas batiam no chão de pedra da pacífica cidade de Izlude. Ao seu lado, uma ave gigante – Joe, o PecoPeco – dava passos duas vezes mais ligeiros que os de seu companheiro. Por fim, pararam em frente a um homem que era dono de um navio. Ele costumava levar as pessoas por metade do preço até Alberta, a cidade portuária. Lucas acenou brevemente para o homem, que sorriu, expondo seus dentes sujos. Então, o Lorde se sentou no chão.
- Peco?
- Eu marquei pra daqui meia-hora, calma Joe... logo eles chegam.
O loiro apreciou a brisa vinda do oceano. Aquilo era muito refrescante – especialmente se considerarmos que Lucas veste uma quentíssima armadura completa. O Peco gentilmente lambeu o rosto do dono e se sentou ao seu lado.
- Eu espero que, hoje, nós obtenhamos as respostas necessárias... e, sobretudo, que os outros entendam a situação...
A meia-hora passou. Os relógios marcavam 14 horas. Mas nada das pessoas aparecerem. Lucas franziu a testa. Mais vinte minutos... nada...
Somente quando bateu 14:30 é que algumas pessoas começaram a chegar – como Souran e Mitsuki, da Ordem das Valquírias.
Pouco a pouco mais gente começou a se juntar ali – alguns atraídos pela curiosidade, outros porque estavam atendendo o chamado de Lucas. Por fim, do grupo original que foi à Vila dos Orcs, realmente só Mitsuki e Souran haviam aparecido – o resto eram figuras novas, como Tsukishiro Sayuki, uma Gatuna que havia sido atraída por curiosidade, Leadrrow, um Arqueiro que havia visto as mensagens que Lucas espalhou pelo reino, Riuzaki, um Lorde do clã Leviatan, um clã de Guerra do Emperium, o Justiceiro Sean, membro da Organização VII, entre outros.
- Bom, amigos, vocês sabem bem porque estamos aqui. Quero que vocês me acompanhem a uma visita à casa de uma “amiga” minha... a Baba-Yaga de Moscóvia. A maioria não estava aqui da última vez, melhor eu explicar bem... descobrimos que tinham Orcs migrando da Vila dos Orcs. Ao questionarmos o Orc Herói, ele confirmou que isso se devia aos Orcs estarem sentindo algo “estranho” no ar, como se algo ruim fosse acontecer. Quero que vocês me sigam até a Baba-Yaga pois ela pode ter respostas. Todos prontos?
O grupo fez que sim com a cabeça. Lucas se virou para o capitão que estivera escutando-os esse tempo todo, interessado.
- Viagem para Alberta, por favor...
Alguns minutos depois, os aventureiros chegavam à Alberta. A brisa do mar os acolheu como uma carícia úmida. Após inspirar longamente, feliz, o Lorde seguiu à frente, conduzindo o grupo até outro barqueiro, que os levaria à ilha de Moscóvia.
A cidade fervilhava de pessoas que conversavam excitadas. Lucas não conseguia captar muitas informações das conversas, mas notou que o assunto principal tinha a ver com peixes. Ao chegar no cais, ele notou qual era: centenas de peixes boiavam mortos no mar.
- Já começou... – murmurou para si mesmo, enquanto se aproximava da barqueira que representava o povo de Moscóvia naquela região. Era uma mulher simpática, animada em demonstrar as maravilhas de sua terra e os levou, feliz – ao preço de dez mil Zennys por cabeça – para Moscóvia em seu barco.
Uma hora e pouco de navegação depois, eles estavam em Moscóvia. O grupo desceu no píer de madeira e pôs-se a observar. A ilha podia ser descrita com uma palavra: verde. Plantas fartas e exuberantes brotavam em todos os lugares que a vista alcançasse, acolhendo os estrangeiros. Havia uma trilha em meio às árvores que levava até a cidade propriamente dita mas, já no píer, havia um comércio muito intenso de mercadores, que gritavam, anunciando suas mercadorias. A balbúrdia era menor que em Alberta, mas mais sufocante por causa da falta de espaço. O clima era agradável, graças à abundância de vegetação, mas pendia bastante para o frio. Lucas estava bem aquecido, mas Leadrrow chegou a tremer levemente.
- Venham, venham... aposto que muitos de vocês nunca viram uma coisa dessas...
E, então, tirou um belo instrumento de sua mochila, que se assemelhava muito a uma harpa. Lucas começou a toca-lo e ficou óbvio na mesma hora porque ele era um Lorde e não um Bardo. De fato, a música era tão ruim que a água começou a tremer! Não, não era por causa da música. A água começou a abrir caminho para uma colossal baleia que emergiu. Ela era totalmente feita de pedra, e possuía vegetação às suas costas – inclusive umas poucas árvores e uma cabana. Não era uma baleia. Era uma ilha. A Ilha Baleia.
- Todos a bordo! – Disse Lucas, sorrindo.
Logo, haviam chegado à Ilha Floresta Encantada. O local era belo, haviam magníficas plantas para todos os lados, e Pé Grandes andavam alegremente pelo local, sem nada a perturba-los. O local exalava paz. Mas aquele não era o destino do grupo. Inabaláveis, os aventureiros seguiram até a entrada da Floresta Encantada. Aquele local era completamente diferente da paisagem paradisíaca atrás. Sim, as plantas eram até mais fartas e mais belas, e inocentes fadinhas verdes esvoaçavam pelo local, acompanhadas de velhas árvores humanóides. Seria um cenário paradisíaco – se não fosse o constante guincho de dor das fadas, os rugidos de fúria das árvores-vivas, os gritos de habilidades e magias sendo conjurados... o local era uma zona de guerra constante entre monstros e humanos, pois era um local de treino muito constante para aventureiros. Lucas conduziu seus parceiros por entre os combates barulhentos, evitando uma eventual Chuva de Meteoros ou Nevasca conjurada por bruxos.
Finalmente, chegaram até a entrada do “segundo nível”, como era chamado o local, da Floresta Encantada. Uma pedra marcava a passagem entre os dois locais. A pedra apresentava os dizeres: “Os que avançarem vão se machucar, mas terão coragem”. E o grupo avançou. O novo local era bem menos bonito. A terra era enlameada, as plantas eram escuras, e o silêncio era assustador
- Fiquem atentos daqui para frente. – Disse o Lorde, sacando sua Lança de Assalto. – Criaturas agressivas moram nessa parte da Floresta. Não é tão ruim quanto o Pântano, o “Terceiro Nível”, e nós não vamos para lá, mas mesmo assim, fiquem de olhos aber...
Nem teve tempo de completar a frase, 3 Baba-Yagas apareceram. Eram bruxas, quase humanas, e andavam sempre em cima de uma espécie de “pote” roxo. Ficavam constantemente dentro do tal “pote”, com uma vassoura na mão para abater os desavisados.
Os monstros avançaram no grupo. Sayuki – ou apenas “Yuki” – avançou primeiro e, mostrando a agilidade de uma Gatuna, se esgueirou entre os monstros e furtou-lhes rapidamente um Pilão Yaga. Ela passou reto e se escondeu, enquanto as Baba-Yagas optaram por continuar a avançar. Mitsuki rapidamente distribuiu suas bênçãos aos mais próximos, e Riuzaki avançou. Ergueu a espada e a desceu, anunciando o poderoso golpe.
- Impacto de Tyr!!
As Baba-Yagas voaram para trás com a potência do golpe. Leadrrow atirou uma Chuva de Flechas sobre elas. Sean atirou e Souran atacou e, logo, todas estavam derrotadas sem muito esforço.
Após poucos minutos de caminhada, onde não encontraram maiores problemas, o grupo finalmente chegou à cabana da Baba-Yaga. O Lorde bateu na porta com a ponta dos dedos. O local era modesto, bastante pequeno, mas tinha uma estrutura sólida. Lugar discreto e perfeito para uma pessoa viver sozinha.
O grupo não notou, mas um Justiceiro havia se aproximado e os observava, curiosos. Seu nome era Vash. Lucas o notou, e fez sinal para se aproximar.
- Prazer, meu nome é Vash...
- Prazer, Lucas.
- Acabei cruzando com vocês, fiquei curioso e resolvi segui-los. Espero que não se importe...
- Tudo bem, quando mais gente melhor, chega mais... – E explicou rapidamente a situação para o recém-chegado.
A Baba-Yaga abriu, um tanto de mal-humor.
- Crianças malditas, não sabem nem respeitar uma criatura ancestral?!
- Hey, senhorita Yaga, sou eu. – Disse Lucas, acenando levemente para a bruxa. Ao reconhecer o Lorde ela bufou, mas abriu espaço para todos entrarem. O interior da cabana era tão modesto quanto o exterior, mas tinha um belo caldeirão no centro, e muitos potes com criaturas e ingredientes diversos em prateleiras.
- Veio pra que?
Lucas pigarreou antes de respondeu
- Eu preciso da sua ajuda. Quero que você mostre a eles o que eu vi. Isso vai ajuda-los e entender a gravidade da situação. E eu gostaria de qualquer informação extra que você possa me dar a respeito.
- Pois bem, mas tem um problema. Eu não posso fazer nenhuma poção ou magia sem o meu Pilão, e eu o perdi!
- Hmm... A Gatuna pegou um Pilão Yaga no caminho para cá. – Disse Souran, olhando para Yuki.
- Ah, ótimo. Passa pra cá. – Disse a bruxa, estendendo a mão para a Gatuna de cabelos roxos, mas ela fez que não com a cabeça.
- Troca justa ou nada feito. – Disse a garota, sorrindo de maneira quase adorável – se não fosse o fato de que estava fazendo uma chantagem no momento.
O grupo olhou revoltado para a garota, mas a Baba-Yaga simplesmente pegou uma poção da prateleira.
- Odeio crianças, por isso como uma ou outra de vez em quando... Toma. – E passou o frasco para ela. A poção parecia uma poção branca, mas brilhava muito – Se acha uma poção de Alquimista potente, é porque ainda não experimentou uma dessas. Agora, o Pilão...
A gatuna passou o Pilão para a Baba-Yaga e embolsou sua poção.
A Baba-Yaga pôs-se a mecher no caldeirão. Eventualmente, pedia um frasco de seus ingredientes para algum dos membros do grupo que lhe passasse e, após uma curta espera, ela estava com uma substância de aparência estranha, uma poção cor de lodo. Tirou um frasco para cada presente e encheu os frascos com essa poção, e então, distribuiu os frascos. Como o grupo olhava para a poção desconfiados, a bruxa bebeu-a primeiro.
- Isso parece horrível... – comentou Mitsuki. Lucas respondeu:
- Não pode ser tão ruim. – E bebeu de um gole só. Teve que segurar a vontade de vomitar. Não era ruim, era horrível, tinha gosto de lodo misturado com água de esgoto. Ainda assim, o grupo fez força para tragar a poção. De repente, começaram a se sentir zonzos, então sonolentos, então desmaiaram.
Chovia em Prontera. Mas as gotas da chuva poderiam ser as lágrimas dos deuses, visto a incrível quantidade de sangue e cadáveres que assolava Prontera. Vários edifícios estavam destruídos ou quebrados. O grupo ficou em choque com a cena, menos Lucas é claro. A maioria conseguia reconhecer uma pessoa conhecida entre os cadáveres. Olhando melhor, eles notaram que estavam na “Praça das Mãos”, perto da Estátua da Amizade, que mostrava duas mãos se cumprimentando. Exceto pelo fato que os fragmentos das mãos estavam espalhados pelo chão. A Baba-Yaga estava ao lado deles, apenas observando tudo.
Então, outro Lucas apareceu. Ele estava suado e ensangüentado – era claro que estava lutando até o momento. Ele olhava, desolado, os cadáveres. Foi avançando e, por fim, tombou de joelhos próximo à ponte de entrada ao castelo de prontera... tinha perdido a esperança. Não havia porque lutar. Estava sozinho...
O grupo observou o Lucas “visão” com um misto de pena e atenção. De repente, sons de passos começam a ser ouvidos. O Lucas – real – estranhou. Não se lembrava disso. Era para a visão acabar ali. Os aventureiros se viraram.
Ao sul, uma vasta quantidade de pessoas marchava, rumo à Prontera. Lucas “visão” abriu um sorriso.
- Vamos voltar... – disse a Baba-Yaga. A realidade ao redor deles se desfez como um espelho quebrado. Então, lentamente, eles acordaram no mesmo lugar que estiveram dormindo. Vash esfregou os olhos, sonolento, e Souran bateu um pouco de algum líquido estranho de sua roupa.
- Eu não... acredito... isso é horrível... – Disse a sacerdotisa Mitsuki, com os olhos arregalados – Odin, porque...
- Se acalme garota. Uma visão não é um fato concreto, conforme eu já expliquei para o Lucas. É apenas um aviso. E esse aviso pode ser mudado... se algo for feito – Disse a Baba-Yaga, olhando para Lucas significativamente.
O Lorde veio pensando nisso durante os 7 dias que ligaram uma expedição e a outra. Somente uma idéia passara por tua cabeça. Era hora de por ela em prática. Ele acenou em resposta.
- Pessoal... – começou ele, agora que o grupo havia saído da Cabana – eu quero saber uma coisa. Até onde vocês estão dispostos a irem para impedir essa visão? Vocês estão dispostos a lutar até o fim?
- Sim. – Responderam, sem titubear. Lucas sorriu.
- Pois bem. Preciso mandar umas cartas. Até mais...
Mais tarde, naquele dia, Lucas estava de volta ao Trapesac, castelo que naquele momento era propriedade de seu clã, o Fire Emblem. Estava sentado em uma cadeira, debruçado sobre um pergaminho. Estava com uma carta em mãos, a primeira das várias que escreveria, direcionada a seu grande amigo e líder de clã, Garbas:
Caro Garbas
Um problema de grande gravidade chegou aos meus ouvidos. O mundo vai passar por sérias turbulências. Tempos negros estão por vir. Eu vou organizar várias pessoas em uma grande aliança de proteção. Gostaria de saber se podemos contar com a Fundação Esmero. Obrigado.
Assinado, Lucas, seu amigo.
Lucas reproduziu o conteúdo da carta, alterando-o de uma para outra. Tornava-se menos formal e mais explicativa com relação à tal “situação” dependendo de quem era o destinatário. Por fim, tinha 8 daquelas cartas em mãos. No dia seguinte iria a Geffen e pedir para despacharem as cartas, agora ele precisava dormir.
Aquela era a semente do que viria a se tornar o Exército da Chama: Uma carta para cada líder de clã que ele conhecia. Garbas da Fundação Esmero. Samuel Hopkins da Corporação Rekenber. Kemaryus da Ordem das Valquírias, Coonell dos Corsários de Aegir, Hiei da DarkScale Kerdied da Chama Prateada, Rockstar dos Guardiões de Freya e Maloro da Organização VII.
Alguns não iriam aceitar o convite, mas, mesmo assim, nascia aqui o Exército da Chama!
Fale com o autor