Um Conto Nada Perfeito
5 Finalmente... fui interrompido
Esbocei um sorrisinho sem graça e disse:
— Oi
— Esperava que você dissesse seu nome — disse ele sem nenhuma cerimônia — mas oi também serve. “Nossa, ou ele tem atitude ou é grosso mesmo”
Continuei com o sorriso xoxo nos lábios enquanto ele me analisava da cabeça aos pés, até perceber que ainda não tinha dito meu nome.
— Josh.
— Nome legal. “Então tá né”
— Acho que eu vi você na loja de materiais — rebati
— Sim, você esbarrou em mim — falou ele transparecendo um sorriso extremamente branco
— Me desculpe — disse sem graça
— Não tem o que desculpar.
Continuei ajeitando minhas coisas na mochila.
— Quantos anos você tem? — perguntou ele na esperança de ressuscitar a conversa
— 16, e você?
— 17
— Eu também — disse Erick atrás de mim
— Erick, este é Carter — apresentei
— Oi — falou Carter
— Olá — continuou Erick em tom de desdém — Vamos? — ele me perguntou
Acenei dizendo que sim.
— Foi um prazer te conhecer — falei educadamente
— Tenha certeza que o prazer foi todo meu — rebateu Carter com um sorriso sapeca
Erick fez uma cara de desaprovação, mas não liguei muito. Johanna levantou da cadeira onde estava sentada apenas observando toda a situação e nos acompanhou.
Quando chegamos no limite da escola, olhei pra trás e lá estava Carter, com a mesma feição de quando me observava na loja de materiais. Alguma coisa em seu olhar me atraia, talvez fosse sua seriedade ou algo do tipo, quando ele me olhava eu não conseguia decifrar seus pensamentos. Ele sabia ser misterioso “Uma característica muito atraente por sinal”.
Mas Erick parecia ler meus pensamentos, pois olhou pra trás e observou Carter com austeridade por alguns poucos segundos então se virou, pegou minha mão entrelaçando seus dedos nos meus e me puxou. “Embora tenha achado que a parte das mãos tenha sido um pouco de mais, continuei”
— Eei, vai com calma — protestei
Ele nem se dignou a me responder
— O que aconteceu com ele? — perguntei à Johanna
— Sinceramente, não tenho a mínima ideia.
A casa de Johanna é antes da minha e a de Erick, então à deixamos em casa e continuamos nosso rumo.
— Vai ficar o tempo todo emburrado?
— Não estou emburrado — falou Erick
— Então por que está calado? — rebati
— Porque não estou com vontade de falar — ele respondeu ríspido
— Grosso — disse eu largando sua mão que até então ainda estava entrelaçada a minha
— Desculpe, só estou um pouco pensativo — ele tentou se explicar
— Posso saber o que tanto te atormenta?
— São tantas coisas que nem sei mais o que é. — disse ele
“Confesso que continuei curioso mas não quis perguntar naquele momento”. Mudamos de assunto e falamos sobre qualquer coisa até chegarmos em minha casa. “Que ainda era antes da dele”
— Quer entrar? — perguntei
— Se não tiver problema — respondeu ele com uma feição meiga
Entramos e fomos direto para o quarto parando apenas par cumprimentar Rose, que estava preparando o almoço e dizia estar atrasada nos afazeres. Já lá em cima, continuamos a falar sobre musica “Um ponto em que convergíamos totalmente, pois ele gosta de Indie e Pop e eu também. Porém ele ainda conseguia ser mais eclético que eu”. Mas minha vontade de falar sobre o ‘tal assunto’ que na verdade eram muitos ainda não tinha passado, então arrisquei uma tentativa.
— Enfim... você não pode mesmo me contar o porque da preocupação?
— Por que você quer tanto saber? — perguntou ele
— Você mais do que ninguém deveria saber que sou curioso — falei cruzando as pernas como um índio em cima da cama enquanto o observava do outro lado do quarto, sentado na minha poltrona de rodinhas que eu tanto gosto.
— Se eu disser um dos motivos posso ficar livre de mais perguntas?
— Quem sabe?! — falei descontraído
Inicialmente ele pareceu desistir, mas tomou folego e me observou seriamente. “Fala logoooo”.
— Você.
“OI? Acho que não entendi direito, isso é bom ou ruim?”
— Eu sou um motivo de preocupação? Por quê?
Ele respirou fundo novamente e continuou:
— Porque eu gosto de você, mas nunca tive coragem de te dizer isso. Eu quero ser mais do que seu amigo. “Eita”
Ele parecia ter se livrado de um peso, mas eu estava muito pasmo pra pensar no que parecia ter acontecido com ele. “E agora? O que eu faço? Por que ele gosta de mim? Agora eu que tinha muitas preocupações.”
— Isso é sério? — perguntei assustado
— Eu sabia que não deveria ter falado — respondeu ele já arrependido
Minha metade sentimental estava gritando de alegria e quase me obrigando a pular em Erick para provar mais um pouco daquele beijo de coca-cola levemente amanteigado de ontem, enquanto a outra metade dizia que ser gay era errado, que eu era estranho por me sentir atraído por outros garotos ou até mesmo, repreendendo a metade sentimental.
Mais de um minuto se passou e nenhum dos dois disse nada, ficamos nos fitando, esperando que alguma coisa acontecesse e levasse este clima para bem longe. “Eu me sinto atraído por Erick, mas ele é meu amigo (menino), isso não é o que deveria acontecer. Eu deveria arranjar uma mulher pra namorar, casar e ter filhos” Mas alguma coisa nisso não me agradava. Não fazia sentido. “Por outro lado seria tão bom ter alguém para compartilhar meus medos, minhas alegrias, alguém que dedique alguns minutos do seu tempo para saber se estou bem e me mandar um beijo. Uma pessoa que se importe comigo de um jeito diferente, um jeito quem nem minha mãe ou meu pai, nem mesmo Rose poderiam ser para mim. Isso é o que Erick está me oferecendo, por que não aceitar?”
Nesta história haviam mais prós do que contras.
Mais um minuto havia se passado e Erick estava cansado daquilo. Pegou sua mochila para ir embora e como se fosse a pessoa mais sem graça do mundo ele estava com a mão na maçaneta de partida para qual quer que fosse seu destino.
— Espere! — eu falei impulsivamente
Ele continuou de costas e eu levantei para ir ao seu encontro.
— Eu acho que sinto o mesmo por você, mas ainda não sei lidar com isso.
Erick endireitou sua postura como se um lampejo de esperança o tivesse atingido e virou-se para me observar. Quando ele estava a minha frente eu podia sentir sua respiração levemente alterada, sentia seu perfume marcante que ainda não havia se esvaído depois de um dia de aula. Coloquei minha mão em seu peitoral forte e musculoso e fui subindo vagarosamente, sentindo todos os seus músculos retesados e tensos até que cheguei em seu pescoço. Meus olhos estavam fixos agora em sua boca rosada e sexy. Quando nossos olhos se encontraram eu podia jurar, nós tínhamos uma conexão forte, uma força gravitacional própria e nossos mundos estavam prestes a colidir.
— E agora? — sussurrou Erick
Eu me aproximei ainda mais e o beijei.
O beijo só poderia ser descrito por uma palavra: Perfeito. Nossos lábios se encaixavam de uma forma inimaginável. Meus olhos estavam fechados para apreciar a sensação que se tornava cada vez melhor.
Nossos corpos se entrelaçaram. O dele era quente de uma forma aconchegante, e assim como seu corpo, as coisas ficavam ainda mais quentes. Delicadamente, Erick pousou meu corpo na cama e seus beijos foram descendo para o meu pescoço, enquanto minhas mãos já estavam em sua cintura, na esperança de tirar a camisa dele o mais rápido possível, então ele parou de me beijar para que tanto ele como eu, pudéssemos tirar nossas camisas. Eu estava ficando excitado, e posso falar o mesmo de Erick, o volume em sua calça não mentia.
Quando voltamos a nos beijar minha mente estava no automático e eu só pensava no agora. Me apoiei em suas costas largas e bem divididas enquanto as mãos de meu companheiro estavam delicadamente preocupadas com meu cinto.
Aquela sensação era ótima e se tornou melhor ainda quando as mãos dele que antes estavam atentas ao meu cinto, chegaram ao seu destino.
— O almoço está... — disse Rose adentrando meu quarto inocentemente para nos avisar do almoço que agora estava pronto, mas não foi capaz de completar seu aviso pois estava chocada de mais com a cena que acabara de presenciar.
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