Um Certo Alguém

3 Capítulo 3 - Coragem Insana


— Moro, meu pai é dono do Flor do Lácio! – disse Débora.

— Sério? Nossa, eu sempre passo por lá, mas acho que nunca te vi... – Charles respondeu surpreso com tamanha coincidência.

— É, eu ajudo ele de vez em quando, mas por causa da faculdade eu tenho muitos trabalhos para fazer e provas para estudar, aí fica complicado ajudar sempre, mas talvez você tenha visto a minha irmã Cassandra lá.

— Ah sim, é uma menina loira, doidinha, né? Acho que eu a vi lá algumas vezes. – disse Charles já planejando comer algumas empadinhas do Flor do Lácio naquela semana para ter um pretexto de visitar Débora.

— Isso! É ela mesma! – respondeu Débora aos risos. – E falando nela, a doidinha está vindo aí, eu vim com ela hoje. – Débora reconheceu a irmã vindo em direção a ela.

— Oi Deby, não vai me apresentar seu amigo? – disse Cassandra olhando Charles de cima a baixo.

— Ah, Cassandra esse é o Charles, a gente acabou de se conhecer. – Débora respondeu timidamente.

— Oi Cassandra, tudo bem? — falou Charles sendo simpático.

— Oi barman gato, sempre te vejo por aqui. – respondeu Cassandra sorrindo.

— Agora que você falou, acho que me lembrei de você! A menina que faz coreografia na pista! – disse Charles divertindo-se.

— Sou eu mesma, a rainha da pista! – Cassandra respondeu se exibindo. – E então Debs, você já vai embora? Eu estou indo com a Adele, quer vir junto?

— Pode ser. – Débora respondeu meio tristinha, pois não queria se despedir de Charles.

— Olha, se você quiser eu te levo em casa depois, meu turno já está acabando mesmo, aí a gente pode conversar mais um pouquinho. O que você acha? – disse Charles com aquele sorriso lindo e olhou para Débora com aqueles incríveis olhos azuis, que ela não pôde resistir.

— Tá bom, então eu fico mais um pouquinho. – disse Débora olhando para Charles um pouco envergonhada.

— Ah, tá bom então, a gente se vê lá em casa Debs, até outro dia barman gato. — Cassandra falou olhando para os dois maliciosamente e foi seu reunir novamente com suas amigas para irem embora.

Após Cassandra ir para casa, os dois pombinhos continuaram a conversa. Charles descobriu que Débora estuda Química e trabalha na Bastille, ficou impressionado com a menina, ela era mais interessante do que ele imaginava e Débora soube que Charles, além de barman, era assistente de fotógrafo e adorava ler. Ela percebeu que ele era um bom rapaz, era esforçado e tinha dois empregos, porque ajudava seus pais que moram no interior.

Eles tinham muito em comum, gostavam praticamente das mesmas coisas, colocavam a família em primeiro lugar e não curtiam muito sair à noite, preferiam um programa mais caseiro. Débora nunca havia encontrado uma pessoa que se parecesse tanto com ela, na verdade achava que nunca encontraria, pois todos falavam que ela era meio careta por gostar de estudar e ficar em casa.

Débora pensava que nos dias de hoje jamais acharia uma pessoa como ela e ainda mais com o bônus da beleza de Charles, um garoto, ou melhor, um homem, já que ele tem 30 anos, muito lindo, que ela nunca imaginaria que olharia para ela. Mas ao longo da conversa, Débora percebeu que ele realmente estava interessado nela, assim como ela estava por ele. Parecia um sonho se tornando realidade, não que ela precisasse de um cara ao seu lado, mas seria legal ter alguém que se importasse com ela, alguém com quem ela pudesse contar. Ela não sabia como era isso e pela primeira vez em sua vida, ela tinha a esperança de que poderia viver um grande amor.

Enquanto os dois conversavam, Charles atendia os clientes e o tempo passou tão depressa que ele nem havia notado que seu turno já havia acabado. Conforme ele tinha prometido, acompanhou-a até sua casa, um prédio que ficava ao lado do Flor do Lácio, não muito longe da boate para a tristeza de Charles, que apesar de ter conversado com Débora praticamente a noite toda, ainda sentia que tinha sido pouco tempo.

— Então chegamos. – disse Charles sorrindo.

— Obrigada por ter me acompanhado, foi muita gentileza sua. – Débora falou sem jeito.

— Imagina, eu não iria deixar você vir embora sozinha à essa hora e eu prometi que te acompanharia. – Charles respondeu dando uma piscadinha que fez com que Débora corasse. – Adorei sua companhia hoje, as noites na boate sempre demoram a passar, mas por sua causa eu nem vi o tempo correr.

— É mesmo, passou bem rápido. – Débora disse ainda meio tímida, pois não sabia como se despediria dele.

— Eu gostaria de te ver de novo, será que você poderia me dar o seu número de telefone? Assim a gente podia marcar alguma coisa outro dia. – agora foi a vez de Charles ficar sem graça. Ele sabia que Débora era uma menina tímida e não queria assustá-la.

— Ah, claro que sim. – os dois trocaram os números de celular e quando Débora viu a hora, percebeu que já era muito tarde. – Nossa, eu tenho que entrar, meu pai deve estar preocupado, nunca fiquei fora de casa por tanto tempo.

— Verdade, está bem tarde mesmo, vou deixar você entrar e vou para a minha casa. – Charles respondeu triste por ter que deixá-la. Não sabia como, mas já estava com saudades daquela menina meiga com olhar doce. Ele só tinha vontade de beijá-la.

— Boa noite, Charles. Adorei conhecer você. – Débora falou e num impulso de coragem insana, ela o beijou na bochecha.

Charles a encarou por um momento e olhou diretamente em seus lábios e depois em seus olhos como se pedisse permissão para beijá-la, ela assentiu em silêncio. Então, quando seus lábios se encontraram, ambos sentiram a eletricidade passando por seus corpos. Débora se arrepiou com o toque e Charles aprofundou o beijo, mas num ritmo calmo e delicado. Os dois estavam em sintonia e à medida que iam explorando um ao outro, ficaram sem fôlego e só por isso tiveram que se separar.

Notas finais
Obrigada por ler! Se estiver gostando deixe um comentário ou alguma sugestão do que você quer ver nessa fanfic ;)