Um Castigo e Uma Recompensa
1 Todo mundo já partiu o bolo de forma errada
Notas iniciais
— Pega essa bola! — gritou John, logo recebendo uma resposta de Taylor.
– Joga direito, idiota!
– Não que eu seja o monitor do corredor ou me incomode com vocês, mas... Um corredor cheio de janelas de vidro e ainda por cima sem ninguém, o que nos torna intrusos e mais errados em nossas ações, não é o melhor lugar para...
A bola acertou em cheio a janela do diretor que por nossa surpresa saiu furioso da sala. O que? Ele não havia ido embora?
– Corre! — eles dois correram e claro que eu também, mas para meu azar...
– SIEGHART! VENHA AQUI AGORA! – gritou o diretor.
**
– Quem eram? — falou ele pela décima vez.
– Eram o que? – perguntei, sem emoções.
– Os seus dois amigos que estavam com você! — disse ele entre dentes.
– O que têm eles?
– Quem eram? — falou ele sem paciência.
– Eram o que?
– JÁ CHEGA! VOCÊ VAI PARTICIPAR DE TODOS OS CLUBES DE ATIVITADES CULTURAIS EXTRAS ESCOLARES EDUCATIVAS ESPECIAIS PARA O FIM DO ANO NO FINAL DE TODOS OS HORÁRIOS! TODOS OS DIAS! ATÉ O FIM DESSE ANO!
– Clubes de atividades escolares, não pera, atividades culturais educativas... — murmurei para mim mesmo tentando acertar o nome — Como se fala mesmo?
– TODOS OS ANOS ATÉ VOCÊ SE FORMAR!!!
Com certeza ele só podia estar brincando, não é mesmo...? Não é mesmo...?
**
Elesis narra :
– Sejam bem vindos crianças! — falou o professor de teatro em cima do palco.
No que parecia, nesse ano só teríamos cinco pessoas no clube de teatro contando comigo. Do mesmo jeito que aconteceu ano passado. Eu nunca me enturmei ou fiz amigos. O porquê? Algumas pessoas tinham preconceitos com minha situação econômica — ou seja, falta de dinheiro — , outras não iam com minha cara eu não sei por que motivo e outros eram... homens...
Ok, vocês devem estar se perguntando: Idai? O que tem serem homens? Você por acaso tem preconceitos com homens? E a resposta é não. Não tenho preconceitos, só... Não gosto deles... Não gosto de me apaixonar... E nem de correr esse risco... Não gosto de... De sentir dor... Traição, terminar, morrer... Tudo ligado a amor. Alguns pensam que estar em um mar de rosas é o ponto seguro e se esquecem de abrir os olhos.
E se a pessoa te trair? E se ela de repente terminar somente por não sentir mais interesse em você? E se ela... Morrer? E se você amar tanto ela que acaba tendo um choque horrível que lhe faz ficar triste por um tempo indeterminado? Isso... Com certeza acabaria com minha vida... Como aconteceu com minha mãe, tudo de uma vez. Que por tristeza morreu... ninguém sabe ao certo, mas ela é suspeita de suicídio.
Bom, isso fez de mim uma pessoa isolada e reservada. Não era uma coisa totalmente ruim, até começarem a fazer piadinhas de mau gosto comigo e brincarem com meus sentimentos. Graças às conversas do meu Onii-chan, eu consigo suportar isso dia após dia.
O que o professor falou a seguir me deu um choque. O que ele fazia ali?
– Temos um membro novo no clube de teatro. Pode se apresentar rapaz.
Sieghart, o rapaz mais bonito de toda escola. O que aquele garoto fazia ali? Me lembro muito bem dos amiguinhos dele xingarem os clubes culturais educativos...
– Meu nome é Sieghart e espero ser bem vindo ao clube de vocês. — ele falava sem emoções.
Com certeza ele achava que aqui era só um lugarzinho cheio de nerds e gente chata, mas... Por que ele entraria nesse clube? Eu não entendia...
Ele passou o olhar por mim naturalmente e minhas sobrancelhas se juntaram. Virei a cara. Não queria interagir com um cara daqueles.
– Sieghart, a peça que nós estamos fazendo é "A bela e a fera". Como nós já estamos adiantados você pode receber ajuda de alguém já experiente. Mas primeiro vamos ver qual vai ser seu papel. — informou o professor, levando Sieghart para atrás das cortinas.
Ouvi sussurros vindos do banco um pouco longe de mim, mas consegui ouvir bem. Não consegui distinguir quem falava o que.
– Ele com certeza vai tomar o lugar do Tomas como a fera.
– Claro! Ele é super popular e vai arranjar algum jeito de se aparecer mais.
– Só que a Bela não é uma das mais... belas. — ouvi risos e apertei minhas mãos em punho.
– Mas isso para ele é fácil mudar. É só chamar uma de suas namoradas e tirar Elesis do papel.
– Não sei como aquela menina conseguiu. Droga! Ela é tão feia!
– Realmente... – um menino riu.
– Você já a viu com uma roupa sem ser rasgada ou manchada? Ai credo! Ela tem que procurar melhor onde vai se vestir!
– Ela é ridícula! — risos e mais risos.
De novo. Isso já estava se tornando frequente. Saí de lá rapidamente, antes que minhas lagrimas escorressem revelando meu rosto vermelho. Senti raiva de mim mesma por ser tão fraca emocionalmente.
Corri para o banheiro e me tranquei. Estava bem escuro e eu não liguei se a luz estava acesa ou não. Na verdade preferia o escuro. Era mais aconchegante e eu tinha onde esconder meu rosto... Meu rosto ridículo...
Não sei mais nem como sobreviver a isso! De onde eu tirava tanta força para aturar até agora? Tudo doía o dobro cada dia mais e eu já não estava mais aguentando.
Chorei até adormecer. Sem me importa com mais nada.
**
– Ei. Acorda garota. Tá todo mundo te esperando. Espera aí... Você estava chorando? — senti alguém me balançar. Abri meus olhos percebendo que ele me carregava em seus braços e cutucava meu rosto.
– Q-Que... C-Como? — gaguejei tentando sair daquele abraço anônimo. Estava escuro de mais para eu detectar qualquer coisa a mais de 2 cm de mim.
Bati minha cabeça fortemente em algo quando tentei virar e correr.
– Ai! — caí para trás, de volta aos braços daquele alguém. Minha cabeça tombou em seu peito, perto do ombro e minhas costas em seu abdômen. Ele envolveu minha cintura e pousou sua bochecha em cima de minha cabeça.
– Acho que você é mais segura assim... — falou ele em um sorriso.
– Q-Quem é você?
– Você é bem diferente do que eu esperava. Seu cabelo é macio e cheiroso, assim como sua pele. Todos falam que...
– Tenho cabelo de vassoura e cheiro de peixe em um lixo estragado, é, eu sei...
– Na verdade, falam coisas piores. — ele riu. — Por que lhe chamam de feia, Bela?
– M-Meu nome é Elesis! — graças a Deus que estava escuro. Meu rosto estava estranhamente quente e tinha suspeitas que estava corado.
– É — ele riu — Eu sei. Mas seu papel é de Bela, não é?
– S-Sim. — droga! Por que estou gaguejando? Tentei sair novamente de seus braços, inutilmente.
– Você não vai sair daqui — ele sussurrou — Até nos conhecermos melhor.
Ele riu e meu rosto ficou vermelho. Quem era aquele cara?
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